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27/12/2006 - 00:01

Um ano negro na TV

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Depois dos melhores e piores do cinema no ano, agora é a vez da televisão brasileira. Fazer uma cobertura sistemática desse universo foi uma novidade na vida deste blogueiro – uma tarefa árdua em muitos momentos, recompensadora em outros tantos.

Nesse balanço de final de ano, chego à curiosa constatação de que meus gostos televisivos estão muito próximos do senso comum – diferentemente das minhas idissincráticas preferêncais cinematográficas. Minha lista de melhores e piores é muito parecida com outros que andei vendo por aí.

O melhor programa de 2006, na avaliação do Olha só, foi “Antônia”, produzida pela O2 a partir do filme de Tata Amaral. A série trouxe frescor ao padrão global com sua narrativa baseada mais em personagens do que em situações e seus belos rostos novos no elenco

Entre as novelas, o destaque foi “Cobras & lagartos”, que apresentou um dos melhores personagens da história desse meio na figura macunaímica de Foguinho, com brilhante interpretação de Lázaro Ramos. Portanto, nos dois lugares mais altos do pódio, dois programas protagonizados por atores negros. Taí uma boa novidade: 2006 foi um ano negro na TV.

Ainda nas novelas, não dá para esquecer da Marta de Lilia Cabral em “Páginas da vida”, grande personagem melodramático do ano, e a Bia Falcão de Fernanda Montenegro em “Belíssima”, a melhor vilã de 2006.

Fora do circuito global, a melhor notícia de 2006 foi a bem-sucedida investida da Record no universo das telenovelas. O projeto tem acertos (“Vidas opostas”), erros (“Bicho do mato”) e, acima de tudo, a importância de oferecer uma alternativa ao monopólio da Globo nessa área.

Além das novelas, alguns dos destaques do ano foram os bons e velhos “Hermes & Renato” e “A grande família”, respectivamente o melhor do humor iconoclasta e da comédia de costumes na TV brasileira há alguns anos. Na seara da comédia involuntária, houve ainda o sujeito que demitiu Roberto Justus em “O aprendiz” – um dos subestimados heróis do ano; pena que ele colocou tudo a perder ao chorar copiosamente em seguida.

Agora vamos às decepções do ano. Como no caso do cinema, melhor não falar dos piores, porque não haveria espaço suficiente para abordar todos os programas de auditório e outras porcarias da TV brasileira.

Vamos nos resumir aos programas e atores que deixaram a desejar. Puxando a fila, Regina Duarte e Sônia Braga em “Páginas da vida”, pálidas sombras do que já foram no passado.

Entre as novelas, concorrem ao momento mais constregedor do ano as primeiras visões de Marcos (Thiago Fragoso) em “O Profeta” e os delírios de Renato (Caco Ciocler) após seu acidente em “Páginas da vida”.
“Cristal”, do SBT, foi hours-concours. Praticamente todas suas cenas mereciam um troféu. Aliás, a emissora de Silvio Santos, no ano que completou um quarto de século, deu um vexame após o outro, incluindo as eternas mudanças de grade e o cancelamento da divulgação de seus programas.

Outra emissora que mandou mal em 2006 foi a MTV (que, por acaso, também completou 25 anos, mas nos Estados Unidos), com uma programação auto-centrada e o anúncio da extinção dos clipes no canal.

Por fim, os grandes malas do ano foram Vesgo e Silvio Santos do “Pânico na TV”, que deixaram de ser críticos das celebridades para se tornarem parte desse universo banal. Esqueci de algo ou alguém?

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68 comentários para “Um ano negro na TV”

  1. Apocalíptico disse:

    Como tem gente com racismo impregnado na mente. Negro, antes mesmo de ser usado para designar milhões de pessoas, era apenas mais uma cor (e continua sendo uma cor).

    Qualquer pessoa minimamente alfabetizada e que saiba interpretar uma frase e um texto saberia que o autor não quis dar a menor conotação racista a qualquer coisa que tenha escrito nesse blog.

  2. marcos disse:

    Cara, até que a TV aberta deu uma melhoradinha em 2006. A novela “Vidas Opostas”, da TV Record, tem ido bem, e tem começado a mostrar o ótimo potencial de conflitos que sua trama pode proporcionar. A paródia “O Infeliz”, que o Tom Cavalcante fez de “O Aprendiz” foi de rolar de rir. A TV Globo, finalmente acertou uma boa novela no horário da 19 horas (“Cobras e Lagartos”), “Hermes E Renato” potencializaram seu sarcasmo com o sucesso de sua banda de mentirinha (mais ou menos, pois os caras tocam de verdade) Massacration. A grande perda da TV para mim foi a da compostura do “homer-jornalismo”, que fez de tudo para colocar um tucano na Presidência Da República, e levou um murro do povo nas urnas. Este sim, o melhor fato do ano!

  3. montwil disse:

    Eu Sou Mais o Chavez!!!!!!!!!

  4. Logan disse:

    Falar da programação da TV brasileira é algo muto triste! Durante a semana, novela e mais novela, e cada uma pior que a outra. Temas alienadores, chatos, ditadores de moda e de (mal)comportamento. Arf!! No fim de semana… sem comentários. Pior, impossível!! Salvo apenas alguns poucos programas educativos e os de humor. Aliás, porque não investir nesse tipo de programação durante toda a semana? Assuntos instrutivos, boas comédias, boa programação de humor…., assuntos que desenvolvam o nosso senso crítico e deixemos de ser tão passivos a tantos absurdos que acontecem em nosso país.

  5. Tarcisio disse:

    Rapá, tiveram alguns (raros) programas bons!”Hoje é dia de Maria” p. e., foi um grande achado da tv. Apesar da direção de Jorge Fernando 9que tem o dom de abobar tdo que toca!) e o seríado da SBt “estética” (que vai ao ar nos domingos) muito bom por sinal! … Outras porcarias que não foram mencionadas são: “24 horas!” Um seriado besta, americanizado, fora de qualquer realidade mundial (só existe pros americanos mesmo). Como a Globo aposta numa bosta dessas! Acabou com o que restava da noite! Além de aguentar a porcaria do Jô humilhando e fazendo de rídiculo seus entrevistados (vítimias) ainda aturar essa série sem graça q infelizmente de 24 hrs num tem nada, dura muito, muitissimo mesmo!

  6. Margareth Mendes disse:

    Li hoje a matéria, vc esqueceu de comentar sobre a ridicula programação infantil( DIDI, XUXA,…), até qdo aturar?

  7. Zena disse:

    Só uma Pergunta, por quê ano negro?

Os comentários do texto estão encerrados.

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