Olha Só em novo endereço
Caros leitores, o Olha Só está em novo endereço: http://colunistas.ig.com.br/ricardocalil. Em breve, será feito o redirecionamento automático. Obrigado. Um abraço, Ricardo.
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Na coluna da Mônica Bergamo da “Folha de S. Paulo” de hoje, há uma notÃcia assustadora: o sindicato dos produtores de cinema quer combater a proliferação de festivais de cinema no Brasil. Como não poderia deixar de ser, o nome por trás da iniciativa é o onipresente Luiz Carlos Barreto.Â
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O veterano produtor afirma à “Folha”: “O Brasil gastou neste ano mais de R$ 70 milhões nesses eventos, dinheiro captado por lei de incentivo que poderia ter sido investido em dezenas de filmes. É uma verdadeira indústria e uma concorrência predatória com os cineastas. (…) Temos que acabar com essa farra. Não podemos apoiar qualquer biboca por aÃ.”
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Segundo levantamento do sindicato, há mais de 40 festivais no paÃs, “alguns até em cidades ribeirinhas do Amazonas”. A entidade pretende criar uma lista de festivais que teriam um “selo de qualidade”, para onde os cineastas poderiam enviar seus filmes - eventos como os de BrasÃlia, Gramado, Rio, PaulÃnia, Recife e Fortaleza.
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Acho que há alguns pontos importantes a considerar nessa notÃcia:Â
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1) Existem realmente festivais que são antes eventos de coluna social do que de cinema. Mas Barreto não deve estar se referindo a esses. Afinal, um ou dois deles estão na lista do “selo de qualidade” do sindicato.
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2) A maioria dos festivais cumpre pelo menos uma função essencial: garantir que filmes de qualidade com poucas chances no circuito comercial circulem minimamente, sejam vistos e comentados.
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3) Cidades ribeirinhas do Amazonas, povoados e vilarejos minúsculos têm tanto ou até mais direito a cinema quanto os grandes centros urbanos - já que não têm salas regulares em funcionamento.
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4) Barreto reclama que o investimento em festivais rouba dinheiro da produção de filmes - sem lembrar que a exibição faz parte da cadeia produtiva do cinema e que os festivais respondem por uma parcela desse setor.
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5) O produtor afirma que não se pode apoiar qualquer “biboca”, referindo-se aos festivais. Mas e se a “biboca” for um filme caro, feito com dinheiro incentivado, que tem pouco interesse artÃstico e público desprezÃvel? Como, por exemplo, “A Paixão de Jacobina” ou “Nossa Senhora de Caravaggio”, produzidos por Luiz Carlos e dirigidos por seu filho Fábio Barreto. Nesse caso, deve ser tomada alguma medida para evitar a proliferação desses filmes?
Ao pedir mudanças na cerimônia de entrega do Oscar, para evitar uma festa tediosa como a do último Emmy, o editor da “Variety”, Peter Bart, cometeu uma injustiça com “Ensaio sobre a Cegueira”. Ele escreveu o seguinte: “O único raio de esperança da Academia é que alguns prêmios sejam entregues a filmes que os espectadores realmente assistiram. Mas, a julgar pelo passado, os eleitores do Oscar vão preferir ‘Ensaio sobre a Cegueira’ a ’Batman - O Cavaleiro das Trevas’. Isso vai garantir que o Oscar siga o caminho do Emmy.”
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O problema não é usar a obra de Fernando Meirelles como exemplo de filme chato. Mas sim comparar a segunda maior bilheteria americana da história (”Cavaleiro das Trevas”) com um trabalho que ainda nem estreou nos Estados Unidos (”Blindness” entra em cartaz por lá nesta sexta-feira).
Ao ler o The Medium, blog de vÃdeos online do “New York Times”, trombei com uma nota sobre o lançamento do site de Gwyneth Paltrow (peço perdão pela frivolidade do assunto). Ainda não tem muito conteúdo por lá, mas é o suficiente para cravar que se trata do pior site pessoal da internet.
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GOOP, como o bicho é chamado, consegue reunir num espaço mÃnimo um número recorde de clichês de auto-ajuda, a começar pelo seu slogan, algo como “nutra seu eu interior”. Lá vão alguns outros espalhados pelo site:
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“Minha vida é boa porque eu não sou passiva com ela”
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“Eu quero nutrir o que é verdadeiro, e quero fazer isso sem perder tempo”
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“Eu adoro estar em espaços que são limpos e agradáveis”
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“Não seja preguiçoso. Faça exercÃcios e não desista deles”
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Eu não sei que tipo de produto ela irá vender em breve no site (além do produto Gwyneth Paltrow). Mas a atriz não deve estar tão necessitada de dinheiro assim para pagar um mico desses. Um caso clássico de vergonha alheia.
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Com seu rosto de beleza clássica e seus olhos azuis, Paul Newman poderia ter sido apenas um grande galã. Mas ele sempre fez questão de representar contra seu tipo e deu preferência a personagens desajustados, rebeldes, fracassados. Esse foi o golpe de mestre de Newman. Ele tornou-se, assim, um dos melhores atores da história do cinema. E, por isso, sua morte de câncer aos 83 anos representa uma das maiores perdas recentes de Hollywood.
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Seu primeiro grande papel veio de um acaso trágico: ele substituiu James Dean, morto em um acidente de carro em 1955, no papel de um boxeador desfigurado no telefilme “The Battler”, adaptado da obra de Ernest Hemingway. Mas no começo ele foi comparado negativamente a outra lenda da época, Marlon Brando, por fazer uma versão um tanto maneirista do famoso Método de interpretação do Actors Studio.
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Rapidamente, Newman refinou seu trabalho e tornou-se um ator maduro, atingindo uma performance notável em “Desafio à  Corrupção” (1961) como Fast Eddie Felson, um jogador de sinuca fracassado (na foto acima). Ele ganharia seu primeiro Oscar 26 anos depois em “A Cor do Dinheiro” (1987), fazendo o mesmo papel, mas agora como o mentor de Tom Cruise. Foi uma das grandes injustiças de Hollywood: seu desempenho no primeiro filme era bastante superior, assim como em vários outros trabalhos de sua carreira.
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No total, Newman foi indicado 10 vezes ao Oscar (nove como ator, uma como produtor), ganhando apenas uma estatueta competitiva - além de duas honorárias. Algumas de suas interpretações mais marcantes vieram em parceria com Robert Redford, a dupla mais espetacular do cinema americano dos anos 70, como em “Butch Cassidy e Sundance Kid” (1969) e “Golpe de Mestre” (1974).
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Como escreveu o “New York Times” no obituário de Newman, ele criou nesses filmes uma das maiores personificações do homem “cool” da história do cinema . Uma imagem que ele transportou também para sua vida real - com um dos casamentos mais estáveis de Hollywood (com a atriz Joanne Woodward), uma conhecida aversão a badalações, uma carreira bem-sucedida como piloto de automóveis e um trabalho sério de caridade feito com o dinheiro arrecadado com sua marca de molhos e pipocas. Pela talento como ator e a integridade como pessoa, Newman fará muito falta.
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Nesta brilhante falsa montagem feita por MBelinkie e postada no YouTube, Bush enfrenta a oposição de ninguém menos que o Coringa a seu plano de salvação econômica:
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E, se você não está cansado de ver o Bush apanhar, lá vai o trailer de “W”, de Oliver Stone:
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Você votaria em um polÃtico por causa de seu filme preferido? A princÃpio, a possibilidade não é tão louca assim. O gosto cinematográfico é, para mim, uma das melhores maneiras de entender uma pessoa. Mas comecei a mudar de idéia depois de ver a lista de filmes preferidos dos presidentes americanos - e também de ex e atuais candidatos. Lá vai:
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John F. Kennedy: “Spartacus”
Richard Nixon: “Patton”
Ronald Reagan: “Matar ou Morrer”, de Fred Zinneman
George W. Bush: “Austin Powers - O Agente Bond Cama”, “Falcão Negro em Perigo” e “O Resgate do Soldado Ryan” (dependendo do interlocutor)
Bill Clinton: “Campo dos Sonhos”
Al Gore: “Tron”
John McCain: “Viva Zapata!”
Barack Obama: “O Candidato”
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Se gosto cinematográfico fosse plataforma de campanha, McCain seria melhor candidato que Obama; Al Gore não seria assim tão superior a Bush; Clinton faria feio diante de Reagan; Kennedy e Nixon estariam em empate técnico. É, melhor se fiar em outros atributos.
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Nos Estados Unidos, eles chamam de “sleeper hit” - um sucesso adormecido, que demora a acordar. Os americanos têm nome mesmo para tudo. Mas o crÃtico Leonardo Mecchi, que chamou atenção para o fato na lista de discussão da revista Cinética, conseguiu uma boa versão brasileira para a expressão: um sucesso “mineirinho”, come-quieto.
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Ele se referia a “Era Uma Vez”, de Breno Siveira, que acaba de atingir os 500 mil espectadores. Tudo bem, você talvez dirá que não é um número excepcional, que o próprio diretor já havia feito mais de 5 milhões de público com “2 Filhos de Francisco”, o maior sucesso da chamada “retomada”.
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Mas o que impressiona em “Era Uma Vez” - e o que o credencia ao tÃtulo de “sleeper hiet” - é sua perenidade. Como aponta Mecchi, o filme está em cartaz há nove semanas - mesmo perÃodo de “Batman”. E neste útimo fim de semana teve quase o dobro de público do blockbuster americano, com 30 cópias a mais.
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Uma das teorias para esse sucesso é a campanha de divulgação maciça da Globo Filmes. Mas o fato é que marketing não resolve se o público não aprova. O mais provável é que seja um daqueles casos cada vez mais raros no cinema brasileiro de sucesso boca-a-boca. A imprensa foi na média desfavorável ao filme (incluindo este crÃtico aqui). Mas o espectador, em particular o carioca, comprou o filme.
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Dois mega acordos anunciados no final de semana mostram que a crise em Wall Street ainda não afetou Hollywood, segundo o site FilmeB. Um deles foi a concretização da parceria entre a Dreamworks, de Steven Spielberg, e o grupo Reliance ADA, do indiano Anil Ambani, um dos homens mais ricos do planeta.
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O grupo indiano investirá US$ 500 milhões em uma nova Dreamworks, que também receberá US$ 700 milhões de empréstimo do banco JP Morgan Chase. Com o acordo, a empresa de Spielberg rompe sua parceria com a Viacom/Paramount e torna-se a maior companhia independente de cinema do mundo.
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O outro grande acordo foi um aporte de US$ 350 milhões do mesmo JP Morgan Chase e do banco Comerica para a Media Rights Capital, empresa independente que investiu em filmes como “Babel” e “Linha de Passe”. Uma boa notÃcia é que parte desse dinheiro irá produzir três longas de M. Night Shyamalan.
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Nessa história toda, mais surpreendente que o fato de sobrar dinheiro para Hollywood em meio à crise é que ainda chamem de “independentes” companhias com esse volume de dinheiro.
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Você sabe que algo ou alguém ficou velho quando decidem lhe dar um prêmio honorário. A vÃtima da vez é o Dogma 95. A Academia Européia de Cinema irá conceder um desses prêmios aos criadores do movimento dinamarquês - Lars von Trier, Thomas Vinterberg, Søren Kragh-Jacobsen e Kristian Levring - em uma cerimônia no dia 6 de dezembro em Copenhague.Â
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O Dogma influenciou profundamente o cinema mundial (tanto em termos estéticos quanto de produção), rendeu um punhado de bons filmes (e vários truques), mas Von Trier conseguiu se reinventar para construir uma carreira sólida (em geral, longe das regras do movimento). Só faltava uma pá de cal para enterrar de vez o movimento. Nesse caso, nada melhor que um prêmio honorário.
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