Publicidade

Publicidade
29/08/2006 - 10:04

Capovilla, o profeta do cinema

Compartilhe: Twitter

Alguns dias atrás, o cineasta Maurice Capovilla estava em Rio Branco ajudando a implantar um curso de cinema e vídeo na Usina de Arte de Rio Branco, que oferecerá aulas a 30 alunos, cinco deles vindos de diferentes nações indígenas da região.

Hoje, ele estará na abertura da mostra “Maurice Capovilla – Um cinema de reflexão”, que será realizada até o dia 10 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, com uma seleção de seus trabalhos mais importantes (para ver a programação completa, clique aqui).

Aos 70 anos de idade, com uma longa barba branca que remete à imagem de um profeta, Capô – como é conhecido no meio cinematográfico – exibe a mesma inquietude e generosidade que sempre marcaram sua carreira.

Nascido em Valinhos, interior de São Paulo, ele foi um dos poucos diretores brasileiros que circularam com desenvoltura entre o Cinema Novo e o cinema marginal. Em 1964, ele realizou o média documental “Subterrâneos do futebol” (1964), com um olhar sociológico sobre os bastidores do esporte. Em 1970, fez o longa ficcional “O profeta da fome”, que promovia uma releitura literal (e irônica) da estética da fome pregada por Glauber Rocha, a partir da figura de um faquir (interpretado por José Mojica Marins) que vira um fenômeno midiático ao tentar quebrar o recorde mundial de dias sem comer.

A obra de Capovilla é de rara coerência temática e estética. Em longas como “Bebel, garota propaganda” (1968), “O jogo da vida” (1977) e “Harmada” (2003), há sempre um olhar carinhoso para excluídos que tentam encontrar seu lugar no mundo, seja uma jovem pobre que se torna modelo, malandros que ganham dinheiro com a sinca ou um artista em questionamento existencial.

Como aconteceu a vários grandes cineastas brasileiros, Capovilla não conseguiu encontrar meios para filmar durante décadas (para ser mais exato, entre 1977 e 2001). Em vez de se lamentar, ele dedicou-se a outras duas frentes. Primeiro, a televisão. Como Eduardo Coutinho, ele realizou documentários importantes para o “Globo Repórter”. Também fez telefilmes para a TV Bandeirantes, em um trabalho pioneiro no Brasil (duas facetas que estão representadas na mostra do CCBB).

Depois, Capovilla dedicou-se à educação audiovisual, com um afinco raramente igualado no Brasil. Foi professor da ECA-USP, da Universidade de Brasília, do Centro Dragão do Mar de Fortaleza, da Escola de Cinema e TV de Cuba e agora da Usina de Arte de Rio Branco, além de criador da Eco TV, emissora comunitária da região dos Lagos fluminense.

A trajetória de Capovilla nos lembra que o amor pelo mundo das imagens pode ser despertado das mais diversas maneiras. Mais que um grande diretor de filmes, ele é um mestre do cinema, na acepção mais ampla do termo.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:

Ver todas as notas

2 comentários para “Capovilla, o profeta do cinema”

  1. Alisson Duarte disse:

    É realmente uma pena pessoas do gabarito de Maurice Capovilla não possuir suas obras conhecidas pelo grande público, e mais triste ainda ver que profissionais como ele não conseguem de forma efetiva apoio dos meios que os têm para criar e exibir obras que enalteça a nossa forma de produzir cinema, ou qualquer outra forma de expressão artistica.
    Eu ainda espero que nossa democracia se transforme em algo nais que a celebração da ignorância.

  2. Ronaldo Quadros disse:

    Maurice Capovilla estará em Belém, participando da X Feira Pan-Amazônica do Livro, agora, em setembro.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo