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Arquivo de dezembro, 2006

20/12/2006 - 23:56

Tchau TV, olá internet

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Foi o desafio final para qualquer espectador de TV de longa data. A ‘Wired’ me pediu para cortar o cabo coaxial que serpenteia até minha TV de alta definição e por 30 dias confiar apenas no conteúdo legal oferecido na internet para satisfazer as necessidades de entretenimento em vídeo de minha família de cinco.

Nós fizemos a pergunta: a internet está finalmente pronta para matar a velha televisão?

As regras eram simples: tudo que eu pudesse baixar seria jogo limpo, mas não haveria sinal de TV via cabo, satélite ou ondas aéreas. Nós decidimos que assistir programas de TV que ficaram guardados no box da TiVo da minha família seria trapacear, então a caixa foi para o armário. Por insistência de meu editor, eu danifiquei o cabo entre a parede e minha TV com grampos. E em um chuvoso dia de novembro minha companhia de TV a cabo veio e levou embora meu decodificador.

Assim começa na revista americana “Wired”, considerada a bíblia das novas tecnologias, o artigo assinado pelo jornalista Robert Lemos sobre sua fascinante experiência de trocar a TV pela internet por um mês.

No começo, houve percalços. O primeiro foi descobrir que a internet acabava com o aspecto gregário da televisão. Em vez de se reunirem diante da TV, cada membro da família Lemos passou a ver os programas em seus computadores pessoais; Robert e sua mulher nos desktops do escritório, os filhos em laptops na cozinha. Esse problema foi fácil de resolver: ele comprou um cabo para conectar o computador à TV e assistir aos programas no velho aparelho (o que não era proibido pelas regras do jogo).

Depois, o jornalista descobriu que já existe uma oferta decente de séries de séries de TV e filmes tanto no iTunes da Apple quanto no Xbox Live Marketplace da Microsoft. Mas a compra diária de conteúdo acabava saindo mais cara do que a assinatura da TV a cabo. Robert tampouco teve dificuldades para contornar a questão: ele logo percebeu que já existem vários programas oferecidos gratuitamente por redes de TV em streaming – com algumas deficiências técnicas, mas qualidade de imagem superior à que ele havia imaginado.

Por fim, Robert notou que a oferta de programas ao vivo, como noticiários e jogos esportivos, deixava a desejar. Nesse ponto, ele não enxergou solução à vista – já que a internet não tem infra-estrutura para transmissões em tempo real a grandes massas de espectadores. A boa notícia é que ainda estamos vivendo a pré-história do vídeo na internet. Portanto, a quantidade de conteúdo e a qualidade da transmissão só tendem a melhorar com o tempo.

Ao cabo de um mês de experiência, Robert decidiu que não irá reconectar a TV a cabo e continuará a usar apenas a internet para abastecer o entretenimento de sua família. Ele termina seu artigo em um tom otimista: “No final das contas, baixar vídeos da internet não é a mesma coisa que a programação de TV ao vivo. Mas, em alguns anos, eu acredito que será melhor.”

Isso significa que a internet está pronta para matar a televisão? Não, ainda não. Talvez ocorra em um futuro próximo. Ou, quem sabe, os dois meios se tornem uma coisa só – em vez de um eliminar o outro. O caso de Robert é de exceção: ele é um jornalista americano especializado em tecnologia, com alto poder aquisitivo, sem um grande vício em TV. No Brasil, por exemplo, pouquíssimas pessoas preenchem esses três requisitos hoje. Além disso, há pouco oferta de conteúdos online em português (em compensação, pode-se baixar programas americanos e assisti-los antes de sua exibição na TV por aqui).

Conheço dezenas de pessoas que fazem o download de séries e filmes rotineiramente. Mas eu nunca consegui esse feito, por pura ignorância tecnológica. Mas não duvido de que um dia serei a exceção, não a regra. A questão não é se irá acontecer, mas quando. Como mostra a matéria da “Wired”, o futuro está muito mais perto do que pensamos.

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19/12/2006 - 23:56

Falem baixo durante o filme

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Mais uma do circuito exibidor brasileiro, contada por Leonardo Cruz no blog Ilustrada no cinema: “No vídeo de orientações ao público antes do filme, a rede Cinemark pede aos espectadores que, se quiserem conversar durante a projeção, que ‘falem baixo’!” Isso mesmo: a empresa não pede que eles se calem, mas que falem baixo. Sinal inequívoco de que os filisteus estão ganhando a guerra.

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19/12/2006 - 17:06

O Dia do Fico de Gilberto Gil

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Depois de várias semanas de suspense, Gilberto Gil finalmente tomou sua decisão e irá comunicá-la esta semana a Lula: ele permanecerá à frente do Ministério da Cultura no segundo mandato do presidente. A informação foi confirmada hoje por duas fontes próximas a Gil no MinC.

O artista vinha dizendo que tinha razões pessoais para deixar o ministério, como dedicar mais tempo à carreira e à família. Mas ficou sensibilizado pelo pedido de Lula para ficar no governo e também por várias manifestações a favor de sua permanência.

Na semana passada, 300 artistas entregaram uma carta ao ministro com o pedido de “Fica, Gil”. Em seguida, ele conversou sobre o assunto com o amigo Caetano Veloso – “e nós encontramos linhas de compreensão mútua para uma idéia de permanência”, segundo Gil.

O início do trabalho de Gil no Ministério da Cultura foi marcado por desconfianças (pelo fato de ele manter sua carreira de cantor e compositor), polêmicas (como a da abortada criação da Ancinav, a do suposto dirigismo cultural e o choque de um assessor com o poeta Ferreira Gullar) e críticas pontuais (em especial da turma do teatro, que se julgava desprestigiada pelo ministro).

Mas Gil conseguiu contornar os problemas e chegar ao fim de seu primeiro mandato muito próximo do status de unanimidade. Nas últimas semanas, representantes de vários setores culturais vieram a público para elogiar o ministro e pedir a continuidade de seu trabalho. Até antigos detratores como o diretor teatral Gerald Thomas mudaram sua opinião sobre Gil.

Entre os pontos positivos da gestão de Gil apontados por especialistas (e já comentados aqui no blog), estão a definição de políticas públicas para o cinema e outros setores, o aumento da visibilidade do ministério, a triplicação do orçamento do MinC, a descentralização dos recursos e a criação dos Pontos de Cultura.

Ao decidir permanecer no MinC, Gil terá a oportunidade de aprofundar políticas culturais bem-sucedidas e atacar problemas que não foram resolvidos no primeiro mandato. Mas também perderá uma grande chance de sair do governo por cima – mérito que poucos ex-ministros do governo Lula podem ostentar.

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19/12/2006 - 00:01

Nunca houve uma mulher como Emmanuelle

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Os filmes da série francesa “Emmanuelle” provavelmente nunca apareceram nas listas dos melhores do cinema. Mesmo nas eleições dos clássicos do erotismo, eles nem sempre são lembrados. Mas, em uma relação justa das obras mais influentes e populares da história, os filmes protagonizados por Sylvia Kristel deveriam ocupar uma posição de destaque.

Quatro deles chegam agora ao mercado de DVD no Brasil: “Emmanuelle” (1974), “Emmanuelle – A Antivirgem” (1975), “Adeus Emmanuelle” (1977) e “Emmanuelle 4” (1984). Seria boa vontade considerá-los filmes interessantes ou mesmo excitantes. Mas não há dúvida de que eles são marcos culturais, especialmente o primeiro.

“Emmanuelle” popularizou o conceito do filme “soft core” (em contraposição ao “hardcore” de “Garganta profunda”, por exemplo), que fica na fronteira entre o erótico e o explícito. A série influenciou boa parte da produção posterior de pornôs light. Você conhece os programetes exibidos no “Sexy time” do Multishow ou os filmecos das madrugadas na Band? Pois é, eles são filhos bastardos de “Emmanuelle”.

Nascida em um livro da escritora Emmanuelle Arsan, a personagem apareceu pela primeira no cinema no filme italiano “Io, Emannuelle” (1969), encarnada por Erika Blanc. Mas ela só se tornou um mito sexual a partir da adaptação francesa de 1974, dirigida pelo fotógrafo de moda Just Jaeckin e protagonizada por Kristel.

A história gira em torno das aventuras sexuais de uma modelo francesa na Tailândia, realizadas com o consentimento de seu marido. No cardápio do filme, há seqüências de estupro, masturbação, lesbianismo e ménage à trois – com sexo sugerido, mas não explícito. Nenhuma cena ficou tão famosa quanto aquela em que uma dançarina tailandesa fuma um cigarro com sua vagina graças a avançadas técnicas de pompoarismo.

O sucesso foi estrondoso no mundo todo. Só na França 12 milhões de pessoas assistiram ao filme (o equivalente ao brasileiro “Dona Flor e seus dois maridos”), que ficou anos em cartaz no país. A novidade é que boa parte do público era formada por mulheres. Segundo Jaeckin (que no ano seguinte faria “A história de O”), foi o primeiro filme de sucesso a tratar o lesbianismo de forma positiva. Mas “Emmanuelle” também criou muita polêmica. Na Inglaterra, por exemplo, o estupro apresentado como fantasia sexual (uma cena filmada por um segundo diretor e feita a contragosto por Kristel) foi censurada.

O filme transformou Kristel – uma modelo holandesa de 22 anos com apenas três filmes no currículo – em símbolo sexual da noite para o dia. A atriz logo foi convocada para fazer as seqüências “Emmanuelle, a antivirgem” (1975), que muitos consideram o melhor da série, e “Adeus Emmanuelle” (1977), o último que ela protanizou. A partir de “Emanuelle 4” (1984), Kristel aparece em papéis menores, geralmente como uma Emanuelle madura que inicia uma mais jovem nos mistérios do sexo.

Além da série oficial francesa, rapidamente surgiram imitações em várias partes do mundo. Na Itália, apareceu um “Emanuelle” (com um “m” a menos) estrelado por Laura Gemser (que participa de “Emmanuelle, a antivirgem”). Na Inglaterra, surgiu a paródia “Carry on Emmannuelle” (com um “n” a mais).

“Emmanuelle” é possivelmente o filme mais imitado da história do cinema. O verbete da série na Wikipedia lista 60 filmes com a personagem – entre eles “Emanuelle e os últimos canibais” (1977), “Emmanuelle negra, Emmanuelle branca” (1977) e “Emmanuelle no inferno” (1982). Nos anos 90, houve também filmes lançados diretamente em vídeo e uma série de ficção científica para a TV cabo americana chamada “Emmanuelle no espaço”.

Ao longo dos anos, a personagem foi encarnada por dezenas de atrizes, como Monique Gabrielle e Krista Allen (que depois faria “Baywatch”). Mas, se nunca houve mulher como Emmanuelle no cinema, pode-se dizer também que nunca houve Emmanuelle como Sylvia Kristel.

O tempo não fez bem aos filmes originais da série, lançados agora no Brasil. Em geral, eles são ao mesmo tempo cafonas e pretensiosos, com aquela sacanagem intelectualizada típica dos franceses. Na revisão, salva-se justamente o trabalho de Kristel, que se revela uma atriz competente, injustamente marcada por um único papel. Além disso, é um prazer rever sua beleza natural nesses tempos de corpos esculpidos, seus abençoados seios médios intocados pelos exageros do silicone.

Em 2000, o cineasta inglês Alex Cox, de “Sid and Nancy” (1986), realizou um documentário chamado “Emmanuelle – A hard look” (“Emmanuelle – Um olhar penetrante”, em tradução “poética”), que trata justamente do impacto da série na cultura pop.

Na época, ele escreveu uma bela crônica para o jornal “The guardian” sobre a personagem e revelou sua preferência por “Emmanuelle, a antivirgem”: “Em apenas uma hora e meia, o filme leva o espectador a um ‘tour’ de situações eróticas da mesma forma que a obra-prima ‘Era uma vez no Oeste’, de Sergio Leone, nos guia por uma paisagem de convenções dos faroestes.”

Cox tentou entrevistar o diretor Francis Giacobetti para seu documentário. Mas este logo cortou seu barato: “Emmanuelle 2? Eu não tenho tempo para falar desses filmes. Eles são um lixo!”

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18/12/2006 - 17:08

Curralzinho VIP, agora nos cinemas

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O conceito do “curralzinho VIP”, que emplacou no carnaval e outros eventos patrocinados, chega agora ao cinema no Brasil. Segundo notícia da “Folha de S. Paulo” (para assinantes, aqui), a rede Cinemark abrirá três salas “exclusivas”, com no máximo 80 lugares, no Shopping Paulista, em 2007.

Por um ingresso de pelo menos R$ 42,00, o espectador terá direito a assistir aos filmes em chaise longues com reclinação total e a ser servido por garçons durante a sessão. No cardápio, haverá itens como champanhe, cerveja e capuccino (pagos à parte, claro).

A grande carência do circuito exibidor no Brasil é a sala com ingressos populares, por volta de R$ 5,00. E é uma pena que existam tão poucos projetos nessa área, tanto por parte do governo quanto da iniciativa privada.

Mas, a princípio, não há nada de errado na idéia do “cinema VIP”. Faz parte da lei da oferta e da procura. Se alguém se dispõe a pagar, por que o Cinemark não cobraria? Só não conte com meu dinheirinho suado. E você, caro leitor, pagaria R$ 42,00 para ver um filme em uma chaise longue?

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18/12/2006 - 00:07

A melhor da nudez, segundo as mulheres

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Existe uma entidade chamada Aliança das Mulheres Jornalistas de Cinema (Alliance of Women Film Journalists). E, como a grande maioria das organizações do gênero, a Aliança escolhe os melhores filmes do ano. Até aí, nada demais.

A novidade está escondida em uma das categorias da premiação: a melhor cena de nudez feminina ou sexualidade – o que nos oferece uma rara oportunidade de saber o que as mulheres pensam sobre o assunto (já que os homens não se cansam de falar nisso).

Os indicados na categoria foram “Babel”, “Borat”, “Little children”, “Notorius Betty Page” e “Sherrybaby”. E o grande vencedor foi “Little children”. A escolha das mulheres faz todo sentido, já que o filme mostra a nudez de uma bela Kate Winslet depois do parto e da amamentação. Mas o que será que “Borat”, acusado de sexista por meio mundo, está fazendo na lista?

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17/12/2006 - 00:01

E o Oscar online vai para…

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Na era do YouTube, a temporada de prêmios no cinema agora se estende aos vídeos online. O site Lulu TV fez a escolha dos melhores de 2006 em várias categorias – e a premiação foi analisada pelos Screens, do “New York Times”. Vale a pena conferir esse sinal dos tempos.

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16/12/2006 - 00:01

Vivendo no set de “Star wars”

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George Lucas filmou boa parte do primeiro “Guerra nas Estrelas” (1977) no deserto do Saara, na Tunísia. Ao finalizar as filmagens, decidiu deixar intacto o set do planeta Tatooine, em vez de colocá-lo abaixo – como é praxe em Hollywood.

Agora, quase 30 anos depois, o lugar foi transformado em lar por alguns moradores do deserto, como revela uma reportagem do “Express-News”, de San Francisco (as fotos podem ser vistas aqui). Não será uma surpresa se em breve os fanáticos por “Star wars” sigam seu exemplo e decidam se mudar para Tatooine.

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15/12/2006 - 14:27

Em “Cassino Royale”, o mundo é dos gerentes

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As análises de “Cassino Royale” – o novo filme do agente 007, que estréia hoje no Brasil – tendem a se concentrar na escolha de Daniel Craig para interpretar James Bond e nas pequenas mudanças de composição do personagem.

Como muitos já observaram, o novo Bond é o mais físico da série. E não há o que discutir: Craig corre mais do que Forrest Gump, tem braços mais grossos que as coxas de Eva Green e, com 10 minutos de filme, já derrubou duas dúzias de bandidos com seus sopapos.

Green – que, além de ser uma belezinha, é uma garota esperta – definiu bem a situação: Craig é a verdadeira Bond girl de “Cassino Royale”. E realmente sua forma física é mais muito explorada do que a das garotas do filme. Há outras novidades: ele não é apenas mais viril, como também mais imperfeito e mais romântico.

Todas as mudanças são positivas e necessárias – porque o personagem havia se tornado uma estranha mistura de dândi decadente e nerd viciado em aparelinhos eletrônicos. Mas elas também são menos importantes do que aparentam, apenas detalhes que servem para alimentar a mitologia do personagem e ajudar o serviço de marketing do filme.

Na essência, Bond é o mesmo: um agente secreto cínico e narcisista, sedutor e carismático. O que muda pra valer é a realidade à sua volta. Esse sempre foi o aspecto mais interessante dessa série que já dura 45 anos no cinema: acompanhar, pelos olhos e ouvidos de Bond, como o mundo se transformou nesse período (e não discutir a cor dos olhos e o abano das orelhas do ator).

“Cassino Royale” é o filme ideal para esse pequeno passeio no tempo, porque se trata da adaptação do primeiro livro com James Bond e de um filme que pretende ser uma reinauguração da série. Quando Ian Fleming iniciou a série em 1953, o mundo vivia o início da Guerra Fria – e o personagem refletia essa realidade nas suas primeiras aventuras.

E o que “Cassino Royale” tem a dizer sobre o mundo atual? Uma boa dica é olhar para o vilão. Ele não é mais um comunista, um psicopata ou um terrorista. Le Chiffre (Mads Mikkelsen) é uma espécie de gerente de investimentos do dinheiro de diversos grupos ilegais.

Em sua primeira aparição, Le Chiffre é questionado se crê em Deus por um guerrilheiro africano que contrata seus serviços. O vilão responde algo como: eu acredito em uma boa taxa de lucros. E aí somos apresentados à lógica moneterista, sem ideologia ou religião, do novo 007.

Quando Le Chiffre tenta explodir um avião no começo do filme, ele não está interessado em dominar o mundo, como os vilões à moda antiga, mas em derrubar o preço das ações da companhia aérea e lucrar no mercado financeiro. Ao ver seu plano frustrado por Bond, ele irá tentar recuperar o dinheiro nas mesas de pôquer do Cassino Royale, em Montenegro.

Vesper Lynd (Green), a principal Bond girl de “Cassino Royale”, também reflete essa visão de mundo. Ela é a enviada do ministério britânico das Finanças que entrega a Bond o dinheiro que ele irá apostar contra Le Chiffre no cassino. Ao se apresentar a 007, ela diz: “Eu sou seu dinheiro.” E ele responde: “Cada centavo dele.”

De um lado, temos Le Chiffre como representante do dinheiro ilegal. Do outro, Vesper como símbolo do dinheiro governamental. Esse é o verdadeiro embate de “Cassino Royale”. E a mesa de pôquer serve como metáfora da ciranda capitalista.

Sem perceber, Bond torna-se uma marionete desses dois personagens. Ele contrataca com sua virilidade. Mas Vesper consegue dominá-la com o sentimento (a ponto de Bond largar tudo para ficar com ela). E Le Chiffre, pela violência (ao torturar o agente, o vilão mira justamente no órgão reprodutor de seu inimigo). Um tenta a castração matrimonial, o outro, a literal.

Portanto, o mundo de “Cassino Royale” é dos gerentes – o que me parece uma descrição bem acurada da realidade atual. Eles não detêm o poder (este pertence aos invisíveis donos do dinheiro), mas regulam todas as relações. Le Chiffre, no caso, faz o papel de banqueiro do inferno. Mas Vesper, e sua intérprete Eva Green, é a gerente que todo cliente pediu a Deus.

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14/12/2006 - 13:56

Blog apóia Scorsese no Globo de Ouro

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“Babel”, do mexicano Alejandro González Iñárritu, lidera a corrida ao Globo de Ouro, com indicações em sete categorias. “Os infiltrados”, de Martin Scorsese, vem em seguida, com seis. Na categoria de melhor filme dramático, “Bobby”, “Pecados íntimos” e a “A rainha” completam a lista de concorrentes. Para a lista completa dos indicados ao prêmio, anunciado hoje em Los Angeles e considerado a principal prévia do Oscar, clique aqui.

Outros destaques: Leonardo Di Caprio concorre duas vezes como melhor ator dramático, por “Os infiltrados” e “Diamante de sangue”; o mesmo acontece com Clint Eastwood como diretor de “Flags of our fathers” e “Letters from Iwo Jima”; Penélope Cruz está no páreo de atriz dramática por “Volver”; e o polêmico “Borat” disputa os títulos de melhor filme e ator cômicos.

A categoria de filme em língua estrangeira promete ser das mais concorridas, com filmes de Mel Gibson (“Apocalypto”), Eastwood (“Letters from Iwo Jima”) e Almodóvar (“Volver”). O Brasil ficou de fora outra vez. E o Líbano não emplacou “Bosta”.

Este blog, que não pretende ser imparcial, aproveita para declarar o seu voto: todo apoio a “Os infiltrados” e Martin Scorsese, que são muito superiores a “Babel” e Iñárritu. O grande cineasta de “Taxi driver” e “Os bons companheiros” merece um empurrãozinho para levar finalmente seu primeiro Oscar.

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