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Arquivo de julho, 2006

25/07/2006 - 00:01

As belas da tarde (de domingo)

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Muito já se escreveu sobre o quadro “Dança dos Famosos”. Que ele foi copiado do programa britânico “Dancing with Stars” (cujos direitos no Brasil pertencem ao SBT), de onde tirou a fórmula de unir uma pessoa célebre a um coreógrafo desconhecido. Que ajudou a consolidar a liderança de audiência do “Domingão do Faustão” nas tardes de domingo. Que ressuscitou carreiras de alguns artistas em baixa.

Mas as coreógrafas Michelle Cerbino e Ivonete Liberato – que levaram à final do quadro o ator Stepan Nercessian e o ex-velocista Robson Caetano, respectivamente – ainda não foram devidamente louvadas. Elas espantaram o tédio dos domingos com uma rara combinação de pernas perfeitas, competência profissional e disciplina militar.

A beleza das duas é complementar (veja as fotos aqui). Ivonete (que tem o mesmo sobrenome de Gugu, o concorrente de Faustão) faz o tipo gatinha de praia: loira, mignon, malhada. Michelle poderia ser modelo de um quadro de Di Cavalcanti ou de uma caricatura de Lan: morena, alta, de curvas generosas.

No último domingo, de peruca estilo chanel, Michelle lembrava, com alguma boa vontade, a Cyd Charisse de “A Roda da Fortuna” (para quem não sabe, a atriz americana era a dona das melhores pernas de Hollywood nos anos 40 e 50, era de ouro dos musicais). As duas não fazem feio nem mesmo com aquelas inomináveis roupas de ginástica.

Não apenas belas, mas também talentosas, elas conseguiram carregar até a final do quadro os dois candidatos considerados mais fracos no início da disputa (os outros concorrentes eram a apresentadora Babi Xavier, a ex-jogadora de basquete Hortência, a atriz Nívea Maria e a cantora Preta Gil, que desistiu por causa de uma contusão).

Eram também os únicos homens na competição – o que pode não ser um acaso. Há algo de extremamente sedutor (para ambos os sexos), talvez de freudiano, na idéia de uma mulher que coloca o homem na linha, que o educa com um misto de paciência e severidade, que o faz imaginar-se melhor do que realmente é. A mulher civiliza o homem. Até no “Domingão do Faustão”.

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24/07/2006 - 00:01

O ano Bergman no Brasil

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Sem discurso e sem fanfarra, 2006 tornou-se o ano informal de Ingmar Bergman no Brasil. Nos últimos seis meses, foram lançados dez filmes do cineasta sueco em DVD no país – o que permitirá ao público brasileiro conhecer ou revisar uma das obras fundamentais da história do cinema.

No ano Bergman, nenhum mês foi tão importante quanto este. Por uma abençoada coincidência, os filmes “Cenas de um casamento” (1974) e “Saraband” (2003) chegaram simultaneamente ao Brasil.

O segundo retoma os mesmo personagens do primeiro, três décadas mais tarde – possibilitando acompanhar a evolução do pensamento de Bergman sobre alguns de seus temas mais caros: a falência do casamento como instituição, a hipocrisia das relações familiares, a impossibilidade de administrar o desejo pelas vias da razão.

O DVD de “Cenas de um casamento” (Versátil, 299 min.) traz, pela primeira vez no Brasil, a versão original de cinco horas produzida para a TV sueca – em vez da edição reduzida que circulou pelos cinemas do mundo todo. No filme, Bergman disseca o fim da relação entre Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson), que vira um inferno conjugal depois que este revela ter uma amante.

Em “Saraband” (Sony, 111 min.), também realizado para a TV e inédito nos cinemas brasileiros, que Bergman considera seu testamento cinematográfico, Marianne (de novo Ullmann) decide visitar Johan (Josephson) em seu retiro no interior, 30 anos depois da separação. Ela vira testemunha da atormentada relação entre o ex-marido, o filho dele, Henrik (Börje Ahlstedt), e neta Karin (Julia Dufvenius).

Os outros lançamentos de Bergman este ano no Brasil – todos em edições caprichadas da distribuidora Versátil, que merece todos os elogios – representam pontos altos de diferentes momentos de sua carreira.

Da fase inicial, há “Noites de circo” (1953), em que o cineasta começa a transição do melodrama clássico para um projeto de cinema autoral; “Sonhos de mulheres” (1955), um sofisticado estudo da psicologia feminina, outra de suas marcas registradas; e “Sorrisos de uma noite de amor” (1955), que consagrou o diretor internacionalmente e permanece como um dos trabalhos mais leves de sua obra.

Depois vem a chamada “trilogia do silêncio” (classificação que o próprio Bergman rechaçava, por não ver pontos em comum entre os filmes): “Através do espelho” (1961), que mostra o processo de degradação de uma família e ganhou o Oscar de melhor estrangeiro; “Luz de inverno” (1962), sobre um pastor em crise; e “O silêncio” (1963), que retrata os conflitos entre duas irmãs.

De sua fase de maturidade, foram lançados “A flauta mágica” (1975), adaptado da ópera de Mozart e considerado um casamento perfeito de cinema e música, e “Persona” (1966), obra-prima sobre a relação de simbiose que se estabelece entre uma atriz em crise e sua enfermeira.

Da revisão desses filmes, surge a imagem de um cineasta monumental, mas não infalível; e também de uma obra menos impenetrável do que se costuma supor. Dos grandes cineastas considerados difíceis (Antonioni, Godard, Tarkóvski), Bergman talvez seja o mais fácil.

As bases de sua visão de mundo podem ser opressivas e pessimistas: a abordagem metafísica da vida e da morte, a idéia de um Deus que abandonou os homens, as relações pessoais como fonte de culpa e humilhação.

Mas a abordagem desses elementos não poderia ser mais direta e cristalina. Com a exceção de “Persona”, que adota procedimentos de vanguarda na sua abertura e no seu final, Bergman dá sempre preferência a uma narrativa clássica e realista.

Quando esta não lhe parece suficiente, o cineasta recorre a simbologias simples, talvez evidentes – como a do cavaleiro que joga xadrez com a morte em “O sétimo selo” (1956) ou a das metades de dois rostos femininos que se unem para formar um em “Persona”.

Além disso, Bergman sempre repetiu não apenas temas, como também atores (Liv Ullmann, Erland Josephson, Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Bibi Andersson, Harriet Andersson, Ingrid Thulin) – o que ajudava a criar uma certa noção de familaridade em relação a sua obra, a ponto de ele declarar certa vez que tomava cuidado para não se tornar “bergmaniano” demais.

Mas existe uma marca de Bergman que se sobressai em relação às demais: a capacidade de atravessar a superfície da tela para fazer uma sofisticada radiografia da alma humana, de penetrar mais fundo na psicologia dos personagens do que qualquer cineasta de seu tempo.

Aos 88 anos, Bergman vive hoje isolado na ilha sueca de Faro e garante que “Saraband” foi seu testamento cinematográfico. Mas, entre todos que amam o cinema, existe sempre a esperança de que ele mudará de idéia.

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23/07/2006 - 00:01

Shyamalan na encruzilhada

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“Lady in the water”, novo filme de M. Night Shyamalan (“Sexto sentido”, “A vila”), que estreou sexta-feira nos Estados Unidos, foi massacrado pela crítica norte-americana. No site Rotten Tomatoes, o filme aparece com 78% de textos negativos.

Não foi apenas o resultado do filme que incomodou os jornalistas americanos, mas também a campanha de marketing elaborada por Shyamalan. O cineasta contratou um jornalista para fazer um livro sobre os bastidores de “Lady in the water”.

O capítulo que despertou mais polêmica foi aquele em que Shyamalan conta por que desistiu de fazer o filme com a Disney e decidiu realizá-lo na Warner. Grosso modo, ele dá a entender que sua ex-empresa, onde fez seus filmes anteriores, foi incapaz de entender o conceito artístico do filme, por estar interessada apenas em comércio.

O livro pinta Shyamalan como um gênio incompreendido (o site da “Entertainment Weekly” publicou um trecho do capítulo em questão; para ler em inglês, clique aqui). O texto saiu tão laudatório que o tiro saiu pela culatra, despertando a desconfiança da crítica – como fica claro em artigo do “New York Times”. Depois de ver o filme, a grande maioria dos críticos deu razão à Disney por ter duvidado do projeto.

Agora a carreira de Shyamalan está em uma encruzilhada. Considerado um garoto-prodígio de Hollywood graças a “Sexto sentido” e “Sinais”, ele vem do fracasso de “A vila” e precisa do sucesso de “Lady in the water” para conseguir financiamento a seus projetos pessoais.

A favor de Shyamalan, deve-se dizer duas coisas: 1) ele é um dos mais talentosos – senão o mais talentoso – cineastas surgidos em Hollywood em muitos anos; 2) a crítica americana errou feio em “A vila”, filmaço que foi desprezado nos EUA. Mesmo se “Lady in the water” não for lá essas coisas, Shyamalan merece crédito.

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22/07/2006 - 00:01

Onde estão os documentários de direita?

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Por que os documentários de direita são tão poucos e tão desimportantes? É uma pergunta pertinente, feita em reportagem do “New York Times”. Algumas respostas beiram o preconceito contra os pobres conservadores:

“Quanto mais criativo você é, mais provável que seja de esquerda.”

“Há uma grande desconexão entre os conservadores e o cinema. Não sei se está no DNA, mas existe alguma razão para os conservadores evitarem as artes.”

“O movimento conservador está no rádio, talvez nos livros. Mas o cinema – e, em grande parte, a música – tem sido um território do pensamento de esquerda.”

A curiosidade da reportagem é que as respostas não foram dadas por diretores de filmes sobre o efeito estufa, a guerra do Iraque ou os perigos da globalização. Mas sim por homens de cinema ligados à direita. Respectivamente: Charles Sellier Jr., produtor dos documentários “George W. Bush: Fé na Casa Branca” e “Quebrando o Código Da Vinci”; Jim Hubbard, diretor do festival conservador Film Renaissance, de Dallas; e Michael Wilson, diretor do documentário “Michael Moore odeia a América.”

A reportagem não chega a uma resposta convincente. Mas talvez ela não seja assim tão difícil. Se o cinema de ficção, a TV e o jornalismo já são em geral tão conservadores, por que gastar tempo e dinheiro com documentários de direita?

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21/07/2006 - 13:27

Quer ficar rico? Faça filmes ruins

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Em uma saborosa crônica para o jornal britânico “The Independent”, o crítico David Thomson contou o segredo do sucesso no cinema americano, que lhe foi revelado por um veterano produtor americano: “Quer ficar rico em Hollywood? Faça filmes realmente ruins.”

O exemplo usado pelo produtor – cujo nome não foi revelado por Thomson – foi o de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, que vem batendo vários recordes de bilheteria, arrecadou US$ 258,2 milhões em dez dias e estréia hoje no Brasil. Segundo ele, o sucesso do filme trouxe alívio a Hollywood, que estava ansiosa pela enorme queda de arredação do ano passado.

“O filme é horrível – e todo mundo sabe disso. A coisa mais encorajadora disso tudo é que nós podemos quebrar recordes e encher cinemas com um filme ruim. Imagine o trabalho que daria se o filme fosse bom!”, disse o produtor.

“Eu não vi o filme. Mas sei como ele é. As crianças estão indo ao cinema por causa disso. Eles sabem como o filme será. Alguns diálogos espertos e Johnny Depp com um lenço na cabeça. Foram US$ 55 milhões em um dia. E nada que preste! Eu acho que há um futuro nesse negócio.”

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21/07/2006 - 00:01

O que há de errado com os críticos?

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(Depois do sucesso de “O código da Vinci” e “Piratas do Caribe 2”), meus colegas de crítica e eu precisamos encarar uma freqüente – e nem sempre educada – pergunta: o que há de errado com vocês, caras? Eu irei, por enquanto, suprimir o impulso de devolver a questão aos espectadores de cinema, que insistem em pagar bastante dinheiro para ver filmes ruins que eu vejo de graça. Eu não acredito por um minuto que o sucesso financeiro contradiz a crítica negativa; daqui a US$ 500 milhões, “Piratas do Caribe 2” ainda será, na minha avaliação, ocasionalmente divertido, freqüentemente tedioso e longo demais. Mas a discrepância entre o pensamento dos críticos e o comportamento do público é de interesse perene, porque levanta perguntas básicas sobre o gosto, a economia e a natureza do entretenimento popular, mas também sobre uma incômoda questão: para que exatamente servem os críticos?

Crítico do “New York Times”, A.O. Scott entra na polêmica sobre as divergências entre público e crítica em relação aos blockbusters desta temporada (já comentada aqui).

Scott é mais um respeitado profissional cansado de ser injustamente malhado pelos leitores por criticar filmes de sucesso. Mas a resposta que ele dá à própria pergunta, sobre a função da crítica, é um tanto demagógica. “Nós levamos o entretenimento muito a sério, o que significa dizer que nós não vamos ao cinema por diversão. Ou por dinheiro. Nós vamos por você”.

Enquanto isso, o cineasta Kevin Smith atacou o crítico Joel Siegel, da rede de TV ABC, por sair da sessão de “O Balconista 2” após apenas 40 minutos de projeção. A discussão entre os dois parece saída de um filme policial americano, tal a quantidade de “fucks” envolvida.

Ao deixar a sala, Siegel disse: “Hora de ir embora! É a primeira vez que vou embora de um filme em 30 fucking anos”. Em seu blog no MySpace, Smith respondeu à altura: “Que tal um pouco de fucking cortesia? Você nunca deve interromper um filme apenas porque não gosta dele. Regra fundamental do cinema: cale sua fucking boca enquanto o filme for projetado.”

Embora Smith tenha mais razão nesse caso, não precisava esculachar. Os críticos de cinema já foram escolhidos como alvos da malhação de Judas neste ano.

Dica do crítico Leonardo Mecchi, do blog Enquadramento.

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20/07/2006 - 00:01

Apple vai alugar filmes via download

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A Apple vem fechando secretamente acordos com os principais estúdios de cinema norte-americanos para criar o conceito do aluguel de filmes via download para computadores e iPods.

A informação circulou por diversos sites de tecnologia, mas o anúncio oficial deverá ser feito por Steve Jobs, presidente da Apple, durante a Worldwide Developers Conference, no mês que vem.

Segundo o site ThinkSecret.com, que traz apenas informações sobre a Apple e seus produtos, os filmes baixados nesse sistema terão um mecanismo que permitirá apenas um número limitado de exibições ou várias exibições em um tempo limitado.

O site garante que o novo formato representa uma rara derrota para o visionário Jobs. Ele preferia vender os filmes por um preço baixo, em vez de alugá-los. Mas não conseguiu convencer os estúdios.

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19/07/2006 - 00:01

10 longas de R$ 50 mil

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A produtora brasileira Pax começou a divulgar um projeto para realizar dez longa-metragens ao custo de R$ 50 mil cada – com gravações digitais e lançamento pela internet.

À frente da inciativa, estão Leandro Firmino da Hora (o Zé Pequeno de “Cidade de Deus”), o empresário Alceu Passos e o jornalista Paulo Pons – que dirigiu o filme “O dono do jogo”, o primeiro dos dez longas, em fase de finalização.

O Programa Pax já tem site e blog. A idéia é boa. Os conceitos, acertados. Os envolvidos, pouco experientes (com exceção de Firmino). Só o tempo dirá se o projeto pode ser mesmo concretizado ou se resumirá a uma jogada de marketing.

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18/07/2006 - 21:55

A elegância de Raul Cortez

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De Raul Cortez – que morreu hoje em São Paulo aos 73 anos, vítima de um câncer no aparelho digestivo -, fica a imagem de um ator não apenas elegante, como também corajoso. Ele nunca se acomodou com o sucesso, sempre recusou a imagem de galã e foi um intérprete inquieto até o fim.

Em 50 anos de carreira, Cortez foi o protagonista de pontos altos do cinema – “O caso dos irmãos Naves” (1968), “Lavoura arcaica” (2001) -, do teatro – “Vereda da Salvação” (1964), “A hora e a vez de Augusto Matraga” (1986) – e da televisão – “Partido alto” (1984), “O rei do gado” (1996).

Mas alguns de seus melhores trabalhos foram realizados depois dos 70 anos, casos de “Lavoura arcaica” e da novela “Senhora do destino” (2005) – esta realizada já em meio à luta contra o câncer.

Conhecido pelo requinte de gestos e roupas, ele aceitou desnudar-se diante do público recentemente para estrelar a peça “Rei Lear” (2000) e fazer uma cena de sexo com Fernanda Montenegro no filme “O outro lado da rua” (2004). Cortez sabia que a elegância era uma qualidade do caráter, não da vestimenta.

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18/07/2006 - 09:39

Manoel Carlos fez de mim um moralista

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Como um adendo ao artigo “Tudo pelo sexual”, aqui vai um pequeno relato pessoal. Na semana passada, vivi uma experiência inédita: assistir a uma novela das oito na companhia de uma criança de 4 anos.

A novela era “Páginas da vida”; a criança, filha de amigos hospedados em casa. O resultado da experiência foi inesperado: transformou-me em um moralista.

Sempre defendi a idéia de que a boa educação – em casa e na escola – seria o suficiente para evitar os possíveis danos causados pela mídia. Mas aprendi, na prática, que isso só é verdade se a criança for mantida em uma redoma de vidro – o que, no mundo atual, é impensável.

Muito bem educada pelos pais, a menina não vê TV em casa. Mas fica liberada quando visita os avós e amigos ou quando está em viagem – como foi o caso dessa vez. Sempre que isso acontece, conta a mãe, ela volta para casa mais sexualizada, falando sobre beijos e romances.

Na noite em que viu “Páginas da vida”, ela inventou uma brincadeira: repetir as falas das atrizes. Foi constrangedor ouvir, na boca de uma menina de 4 anos , frases como: “o sexo agora é meio formal”, “ele tem jeito de ser bom de cama”, “como é que um homem pode ter tesão por mim com essa barriga?”. A única solução foi interromper a sessão para fazer um lanche.

E a novela só ficou mais pesada nos dias seguintes, com o strip-tease de Olívia (Ana Paula Arósio) e o depoimento sobre masturbação da senhora anônima de 68 anos. Aliás, Olívia tornou-se imediatamente a personagem preferida da menina, talvez pela cara de boneca de Arósio.

Taí mais um elemento perverso da novela: sua personagem mais erótica é interpretada por sua atriz mais infantilizada. No dia seguinte, a filha dos meus amigos disse que tinha visto “a novela da Olívia”.

Dei graças a Deus de não repetir a experiência. Mas me coloquei, pela primeira vez, no lugar dos milhões de pessoas que vêem novela ao lado dos filhos diariamente. E cheguei à conclusão de que isso não pode ser muito bom.

Talvez algum psicólogo defenda que a televisão não há de ser assim tão danosa, que uma menina de 4 anos não tem condições de entender tudo o que está vendo. Minha pequena experiência provou o contrário: ver novela pode ser tão saudável para a sexualidade de uma criança quanto comer frango com hormônios.

Como sou contra qualquer tipo de censura, só imagino uma solução para o caso: enquanto as emissoras não mostrarem o mínimo de bom senso, é preciso proibir as crianças de ver TV em determinados canais e horários. Pronto. Graças a Manoel Carlos, virei um conservador e não me envergonho do fato.

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