05/07/2008 - 22:09h

Por que Hollywood não sabe fazer terror

“(…) Uma coisa que me parece clara, olhando para os 10 ou 12 filmes que realmente me assustaram, é que a maioria dos grandes filmes de terror são trabalhos de baixo orçamento com efeitos especiais criados no porão ou garagem de alguém. Entre aqueles que realmente funcionam, estão “O Parque Macabro”, “Halloween”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “A Noite dos Mortos Vivos” e “A Bruxa de Blair”. Todos custaram quase nada para fazer e arrecadaram milhões, enquanto suas seqüências e remakes em geral são lixo (”Despertar dos Mortos”, em suas duas encarnações, é a exceção que prova a regra.”

 

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“(…) O horror não é um espetáculo, e nunca será. Horror é uma atriz desconhecida, talvez sua vizinha, escondendo-se em uma cabana com uma faca em suas mãos que, nós sabemos, ela não será capaz de usar. Horror é a cena do filme “The Strangers” em que Liv Tyler tenta se esconder embaixo da cama… e descobre que ela não cabe lá.”

 

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“Mais um problema: grandes filmes demandam grandes explicações, que geralmente são cansativas, e grandes panos de fundo, que normalmente são enfadonhos. Se um estúdio vai gastar de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões na esperança de arrecadar US$ 300 milhões ou US$ 400 milhões, eles sentem a necessidade de enfiar O SIGNIFICADO DE TUDO na garganta do público. Há um serial killer? Então sua mãe não o amava (insira um flashback). Um monstro do espaço? Seu planeta explodiu, claro (e a pobre criatura provavelmente precisa de uma mulher gostosa da Terra para reproduzir). Mas pesadelos existem fora do domínio da lógica, e não há graça nas explicações; elas são a antítese da poética do medo.”

 

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“Por isso não posso imaginar que nada do novo “X-Files” poderá se comparar com o diálogo entre o personagem de Liv Tyler com uma mulher mascarada que invadiu sua casa em uma das mais aterradoras cenas do filme “The Strangers”.

“Por que vocês está fazendo isso conosco?”, ela sussurra. Ao que a mulher com máscara de boneca responde, com uma voz mortífera: “Porque vocês estavam em casa.”

No final das contas, essa é toda a explicações que um bom filme de horror precisa.”

 

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Os trechos acima são de um bom arrtigo do escritor de terror Stephen King publicado pela revista “Entertainment Weekly” e intitulado “Filmes de Terror: Por que os Lançamentos de Grandes Estúdios Raramente Assustam”. Ele compara o novo e caro “Arquivo X” com o barato “The Strangers” para defender a idéia de que os filmes de horror só têm a lucrar com a criatividade trazida pela escassez. Vale a leitura.

04/07/2008 - 22:25h

O renascimento dos drive-ins

Depois de duas décadas ameaçados de extinção, os drive-ins vivem uma fase de renascimento nos Estados Unidos, revela uma repotagem da revista “Time”. Hoje há 400 drive-ins em atividade no país - um número ainda muito distante dos 4 mil que existiam nos anos 50, mas que garante uma sobrevida a essa modalidade de cinema ao ar livre, que acaba de virar tema do documentário “Going Attractions: The Rise and Fall of the Drive-in as an American Icon”.

 

Segundo a “Time”, os drive-ins tornaram-se um ícone americano por unir duas grandes paixões do país: cinema e carros. Como no Brasil os drive-ins são motéis para transar em carros, é natural supor que o sexo substituiu o cinema como grande paixão brasileira… Brincadeiras à parte, é uma pena que a moda do drive-in cinematográfico nunca tenha pego no Brasil. Eu, por exemplo, nunca fui a nenhum.

03/07/2008 - 18:35h

Ano de ouro para as animações

 

Esta foi uma semana histórica no Brasil para quem gosta de animações. Uma semana depois da estréia do brilhante “Wall-E”, o melhor filme da Pixar desde “Procurando Nemo” (e também o grande filme americano do ano até aqui), chega agora aos cinemas o simpático, às vezes hilário, “Kung Fu Panda”, por sua vez o melhor trabalho do concorrente Dreamworks desde o primeiro “Shrek”. A proximidade do lançamento dos dois filmes nos lembra que boa parte da inteligência hollywoodiana está concentrada hoje no universo das animações.

 

Como a Pixar (mas sem a mesma excelência), a Dreamworks tem como ponto de partida a reciclagem do cinema do passado.- o que fica claro mais uma vez tanto em “Wall-E” quanto em “Kung Fu Panda”. Mas, enquanto as Pixar junta os casos da velha Hollywood para criar um conceito novo, a Dreamworks essencialmente tenta satirizar antigos gêneros. Na série “Shrek”, foram os contos de fada, em especial os da Disney (hoje proprietária da Pixar). No novo filme, claro, são os velhos filmes de kung fu.

 

Dirigido por Mark Osborne e John Stevenson, “Kung Fu Panda” faz um pastiche bastante competente dos principais clichês visuais (lutas em câmera lenta com ângulos inusitados), sonoros (barulhos expressionistas de golpes) e narrativos (a relação entre mestre severo e discípulo relaxado) dos filmes de artes marciais. Some a isso a sacada de colocar um panda preguiçoso e desajeitado no papel de aprendiz e de dar a ele a voz e os trejeitos de um dos melhores comediantes da nova geração (Jack Black)… e temos um desenho irresistível para crianças e adultos.

01/07/2008 - 22:40h

“Casseta & Planeta” e o Programa Risada Zero

Um bloco inteiro de “Casseta & Planeta Urgente” nesta noite de terça-feira, zero risadas. Antigamente, havia uma ou duas ao menos, especialmente nas paródias de novela. Os comediantes do grupo não parecem mais acreditar nas próprias piadas e nem se esforçam muito para disfarçar. Sei que a avaliação é 100% idiossincrática, mas algo me diz que estamos presenciando o esgotamento de uma fórmula de humor, por uma simples questão de cansaço das peças.

 

 

30/06/2008 - 19:50h

O retorno de Cheeta

 

Parem as máquinas! Uma das estrelas mais queridas de Hollywood irá voltar à ativa depois de uma aposentadoria de mais de quatro décadas. O chimpanzé Cheeta, estrela de 12 filmes de Tarzan ao lado de Johnny Weissmuller nas décadas de 30 e 40, participará em breve de uma gravação musical e de um DVD, além de publicar um livro de memórias.

 

Aos 76 anos, Cheeta é apontado pelo Guinness Book como o chimpanzé mais velho do mundo (na foto ao lado, ele aparece em seu 75° aniversário). Seu último papel no cinema foi em “Doutor Dolittle” (1967), com Rex Harrison.

 

O dono e empresário de Cheeta, Dan Westfall, vai lançar em breve um single em que o chimpanzé faz um cover do clássico country “Convoy”, que poderá ser baixado apenas pelo iTunes. E, para promover a música, ele lançará também um DVD em que ele aparece arregalando os olhos diante de uma mulher de biquíni. Já o livro de memórias “Me Cheeta” - com todos os detalhes da vida do chimpanzé, incluindo seu nascimento na Libéria, sua carreira em Hollywood e a rotina familiar com a mulher e o filho - virá a público em fevereiro de 2009.

 

Segundo Westfall, Cheeta tem diabetes do tipo 2 há nove anos, o que o obriga a tirar sangue duas vezes ao dia. Mas ele continua aproveitando a vida em um abrigo de Palm Springs, tomando sol na piscina, assistindo TV e ouvindo seu grupo preferido, The Monkees. Ele também faz pinturas abstratas que já foram leiloadas por até US$ 10 mil.

 

Por sete vezes, Westfall tentou conseguir uma estrela na Calçada da Fama para Cheeta, a última delas no mês passado, mas nunca foi atendido. “Ele é a luz da minha vida, e eu sou a dele”, disse o empresário ao jornal “The New York Post”. Pode até ser, mas essa história de lucrar um extra com um animal doente de 76 anos é pura maldade.

 

29/06/2008 - 23:01h

Crise econômica é boa para o cinema

O cinema sempre foi a válvule de escape preferencial para tempos sombrios nos Estados Unidos, desde a época da Grande Depressão até os dias de hoje. Em meio a uma das maiores crises econômicas da história do país, o cinema americano vem batendo recordes de bilheteria em sua temporada de verão, com uma arrecadação 4% superior ao do mesmo período do ano passado - puxado por fenômenos como “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, “Homem de Ferro” e outros.

 

Os novos sucessos dessa lista são “Wall-E” e “Wanted”, que estrearam neste final de semana com bilheterias de respectivamente US$ 62,5 milhões e US$ 51,1 milhões, bem acima do esperado. Com o dólar em baixa, os americanos estão viajando menos e indo mais ao cinema - uma forma de escapismo mais barata e menos distante.

 

Invertendo a tese, a culpa das bilheterias fracas no Brasil deve ser do real forte…

27/06/2008 - 06:24h

Os melhores robôs do cinema

Aproveitando o lançamento de “Wall-E”, a “Entertainment Weekly” decidiu fazer uma lista dos melhores robôs da história do cinema - na qual o protagonista do filme da Pixar certamente merece estar. Não há muito o que discutir na escolha do número 1: a dupla C-3PO e R2-D2, de ”Star Wars”, que marcou gerações de espectadores (R2-D2 foi inclusive a principal referência de ”Wall-E”).

 

A lista tem vários nomes essenciais (Maria de “Metropolis”, Gort de “O Dia em que a Terra Parou”, “Robocop”, “O Exterminador do Futuro”) e outros discutíveis (Gigolo Joe de “A.I. - Inteligência Artificial”, Keanu Reeves e Alex Winters como os robôs teens do esquecível “Bill & Ted - Dois Loucos no Tempo”). E pelo menos uma grande ausência: o replicante Roy Batty, interpretado por Rutger Hauer, em “Blade Runner”.

26/06/2008 - 21:36h

Um Desenho Inconveniente

Depois de “Ratatouille†- filme com nome difícil de pronunciar sobre um rato cozinheiro apaixonado pela França -, era de se esperar que a Pixar não quisesse correr mais riscos. Mas “Wall-E†- nova animação da produtora, que estréia nesta sexta-feira – é seu mais corajoso trabalho. Trata-se de um longa praticamente mudo sobre um robô solitário, sem bichinhos que falam ou cantam, sem estrelas no seu elenco de vozes. Além disso, ”Wall-E” traz uma das críticas mais contundentes ao mundo corporativo, à sociedade de consumo e ao descaso com o meio ambiente que Hollywood já produziu – o que fez o “New York Times†chamá-lo carinhosamente de “Um Desenho Inconvenienteâ€, em referência ao documentário sobre Al Gore.

 

Por um lado, existe um claro paradoxo nessa atitude. Afinal, a Pixar foi comprada há apenas dois anos pela gigante Disney e faturo alto com o merchandising de produtos relacionados ao filme. Por outro, me parece bastante saudável que, mesmo no coração do sistema, a produtora se esforce para manter a ousadia da forma e do conteúdo que sempre marcou seus filmes.

 

No ano 2700, séculos depois de toda a humanidade ter abandonado a Terra, o antiquado robô Wall-E passa os dias limpando os dejetos deixados para trás pela corporação Buy n’ Large, que dominava o planeta. Até que surge do espaço a avançada robozinha Eva, em busca de sinais de vida na Terra. Wall-E apaixona-se à primeira vista e segue Eva até uma gigantesca nave espacial que abriga os sobreviventes da humanidade, um grupo de pessoas obesas que, ainda controlados pela Buy n’ Large, vive comendo junk food, vendo televisão e passeando em poltronas voadoras – visão ao mesmo tempo assustadora e engraçada sobre o futuro da raça humana.

 

Dirigido por Andrew Stanton (de “Procurando Nemoâ€), “Wall-E†consegue alinhavar uma série de referências – Charles Chaplin a Woody Allen, “2001†a “Star Wars†– para criar uma personalidade própria. Esse é apenas um dos muitos equilíbrios entre extremos alcançado pelo filme: passadista e futurista, artesanal e digital, romântico e político, fofo e ácido. Em outras mãos, seria uma mistura indigesta. Nas da Pixar, o resultado é brilhante – o melhor da produtora desde “Nemoâ€.

25/06/2008 - 22:19h

Almodóvar sobe nas tamancas

Pedro Almodóvar escreveu uma carta irada ao jornal britânico “The Guardian” para protestar contra um artigo batizado de “A maldição de Almodóvar”, a respeito do London Spanish Film Festival. No texto, o jornalista Paul Julian Smith afirmou: “Um nome gigantesco pode derrubar a indústria cinematográfica de um país monopolizando o interesse internacional. É por isso que o festival é importante…”.

 

Almodóvar responde: “É profundamente injusto, e também um tanto bobo, me culpar pela ausência dos filmes espanhóis nos cinemas britânicos. É injusto comigo e com a realidade. E a realidade é que, segundo números publicados Conselho Britânico de Cinema, 96,3% da bilheteria entre janeiro e agosto de 2007 foi para filmes de língua inglesa. E 1,3% foi o total para filmes de outras línguas da Europa continental.

 

Essa é a dura verdade, senhor Smith! Uma participação no mercado de 1,3% para a Grécia, Portugal, Romênia, Bélgica… Espanha. O mercado britânico não deixa espaço para que o público descubra filmes feitos em outras línguas. Você realmente acredita que eu posso ser considerado responsável por isso!?”

 

O jornal publicou uma tréplica tentando botar panos quentes no assunto. Mas o estrago já estava feito. E, no caso, não há muitas dúvidas de que Almodóvar está com a razão. O mais incrível nessa história é que ele se tenha dado ao trabalho de responder ao jornal em meio às filmagens de seu novo longa.

24/06/2008 - 19:31h

Deus e o Diabo no Hotel Califórnia

 

Certos vídeos do YouTube já nascem clássicos. É o caso da versão mística de “Hotel California” cantada pela dupla Asusana e Alíbera para divulgar o site de INRI Cristo, que se diz a nova encarnação de Jesus. Certo, elas já haviam cometido há um mês uma versão de “Umbrella”, de Rihanna, que se tornou um fenômeno na rede. Mas, com “Hotel California”, as duas se superaram em todos os sentidos (afinação, letra e devoção) e transformaram uma música do capeta em obra divina. Mas, com o perdão da blasfêmia, vamos combinar que a discípula de INRI Cristo que divulga o clipe é um pecado.