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29/06/2006 - 23:58

Pixar acerta de novo com “Carros”

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O sucesso da Pixar, o estúdio de animação responsável por fenômenos como “Toy Story” e “Procurando Nemo”, baseia-se em um interessante paradoxo: a produtora usa os mais avançados recursos tecnológicos para fazer os filmes mais nostálgicos do cinema atual.

Os desenhos da Pixar quase sempre encenam um embate entre passado e futuro – em que o primeiro aparece como um tempo idílico e o segundo, como fonte de insegurança. Em “Toy Story”, o velho caubói de madeira Woody ressente-se por ser trocado pelo astrounauta eletrônico Buzz Ligthyear como brinquedo preferido de seu dono. Em “Procurando Nemo”, um peixe tenta se acostumar com a idéia de que o mundo não é mais um lugar seguro para criar seu filho.

Mas em nenhum filme essa aparente contradição fica tão clara quanto em “Carros”, nova produção da Pixar, que estréia hoje no Brasil. De um lado, o desenho apresenta avanços técnicos impressionantes para a animação digital, especialmente nos cenários hiper-realistas. De outro, traz uma mensagem saudosista, um elogio à vida pacata do interior, longe das tentações da cidade grande.

Na história, estrelada apenas por automóveis, Relâmpago McQueen (voz de Owen Wilson, de “Penetras Bons de Bico”), um carro de corrida jovem, ambicioso e convencido, vai até Los Angeles para a corrida final de um grande campeonato, mas é preso por excesso de velocidade na pequena cidade de Radiator Springs.

A contragosto, ele entra em contato com os automóveis locais, como a bonita Sally Porsche (Bonnie Hunt na versão original, Priscilla Fantin na dublada), o severo juiz Doc Hudson (Paul Newman/Daniel Filho) e o velho reboque Mate. Aos poucos, McQueen descobre que amizade e caráter são mais importantes que prêmios.

De todos os filmes da Pixar, “Carros” é o mais passadista. Ele tem saudades da velha América e de seus tradicionais valores morais – o que às vezes aproxima o desenho de um perigoso sentimentalismo. Mas também tem saudades da velha Hollywood – o que se revela um trunfo do filme.

Dirigido por John Lasseter, o chefão e mestre da Pixar, “Carros” ostenta um cuidado artesanal na elaboração do roteiro e na construção dos personagens que o cinema americano parece ter perdido em algum lugar do passado (ao mesmo tempo que inventa outra vez o futuro da animação). Os automóveis do filme são mais humanos e mais expressivos que a maioria dos atores da Hollywood atual.

“Carros” teve uma recepção morna de crítica e público nos Estados Unidos. Especialistas apontaram duas razões principais para o fato: 1) esse é o primeiro desenho que a Pixar produz depois de sua bilionária anexação pela Disney e, por isso, o estúdio pode ter sido criticado indiretamente pelo fim de sua independência; 2) a produtora criou um patamar de qualidade tão alto que seus novos desenhos dificilmente correspondem às expectativas, por melhores que sejam.

Qualquer que seja o motivo, “Carros” foi vítima de uma injustiça nos EUA, pois conseguiu reunir o melhor do passado e do futuro do cinema americano em um único filme.

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9 comentários para “Pixar acerta de novo com “Carros””

  1. Irapuan Martinez disse:

    O anúncio da fusão da Pixar com a Disney tem o quê, dois, três meses? É incorreto dizer que “Carros” é o primeiro longa produzido depois da fusão, quando a Pixar costumeiramente leva 2 a 4 anos de produção por longa.

    Não há o dedo da Disney em “Carros”. O resultado da fusão só poderá ser acompanhado em um par de anos, pelo menos.

  2. Ricardo Calil disse:

    Oi Irapuan, tudo bem? Obrigado pelo comentário. Na verdade, usei o termo errado. “Carros” é a primeira produção da Pixar lançada (não produzida) depois do anúncio da fusão, e alguns especialistas da indústria levantaram a hipótese de que isso levou a uma má vontade dos críticos em relação ao filme. Não sei se é possível avalisar se há alguma verdade nisso. No final das contas, o que importa é o filme, que achei muito interessante. Abs, Ricardo

  3. Lucio da Silva disse:

    tudo bem, explicações à parte, estou em uma expectativa enorme quanto a esse filme, que com certeza será mais um sucesso de bilheterias, seja de quem for…
    abraços

  4. Ed Wilson disse:

    Acho que, com essa fusão, só temos a ganhar. São desenhos de ótima qualidade de ambas.

  5. Homero disse:

    Depois dos ótimos Montros S.A. e Procurando Nemo, a Pixar errou feio com o filme Os Incríveis. Depois de meia hora de filme, não havia mais roteiro. A história se perdeu completamente, tornando o filme decepcionante.

    Espero que “Carros” não sofra desse mesmo mal.

  6. vitor disse:

    sou fã de monsters s.a. e procurando nemo, mas descordo do Homero. “errou feio”?, “decepcionante”?! os incríveis é sensacional, tanto no roteiro quanto na ambientação “anos 50 futuristas” sem culpa. os personagens são desenvolvidos com extrema sensibilidade, e o ritmo não se perde em momento algum. sou fãzaço! (e minha filha tb)

  7. Luigi disse:

    Realmente Crs é ótimo, tem história, o que esta faltando em 99.9% dos filmes americanos, mesmo q a história seja moralista e previsivel é um passatempo ótimo, dei muitas risadas..assistam…

  8. Os Incríveis é, certamente, a melhor animação já produzida. Carros verei hoje.

  9. Nélinton Guimarâes disse:

    Levo meu filho para assistir, mas na verdade eu mesmo é que me divirto.A Pixar é uma verdadeira fábrica de diversão para toda familia independente de qualquer fusão.Já ficamos aguardando o próximo.

Os comentários do texto estão encerrados.

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