Publicidade

Publicidade

Arquivo de setembro, 2006

18/09/2006 - 00:01

Roubem este filme

Compartilhe: Twitter

Direitos das mulheres, dos negros, dos homossexuais, dos pobres, ambientais. Essas foram grandes lutas do século 20. Já a primeira grande batalha deste século – movida pela explosão da internet – promete ser em torno dos direitos autorais.

Diferentemente dos movimentos anteriores (em que se lutava pela efetivação daqueles direitos), hoje a briga é pelo fim dos direitos autorais – ou, ao menos, pela flexibilização destes.

Até pouco tempo atrás, a guerra se dava entre governos/corporações e sites independentes/usuários. O caso clássico foi o do Napster, em que o governo americano ameaçou processar milhões de pessoas que baixaram músicas por meio do site.

Agora os piratas começam a ganhar força, a se organizar e se institucionalizar no mundo todo. Os dois países que lideram o movimento pelas mudanças nos direitos autorais são os Estados Unidos e a Suécia. Nesses países, foram produzidos recentemente dois interessantes documentários sobre a luta pelas mudanças nas regras dos direitos autorais.

Dos EUA, vem “Alternative freedom”, que traz depoimentos de vários representantes americanos da “cultura livre”, que defendem o fim da propriedade intelectual sobre obras de arte, especialmente no mundo da música.

O documentário feito na Suécia trata especificamente de cinema e tem uma proposta ainda mais radical, como se pode ver por seu título: “Steal this film” (Roubem este filme). Para assistir a primeira parte, clique aqui.

Para entender o mundo da pirataria audiovisual na internet, o documentário funciona como uma boa introdução, porque a Suécia pode ser considerada hoje o grande laboratório mundial dessa área.
Cerca de 3 milhões de pessoas – ou cerca de metade da população adulta – têm internet de banda larga em casa. E mais de 1 milhão costuma fazer trocas ilegais de arquivos digitais.

Esse número coloca o país na vanguarda da pirataria mundial. Questões que só serão debatidas no futuro em outros países hoje já são uma realidade na Suécia (se você acha um exagero, lembre-se que o país foi fundamental para a criação da cultura das revistas pornográficas).

O documentário tem como foco o site The Pirate Bay, principal localizador mundial de torrents (arquivos digitais de vídeo ou som que podem ser baixados aos pedaços, de diferentes fontes) – que é hoje o principal formato de download de filmes na rede e, portanto, de quebra de direitos autorais.

O Pirate Bay tornou-se uma ameaça econômica tão grande que a polícia sueca, sob pressão do governo americano (por sua vez pressionado pelos grandes estúdios de cinema), fechou o site em maio passado, prendendo dois de seus funcionários e apreendendo todos seus servidores.

Mas, graças à ajuda de pessoas que cederam novos servidores, o site voltou ao ar apenas três dias depois – com um “banner” em que um navio pirata disparava contra os letreiros de Hollywood.

O documentário mostra também o trabalho do grupo Bureau da Pirataria (batizado como ironia ao Bureau Anti-Pirataria do governo), que briga pelo fim do direito autoral pelas vias legais.

Desse grupo, surgiu o Partido da Pirataria, que luta para conseguir representação no Congresso nas eleições suecas deste mês – o que será muito provável, já que eles contam com grande apoio dos eleitores jovens.

Para se ter uma idéia do avanço desse debate na Suécia, todos os partidos do país – com exceção do social-democrata – defenderam em seus programas algum tipo de flexibilização das leis de direitos autorais (imagine quando algo parecido vai acontecer no Brasil).

Os grupos mais radicais desse movimento dizem que a idéia da autoria não faz mais sentido na era da internet. E aí a questão se torna mais complexa.

Porque existem dois lados muito claros nessa guerra: as corporações (estúdios, gravadoras etc.) que perdem dinheiro com a pirataria; e os usuários, que economizam dinheiro com ela.

Mas há um terceiro elemento que não tem lugar nessa equação: o artista, que pode não simpatizar muito com o poder econômico, mas não necessariamente está pronto para desistir da autoria.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
17/09/2006 - 00:01

O YouTube da sacanagem

Compartilhe: Twitter

Não chega a ser uma surpresa a existência do PornoTube, uma versão pornográfica do YouTube. O elemento mais supreendente da história é que a idéia tenha demorado tanto a se concretizar e a dar certo. Mas aconteceu.

Em dois meses de existência, o PornoTube, que oferece vídeos de sexo explícito e tem conceito e design parecidos aos do YouTube, já está em 253º lugar na lista dos sites de maior audiência da internet mundial – um começo explosivo.

Mas o site tem toda pinta de truque. O controle para menores de 18 anos é pífio; na seção para heteros, há vídeos gays; a busca não funciona. O PornoTube não é tão diferente de milhares de sites pornográficos. A diferença é que seus inventores foram espertos para pegar carona no nome de um fenômeno.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
16/09/2006 - 00:01

EUA x Cazaquistão

Compartilhe: Twitter

É um fato inusitado, talvez inédito. Dois presidentes vão fazer uma reunião diplomática para discutir… uma comédia hollywoodiana.

“Borat”, protagonizado pelo comediante britânico Sacha Baron Cohen (conhecido pelo programa “Da Ali G Show”), será um dos temas na pauta de um encontro entre George W. Bush e Nursultan Nazarbayev, presidente do Cazaquistão.

O governo do país asiático está enfurecido com a imagem negativa passada pelo personagem Borat, um atrapalhado e anti-semita repórter de TV do Cazaquistão.

Nazarbayev anunciou que seu governo vai exibir “propagandas educativas” na TV americana para rebater o filme, mostrando como é “o verdadeiro cazaquistanês”.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
15/09/2006 - 00:01

“Xeque-mate”, cópia da cópia

Compartilhe: Twitter

“Xeque-mate”, filme de Paul McGuigan que estréia hoje no Brasil, parece um pastiche de Guy Richie (“Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”) – que, por sua vez, pode ser visto como um decalque britânico de Quentin Tarantino. Como aqueles cineastas, McGuigan também pretende fazer uma atualização do filme policial. Mas, de maneira mais acentuada que os outros, ele concentra-se no estilo e deixa a substância de lado.

Na trama, Slevin (Josh Hartnett) vai visitar seu amigo Nick em Nova York, mas este desapareceu. Depois de conhecer a vizinha Lindsey (Lucy Liu), ele é seqüestrado por capangas do Chefe (Morgan Freeman), que o confundem com Nick. Os asseclas do Rabino (Ben Kingsley) cometem o mesmo equívoco. Em pouco tempo, ele ganha um papel fundamental na guerra entre esses dois chefes do crime em Nova York, enquanto um assassino de aluguel conhecido como Goodkat (Bruce Willis), que trabalha tanto para o Chefe quanto para o Rabino, acompanha seus passos de perto.

O problema do filme é o excesso: de referências cinematográficas, de diálogos espertos, de cenários estilizados, de personagens caricaturais, de reviravoltas na trama cujo único objetivo é confundir o espectador. McGuigan tem talento, não há dúvida. Mas ele se revela ansioso demais para demonstrá-lo, cena após cena, sem tempos mortos para o espectador respirar. Falta-lhe um mínimo de foco e equilíbrio.

“Xeque-mate” foi realizado por um cineasta de 42 anos e quatro longas no currículo. Mas parece dirigido por um adolescente hiperativo e desconcentrado.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
14/09/2006 - 22:52

Os 13 do Oscar

Compartilhe: Twitter

Saiu a lista de produções inscritas para concorrer à vaga de representante brasileiro na disputa do próximo Oscar de melhor filme estrangeiro. São eles: “A máquina”, “Anjos do sol”, “Bens confiscados”, “Cinema, aspirinas e urubus”, “Cafundó”, “Depois daquele baile”, “Doutores da alegria”, “Estamira”, “Irma Vap – O retorno”, “O maior amor do mundo”, “Tapete vermelho”, “Vida de menina” e “Zuzu Angel”.

Se este blogueiro tivesse direito a voto, o dele iria para “Cinema, aspirinas e urubus”. Disparado. E o seu?

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
14/09/2006 - 00:01

Amor e ódio por “A dama na água”

Compartilhe: Twitter

Nos Estados Unidos, “A dama na água” foi massacrado pela crítica (76% de textos negativos, segundo o site RottenTomatoes). Aqui no Brasil os jornalistas se dividiram em relação ao novo filme de M. Night Shyamalan (“Sexto sentido”, “A vila”) – e a nova edição da Cinética reflete essa pulverização das opiniões.

A revista eletrônica fez uma experiência interessante: convidou vários críticos para compartilhar suas reflexões sobre “A dama na água” em textos curtos, sem ver o que os outros tinham a dizer. Dez responderam, incluindo este blogueiro.

Há comentários entusiasmados, como o de Felipe Bragança: “Em ‘A dama na água’ ele (Shyamalan) leva ao máximo esse sentido de mágica cinematográfica, pegando um roteiro fabular que ressoa a onda mítica Senhor dos Anéis/Harry Potter desse começo de milênio, só que filmando em toada hithcockiana, com jogos de tempo dignos de um Antonionni ou as gags físicas de um Tati.”

Mas também posições firmes contra o filme, como a de Kleber Mendonça Filho: ” ‘A dama na água’ é para mim como um peido inodoro, que só conseguiu me estimular a partir do quão lindo e cheio de possibilidades era o seu ponto de partida.”

Uma parte dos críticos chegou a conclusão parecida: “A dama na água” tem grandes momentos e grandes problemas. É a opinião deste crítico. E você, o que achou?

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
13/09/2006 - 15:46

A verdadeira identidade de lonelygirl15

Compartilhe: Twitter

Para encerrar o assunto lonelygirl15 (que já mereceu duas notas aqui): a musa do YouTube é mesmo uma farsa. A garota que aparece nos vídeos (onde diz se chamar Bree e ter 16 anos) é a atriz Jessica Rose, formada pela New York Film Academy, de cerca de 20 anos.

Os criadores da lonelygirl15 são Ramesh Flinders e Miles Beckett, que escreveram e dirigiram os vídeos. O projeto da dupla era usar a personagem em um longa.

A farsa foi descoberta por Matt Foremski – filho de Tom Foremski, repórter do blog Silicon Valley Watcher -, que reconheceu a atriz pelos vídeos, e revelada hoje pelo “New York Times”.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
13/09/2006 - 00:00

Elas estão descontroladas

Compartilhe: Twitter

Como bem definiu um amigo do Tutty Vasques, novela do Manoel Carlos é sempre igual: as mulheres são umas loucas, e os homens, uns bananas; menos o José Mayer, que come todas. Mas “Páginas da vida” é um pouco mais igual que as outras. Ou seja, suas personagens são ainda mais doidas (mas o José Mayer continua o mesmo).

A novela tem o maior número de mulheres problemáticas por metro quadrado da história da TV brasileira. O recorde anterior pertencia ao próprio Manoel Carlos em “Mulheres apaixonadas”, que tinha as saudosas “Heloquisa” (Giulia Gam) e Doris (Regiane Alves).

Em “Páginas da vida”, tem tanta mulher maluca que o autor precisa promover um revezamento. Algum tempo atrás, a louca da semana era a Marta (Lilia Cabral). Agora é a Sandra (Danielle Winits). Daqui a pouco, como já sabemos, será a Olivia (Ana Paula Arósio). Nesse ritmo, o Pinel vai ter que abrir uma galeria nova só para abrigar as personagens da novela.

Doida é modo de falar. Não existe nenhuma psicopata, nenhuma vilã clássica em “Páginas da vida”. Elas estão apenas descontroladas, como na letra do funk. Ou à beira de um ataque de nervos, como diria Pedro Almodóvar.

Mas, se “Páginas da vida” é mesmo realista, como garante Manoel Carlos, sua visão sobre o universo feminino só pode ser definida como machista. Muitas de suas mulheres estão desequilibradas por causa dos homens – ou da falta deles.

A novela bem que poderia ser rebatizada como “A casa das sete malucas”. O problema é que elas são mais de sete, como você poderá ver na galeria abaixo com um pequeno perfil das doidas da novela.

Sandra (Danielle Winnits) – é a louca marxista; para ela, tudo é culpa da luta de classes. Sandra não para de chorar há uns 17 capítulos porque seu patrão Jorge (Thiago Lacerda) insiste em rechaçá-la; segundo ela, por ser filha da empregada. Talvez seja um personagem inédito em novelas: a gostosa mal comida (a novela já escalou José Mayer para resolver o problema).

Carmem (Natália do Valle) – espécie de ninfomaníaca monogâmica, ela não desgruda do marido e não deixa nenhuma mulher chegar perto. Nem casando com Carmem, José Mayer conseguiu resolver o assunto.

Helena (Regina Duarte) – seu problema é ser boa demais; uma semana depois de ser trocada por Carmem, ela já batia papo com a concorrente numa boa. Taí a prova de que a novela não é realista: isso nunca aconteceria na vida real. Além disso, Helena tem um estranho tique nervoso: ela sempre tomba a cabeça para o lado quando fala, como se estivesse com um torcicolo. Talvez a culpa seja do José Mayer.

Olívia (Ana Paula Arósio) – outra com tique esquisito: termina toda frase com uma risada grave e artificial, mesmo que a situação não tenha a mínima graça. Ela se apresenta como uma mulher moderna, mas não sabe nem fazer um “4” para provar que está sóbria.

Marta (Lilia Cabral) – mulher passivo-agressiva, com complexo de perseguição, Marta acha que o mundo está sempre contra ela. Ela poderia abandonar seu marido, mas quem ela iria espezinhar nesse caso? Como José Mayer não se manifestou, arranjaram um substituto: Gonzaga (Mario Cardoso).

Verônica (Silvia Salgado) – mentirosa compulsiva, diz para Gonzaga que sua irmã Marta está separada, para tentar se livrar do cunhado banana.

Anna (Deborah Evelyn) – frustrada na vida profissional e amorosa, ela descarrega sua ansiedade na filha, que desenvolve bulimia por sua causa.

Isabel (Vivianne Pasmanter) – caso clássico de auto-estima em frangalhos: apaixona-se pelo homem que a humilha e não se interessa por aquele que a mima.

Irmã Maria (Marly Bueno) – ao mesmo tempo repressora e reprimida.

Tonia (Sônia Braga) – ela é uma artista bonita, talentosa e de sucesso. Mas faz tai chi chuan no meio de uma pista de dança. Esquisito. A mensagem é clara: desconfie também das bem-resolvidas.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
12/09/2006 - 10:25

A cegueira, segundo Meirelles

Compartilhe: Twitter

Deu no boletim eletrônico FilmeB (para assinantes aqui) uma notícia surpreendente: no Festival de Toronto, Fernando Meirelles anunciou que seu próximo filme será uma adaptação do brilhante romance “Ensaio sobre a cegueira”, do português José Saramago. Portanto, o diretor de “Cidade de Deus” deixará na gaveta outros projetos planejados há mais tempo, como seu longa internacional “Intolerância”.

A versão cinematográfica de “Ensaio sobre a cegueira” já faz parte do acordo de produção e distribuição que Meirelles firmou a norte-americana Focus Features. Será um desafio e tanto para o cineasta adaptar um livro em que a absoluta maioria dos personagens não enxerga na maior parte da trama.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
12/09/2006 - 00:01

Olha o microfone aí, gente!

Compartilhe: Twitter

O problema não chega a ser novo. Mas parece ter voltado com toda força. Na revista eletrônica Cinética, o crítico Eduardo Valente reclama que o microfone da produção apareceu na tela durante a projeção de “A dama na água”, de M. Night Shyamalan, no Arteplex de São Paulo.

Na Contracampo, Daniel Caetano diz que o mesmo problema ocorreu na Sala São Luiz do Rio de Janeiro. Em fóruns da crítica, outros jornalistas revelaram que foram vítimas da aparição do microfone ao ver o filme de Shyamalan.

Como todos notaram, é um problema que pode arruinar uma experiência cinematográfica, mas de fácil solução. Muita gente credita erroneamente esse erro à equipe da produção, porém ele é, na verdade, causado por um descuido na projeção.

Diferentes filmes são realizados para diferentes formatos de projeção. As proporções mais comuns são a 1:1,85
(1 de altura por 1,85 de comprimento) e a 1:1,66 – ou seja, a segunda é mais “quadrada” que a primeira. Na hora de exibir os filmes, o projecionista deve escolher a janela (a “máscara” que determina o formato da projeção) que o realizador tinha em mente (devidamente avisado pela distribuidora).

Quando uma produção é realizado para a projeção em 1:1,85, é comum deixar o microfone “vazar” no alto do quadro para ter o melhor som possível, sabendo que o aparelho não aparecerá se o filme for exibido com a janela correta. No Brasil, porém, é muito freqüente que esses filmes sejam projetados em 1:1,66.

O número elevado de problemas com “A dama na água” leva a crer que a distribuidora indicou a janela errada para a produção. E que o projecionista não percebeu o erro ou preferiu não mudar a janela (em alguns casos, também é preciso trocar a lente).

Por ser um problema de fácil resolução, ele é imperdoável – especialmente, como nota Valente, nos chamados cinemas “de arte”, que deveriam oferecer a experiência mais próxima à imaginada pelo realizador. Quando isso acontecer, tente avisar o projecionista. Nem sempre resolve. Mas não custa tentar.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:
Voltar ao topo