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29/08/2006 - 23:56

Os problemas do Casseta no cinema não acabaram

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A trupe do “Casseta & Planeta” chegou à conclusão de que seu primeiro longa-metragem, “A taça do mundo é nossa!” (2003), foi um fracasso de público porque se distanciou demais do programa de TV, com personagens inéditos e uma história passada na época da ditadura.

No novo filme, “Casseta & Planeta – Seus problemas acabaram!!!”, que estréia nesta sexta-feira, eles decidiram “recuperar o patrimônio” do grupo, nas palavras do diretor José Lavigne. Isso significa levar ao cinema alguns dos mais conhecidos personagens do programa de TV, como Seu Creyson, Chicória Maria e Sucker & Fucker, entre outros.

Mas faltou explicar uma coisa: por que o espectador vai pagar 10 ou 15 reais (ou duas, três vezes mais, se levar a família) para ver no cinema algo que ele tem de graça todas as semanas na televisão?

É uma pergunta que vale também para produções anteriores da Globo Filmes derivadas de programas de TV (como “Os normais”) e para as futuras (as versões cinematográficas de “A grande família” e “A diarista”).

Só há duas coisas relevantes em “Seus problemas acabaram!!!” que não podem ser encontradas no programa: Maria Paula com menos roupa do que o habitual (como a assistente de advogado que faz jornada dupla como stripper) e Bussunda em seu último trabalho inédito (ele desempenha alguns papéis, entre eles o de um impagável surfista acéfalo).

Isso basta para justificar o valor do ingresso? Depende do seu interesse pela boa forma de Maria Paula ou pelo talento cômico de Bussunda. Mas esses elementos não são suficientes para transformar o filme em uma experiência bem-sucedida. Os problemas da transição do Casseta para o cinema ainda não acabaram.

Para juntar mais de 60 personagens em um filme, a trupe criou um fiapo de trama, uma paródia aos filmes de tribunal. O advogado Botelho Pinto (Murilo Benício), com a ajuda de sua secretária Dona Priscila (Maria Paula), decide processar as Organizações Tabajara por vender produtos prejudiciais à saúde.

Em torno do julgamento, surgem personagens como Lindauro das Dores (Bussunda), vítima dos efeitos colaterais da pílula Borogodol; o juiz Alencastro Ramalhete (Marcelo Madureira), apaixonado por um peixinho dourado; Seu Creyson (Claudio Manoel), chefão do Grupo Capivara, concorrente das Organizações Tabajara, e outros tantos.

O filme segue o padrão do programa de TV: para cada gargalhada, há um punhado de sorrisos amarelos. Mas ostenta uma produção bem mais sofisticada, com grande investimento em efeitos especiais. O resultado é um paradoxo: uma superprodução tosca.

Os críticos sempre reclamam que certos filmes brasileiros são televisivos demais. Nesse aspecto específico, “Seus problemas acabaram!!!” talvez o seja de menos.

O humor do grupo sempre se beneficiou da urgência da televisão (e da canastrice dos comediantes). Em uma produção mais cara e cuidadosa como a do ciema, suas piadas parecem um pouco engessadas.

A segunda experiência do “Casseta & Planeta” no cinema só reforça a idéia de que o habitat natural de certos produtos audiovisuais é mesmo a televisão – e não há nenhuma vergonha em reconhecer isso.

Para terminar, um elogio: o grupo não poderia ter tratado com mais dignidade a morte de Bussunda. “Seus problemas acabaram!!!” não foi modificado depois do triste acontecimento, nem foram realizadas festas de lançamento. Não se priorizou o comediante nas propagandas, nem se cogitou cortar a cena em que um de seus personagens morre.

Eles apenas dedicaram o filme ao amigo, uma homenagem na medida, que diz o suficiente sobre o tamanho da ausência de Bussunda. O exemplo dessa atitude é mais importante do que o resultado de um filme específico.

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35 comentários para “Os problemas do Casseta no cinema não acabaram”

  1. Roberto Pedreira de Freitas Ceribelli disse:

    Pelo nível das piadas que vi no trailer do filme, não tenho a mínima vontade de assistir e ainda por cima fico pensando porque não há incentivo(s) para projetos sérios e muito mais rentáveis em todos os níveis e termos.
    Beto

  2. Maria Ivone disse:

    O primeiro filme do Casseta e Planeta foi o pior que eu vi em muitos anos.

    O programa de TV há muitos anos é fraco. Piadas ruins mesmo. Depois que inventaram o Hermes e Renato então, é constrangedor ver o Casseta.

  3. VotoMlula disse:

    Com o presidente que temos (o nada sabe, nada viu) é constrangedor alguém fazer piadas neste país.
    Com congressitas no nível que temos é desafiador fazer piadas com tantas ambulâncias, mensalinhos, mensalões, land roubers, jetons, oligarquias, nepotismos, etc.
    Com essa piada pronta de reeleger essa gente não há o que se equipare a forma hilária com que os brasileiros tratam seu país.

  4. Fred disse:

    Vão chorar com os americanos então no Vôo 93…a estoria de sempre tadinho do povo americano ,….prefiro os cassetas…

  5. Raphael disse:

    Bem, com relação ao filme do Casseta…nao sei se irei ver, pois concordo com a maioria quando falam que as piadas andam sem graça. Mas continuo acreditando no potencial de humor de cada um deles. Com relação aos filmes brasileiros em geral, acho que quem ainda pensa que o cinema nacional é ruim, digo que está perdendo oportunidade de ver várias pérolas na telona, como “Casa de Areia”, “Cafundó” (que passou no festival do Rio de cinema), “Irma Vap”, “Cazuza”, “Zuzu Angel”, e mesmo os ‘água com açúcar’ como “Se Eu Fosse Você”, que conseguem passar uma mensagem legal, além de divertir, atingindo seus objetivos perfeitamente. Fora um monte deles que eu ainda quero ver como “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “Cidade Baixa” e “Quase Dois Irmãos”.
    Sobre o comentário do colunista Ricardo Calil, quando citou o filme “Os Normais”, eu não concordo. Acho que este pode ser considerado mais um filme de comédia “pastelão” como qualquer outro, cuja finalidade é usar o super talento do Luís Fernando Guimarães e da Fernanda Torres para nos fazer rir, em que só aproveitaram a ponte do sucesso da série. Idéia mais do que perfeirta. Desta forma, se estou a fim de ver uma comédia e somente rir sem me preocupar, irei sim pagar para ver “Os Normais” no cinema.
    Bom é isso. Idade, 22.
    Abraços.

  6. Luiz Carlos disse:

    Acho que o Brasil produz excelentes filmes (não todos). A única coisa que não entendo é porque quando vejo a primeira cena de um filme, mesmo nem sabendo o nome, eu já reconheço se ele é Brasileiro ou Americano ?
    O que eu quero dizer é : porque o modo de como é filmado é diferente se temos a mesma tecnologia americana ? Porque não fazemos um filme para cinema que se pareça (na tela) com o visual de um filme americano ?
    A “fotografia” dos filmes são diferentes, porque ? O modo como a imagem é apresentada na tela é diferente, porque ?
    Na minha opinião é por isto que dizem que os filmes Brasileiros são muito “televisivos” !
    Neste quesito eu prefiro a “apresentação” americana no cinema.

  7. Paulo Murilo Rios disse:

    …Saudades do TV Pirata… E Hermes e Renato estão dando de 10 x 0 no Casseta e Planeta… Idade: 31.

  8. Haroldo M. Maia disse:

    Talvez a qualidade do cinema brasileiro, seja tão desvalorizada por haver entre nos pessoas que tem coragem de chamar outras pessoas da mesma nacionalidade de “Paquidermes”, se e que ele “SPFC” sabe o que e isso, talvez tenha ouvido isso em algum lugar e achou bonito. Mas concordo com Raphael temos boas produções, mas falta incentivo e mais agressividade na divulgação, temos bons atores e tecnologia pra desenvolver produções na mesma qualidade do cinema americano. Devemos valorizar mais o que e nosso, mesmo para que possamos aprender com o erros deles e no futuro, transmitir aos nossos filhos um conhecimento melhor de nos mesmos.

  9. Leonardo disse:

    O baixo público no cinema é a prova de que Casseta e Planeta só tem audiência porque passa na Globo. Se passase em qualquer outro canal a audiência seria 2 ou 3 pontos. E olhe lá.

  10. Nicolas disse:

    Os Cassetas espremem a mesma laranja há mais de 10 anos. Secou, acabou. Já são 5 anos de bagaço.

  11. Raphael disse:

    Haroldo, com relação a sua frase “falta incentivo e mais agressividade na divulgação”, acho que a culpa é da própria mídia que sempre escolhe o que vai divulgar. O cinema brasileiro tenta sobreviver no meio disso, tenta aparecer como pode. Quando assisti ao filme “Cafundó” no Festival Internacional de Cinema do Rio, no ano passado, o Paulo Betti comentou que tinha um monte de cartazes espalhados pelo Rio anunciando a estréia de “Paciente Inglês”, e nunhum, ou quase nenhum (não lembro), falando sobre os filmes brasileiros que também estavam estreando. Uma maneira de divulgação que ele disse que iria usar, seria exibí-lo em várias cidades, e em outros festivais. Em algumas delas, usaria a prórpia bandinha que faz parte do filme, para ajudar nesta tarefa. Legal, não?
    Este é o problema que o nosso cinema enfrenta, a falta de interesse na divulgação pela mídia. Porém ainda bem que contamos com ótimas idéias para tentar minimizar este problema.

  12. enrico disse:

    mandaram bem dizendo que o caceta esta a 10 anos expremendo a mesma laranja e que tem cinco que so restou o bagaço!!

  13. bfr disse:

    vale lembrar que esse filme não roubou nem pediu nenhum dineiro do povo brasileiro foi feito com o dinheiro da “empresa” e não com incentivo fiscal isso pode nem ser engraçado mas é ético

  14. Fabiano disse:

    Concordo plenamente, bfr. É exatamente o contrário de não-filmes como Chatô, que vampirizaram milhões de reais e nunca ficaram prontos. Com o filme do Casseta, eu não gastei um centavo até agora. Só gasto se quiser.

  15. barbara disse:

    o filme e muito bom e muito engraçado ameeeeeeeeeeeei!!!!!!!!

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