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27/06/2006 - 15:00

Cinema de uma nota só

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Eis aqui esse cineminha, feito de uma nota só. Outras notas vão entrar, mas a base é uma só…

Entra ano e sai ano, e a toada do cinema brasileiro continua a mesma. Com 2006 chegando à metade, o panorama do público segue exatamente igual ao de 2005: um filme abocanhou sozinho até agora mais da metade de toda bilheteria do cinema nacional.

No ano passado, foi o superestimado “Dois filhos de Francisco”, de Breno Silveira. Agora é a vez do medíocre “Se eu fosse você”, de Daniel Filho. Com 3,64 milhões de espectadores, o filme conseguiu 62% do público do cinema brasileiro, segundo dados do boletim eletrônico Filme B (para assinantes, aqui).

Depois dele, vêm no ranking “Didi – O caçador de tesouros”, com 1,01 milhão de espectadores, e “Xuxinha e Guto contra os monstros”, com 501 mil. Agora a notícia assustadora: dos 36 filmes nacionais exibidos este ano, 30 não alcançaram a marca de 50 mil ingressos vendidos – 19 deles, aliás, não chegaram nem a 10 mil. Com a exceção de “Se eu fosse você”, todos os filmes brasileiros ficaram abaixo da expectativa mínima de público em 2006.

É o cinema de latifúndio. Para um ou outro, terras a perder de vista. Para a absoluta maioria, a lavoura de subsistência. Entre eles, nenhum produtor de médio porte. E o pior é que não há nenhuma proposta significativa para alterar esse cenário no projeto de lei que o governo acaba de enviar ao Congresso para o setor audiovisual.

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19 comentários para “Cinema de uma nota só”

  1. tom paixão, de bh disse:

    se eu fosse você é a mais deslavada porcaria que se pode gastar celulóide para se fazer,. mas tem um ingrediente do diabo: tá cheio de “atores” da globo.
    daí, vão ao faustão, ao fantástico, a ana maria, a xuxa ao capeta à quatro e as donas marias chamam os maridos pora ver.
    toni ramos está impagável no papel de leão lobo.
    quando deveria ser no papel da gloria pires. que está impagavel no papel de mãe da cléo. que por sua vez, nas novelas, está impagável no papel da fabio junior.
    tudo muito horrivel. mas muito pagável.
    afinal, a burrice reina, já viu, né?
    dona marisa deve ter adorado.
    não tem preto nem miserável no filme. daniel filho já foi muito bom. agora, é só rico.

  2. Jair Hulk disse:

    Gostaria que alguém me diga o quê que o governo tem a ver com isso?!?!?

  3. Renata disse:

    E o maravilhoso “A Máquina”? Como ficou nessa história?

  4. Zé Bush disse:

    well….infelizmente o cinema brasileiro vai se tornando uma sucursal da poderosa Globo.
    Cinema com cara de novela ou minissérie não é cinema. É franquia da sessão da tarde.

  5. Romeu disse:

    “E o pior é que não há nenhuma proposta significativa para alterar esse cenário no projeto de lei que o governo acaba de enviar ao Congresso para o setor audiovisual”

    Errado! O pior é ter gente que ainda acha que é com projeto de lei que se aumenta audiência de filme. Lamentável.

  6. daniel disse:

    Romeu, Jair, esses filmes citados foram feitos com dinheiro público, assim como todos os que tiveram dez mil espectadores. O projeto de lei prorroga esse apoio público e ignora os problemas, como se tudo estivesse perfeito. É por isso que faz sentido cobrar algo sobre o assunto. Se os filmes existissem sem apoio público, aí realmente faria sentido dizer que um projeto de lei não tem nada a ver com o assunto, mas o fato é que tem – fingir que não é desinformação ou autismo mesmo.

  7. Rodrigo Goulart disse:

    A Máquina deve ter sio a maior decepção… infelizmente. Vai entender o público brasileiro!
    Agora, porcaria por porcaria, melhor ver as nossas do que as de holywood…

  8. Renata2 disse:

    Tem o problema de distribuição, de que vc não falou. Quanto tempo ficaram em cartaz os “não-comerciais”? Lembro da saga que foi o lançamento de “Celeste e Estrela”, de Betse de Paula. Que acabou passando pouquíssimo tempo, após um acordo qualquer com um cinema no Leblon. Enquanto isso, quantas salas (das que não foram tomadas pela Igreja Universal nem viraram bingos) exibem “O Código Da Vinci”?

  9. Djalma disse:

    Tudo bobagem. Cineastas brasileiros, todos metidos a Glauber Rocha e Buñel, não fazem filmes par ao público. Fazem para os outros cineastas verem. Daí a diferença entre o sucesso da ind. cinematográfica americana e o da nossa. A média de público retrata bem o que é isto. Cinema pode e deve conter arte, mas é, acima de tudo, diversão.

  10. JULIO disse:

    Se eu fosse você, é verdadeiramente medíocre. Mas a propaganda engana, mostra o marido com um baton e a mulher com um barbeador, quem esperava uma mudança tipo Tootsie, esqueça ! Uma baboseira que não convence em nada !

  11. Romeu disse:

    Quem sabe o daniel tem o poder de informar o povo, este autista, ao que eles deveriam assistir. A patuléia deveria ter a vergonha na cara de ter um gosto mais refinado, assim como o dele, por certo.

  12. julia disse:

    peraí djalma! opinião é que nem cutuvelos, cada um com o(s) seu(s),e respeito a sua. Mas discordo . Não acho q os cineatas brasileiros tentam ser buñuel ou glauber rocha só por fazerem filmes diferentes dos blockbuster, e se conseguissem ótimo! teríamos mais filmes de qualidade e não essas porcarias que lotam os cinemas…e quem sabe a população brasileira iria mais ao cinema? Porque sinceramente 3 milhões de pessoas assistirem a se eu fosse vc ou a missão impossível, não faz diferença nenhuma. Não acho que cinema seja acima de tudo diversão. Filmes podem e devem fazer pensar, sentir, vislumbrar, sonhar e também rir. não há hierarquia.

  13. daniel disse:

    Romeu,
    eu não falei nada sobre que filmes “o povo” ou “a patuléia” devem assistir, nem se os filmes que “o povo” ou “a patuléia” assistem são “certos” ou “errados”. Arroto na cara de quem tenta rotular o que eu digo sem saber ler, e você não soube. Veja você o que quiser, veja cada um o que quiser, eu vejo o que quiser e todos seguimos assim, democraticamente.
    Mas eu te sugeriria tentar mudar um pouco o seu foco, pra tentar ler o que os outros dizem, não apenas aquilo que vc acha que eles irão dizer.

    Vou tentar explicar bem devagarzinho, mas por favor não tente ler aqui discursos “petista” ou “anti-petista” ou “autoritário” ou “liberal”:
    A situação hoje é a seguinte: TODOS os longas nacionais lançados em circuito são feitos COM DINHEIRO PÚBLICO. Da “patuléia”.
    Gasta-se mais nisso hoje, no atual governo (como também no anterior – eles são bem parecidos), do que na época da sempre xingada Embrafilme.
    No entanto, sem querer discutir se “os filmes são bons ou ruins” ou se “a patuléia gosta ou odeia filmes brasileiros”, o que é indiscutível é que (apesar de patrocinar A TODOS através de incentivos fiscais), a “patuléia” NÃO TEM ACESSO aos filmes.

    O Brasil tem 180 milhões de pessoas, e a maior parte dos filmes tem menos de 10 mil espectadores. Isso não acontece simlesmente porque “os filmes são ruins”, mas porque eles são INACESSÍVEIS no sentido prático – só são exibidos por um curto período em salas de cinco ou seis capitais. E a maior parte das pessoas que compõem esse “povo” NÃO VAI a salas de cinema – prefere ver filmes na TV. É direito deles, e espero que vc não queira sugerir um projeto de lei obrigando a se considerar como espectadores somente os que vão ao cinema, porque os da TV também são. Também pagam impostos, e também teriam o direito de ter acesso aos filmes que ELES PATROCINAM.

    Mas o tal projeto de lei prefere apenas seguir dando dinheiro para filmes serem feitos, mesmo que eles não sejam vistos depois.
    Se o seu problema é com o fato de se dar verbas para esses filmes, então o caso é outro. Mas o problema que o Calil criticou e eu comentei não tem nada a ver com isso, é bem mais realista: já que vão patrocinar os filmes, algum tipo de ação para que sejam vistos (ou exigência de devolução da verba a partir das bilheterias) teria que ser feita.

    Isso não tem nada a ver com obrigar as pessoas a verem o que não querem (na verdade, é justamente o contrário – permitir que vejam o que quiserem). E eu arroto na cara de quem me diz o que é um filme “certo” ou “errado” do mesmo modo que arroto pra quem quer simplificar o que eu digo só por simplismo de idéias.

  14. Lucas disse:

    Filme brasileiro é ruim mesmo. Não vejo filme nacional no cinema porque só tem gente da TV Globo… lixo!
    Não tem de usar dinheiro público para estas porcarias nacionais, enterrem o cinema nacional de vez, tá fedendo faz tempo…
    Prefiro blockbuster à Malhação em widescreen… Tem gente falando de 180 milhões blá, blá, blá. misturando cinema com política, com economia, com sociologia e o escambau! Brasileiro reclama de falta de grana, mas não consegue fazer algo do nível de “Janela Indiscreta” que utiliza basicamente jogo de câmera… ah! É verdade, tinha também a Grace Kelly…sorry!

  15. Romeu disse:

    Eu não arroto, mas acho ridículo e patético quem qualifica as pessoas como autistas ou que são mal informadas por não concordar com que escrevo.

    Vai arrotar em algum comercial de coca-cola que você ganha mais.

  16. daniel disse:

    o problema não é que você não concordou, é que não tinha entendido. Desinformado, ora pois. Agora, por mim pode discordar à vontade., desde que critique as pessoas pelo que dizem, ao invés de inventar o que não dizem.

  17. Ed Wilson disse:

    adorei “Se eu fosse você”, “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “Domésticas”, “Contra Todos”, “O caminho das núvens”, “Redentor”, “A Partilha”. Se meu gosto não se iguala aos “expert” em cinemas, não me interessa, o que me importa é que me divertí e muito. Não saío de casa mais para ver filmes americanos, temos qualidade apesar da dificuldade.

  18. Manuel Funes disse:

    PROFECIA: O futuro do cinema no Brasil esta nos “Independentes”.
    Independentes + Digital + WEB

  19. comeelfy disse:

    pelo que eu sei titanic teve o maior numero de brasileiros aos cinemas para assisti-lo num total de 17 milhoes de pessoas

Os comentários do texto estão encerrados.

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