Publicidade

Publicidade

Arquivo de agosto, 2006

26/08/2006 - 00:01

A era de ouro da TV americana

Compartilhe: Twitter
A televisão se tornou um meio mais confiavelmente satisfatório e comercialmente independente que o cinema. Isso se deve, em grande parte, à ascensão na última década do seriado dramático, com seus arcos narrativos que duram uma temporada, o cuidadoso desenvolvimento dos personagens e diversas mutações que permitiram aos roteiristas de TV mais liberdade criativa que em qualquer outra época. Em vez de episódios concisos, repletos de fórmulas e auto-suficientes, agora temos histórias ricas e complexas sobre famílias mafiosas atormentadas, agentes da CIA muçulmanos e crises de espiritualidade intergaláticas pelos quais nos interessamos profundamente.

A crítica Heather Havrilesky, da revista eletrônica Salon, fala de seriados como “Six feet under”, “Battlestar Galactica”, “24 horas” e outros.

Para ela, a TV americana vive sua era de ouro. E já deixou o cinema para trás, em compelexidade e sofisticação. É uma constatação triste, mas ela provavelmente tem razão.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
25/08/2006 - 00:01

Em “Miami vice”, o meio é a mensagem

Compartilhe: Twitter

A piada costuma ser feita sobre o cinema brasileiro: “O filme é uma merda, mas o diretor é genial”. Mas ela poderia ser aplicada também, com adaptações, à obra do cineasta norte-americano Michael Mann.

Na verdade, seus filmes – “Fogo contra fogo”, “O informante”, “Colateral”, entre outros – são bons. Às vezes muito bons. Mas o trabalho do cineasta é sempre superior a eles. Na regra do cinema, um filme costuma ser do tamanho do talento de seu diretor. Mann é uma exceção.

Esse estranho desnível entre obra e criador fica mais uma vez evidente em “Miami vice”, a versão cinematográfica da famosa série dos anos 80, que estréia hoje no Brasil.

Produtor-executivo da série, Mann foi uma opção lógica para dirigir o filme. De forma corajosa, ele decidiu se distanciar do programa original, trazer a história para o presente e correr o risco de decepcionar os fãs nostálgicos (o apresentador americano Jay Leno, por exemplo, disse que gostaria mais do filme se ele tivesse outro nome).

O filme mantém os personagens da série: Sonny Crockett (Colin Farrell, no papel que foi de Don Johnson) e Rico Tubbs (Jamie Foxx, no de Philip Michael Thomas). E também a idéia central: dois detetives de Miami que se infiltram em organizações criminosas.

Mas a produção deixa de lado todos os elementos supérfluos que ajudaram a transformar “Miami vice” em um fenômeno cultural dos anos 80: a trilha sonora de hits, o tom pastel da fotografia, os blazers com camiseta.

Em relação à série, o filme é menos solar e glamoroso, mais realista e globalizado. A ação começa a termina em Miami, mas viaja também pelo Paraguai, Colômbia, Haiti e Cuba – a sinalizar que o crime organizado hoje desconhece fronteiras.

A ação começa abruptamente, sem créditos iniciais, e termina da mesma forma. Dessa vez, Sonny e Rico assumem a identidade falsa de transportadores de drogas, com o objetivo de desbaratar uma quadrilha internacional de traficantes, associada a uma gangue de criminosos arianos. Tudo se complica quando Sonny se apaixona pela mulher do chefão do tráfico (Gong Li).

Se existe um tema central na obra de Mann, é o da fraternidade masculina. Em seus filmes mais conhecidos, dois homens se associam em uma situação de risco, mas algo ameaça a união: um criminoso, a indústria do cigarro, a natureza de suas atividades. Em “Miami vice”, é a paixão de um deles por uma inimiga.

Seus filmes são quase abstrações visuais e sonoras sobre a virilidade. Difícil imaginar Mann dirigindo um drama feminino ou uma comédia romântica. Não, ele nunca seria convidado para fazer “O segredo de Brokeback Mountain”.

Mas, como na maioria dos filmes de Mann, o tema interessa pouco. Os personagens também. Eles existem para servir ao exercício de ação e de estilo, para mostrar como o cineasta é capaz de recriar a tradição do filme policial com um fiapo de trama.

Mann é dos poucos cineastas americanos na atualidade que se recusam a apenas ilustrar roteiros e preferem criar atmosferas em torno dos assuntos dos filmes, a partir de combinações sofisticadas de sons e imagens.

Será difícil encontrar um filme em cartaz com um visual tão arrebatador quanto o de “Miami vice” – realizado com câmera digital de alta definição, que registra mais detalhes nas cenas noturnas, fundamental para um filme sombrio, todo rodado em cenários reais.

Mas as virtudes do filme, como de toda a obra do cineasta, também são as suas limitações. O brilho das imagens serve mais para lustrar o currículo do diretor do que para jogar luz sobre o universo retratado. A visão de Mann sobre o cinema é clara, precisa. Tanto quanto é vaga, indefinível, a sua visão de mundo.

Ou talvez essa seja uma idéia romântica. Mann é um cineasta fundamental da contemporaneidade porque o meio é a mensagem em seus filmes. As imagens que ele produz prescindem, até certo ponto, de significados conferidos a posteriori. Elas valem o quanto deslumbram.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
24/08/2006 - 14:37

MTV promove “beijaço gay”

Compartilhe: Twitter

Na novela “América”, a Globo desistiu do beijo gay na última hora. Mas a MTV vai compensar sete vezes a falta de ousadia da outra emissora.

No próximo dia 15, haverá uma versão gay do “Beija sapo”, de Daniella Cicarelli. No programa, já gravado, há sete beijos entre adolescentes do mesmo sexo: um “príncipe” beija três “sapos”; na platéia, três “pererecas” – como são as garotas chamadas pela apresentadora – ganham beijos de outras meninas.

Segundo a coluna de Daniel Castro na “Folha de S. Paulo”, a MTV será a primeira emissora aberta brasileira a exibir beijos entre pessoas do mesmo sexo antes das 20h. O programa foi liberado pelo Ministério da Justiça, que considerou o beijo de homossexuais igual ao de heterossexuais.

O programa pode ser um tanto histérico. A idéia do “beijaço gay” tem um quê de marqueteira. Mas qualquer iniciativa que rompa com preconceitos merece todos os aplausos. Isso vale tanto para a MTV quanto para o Ministério da Justiça.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
24/08/2006 - 00:01

Vingança contra os críticos

Compartilhe: Twitter

Uma reportagem do jornal inglês “The Guardian” traz novidades sobre a temporada de caça aos críticos de cinema. Depois de cancelar as sessões para a imprensa de certos filmes, como “Serpentes a bordo”, os estúdios americanos lançaram duas produções com ataques diretos aos jornalistas da área.

Em “A dama na água”, de M. Night Shyamalan, o personagem de um crítico ameaça a vida da ninfa que protagoniza o filme e recebe o castigo merecido. Nunca é demais lembrar que “A vila”, produção anterior do cineasta, foi massacada pela crítica americana.

O trailer “Jackass 2” dá um longo “foda-se” para os críticos. Depois de apresentar trechos de críticas negativas ao primeiro filme, o narrador diz: “Infelizmente para eles, nós acabamos de fazer o número 2.”

Se a coisa continuar como está, a guerra será declarada oficialmente em breve.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
23/08/2006 - 15:40

Aprendiz demite Justus. E é demitido em seguida

Compartilhe: Twitter

“O aprendiz 3” saiu do script ontem. Antecipando que seria demitido e afirmando estar decepcionado com o programa, o candidato Peter Collins declarou ao apresentador Roberto Justus: “Sou presidente da minha vida, e Roberto, você está demitido da minha vida.”

Justus, então, desancou o candidato. Respondeu que Collins não sabia cumprir contratos, que era um candidato muito pior do que imaginava, que estava fechando portas em sua carreira. E, claro, que estava demitido. Duplamente.

O rapaz perdeu o rumo. Ao se despedir do programa, depois dos habituais merchandisings, ele chorou de soluçar, disse que amava a mulher, que era humano e podia errar. A seqüência, de cortar o coração, pode ser vista aqui, no site oficial do programa.

Apesar de constrangedora, a cena serviu para tirar o programa do marasmo – e para confirmar que Justus desempenha bem o papel de chefe cruel, goste-se ou não de seu mauricismo ostensivo.

É esse tipo de imprevisto que deveria ser a base dos “reality shows”, mas eles quase nunca acontecem, porque os participantes já entram nos programas vacinados, com uma atitude diplomática de fachada. Collins foi uma exceção corajosa, imprudente. E sofreu as conseqüências.

Mas já há quem desconfie, como um leitor do site Blue Bus, de um jogo de cartas marcadas para levantar a audiência de “O aprendiz 3”, que andava meio caída. Se foi isso, deu certo: o programa de ontem teve 12 pontos de média.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
23/08/2006 - 12:57

Tom Cruise vira bode expiatório

Compartilhe: Twitter

Não se deixa enganar pela notícia do fim do acordo entre a Paramount e Tom Cruise, que caiu sobre Hollywood como uma bomba hoje.

Sumner Redstone, presidente do grupo Viacom (do qual o estúdio faz parte), veio a público dizer, de maneira indelicada, que o romptimento do contrato de 14 anos foi causada pela “recente mudança de comportamento” do ator, que não seria aceitável pelos padrões da Paramount.

Por mudança de comportamento, entenda-se sua defesa de teses discutíveis da Cientologia e sua exagerada declaração de amor a Katie Holmes ao vivo no programa de Oprah Winfrey.

Mas, em uma Hollywood que nunca foi conhecida por seu puritanismo, isso não justifica o fim do contrato. Ou pelo menos não diretamente. A Paramount não está incomoda com as atitudes estranhas de Cruise, mas pelos prejuízos que elas trouxeram.

Segundo o “Los Angeles Times”, o comportamento do ator afugentou parte do público fiel de seus filmes, especialmente o feminino. O estúdio avalia que “A guerra dos mundos” e “Missão impossível 3” poderiam ter faturado até US$ 150 milhões a mais sem as bizarrices de seu protagonista na vida real.

Mas há algo mais em jogo nesse caso. Cruise virou bode expiatório para Hollywood promover mais uma de suas cíclicas campanhas de cortes de gastos. Como explica o “New York Times”, os estúdios declararam guerra aos altos salários dos atores e decidiram fazer menos filmes com orçamentos astronômicos, concentrando gastos em “franchises” de retorno garantido, como “Piratas do Caribe”.

Apesar de 2006 ter registrado até aqui boas bilheterias, depois de anos de seguidas quedas de público, Hollywood vê com pessimismo o futuro da indústria. Prova disso é a recente demissão de 650 pessoas pela Disney, em um ano em que ela registra lucros recordes. Outro indicativo é o cancelamento de uma comédia de Jim Carrey com orçamento de mais de US$ 100 milhões.

Mas o caso mais exemplar até agora foi o do final do contrato de Tom Cruise. A contragosto, ele virou o garoto do pôster da nova campanha de austeridade de Hollywood.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
23/08/2006 - 00:01

O réquiem de Spike Lee para Nova Orleans

Compartilhe: Twitter

Nunca um documentário feito para a TV causou tanto barulho nos Estados Unidos. E não é para menos. “When the levees broke – A requiem in four acts” (Quando as barragens se romperam – Um réquiem em quatro atos) está cercado de superlativos.

O filme disseca a devastação causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, uma das maiores tragédias naturais da história americana; foi dirigido por Spike Lee, um dos cineastas mais importantes e polêmicos do país; e tem quatro horas, maior duração de um documentário produzido pelo canal HBO.

A pré-estréia tampouco foi modesta. O filme teve sua primeira exibição pública na semana passada na New Orleans Arena, um estádio ocupado por cerca de 16 mil espectadores, muitos deles sobreviventes da tragédia – experiência que rendeu um emocionado relato da jornalista Cynthia Joyce na revista eletrônica Salon.

“Ao ver o filme com meus vizinhos, eu me senti apavorada, exausta e de coração partido – e mais convicta do que nunca de que alguém deveria ir para a cadeia pelo que aconteceu aqui”, ela escreve.

Na televisão, “When the levees broke” foi exibido em duas partes, ontem e anteontem, na HBO, depois de críticas consagradoras na imprensa. Na próxima terça-feira, quando a passagem do furacão por Nova Orleans completar um ano, o documentário será mostrado pela emissora na íntegra. E, na semana que vem, o filme também passará no Festival de Veneza.

Diretor de “Faça a Coisa Certa” e “Um Plano Perfeito”, entre outros grandes filmes, Lee estava justamente em Veneza, cidade perenemente invadida pelas águas, quando o Katrina passou por Nova Orleans. Ele recusou-se a sair do quarto para poder assistir às reportagens na TV e decidiu ali mesmo fazer um documentário sobre a tragédia. Embora sua vida e sua obra sejam marcadas por Nova York, o cineasta tem muitos amigos de Nova Orleans – entre eles, o músico Terrence Blanchard, que compôs a trilha sonora da maioria de seus filmes, incluindo “When the levees broke”.

Três meses depois do furacão, Lee realizou as primeiras filmagens em Nova Orleans. Ele voltaria à cidade outras oito vezes nos meses seguintes. Ao final do trabalho, havia colhido mais de 100 depoimentos e realizado mais de 500 horas de gravação – que foram reduzidas às quatro horas do documentário e dividas em quatro partes. Segundo a revista “Newsweek”, “o resultado pode ser visto como o trabalho mais essencial dos 20 anos de carreira de Spike Lee”.

Há duas conclusões principais a serem tiradas do documentário: 1) O sistema de emergência para o furacão falhou em todos os níveis: municipal, estadual e federal. Mas o filme dirige as críticas mais pesadas ao governo Bush e conta em detalhes a história da ida de Condoleezza Rice a Nova York para comprar sapatos enquanto Nova Orleans era inundada pelas águas.

2) O Katrina revelou a profundidade do abismo que separa as classes sociais nos Estados Unidos, ao mostrar como o trabalho de resgate priorizou as pessoas ricas e ignorou as miseráveis (sim, elas existem no país). Conhecido como o cineasta negro mais engajado da atualidade, Lee preferiu abordar o preconceito pelo viés econômico, não racial.

Para o jornal “Austin Chronicle”, “Lee não trata o Katrina como se fosse um momento paralisado no tempo, mas como um evento em evolução. O furacão pode ter passado, mas suas conseqüências economômicas, psicológicas e sociais continuarão sendo sentidas por anos a fio. O cineasta não deixa o espectador esquecer disso nem por um instante.”

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
22/08/2006 - 16:50

Um documentário patrocinado pelos fãs

Compartilhe: Twitter

O cineasta norte-americano Robert Greenwald (“Wal-Mart: The high cost of low price”) encontrou uma maneira original de arrecadar dinheiro para seu documentário “Iraque à venda”, sobre as empresas que lucraram com a guerra no país. Segundo notícia do jornal “The Washington Post”, ele mandou emails pedindo doações para milhares de pessoas que haviam comprado seus DVDs ou que haviam demonstrado algum tipo de interesse em sua obra anterior.

E não é que a coisa funcionou? Em dez dias, o documentário arrecadou US$ 267 mil. Desse total, US$ 185 mil vieram de cerca de 3 mil doadores, que deram em média US$ 62,00 cada, e US$ 82 mil de um fabricante de equipamentos médicos. Em troca, todos eles aparecerão nos créditos. Além disso, o filme conseguiu mais US$ 100 mil de um bilionário anônimo, que havia se comprometido a ajudar caso eles conseguissem levar a idéia adiante.

Seria bom se sempre fosse assim tão simples.

Dica do Leonardo Mecchi, do blog Enquadramento.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
22/08/2006 - 09:28

O Oscar da Globo Filmes

Compartilhe: Twitter

Deu na “Folha de S. Paulo” (para assinantes do Uol, aqui) que a Globo vai investir na criação de um Oscar brasileiro. Começará por apoiar e exibir em 17 de dezembro a premiação da Academia Brasileira de Cinema (ABC), presidida pelo cineasta Roberto Farias, que também é diretor de programa na Globo.

Há algo de estranho na premissa do projeto. Como confiar em um prêmio de cinema promovido por uma empresa que co-produz filmes? Ou será que esse “Oscar nacional” será limitado às produções da Globo Filmes?

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
21/08/2006 - 16:54

Comédias românticas iranianas

Compartilhe: Twitter
O público internacional conhece o cinema iraniano como um gênero lírico, mas lento, em que cavalos avançam por uma montanha curda cheia de neve e crianças passam duas horas procurando por uma nota de dinheiro perdida.

Esses filmes de arte podem ser cultuados em festivais como Cannes, mas não são o tipo de produção que quebra recordes de bilheteria em Teerã.

O filme número 1 do verão no Irã foi ‘Cessar-fogo’, uma comédia açucarada em que dois sensuais recém-casados tornam-se tão competitivos um com o outro que eles precisam consultar um psicólogo para evitar o divórcio.

Apesar de alguns preconceitos e equívocos, a notícia do Yahoo! Movies traz uma revelação curiosa: o cinema iraniano pode ter virado, no resto do mundo, sinônimo do chamado “filme cabeça”, mas no Irã o público gosta mesmo é de comédias românticas.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
Voltar ao topo