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31/10/2006 - 00:01

O horror, o horror

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O slogan “Haloween é o cacete” talvez seja a melhor idéia produzida pelo movimento nacionalista brasileiro em muitos anos. Celebrado hoje, o Dia das Bruxas não deveria ter a mínima importância para o Brasil. Mas é fundamental para o cinema de horror – e um bom motivo para falar do renascimento do gênero.

Desde seu ápice nos anos 70, o cinema de horror não vivia uma fase tão importante – como fenômeno comercial e cultural. No último final de semana, por exemplo, o campeão de bilheteria foi “Jogos mortais 3”, com US$ 37 milhões arrecadados. Enquanto isso, “O grito 2” e “Texas chainsaw beginning” continuavam em cartaz, com boas carreiras.

Para hoje, está marcada o relançamento, em cópia nova, de “Halloween” (1978), um dos clássicos do terror. No ano que vem, já está previsto “Halloween 2007”, dirigido por Rob Zombie. Além disso, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, dois dos principais cineastas americanos, preparam uma incursão conjunta pelo gênero em “Grindhouse”.

Segundo o site da revista Hollywood Reporter, o horror é um dos gêneros mais lucrativos do cinema americano atual, porque os filmes têm orçamentos baixos, não dependem de estrelas, têm boa sobrevida em DVD e contam com uma grande base de fãs (aumentada de uns anos para cá por adolescentes do sexo feminino).

Para a revista “Time”, existe uma nova geração muito interessante de “autores de horror”, batizada de Splat Pack (à moda do Rat Pack da turma de Frank Sinatra).

James Wan (“Jogos mortais”), Eli Roth (“O albegue”), Darren Lynn Bousman (“Jogos mortais 3”), Rob Zombie (“Rejeitados pelo diabo”), Neil Marshall (“Abismo do medo”) e Alexandre Aja (“Viagem maldita”) são seus principais integrantes. Outra vertente importante do cinema de horror atual é a dos remakes de filmes japoneses – como as franquias de “O chamado” e “O grito”.

Todos esses filmes são grandes sucessos comerciais, baseados na sanguinolência (no caso dos originais americanos) ou no sobrenatural (caso dos remakes). Mas o aspecto mais interessante do renascimento do horror está em outro lugar.

Para diversos críticos importantes – como o francês Jean-Michel Frodon, diretor da revista “Cahiers du Cinéma” -, o melhor cinema político de hoje pode ser encontrado nos filmes de terror americanos. A princípio, a afirmação pode soar um tanto bizarra. Mas ela faz sentido quando se analisam os vários casos de filmes do gênero que lidam, de maneira metafórica, com questões urgentes da atualidade.

Esqueça George Clooney, Michael Moore ou Costa-Gravas. Para ser um cinéfilo politizado hoje, é preciso entender de psicopatas e mortos-vivos.

Tome-se como exemplo “Candidato maldito” (2005), de Joe Dante (mais conhecido por “Gremlins”), realizado para a TV dentro da série “Masters of horror” e lançado recentemente em DVD no Brasil. O filme conta a história de um grupo de soldados americanos mortos no Iraque que voltam ao mundo dos vivos para votar contra o presidente que os levou à guerra.

Esse é o caso mais evidente. Mas há muitos outros. Como “Terra dos mortos” (2005), de George Romero, em que os ricos isolam-se em um condomínio fechado, enquanto os zumbis pobres tentam invadi-lo. A crítica é dirigida também ao governo Bush, mas a história poderia facilmente se passar no Brasil.

A tendência do cinema de horror político se intensificou de alguns anos para cá. Mas ela não é exatamente uma novidade. O site A.V. Club mostra, inclusive, que há no gênero filmes de esquerda e de direita – revelando que o mundo está dividido também no terror.

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19 comentários para “O horror, o horror”

  1. André Pessoa disse:

    “Melhor cinema político”? Hummm, isso é forçar a barra demais. Eu fui ver “O albergue” enganado por uma historinha dessas, de filme político e contestador e tal, e só não saí do cinema no meio do filme porque o meu amor pelo cinema é uma coisa quase patológica.

  2. Honorio disse:

    Sempre acompanhei na década de 80 os filmes de horror, que pra mim tinham como principal motivo assustar e ser motivo de riso pelas formas como as morte aconteciam.
    Infelizmente pra mim este gênero está falido, pelo fato de ocorrerem muitos remakes e estes não serem anunciados como tais. Enganando o pessoal mais novo de que estes são originais.
    Há uma falta de originalidade, criatividade e fantasia para o terror. O que vejo é uma tentativa de atrair o público com a visão de o filme demonstrar uma realidade política simplificada, mas que não cobre a fraca história que possuem.

  3. Rodrigo disse:

    Atualmente, a maioria dos filmes de terror é péssima. Mas msm assim eu destaco essa nova onda de filmes de zumbis (“Madrugada dos Mortos” especialmente) e esse Viagem Maldita q há pouco passou no cinema. Dois filmes excelentes e claramente com esse “conteúdo político” q trata o colunista.

  4. Z - TECH disse:

    Prefiro os filmes de terror mais “clássicos”, mas tem muita coisa nova que também é boa, em relação a misturar política nesse gênero de filme, sou contra, acho que os filmes de terror devem ter o objetivo apenas de divertir e assustar, possuir uma estória com bastante suspense, atos e comportamentos bizarros, mistério, etc. É claro que, para que esses ingredientes principais funcionem, deverá haver por trás e diante das câmeras a direção, atuação e roteiro de gente consagrada e competente. Vim, vi, venci!

  5. izaq bast disse:

    nao gosto de genero,nao acrescenta nada em materia de graça ou cultura,filmes de horror é um horror mesmo.

  6. Joao disse:

    Colocar “O Albergue” como bom filme e com teor politico e mostrar a total falta de conhecimento do genero.
    O Terror produziu excelentes filmes, infelizmente todos eles sao antigos, como A Profecia ou O Exorcista, podendo mencionar ate os filmes baseados nas obras de Stephen King. Agora, o terror atual da vergonha, e como disse alguem ai abaixo, da-se risada demais. O que “Silent Hill”? Uma vergonhosa historia cliche e sem nenhum momento apavorante. Ou aquela porcaria de ‘Premonicao”, quando em 5 minutos de filme, ja sabemos o que ira acontecer. O fato e que pouquissimos filmes atuias sao realmente bons, como Jogos Mortais ou o nao tao atual “Bruxa de Blair”.
    O terror so existe hoje devido a seus antigos mestres como Carpenter ou Romero. Alias assitam a “Noite do Mortos Vivos” original de 68 para ver um filme politico totalmente voltado ao racismo americano. Eles matam o negro no final por racismo ou nao???

    Mais uma coisa, quanto aos remakes. Quem viu o “Chamado” japones, sabe que ele da de 1000 no americano, esses remakes sao puramente lucrativos e muitas vezes mal roterizados, como o “Chamado 2”.

    E a pior coisa ainda, e pessoas como o diretor do “Albergue” dizer que se inspirou num filmasso como o ‘Audition”. Quem nao viu procure-o. Um baita filme japones, como uma estoria densa e um final arrebatador.

    Long vida ao terror be feito e nao as porcarias atuais.

  7. Ricardo Calil disse:

    Olá caros. Só queria deixar claro que não incluo “O albergue” entre os bons filmes de terror atuais, apenas entre os bem-sucedidos. Os melhores dessa tendência política, a meu ver, são justamente o “Candidato maldito” e o “Terra de mortos”. Abs, Ricardo

  8. Roberto Pedreira de Freitas Ceribelli disse:

    Vamos lá Hollywood, coragem … qualquer dia escrevo a lista de bens adquiridos pessoalmente pelo trabalho honesto, vigente, perene e satisfatório que faço, só para que não morra(m) de cãimbra no músculo emusculatura abdominal resonsável também pela sistema respiratório do corpo … inteligente, honesto e humilde, devo ter acumulado o montante par adquirir o Brasil em déficit… por baixo, só sozinho mesmo que cosntruí isto … ahahahahahaha e rindo sozinho…

  9. Klink disse:

    Achei O Chamado americano muito melhor que a versão japa. Aliás, o Chamado 2 foi feito pelo diretor japones e se revelou uma bela merda.

  10. Joao disse:

    Se você assistir o Chamado 2 japones vai ver de onde veio o americano. E a direção do japones ser a mesma do americano não influencia nele ser ruim,mas sim o que há por trás da indústria. Inseriram coisas ridículas no filme.

    Agora o Chamado japones original é muito mais denso, e explica muita coisa que só surgiu no americano 2. o 1 japones se explica por si só, com uma Sadako muito mais terrível e sem uma mega produção, que faz de qualquer filme de terror um filmeco de 2*, vide o Albergue.

  11. Flávio Rios disse:

    Calil, legal citar o A.V. Club… eles sempre têm alguma lista, matéria ou entrevista interessantes… Achei um pouco radical essa opinião do cara da Cahiers, tanto é que no próprio A.V. rolou uma discussão boa sobre as limitações do atual revival de terror. É sempre algo sobre 11-set, ou sobre agressão…

    Terra dos Mortos pode ser bonzinho, mas a trilogia anterior era beem melhor!

  12. juliano disse:

    “cultura” que papo mais conservador CULTURALMENTE

  13. mhgoncalves disse:

    Calil, vc acha que os filmes de horror estejam virando o equivalente aos filmes de ficção cientifica na decada de 50 e 60?

  14. Neo Carvalho disse:

    Terror de bamba é “abismo do medo”. Só garotas, o unico homem trai a mulher e morre com 5 minutos de filme, (nem estraga contar – o macho é desimportante)daí pra frente é uma aula junguiana de retorno ao utero, muita agua, medo e transformação. Acho que é ingles, o sotaque parece ser. Muitos pontos acima dos badalados de roliude. Se nao viu, veja (the descent, no original; nada a ver com outros filmecos de caverna e expedição que andam por aí)

  15. Henrique disse:

    Sou fã do gênero mas é preciso separar o joio do trigo. Eli Roth é uma enganação, o Albergue é um péssimo filme, em todos os sentidos, até mesmo analisando a mensagem política que o filme traz. Já Rob Zombie, Alexandre Aja e Neil Marshall realmente são diretores talentosos

  16. Rodrigo disse:

    Vou reafirmar aqui: Viagem Maldita é um filmaço.

  17. Sarah disse:

    “Haloween é o cacete” é de fato uma boa frase, mas que se deixe claro: o MV_Brasil não é apenas um movimento nacionalista qualquer, mas sim um movimento fascistóide, inspirado em Plínio Salgado. O último cartaz deles espalhado aqui no Rio conclama: “Exército neles – Forças Armadas contra os bandidos do asfalto e do planalto”.

  18. cris disse:

    desde o filme O EXORCISTA nem um filme ganha dele em questão de terror

  19. Bill Pinton disse:

    Hallowen é o caralho mesmo!
    Já imaginou o povinho americano comemorando o Cosme e Damião?
    Povo colonizado mesmo
    A maioria destes filmes de terror é uma coisa pronta pra meter medo em adolescentes…e adolescentes bem novos de 10, 11 anos….é lixo puro
    Melhor a gente se preocupar é com os zumbis que retornaram do tumulo e foram pra Brasilia

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