A revelação de um cineasta
DifÃcil acreditar que o diretor de “Nome Próprio†seja o mesmo Murilo Salles de “Seja o que Deus Quiser!†(2003). Enquanto seu trabalho anterior fazia um retrato distanciado, na beira do caricatural, da juventude brasileira, sua nova obra é um mergulho sem rede de proteção na alma de uma só jovem. Um generoso exercÃcio de entrega de um filme a uma personagem e uma atriz – doação ilusória, porque Salles domina sua história com rédeas invisÃveis, como nunca antes em sua carreira ficcional.
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Baseado nos textos para a internet e livros de Clarah Averbuck, “Nome Próprio†cola sua câmera a Camila (Leandra Leal), uma discÃpula de John Fante que acredita na idéia de que a literatura deve surgir de uma experimentação intensa, quando não excessiva, da realidade. Nem que isso signifique trair o namorado ou a melhor amiga para não perder uma trepada, passar dias sem dormir ou alimentando-se apenas de cerveja.
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Se é possÃvel ter alguma empatia por essa personagem ao mesmo tempo auto-destrutiva e auto-complacente, é por conta da absoluta integridade com que ela é encarnada por Leal, em um dos desempenhos mais impressionantes do cinema brasileiro recente (talvez o único senão do filme seja justamente o fato de os coadjuvantes parecerem sempre tão frágeis diante do furacão Leandra).
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Mas não será justo dizer que o filme é sua atriz. Ele é, na mesma medida, seu diretor. E talvez a principal virtude de Salles aqui seja aderir a seu personagem sem tentar entendê-la. Em vez de explicar (o que ele tentou fazer com o paÃs em filmes anteriores), apenas ser. “Seja o que Deus Quiser!â€era um filme sobre jovens. “Nome Próprio†é um filme jovem. Com 58 anos de idade e quase 40 anos de carreira, Murilo Salles talvez seja a nova revelação do cinema brasileiro.
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Comentário de Tererê — 17/07/2008 - 10:00h
Deu água na boca.
Comentário de Thiago — 17/07/2008 - 13:37h
O livro da Clarah é um porcaria completa, pastiche da obra de Fante. O 1º capÃtulo é quase um plágio. Murilo salles é um péssimo cineasta, não fez um filme decente em décadas de carreira. Nem Leadra Leal, a melhor atriz de sua geração, me levará ao cinema.
Pingback de Coisinhas sobre a minha paixão, o cinema « Escravo da Rosa — 17/07/2008 - 23:46h
[...] muito legal no Metrópolis hoje (ontem para quem lê, porque já é tarde) e um texto ótimo do O Ricardo Calil (que faz falta na Bravo, viu…). Apesar de não ser o meu favorito, concordo com o Calil [...]
Comentário de Rodrigo de Oliveira — 18/07/2008 - 14:10h
Engraçado que tava comentando as estréias de hoje na Rádio MEC, e falei coisas bem parecidas com isso que você pensa do filme. Acho que é um caso de ressurreição mesmo, porque “Seja o que Deus Quiser” é um dos piores filmes que já vi na vida, e “Nome Próprio” participa de uma outra sensibilidade, que eu sinceramente não acreditava que o Murilo tivesse.
E o pior é que acho que isso (esse contato com a juventude, ou com um certo espectro dela) começou com a fotografia dele pro “Ãrido Movie” do LÃrio, que é outro filme que acho ruim - inclusive fotograficamente. Mas tenho a impressão que alguma coisa ali no contato com uma outra geração fez o “Nome Próprio” o grande filme que ele é.
Comentário de Rodrigo de Oliveira — 18/07/2008 - 14:15h
E sobre os coadjuvantes, eu discordo um pouco. Só sinto o Murilo perder a mão na história daquele adolescente que a Camila “adota”, ali tem uma direção de atores (e uma visão de roteiro) bem ao modo de “Seja o que Deus Quiser”.
Mas quando ele usa o elenco do Belmonte (claramente é um filme escalado a partir de “A Concepção”, que me parece influência clara pro filme), aà a coisa parece funcionar legal. Gosto muito do Juliano e da Rosanne no filme, até porque eles estão realmente investidos de uma voltagem “normal”, para qual a personagem da Leandra seria uma espécie de exacerbação, curto-circuito, sei lá.