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24/10/2006 - 00:01

Roteirista x diretor

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O roteirista Guillermo Arriaga e o diretor Alejandro González Iñárritu, ambos mexicanos, formavam uma das duplas mais afinadas do cinema recente. Juntos, eles realizaram três grandes sucessos: “Amores brutos” (2000), “21 gramas” (2003) e “Babel” (2006) – este último forte candidato ao próximo Oscar.

Mas, segundo o “New York Times”, os dois vêm ensaiando uma briga feia. O motivo seria o desejo de o roteirista mexicano ser reconhecido também como “autor” dos filmes em questão – esse título mágico que costuma ser reservado apenas aos diretores.

Arriaga já declarou que é o responsável por “95% da estrutura de ’21 gramas’ e quase 99% da estrutura de ‘Amores brutos’ ” – filmes elogiados pela engenhosidade e complexidade de suas construções narrativas.

Defensor da importância dos roteiristas, Arriaga já afirmou: “As pessoas vão aos filmes por causa das histórias. Eles lembram dos filmes por causa das histórias.”

Essas declarações não foram bem recebidas por Iñárritu, que, de acordo com o “Los Angeles Times”, teria proibido a presença de Arriaga na exibição de “Babel” no último Festival de Cannes.

Por trás das picuinhas entre o roteirista e o cineasta mexicanos, está a velha e sempre pertinente discussão sobre autoria no cinema. Este blog acredita na tese, criada há 50 anos por François Truffaut e a turma do “Cahiers du cinéma”, de que os cineastas devem ser considerados os principais responsáveis por um filme.

Mas Arriaga é caso particular. Os filmes que escreveu têm sempre o mesmo estilo, uma construção virtuosística em forma de mosaico, com várias peças isoladas que se encaixam no final. Isso vale tanto para “Amores brutos”, “21 gramas” ou “Babel” quanto para “Três enterros”, de Tommy Lee Jones.

Por outro lado, este último filme é mais direto e menos exibicionista que os de Iñarritu. O que significa que a assinatura final é do diretor.

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19 comentários para “Roteirista x diretor”

  1. izaq bast disse:

    primeiro!!!
    que graça tem?

  2. izaq bast disse:

    todos tem seus meritos,nao tiro a rzao do cara.

  3. Rodrigo disse:

    Minha modesta opinião é de q a importância e a valorização dos roteiristas são sim, subestimadas, pela indústria cinematográfica no geral.
    A maior parte do público lembra, primeiramente da história do filme, de suas mensagens e sua moral.
    A linguagem utilizada para dar forma a esse texto também é importante, mas é percebida em um segundo momento pelo público, quando é percebida.
    Concordo com aquela premissa de q é mais difícil um mau diretor destruir um bom roteiro, do q um bom diretor consertar um roteiro de baixa qualidade.

  4. Rodrigo disse:

    Opa… invertendo
    Concordo com aquela premissa de q é mais FÁCIL um mau diretor destruir um bom roteiro, do q um bom diretor consertar um roteiro de baixa qualidade.

  5. Carlos Henrique Amaral disse:

    Acho que os dois têm sua importância, mas se não houver um bom diretor para realizar o que está em um bom Roteiro, ele não adiantará de nada. É bom lembrar que alguns grandes diretores não costumavam usar roteiros, como Fellini.

  6. Bruno Stern disse:

    Embora o diretor seja a peça central da produção, o roteirista é geralmente subestimado.
    Basta ver que enquanto Iñárritu se tornou uma celebridade, Arriaga é muito pouco conhecido.
    A indústria e a crítica do cinema omitem o ponto inicial do cinema. Alguém escreveu a história a ser contada. E não tem mesmo bom diretor que salve uma história ruim.
    Quanto aos que não usavam roteiro a resposta é simples. Eles desenvolviam o roteiro e o tinham na mente.

  7. maria avelar disse:

    Caro Colunista,

    O senhor esqueceu de dizer que mais tarde o Trauffaut mudou de idéia, quando afirmou: “Un film, c’est un affaire d’un roteirista, um diretor e um produtor.”
    A importancia do roteirista é crucial para um bom filme. Tem uma historia que dizem que o Orson Welles só existiu por que um judeu magro e narigudo, (dizem que só vivia bebo), era o roteirista. Esqueci seu nome!

  8. Exatamente. E quanto mais gente escrevendo e dirigindo, melhor.

  9. O nome do judeu, que não era magro e narigudo, mas que, de fato, gostava da “rama”, é Herman J. Mankiewicz. Assiste “A Batalha sobre Cidadão Kane” e comprove.

  10. “Assista”, melhor dizendo.

  11. juliano disse:

    mas o problema não é confundir “roteirista” com criador da história sempre, em casos de grandes autores tipo o hitchcock , ele criava as historias e cenas e sequencias fala tudo pro roteirista botar no papel, só que o hitchcock mesmo sendo o criador não era creditado “roteirista”.
    sem contar que todo diretor muda o roteiro pra combinar mais com ele, até filmes multimilionários que não dá pra arriscar e um diretor sem prestigio , tipo em x-men 3 , que o diretor mudou 45% do roteiro

  12. juliano disse:

    e roteiristas bem qualificados tipo o charlie kaufman, certamente “adaptação” é um filme totalmente dele, talvez pq era um roteiro “de roteirista” e não “de diretor”.
    mas confissoes de uma mente perigosa era bastante baseado no livro e depois foi mudado quase tudo pelo george clooney que dirigiu o filme , e no brilho eterno .. a história original era do diretor, o charlie kaufman mudava frequentemente o roteiro nas filmagens segundo orientação do diretor

  13. anrafel disse:

    Gore Vidal também defende que um filme é uma obra preponderantemente do roteirista, num trabalho que vai do argumento ao roteiro técnico, final.

    Existem autorias onde as funções de diretor, roteirista e produtor são divididas e equanimemente reconhecidas, como os irmãos Cohen.

    Alguns dos diretores mais autorais, segundo a concepção da crítica francesa, tinham alguns auxiliares fixos: Bergman/Nykvist, Fellini/Nino Rota, Hitchcock/Bernard Hermann, ou seja, impunham seu toque particular com os préstimos de pessoas competentes e de confiança.

    Segundo o autor do livro “O gênio do sistema”, o produtor mudou quase tudo que Hitchcock tinha feito em “Rebbeca”. O diretor gostou e o filme ganhou o Oscar.

  14. träsel disse:

    na condição de roteirista, vou defender a importância do diretor. no fim das contas, acho que importa mesmo é a direção, até porque em tese o diretor é quem escolhe o roteirista, seleciona os atores, o fotógrafo etc. etc.

    isso dito, prefiro pensar que o cinema é sempre coletivo e que as peças mais importantes são o diretor, o roteirista e o produtor, até porque as ações de um desses três interferem muito sobre as dos outros.

  15. Olavo Ombudsman disse:

    Eu acredito que existem casos e casos.
    Um Charlie Kauffman da vida nunca pode ser relegado a segundo plano em filme nenhum. Mas é fato que um roteirista ruim por acabar com um bom diretor e que um diretor ruim pode acabar com um bom roteirista.
    Eu acho que uma produção não deveria ser assinada com “Um filme de…”
    Deveria era ser simplesmente “Diretor: XXXXXXXX,
    Roteirista: YYYYYYYYYY, Diretor de Fotografia: ZZZZZZ”. E por aí vai.
    Todos responsáveis pelo filme.

  16. Rogério disse:

    Cinema é uma arte coletiva, não resta dúvida. Um monte de gente talentosa se junta para que o filme possa ser realizado: desde o roteirista até o editor, passando pelo diretor de arte, o de fotografia, os atores…

    Mas me parece que a assinatura final é do diretor por uma razão: ele é quem diz “copia” no set e ele é quem decide que cena vai para a montagem final. Se bem que, em Hollywood, não é todo cineasta que tem o direito à edição final. E alguns, pelo que ouvi, não dizem copia. Quem diz, é o astro.

    Enfim, no final das contas nada de novo sob o sol. Vaidade, vaidade, é tudo vaidade.

  17. daniel disse:

    Bem, mas, venhamos e convenhamos, ser ‘autor’ de “amores brutos” e “21 gramas” não é glória nenhuma. Ao contrário, pra ser bem sincero.

  18. Roberto Pedreira de Freitas Ceribelli disse:

    O que digo(escrevo) é se verdadeira for esta fonte de especulação da matéria e notícia, estarão passando o pior das vidas e carreiras, with no doubts … Beto is normal and a serius person, for real …

  19. Brian Hagemann disse:

    A turminha da nouvelle vague francesa considerava cineastas os autores do cinema pois eles mesmos que escreviam os roteiros de seus filmes. No mínimo os argumentos.
    Diretores tem que entender que existem filmes horríveis com roteiros bons, mas não existem filmes bons com roteiros horríveis.

Os comentários do texto estão encerrados.

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