30/09/2008 - 21:22

Sabe a última do Barretão?

Na coluna da Mônica Bergamo da “Folha de S. Paulo” de hoje, há uma notícia assustadora: o sindicato dos produtores de cinema quer combater a proliferação de festivais de cinema no Brasil. Como não poderia deixar de ser, o nome por trás da iniciativa é o onipresente Luiz Carlos Barreto. 

 

O veterano produtor afirma à “Folha”: “O Brasil gastou neste ano mais de R$ 70 milhões nesses eventos, dinheiro captado por lei de incentivo que poderia ter sido investido em dezenas de filmes. É uma verdadeira indústria e uma concorrência predatória com os cineastas. (…) Temos que acabar com essa farra. Não podemos apoiar qualquer biboca por aí.”

 

Segundo levantamento do sindicato, há mais de 40 festivais no país, “alguns até em cidades ribeirinhas do Amazonas”. A entidade pretende criar uma lista de festivais que teriam um “selo de qualidade”, para onde os cineastas poderiam enviar seus filmes - eventos como os de Brasília, Gramado, Rio, Paulínia, Recife e Fortaleza.

 

Acho que há alguns pontos importantes a considerar nessa notícia: 

 

1) Existem realmente festivais que são antes eventos de coluna social do que de cinema. Mas Barreto não deve estar se referindo a esses. Afinal, um ou dois deles estão na lista do “selo de qualidade” do sindicato.

 

2) A maioria dos festivais cumpre pelo menos uma função essencial: garantir que filmes de qualidade com poucas chances no circuito comercial circulem minimamente, sejam vistos e comentados.

 

3) Cidades ribeirinhas do Amazonas, povoados e vilarejos minúsculos têm tanto ou até mais direito a cinema quanto os grandes centros urbanos - já que não têm salas regulares em funcionamento.

 

4) Barreto reclama que o investimento em festivais rouba dinheiro da produção de filmes - sem lembrar que a exibição faz parte da cadeia produtiva do cinema e que os festivais respondem por uma parcela desse setor.

 

5) O produtor afirma que não se pode apoiar qualquer “biboca”, referindo-se aos festivais. Mas e se a “biboca” for um filme caro, feito com dinheiro incentivado, que tem pouco interesse artístico e público desprezível? Como, por exemplo, “A Paixão de Jacobina” ou “Nossa Senhora de Caravaggio”, produzidos por Luiz Carlos e dirigidos por seu filho Fábio Barreto. Nesse caso, deve ser tomada alguma medida para evitar a proliferação desses filmes?


Comentários
  1. anrafel:

    Barretão não se conforma que 70 milhões sejam gastos pelo governo em cinema nem unzinho vá parar na sua conta bancária nem em filmes do clã.

  2. Ana Beatriz:

    Olá Ricardo,

    Sou leitora do seu blog e não entendo tanto de cinema qto vc, ainda assim, convido-o para conhcer o meu blog:http://diretoparaoaltar.arteblog.com.br/

    É um espaço sem grandes pretensões, dedicado sobretudo à minha paixão pelo cinema e pela arte de atuar. Pouco texto, muita energia circulante e humor. Pode dar uma passadinha por lá que eu sei que vc vai curtir. É um local para recarregar as baterias ; ) (olha a pretensão ; )

    E como dizia Manuel Bandeira sob licença poética, apareça sempre para tomar um suco de alegria, ou de tristeza, qdo for o caso…

    Abraço da Ana

  3. Drex:

    Oi Ricardo,

    A capa do Caderno2 do Estadão de hoje abordou esse “paradoxo” - teremos este ano uma verba recorde para a produção de cinema (algo em torno de 74 milhões), enquanto o público médio dos filmes nacionais vem caindo nos últimos dois anos.

    Realmente, com o orçamento já garantido na mão, parece que para nossos produtores não interessa muito ter público…

  4. Thiago:

    Ainda bem que alguns críticos influentes, como você, não deixam essas asneiras serem ditas impunemente. É o tipo de coisa que ele diria num programa do Amaury Jr… E seria aplaudido. É curioso como ele fala como se fosse dono do dinheiro. Eles gostam é da mordaça, porque quando há democracia (que para ele é farra) ninguém precisa aplaudir os fimes da família Barreto.

  5. cristofer:

    Talvez Barretão devolva também uma parte pomposa de seus orçamentos faraônicos conquistados com “menos dificuldades” que outros produtores “menos consagrados”, se é que me entendem!!! Abraços Calil

Deixe um comentário