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Arquivo de novembro, 2006

30/11/2006 - 18:55

Todo poder aos nerds

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Quando o assunto é jogos do poder, alguns em Hollywood começam a aprender uma lição básica da política digital: a internet joga pesado.

O caso em questão, analisado pelo “New York Times”, é a dispensa do diretor Peter Jackson (“O senhor dos anéis”, “King Kong”) pelo estúdio New Line.

Ele iria dirigir “O Hobbit”, nova adaptação de obra de Tolkien. Mas a New Line deu-lhe um pé na bunda. O motivo: Jackson está processando o estúdio por não lhe repassar sua parte nos lucros do “A sociedade do anel” (2001), primeiro filme da trilogia.

Agora a New Line precisa enfrentar a fúria virtual dos fanáticos por “O senhor dos anéis”, que não se conformam com a idéia de uma adaptação de Tolkien dirigida por alguém que não seja Jackson.

Depois que o cineasta deu a notícia de sua dispensa no site theonering.net, milhares de fãs começaram uma campanha na internet para reconduzi-lo à direção do filme, em sites de como lordotrings.com e onering.com.

Já o theonerging.net foi mais longe: convocou todos para um boicote de “O Hobbit” se ele não for dirigido por Jackson. E mesmo o veterano ator Ian McKellen, que fez Gandalf na trilogia, protestou em seu site mckellen.com: “Estou muito triste, porque adoraria revisitar a Terra Média com Peter como líder do time. É difícil imaginar outro diretor igualando seus feitos no universo de Tolkien.”

Até agora, a única atitude da New Line foi mandar um comunicado ao “New York Times” explicando que a decisão tem a ver com a falta de um acordo no processo movido por Jackson. Mas alguns produtores ouvidos pelo jornal acreditam que o estúdio irá voltar atrás por causa do protesto dos nerds – que ganharam um poder inédito em Hollywood graças à internet.

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29/11/2006 - 21:52

“Bosta” no Oscar

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O filme libanês “Bosta” (ônibus, em árabe) deu início a sua campanha pela vaga de candidato a melhor filme estrangeiro no Oscar. A produção publicou um anúncio no jornal “Hollywood Reporter” pedindo a consideração dos eleitores da Academia.

“Bosta” foi definido pelo crítico do “Washington Post” como “uma lufada de ar fresco”. Como descendente de libaneses (e apesar de todo o respeito ao candidato brasileiro “Cinema, aspirinas e urubus”), este blogueiro gostaria de lançar aqui a campanha “Neste ano, só dá ‘Bosta’ no Oscar.”

Dica do Media Soup.

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29/11/2006 - 00:01

Oito vezes novela

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Nos anos 80, Décio Pignatari, poeta concretista e teórico da comunicação, decretou que a telenovela estava com seus dias contados no Brasil. Segundo ele, o gênero seria substituído em pouco tempo por formatos mais curtos e modernos. Desde então, muitos outros intelectuais também previram o fim próximo do folhetim eletrônico.

Vinte anos depois, a telenovela não apenas continua viva, como passa por um “boom” de produção no país. Neste momento, existem oito novelas brasileiras no ar, um número histórico. São quatro na Globo (se for incluída a novelinha “Malhação”), três na Record (contando “Alta estação”) e uma na Bandeirantes. Apenas neste mês, houve três estréias nessas três emissoras: “Pé na jaca”, “Vidas opostas” e “Paixões proibidas”.

Em janeiro, o SBT começará a gravar “Maria Mercedes”, adaptação brasileira para o sucesso mexicano. E, então, as quatro maiores redes de TV nacionais terão ao menos uma produção própria no ar. Além disso, a trupe Hermes & Renato vem realizando para a MTV uma série de paródias de novela, como a atual “Sinhá Boça” – o que não deixa de ser uma prova da importância cultural do gênero.

Não é apenas a quantidade de novelas no ar que é impressionante, mas também o fato de que algumas delas vêm batendo recordes de audiência para seus horários ou emissoras, como “Páginas da vida”, a recém-terminada “Cobras & lagartos” e “Vidas opostas” (maior Ibope para uma estréia na Record).

No passado da TV brasileira, houve outros picos de produção de novelas (confira aqui uma relação dos folhetins televisivos ano a ano). Mas a novidade deste momento é a grandiosidade de várias produções, incluindo as não-globais “Vidas opostas” e “Paixões proibidas”, que revelam ambição real para conquistar uma fatia importante do mercado da Rede Globo.

Mas, afinal, por que esse formato tão antigo e tão pouco renovado (que começou no Brasil em 1963 com “2-5499 ocupado”, na Excelsior) ainda é o gênero dominante da TV brasileira? Para responder a pergunta, este blog ouviu Esther Hamburger, autora de “O Brasil antenado – A sociedade da novela”, colaboradora da “Folha de S. Paulo” e professora da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Segundo Esther, existem duas razões principais para a longevidade do gênero: uma econômica e outra conceitual. Em primeiro lugar, a novela permanece como um dos formatos mais lucrativos da televisão, porque exige um investimento inicial alto, mas que se dilui ao longo de meses e pode ser facilmente recuperado com publicidade, merchandising e, em alguns casos, vendas internacionais.

Depois, a novela continua atraindo uma grande audiência porque seu formato permite uma adequação do conteúdo ao público. “Como os folhetins de jornal do século 19 da qual descende, a novela pode se moldar de acordo com a resposta do público e pode fazer uma crônica muito imediata de seu tempo. O final de ‘Cobras & Lagartos’, em que Foguinho abre uma barraquinha de profiteroles e cidra, é um comentário muito preciso sobre o aumento do consumo na classe baixa. Nesse sentido, a novela é um formato proto-interativo”, afirma Esther. “Ao mesmo tempo, ela tem vantagens sobre formatos mais interativos, como os reality shows. Por exemplo, uma dramaturgia mais consistente e o poder de suas estrelas.”

Mas Esther ressalta que a quantidade de novelas atuais não se reflete na qualidade. Para ela, o gênero viveu seu auge nos anos 70 e 80 – com produtos como “Gabriela”, “Roque Santeiro” e “Vale tudo” – e não conheceu uma verdadeira renovação nos últimos anos. A professora considera muito relevantes as atuais experiências de outras emissoras com o gênero, mas lamenta que elas sejam antes uma emulação do padrão global do que uma verdadeira alternativa à emissora hegemônica.

“Para ameaçar o domínio da Globo, é preciso de muito dinheiro e de um projeto a longo prazo. Parece que a Record tem as duas coisas. Mas ela vem copiando o sistema de produção da Globo, que, por sua vez, é uma reprodução do ‘star system’ da Hollywood dos anos 40, com estrelas contratadas e estúdios próprios. Seria mais interessante se houvesse um investimento em produção independente”, diz Esther. Ela aponta como uma exceção nesse panorama “A turma do gueto”, seriado com atores negros exibido pela Record entre 2002 e 2003.

Esther foi uma das teóricas que no passado previu a morte da novela. Mas hoje ela não consegue enxergar um final próximo. “É incrível que, em um mundo com tantas opções, como a internet e a TV a cabo, a novela ainda ocupe espaço tão grande da vida nacional. E não há sinais de que isso irá mudar tão cedo.”

Segundo ela, só existe uma coisa tão imutável quanto a novela: o preconceito contra aqueles que estudam o gênero antiquado, mas que segue sendo uma das grandes paixões nacionais. Ou um dos maiores vícios, como escreveu certa vez Décio Pignatari.

“As pessoas se apaixonam pelos quadrinhos, pelo rádio, pelo cinema, pelo rock, mas ninguém se apaixona pela televisão. TV não é questão de obsessão, paixão ou afeição: é questão de vício. Vicia-se pela televisão, como se vicia em açúcar, fumo, maconha, coca e outros da área farmaco-dependente.”

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28/11/2006 - 13:29

Cópias demais para espectadores de menos

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Na revista Cinética, os críticos Leonardo Mecchi e Eduardo Valente chamam atenção para uma nova distorção do cinema brasileiro: os filmes lançados com cópias demais para espectadores de menos.

Eles citam como exemplos “Canta Maria” (35 cópias, 2500 espectadores no final de semana de estréia) e “Vestido de noiva” (23 cópias, 1600 espectadores) – que tiveram a triste média de 70 espectadores por cópia (contra uma média de 390 dos filmes brasileiros em 2005). Mas poderia-se falar também nos casos de “1972” (21 cópias, 2825 espectadores) e “Sonhos e desejos” (24 cópias, 2900 espectadores).

A Cinética faz uma conta interessante: se a produção de “Canta Maria” tivesse usado o dinheiro gasto com cópias para pagar ingressos ao público, o filme teria quase 30 mil espectadores – 12 vezes mais do que o resultado real do filme.

Um dos principais motivos para essa distorção parece ser a má utilização dos recursos para distribuição obtidos via editais. Com dinheiro na mão, as produtoras apostam no “quanto mais cópias melhor”, em vez de estudarem uma estratégia de lançamento específica e realista para cada filme. O resultado está aí: mais uma leva de filmes invisíveis; só que, dessa vez, eles são também gigantes.

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27/11/2006 - 18:58

Muito além do cafajeste

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Jece Valadão – que morreu hoje, aos 76 anos, em São Paulo – foi um caso clássico de ator aprisionado a uma imagem que não fazia justiça a todo seu talento. Ele foi muito maior do que o personagem de cafajeste machista e truculento que incorporou em tantos filmes e levou também para sua vida pessoal.

Poucos atores brasileiros participaram de tantos filmes fundamentais: “Rio 40 graus”, “Rio zona norte”, “Os cafajestes”, “Boca de ouro”, “Navalha na carne”, “Dois perdidos numa noite suja”, “A idade da terra”, entre muitos outros. Mas ele também foi um diretor e produtor importante, dedicado principalmente a adaptações de Nelson Rodrigues (cuja irmã foi sua mulher durante anos) e a filmes policiais.

Uma recente mostra dedicada ao ator no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, chamava-se significativamente “As muitas faces de Jece Valadão”. No catálogo, o curador Fernando Veríssimo escreveu: “E o que, afinal de contas, é o cafajeste? Nas palavras de Jece Valadão, homem do povo e animal cinematográfico , talento e instinto, a definição: ‘O cara que se defende, um auto-suficiente dentro de uma sociedade deficiente’. Um estado de espírito bem brasileiro.”

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27/11/2006 - 00:11

O obituário do VHS

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Depois de uma longa doença, o inovador formato de entretenimento caseiro VHS morreu de causas naturais nos Estados Unidos. Ele tinha 30 anos de idade. Não há previsão de funeral.

O VHS deveria ter sobrevivido até janeiro , mas formatos de alta definição e uma nova geração de videogames apressaram seu declínio.

Ele deixa como herdeiros o DVD, o Tivo, o video on demand e o DirecTV. Seus antepassados foram o Betamax, o Divx, os mini-discs e laserdiscs.

A revista “Variety” faz o obituário definitivo do VHS.

A morte do formato já estava prevista há muito tempo, por causa da explosão do DVD. Mas o golpe final veio com o anúncio de que as locadoras norte-americanas não irão mais oferecer fitas para locação, por falta de espaço nas prateleiras. No início do ano, os principais estúdios já haviam anunciado que iriam parar de lançar filmes em VHS.

Abreviação para Vertical Helical Scan (e não Video Home System, como muita gente imagina), o VHS nasceu em 1976 no Japão, concebido pela JVC. Em seus primeiros anos, teve como principal concorrente o Betamax, da Sony. Mas acabou se impondo como formato hegemônico no mundo todo.

O auge do VHS ocorreu com o lançamento de “O rei leão” (1994), que teve mais de 30 milhões de fitas vendidas apenas nos EUA. O declínio começou com o com o nascimento do DVD em 1997. Mas o novo formato só venderia mais unidades que o antigo em 2003.

A morte do VHS faz pensar na incrível velocidade do mundo moderno. No curto intervalo de 30 anos, o formato passou de revolução no entretenimento a relíquia do passado. E o DVD, seu herdeiro, corre o risco de desaparecer de maneira ainda mais rápida, substituído por formatos de alta definição ou por meios virtuais.

O conceito de alugar filmes, ter uma coleção em casa ou gravar programas de TV, que o VHS apresentou ao mundo, ajudou a alimentar a cinefilia de milhões de espectadores – incluindo este que vos escreve. Minha geração é a das videolocadoras. Por isso, apesar de ter se revelado demodé nos últimos anos, o VHS vai deixar saudades.

Ainda lembro bem do primeiro videocassete que minha família comprou em 1983, um caixote pesadíssimo da Philco. O brinde era uma fita com uma seleção de momentos do esporte apresentada por um Luciano do Valle ainda magrinho. Ou seria um manual de instruções em vídeo? Talvez a memória me traia. E você, lembra qual foi o primeiro aparelho de videocassete e a primeira fita VHS da sua vida?

Dica do Blog do Sérgio Dávila.

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26/11/2006 - 00:04

Wenders e Salles falam sobre filmar nos EUA

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Na “Folha de S. Paulo” de hoje, há uma bela entrevista de Marcos Strecker com o cineasta alemão Wim Wenders e o brasileiro Walter Salles, feita em Salônica (Grécia). Os dois cineastas foram homenageados pelo Festival Internacional da cidade e convidados a dar uma “master class” sobre “road movies”, gênero no qual podem ser considerados mestres, como provam respectivamente “Paris, Texas” e “Central do Brasil”.

Na entrevista, eles falam sobre a experiência de filmar nos Estados Unidos. Wenders foi produzido por Francis Ford Coppola em “Hammett” (1982), talvez o maior fracasso de sua carreira. Agora Salles também dirigirá uma produção do grande cineasta americano na adaptação do clássico “On the road”. Wenders aproveitou a ocasião para dar um conselho a Salles:

“Sei que Francis não é mais o produtor teimoso que costumava ser. (…) Acho que a experiência comigo pode tê-lo transformado no produtor ideal para ‘On the Road’. Não saberia que conselho dar agora a você. Acho que seguir seus instintos, já que Francis te chamou. Acho que foi uma grande idéia sua pensar: espere um minuto, deixe eu antes explorar o território e ver o que está acontecendo [a respeito do documentário “Searching for On the Road”, que Salles já filmou e está editando]. O pior que pode acontecer é ele ficar melhor do que o filme… (risos) Desejo de coração que você faça [“On the Road”]. Ao mesmo tempo, conheço as armadilhas e espero que você não caia nelas, ainda que algumas já pertençam ao passado.”

Vale a pena dar uma olha na entrevista completa (para assinantes da Folha, aqui).

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24/11/2006 - 23:41

Cinema vegetariano

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Com “Fast food nation”, de Richard Linklater, e o novo e quase mudo documentário “Our daily bread”, de Nikolaus Geyrhralterm, os espectadores mais refinados talvez nunca mais queiram comer. Stuart Klawans, o excelente crítico do “Nation”, comparou “Our daily bread” com “2001: Uma odisséia no espaço”, de Stanley Kubrick, enquanto eu me lembrei de “Matrix”. Uma diferença geracional, eu suponho. Qualquer que seja sua escolha de similares na ficção científica, o filme de Geyrhalterm é um estudo assustador, sem entrevistas e em widescreen sobre a produção industrial de alimentos.

Sim, muito do filme é perturbador: nós vemos vacas, porcos e galinhas trucidados, girassóis banhados pro agrotóxicos, salmões de criação sugados por uma enorme mangueira, tomates e pimentas colhidos por veículos robotizados. Seja qual for sua conclusão sobre essa história, a parte realmente inquietante é a presença de humanos – quase sem expressão em suas roupas de astronauta e botas de borracha – movendo-se nessa perfeita, anti-séptica paisagem de morte.

Nesta semana, estrearam nos Estados Unidos dois filmes que atacam frontalmente os métodos da indústria alimentícia – analisados pelo crítico Andrew O’Hehir na revista eletrônica Salon. A maior produção é “Fast food nation” (“A nação do fast food”), de Richard Linklater (“Antes do amanhecer”), adaptação livro do best seller homônimo de Eric Schlosser sobre os podres (muitas vezes literais) das grandes cadeias de lanchonete americanas. Em um certo sentido, é um complemento ficcional a “Super size me – A dieta do palhaço”, o documentário de Morgan Spurlock sobre os malefícios da comida do McDonalds.

Na trama, o relações-públicas de uma dessas empresas (Greg Kinnear) tenta contornar os danos de imagem causados por uma pesquisa que aponta uma grande quantidade de coliformes fecais de seus hambúrgueres. Mas a metralhadora giratória do filme atinge também assuntos como a exploração de imigrantes nas lanchonetes, a epidemia de obesidade infantil e a promíscua relação de Hollywood com as redes de fast food (tema de uma boa reportagem do “Los Angeles Times”).

Mas o filme mais interessante parece ser mesmo “Our daily bread” (O pão nosso de cada dia), do austríaco
Nikolaus Geyrhralterm. O documentário reúne cenas da produção industrial de alimentos na Europa, que impressionam tanto pelo uso intensivo da tecnologia quanto pela indiferença dos trabalhadores em relação ao sofrimento dos animais.

“Our daily bread” confia exclusivamente no poder de suas imagens. Não há entrevistas, nem trilha sonora. O filme foi definido como o “2001” da produção de alimentos, por suas imagens futuristas e assépticas, mas lembra muito também “Koyaanisqatsi” (1982), de Godfrey Reggio, pela coleção de cenas de grande força visual, que prescindem das palavras. Para entender o conceito, vale a pena ver os quatro trechos do filme reunidos aqui.

“Fast food nation” e “Our daily bread” são importantes por conscientizar o público sobre a forma como são criados, mortos e comercializados os animais que comemos. Nem todos seus espectadores se converterão ao vegetarianismo, mas muitos pensarão duas vezes antes de comer o próximo bife. Os dois fazem parte de uma série de filmes que elegeram a qualidade dos alimentos e a crueldade com os animais como tema central. No mês passado, por exemplo, foi realizado na Nova Zelândia o primeiro Festival do Filme Vegetariano.

No Brasil, o principal representante desse movimento é o filme “A carne é fraca”, produzido pelo Instituto Nina Rosa, que dá bons motivos ambientais, de saúde e de respeito aos animais para se tornar um vegetariano. O filme pode ser comprado pelo site do instituto, alugado em locadoras ou visto na íntegra, dividido em seis partes, no YouTube. Apesar da simplicidade da produção, o filme foi responsável pela conversão ao vegetarianismo de diversas pessoas, principalmente por causa das cenas de matança de animais. Este blogueiro foi uma delas.

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24/11/2006 - 10:56

Mais cinema e menos política

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“O crocodilo”, filme do italiano Nanni Moretti que estréia hoje no Brasil, traz uma lição fundamental para a série de filmes panfletários que inundou o mundo nos últimos anos: no grande cinema político, o cinema vem sempre antes da política.

Seu novo trabalho é um ataque direto a Silvio Berlusconi, o magnata das comunicações que foi até o início deste ano o primeiro-ministro da Itália. Mas está longe de ser uma crítica óbvia, um mero manifesto ideológico.

Em vez de simplesmente refazer a conhecida trajetória de Berlusconi – acusado de iniciar seu império com dinheiro ilegal, de ter ligações com a máfia, de se lançar na política com uma plataforma de direita para beneficiar seus negócios -, Moretti conta a história de um filme sobre a figura.

O protagonista não é Berlusconi, mas o produtor de filmes B Bruno Bonomo (Silvio Orlando, magnífico), às voltas com o fim de seu casamento com Paola (Margherita Buy) e com o perigo de falência por causa de uma série de dívidas.

Depois de anos sem realizar nenhum filme, ele consegue sinal verde da rede de TV estatal RAI para produzir um épico sobre Cristóvão Colombo, mas o diretor deixa o projeto na última hora. Bruno decide, então, adaptar o único roteiro que tem em mãos, sem saber a princípio que se trata de um ataque pesado a Berlusconi, assinado pela novata Teresa (Jasmine Trinca).

Depois que o novo projeto é recusado pela RAI, Bruno decide fazer a produção de forma independente, apostando suas últimas fichas em seu sucesso. Mas, como era de se esperar de um filme contra o homem mais poderoso da Itália, o produtor encontra todo tipo de dificuldades para concretizá-lo.

Em meio a essa trama, são intercaladas cenas do filme dentro do filme, em que Berlusconi é interpretado por três atores diferentes (incluindo o próprio Moretti) e que brincam com diferentes gêneros cinematográficos, da comédia farsesca ao drama de tribunal. Com essa trama, Moretti consegue denunciar não apenas Berlusconi e a Itália que o elegeu, mas também o cinema político em geral e o italiano em particular.

Por um lado, o filme pode ser entendido como uma crítica a um cinema de espetáculo anódino, ligado ao grande passado perdido e desligado de questões urgentes (simbolizado pelo filme sobre Colombo). Por outro, funciona como contraponto a um cinema político mais baseado em slogans que em personagens, mais interessado em passar mensagens do que fazer o público refletir, feito por cineastas como Michael Moore e Michael Winterbottom.

Com “O Crocodilo”, Moretti resgata duas grandes tradições do cinema italiano (a comédia e o filme político), mas as atualiza com seu humor idiossincrático, com sua capacidade de ver o lado fantástico do cotidiano – marca-registrada da obra do cineasta. Nesse sentido, ele oferece ao menos uma seqüência memorável: a cena em que um grande navio é transportado por uma carreta pelas avenidas de Roma em direção ao litoral, onde será usada no filme sobre Colombo.

“O crocodilo” é não apenas o melhor filme político de 2006 (ano que conheceu uma explosão do gênero), como também a grande obra que os admiradores de Moretti aguardavam desde “Caro diário” (1993) – depois de trabalhos decepcionantes (“Aprile”) ou convencionais (o tocante “O quarto do filho”). Finalmente, ele cumpre a promessa de preencher uma pequena parte da lacuna deixada pela ausência de mestres como Fellini, Visconti, Pasolini, DeSica e outros. Os fãs do cinema italiano agradecem.

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23/11/2006 - 19:16

Lá se vai o bonachão Philippe Noiret

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Em pouco mais de uma semana, lá se vão três ícones do cinema. Depois dos norte-americanos Jack Palance e Robert Altman, agora é a vez do grande ator francês Philippe Noiret, que morreu hoje aos 76 anos em Paris, vítima de um câncer.

De certa forma, ele representava o oposto do vilanesco Jack Palance. Ele foi a encarnação cinematográfica do bonachão e do bon vivant – uma faceta que era facilitada por seu rosto de cão farejador, seus olhos ternos e bochechas caídas.

Apesar de ser um símbolo do cinema francês, alguns de seus maiores sucessos em uma carreira de mais de 130 filmes podem ser encontrados no cinema italiano: “A comilança” (1973), “Meus caros amigos” (1975), “Cinema Paradiso” (1988) e “O carteiro e o poeta” (1994).

Como Marcello Mastroanni, seu colega em “A comilança”, Noiret dava a impressão de um ator natural, que não fazia nenhum esforço para interpretar. E como Altman, que nos deixou anteontem, ele se despede em um grande momento. Seu atuação em “Pais, filhos & etc.”, sucesso nos cinemas de arte brasileiros neste ano, é um dos pontos altos de sua carreira.

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