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Arquivo de janeiro, 2007

31/01/2007 - 00:01

DVD nocauteia o cinema

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O site FilmeB (para assinantes, aqui) divulga uma informação relevante tirada do boletim da revista “Movieline”: mais da metade do faturamento dos grandes estúdios americanos vem hoje do DVD, não do cinema.

Segundo dados levantados pela empresa Adams Media Research em 2005, o mercado de homevideo responde hoje por 56,2% do dinheiro arrecadado por Hollywood – apenas as vendas diretas de DVDs aos consumidores (o chamado “sell-thru”) representam 44,7% do total.

Já as bilheterias de cinema rendem aos estúdios 21,4% de sua arrecadação – portanto, cerca de duas vezes e meia a menos que o homevideo. Será que esse é mais um indicativo de que a sala de cinema está com seus dias contados, como querem os alarmistas?

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30/01/2007 - 17:57

Hitchcock & Spielberg

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A coluna de fofocas Page Six, do jornal americano “New York Post”, traz um saboroso caso envolvendo dois dos mais conhecidos cineastas da história. Em uma autobiografia que será lançada em maio, o ator Bruce Dern (“Trama macabra”, “Marnie – Confissões de uma ladra”) revela o bizarro motivo pelo qual o inglês Alfred Hitchcock recusava-se constantemente a ser apresentado a seu colega americano Steven Spielberg (fato que este considerava uma das maiores decepções de sua vida).

Pouco depois do sucesso de “Tubarão” (1975), Dern tentou pessoalmente convencer Hitch a conhecer Spielberg. “Você é o ídolo dele. Ele quer apenas sentar a seus pés por cinco minutos e bater um papo”, disse o ator. “Esse não é o garoto que fez o filme do peixe? Eu nunca poderia sentar e conversar com ele… porque eu olharia para ele e me sentiria como uma puta. Porque eu fiz a narração do ‘tour’ de ‘Tubarão’ nos estúdios Universal. Eles me pagaram US$ 1 milhão. Eu peguei e fiz. Sou uma puta. Por isso eu não conseguiria falar com ele… e nem apertar sua mão.”

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30/01/2007 - 00:01

Jeca contra o capeta

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Se existe alguma lição a ser tirada do “Big Brother”, é a seguinte: o conhecimento acumulado não gera necessariamente sabedoria. Em edições anteriores do programa, os participantes que se uniram contra um candidato específico sempre se deram mal e transformaram seu alvo em mártir. Foi assim com Kleber Bam Bam e com Jean.

No “Big Brother 7”, alguns candidatos não fizeram a lição de casa. Ao falar mal de Íris pelas costas e combinar votos contra a moça, Felipe e Alberto parecem não entender que estão definindo os contornos da dramaturgia do programa e facilitando a vida dos editores. Eles, claro, nos papéis de vilões. Ela, no de vítima.

Some-se a isso a atitude casta de Iris diante de Alemão e temos a primeira favorita do “Big Brother 7”. Se ela continuar representando bem o papel de mártir da verdade, como tem feito até agora, o programa premiará outra vez uma reencarnação do caipira ingênuo, em detrimento dos pecadores da capital.

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29/01/2007 - 17:29

O melhor do ano fora do Oscar

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De volta ao batente depois da licença-paternidade, vejo que a chamada “temporada de prêmios” deu passos largos. Em uma semana de ausência, foram anunciados os indicados ao Oscar e os premiados dos sindicatos dos produtores e dos atores americanos.

Nessas duas últimas premiações, o grande vencedor foi “Pequena Miss Sunshine” – o que indica que o filme independente deixa de ser um azarão e se torna um candidato real ao Oscar.

Não pretendo me estender sobre as indicações ao principal prêmio da indústria americana – mesmo porque cheguei atrasado ao assunto (e, nesse momento pessoal, ele me parece ainda menos importante).

Queria apenas deixar registrado que acabo de ver todos os candidatos a melhor filme – o último foi “Cartas a Iwo Jima”, de Clint Eastwood, na sexta-feira passada. E mantenho minha torcida por “Os infiltrados”, de Martin Scorsese – que, na minha opinião, é superior aos outros da categoria.

Mas o grande filme hollywoodiano de 2006 ficou fora da disputa. E é justamente o outro de Eastwood: “A conquista da honra”, que foi esnobado pelo público nos Estados Unidos e não agradou tanto a crítica americana quanto “Cartas de Iwo Jima”.

Mais uma vez, Eastwood e Scorsese, esses dois mestres do cinema americano, irão se enfrentar no Oscar – como ocorreu em 2005 com a disputa entre “Menina de ouro” e “O aviador”. E outra vez Eastwood fez o melhor filme. Mas, para a sorte de Scorsese, escolheram o menos brilhante dos dois.

Volto à dose dupla de Eastwood em breve. Ele merece.

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23/01/2007 - 23:49

Uma filha chamada Teresa

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Pelo mais nobre dos motivos, este blogueiro está em licença até o dia 28.

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22/01/2007 - 00:01

A lenta agonia do telefilme

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Lembra do barato filme feito para a TV? Em seu auge nos anos 80, ele reinava absoluto. Centenas foram produzidos e exibidos por ano pela ABC, NBC e CBS durante um longo tempo. Na maioria das semanas, as redes mostravam dois, às vezes três telefilmes. Eles documentavam cada doença, cada cenário de abuso matrimonial, todo ato criminal imaginável (tanto ficcional quanto baseado em fatos reais).

E agora, bem, eles foram praticamente varridos do mapa da televisão. Poof! E se foi. Foi como se David Copperfield fizesse a Estátua da Liberdade desaparecer. Quando foi a última vez que você viu um telefilme original em uma emissora de TV?

No “Hollywood reporter”, Ray Richmond analisa a longa e lenta decadência do telefilme. É um fenômeno americano, mas que afeta o mundo todo, já que esses enlatados eram amplamente consumidos em diversos países, incluindo o Brasil.

O jornalista enumera argumentos para sua tese: pela primeira vez em 35 anos, a ABC não irá exibir nenhum telefilme nessa temporada; o mesmo ocorrerá com a NBC e a CBS, outras duas grandes redes; na TV a cabo, o Showtime, que chegou a fazer de 45 a 50 telefilmes por ano, não realizou nenhum no ano passado; e a HBO, famosa pela excelência nesse formato, reduziu o número de produções para os dedos de uma mão.

Depois, Jay dá algumas possíveis razões para o fenômeno: a abundância de telefilmes no passado saturou o mercado; a relação custo-benefício tornou-se desfavorável; as oportunidades de co-producão internacional diminuíram. Eu incluiria no pacote a preferência do público por outros formatos, principalmente as séries e os reality shows. Ou seja, o telefilme está morrendo nos EUA sem ter chegado a florescer em países como o Brasil. E eles sempre me pareceram uma ótima chance de animar o mercado audiovisual do país.

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21/01/2007 - 00:01

Uma fantástica animação

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Por mais brilhantes que sejam os resultados das animações recentes de empresas como a Pixar e da Dreamworks, não dá para negar que os desenhos atuais rumam a uma padronização estética. Não é fácil apontar as diferenças visuais entre filmes como “Happy feet” e “Por água abaixo”, para citar dois exemplos recentes.

Nesse cenário, “As aventuras de Azur e Asmar”, do francês Michel Ocelot (“Kiriku e a feiticeira”), é uma primorosa exceção. Misturando técnicas de 2D e 3D e com uma ampla paleta de cores inspirada na arquitetura árabe (com seus arcos, mosaicos e motivos simétricos), o cineasta cria um dos mais deslumbrantes visuais da história do cinema de animação.

E o roteiro “As Aventuras de Azur e Asmar” não fica atrás, com uma bela história de fraternidade e comprensão entre diferentes raças e religiões, que não deve nada a filmes adultos com tema semelhante (não vou falar de “Babel” para não acharem que é birra). O filme mostra a competitiva relação entre o europeu Azur e o mouro Asmar na Idade Média.

Os dois passam a infância juntos em um castelo europeu, onde o pai de Azur é o senhor feudal e a mãe de Asmar, uma ama-de-leite. Mas eles são separados quando chegam à adolescência. Já adulto, Azur viaja à terra natal de Asmar, para conhecer a fada dos djins, um ser fantástico que protagonizava as histórias contadas por sua ama-de-leite. Os dois se reencontram e disputam a primazia de libertar a fada. No percurso, aprendem a reconhecer as virtudes do outro.

“Azur e Asmar” é uma belíssima mistura de filme fantástico e de aventura. Ocelot consegue criar um universo tão marcante quanto o da obra do japonês Hayao Miyazaki (“A viagem de Chihiro”), outro mestre da animação. Um programa perfeito para um domingo como hoje, com ou sem a companhia de crianças.

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20/01/2007 - 00:01

Em Tiradentes, os melhores da década

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Para celebrar seus dez anos de existência, a Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), que foi aberta ontem e vai até o próximo dia 27, programou uma edição especial com o tema “Vitalidade do Cinema Brasileiro”.

Além de exibir novos trabalhos em longa, curta e vídeo, o festival pretende discutir os rumos tomados pelo cinema nacional nessa última década e apresentar alguns dos filmes brasileiros que se destacaram no período.

Estive na Mostra de Tiradentes no ano passado e posso atestar que se trata de um dos festivais mais sérios, democráticos e charmosos do país – com ótima programação de filmes, debates e oficinas, sessões gratuitas freqüentadas pelos moradores da região e com uma das mais bonitas cidades históricas mineiras como cenário.

Neste ano, a curadoria de longas é feita por um dos principais críticos brasileiros: Cléber Eduardo, que também divide a de curtas com Eduardo Valente. Na revista Cinética, da qual são editores, os dois discutem os critérios de sua curadoria.

Para escolher os homenageados dessa décima edição, a organização do festival convidou 41 pensadores, teóricos e críticos para escolher os filmes, os atores e o diretor da década no Brasil.

Na categoria de filmes, deu “Central do Brasil” (1998), “O invasor” (2001) e “Cidade de Deus” (2002). Lázaro Ramos e Matheus Nachtergaele foram escolhidos como os atores da década. E Beto Brant ficou como melhor diretor. Uma lista consistente.

Meus votos foram respectivamente para “Lavoura arcaica”, Matheus Nachtergaele e Eduardo Coutinho. E você, quem escolheria nessas três categorias?

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19/01/2007 - 00:01

Um Deus cruel

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“Babel”, que chega hoje ao Brasil com um Globo de Ouro e um ligeiro favoritismo no Oscar em seu currículo, é uma construção ilusória como uma torre de areia. Na aparência, o filme contém vários elementos de uma suposta modernidade: um tema incandenscente como a globalização e suas conseqüências; a narrativa fragmentada, com um constante vaivém no tempo e no espaço; a direção virtuosística do mexicano Alejandro González Iñárritu; o roteiro intrincado de seu compatriota Guillermo Arriaga e assim por diante.

No conteúdo, porém, trata-se de um filme conservador, com uma antiquada moral católica, uma visão fatalista do mundo e uma forte carga melodramática. Como “Amores brutos” (2000) e “21 gramas” (2003), os outros filmes da dupla Iñárritu-Arriaga, “Babel” divide-se em três linhas narrativas aparentemente isoladas, mas que se revelam unidas pelo destino ao longo da projeção. Mas esse é seu projeto mais ambicioso, pois as histórias se desenrolam em quatro países (Marrocos, Japão, Estados Unidos e México) e em cinco línguas (inglês, japonês, espanhol, berbere e linguagem dos sinais).

Depois de perder um de seus três filhos, os americanos Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett) viajam ao Marrocos a turismo para tentar reanimar seu moribundo casamento. Mas ela é atingida por uma bala disparada por um garoto marroquino em um ato inconseqüente. Na investigação sobre a origem da arma, chega-se ao nome de um empresário japonês que havia feito uma caçada no Marrocos, pai de uma adolescente (Rinko Kikuchi) que sofre com o recente suicídio da mãe e o preconceito de outras pessoas em relação a sua surdez. Enquanto tenta salvar a vida Susan, Richard liga para a babá mexicana Amelia (Adriana Barraza) e lhe pede para que fique em casa com seus filhos. Mas ela decide cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o México para o casamento do próprio filho e leva ilegalmente as duas crianças americanas.

A análise fria do material não deixa dúvida quanto a seu teor melodramático: há um casal que perdeu um filho, uma garota surda cuja mãe se suicidou, um garoto marroquino que feriu gravemente uma turista americana, uma babá que coloca em risco a vida das crianças de quem cuida. A obra de Iñárritu-Arriaga tem como base uma série de tragédias sobrepostas, disfarçadas pela competente pirotecnia da direção e do roteiro. A despeito de sua diversidade geográfica, “Babel” é uma talentosa atualização dos dramalhões mexicanos – menos lacrimoso que os velhos exemplares do gênero, mas marcado pelo mesmo catolicismo fatalista de antanho. Seus personagens são perseguidos pela culpa e tentam expiá-la enquanto enfrentam uma séria de desgraças.

Uma das grandes chaves de entendimento de “Babel” está em seu título. Ele remete ao famoso episódio da construção da Torre de Babel, do capítulo 11 do Gênesis. Como se sabe, os descendentes de Noé teriam começado a construir um enorme monumento com o objetivo de alcançar o céu. Irritado com a blasfêmia, Deus teria feito com que eles começassem a falar línguas diferentes, provocando o casos e impedido a finalização da obra.

Pelas entrevistas de Iñárritu, o que lhe interessou na fábula foi o conceito da falta de comunicação entre as pessoas. Nessa visão, seu filme funcionaria como uma metáfora crítica da globalização. Mas o resultado de “Babel” mostra que o diretor também pegou emprestada a idéia de um Deus que persegue os homens com uma ferocidade desproporcional aos pecados cometidos. Como se trata de uma ficção contemporânea e não de uma adaptação bíblica, só se pode concluir que o Deus cruel de “Babel” seja o próprio Iñárritu.

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18/01/2007 - 00:01

BH declara guerra aos celulares

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Vem de Belo Horizonte a primeira tentativa concreta no país de acabar com uma das grandes pragas da vida moderna: os celulares no cinema. A Câmara Municipal da capital mineira aprovou em primeira instância, por unanimidade, um projeto de lei do vereador Délio Malheiros (PV) que cria o Estatuto do Cinéfilo – que prevê, entre outras medidas, o confisco dos aparelhos na entrada das salas, com devolução ao final das sessões.

Como explica Malheiros, o Estatuto do Cinéfilo tem um objetivo mais amplo: garantir que os direitos dos espectadores sejam respeitados pelas salas de cinema. Seria, em sua visão, um equivalente ao Estatuto do Torcedor. Aí vão algumas das medidas previstas no projeto: limitar a 15 minutos o tempo dos trailers e propagandas; proibir a mudança na programação menos de 24 horas antes da exibição; obrigar que o filme seja exibido independentemente do número de espectadores e assim por diante.

Não há nenhuma medida prevista contra espectadores que falam alto durante a sessão, “porque não dá para controlar o comportamento de cada pessoa”, segundo Malheiros. Em caso de descumprimento da lei, as redes de cinema estarão sujeitas a punições previstas no Código de Defesa do Consumidor, com multas que variam de R$ 3 mil a R$ 3 milhões. Para ver o projeto na íntegra, clique aqui

Advogado da área de direitos do consumidor e fã de filmes como “O jardineiro fiel”, “Hotel Ruanda” e “Dança com lobos”, Malheiros diz que concebeu o projeto a partir das reclamações que recebeu de diversos espectadores e também de suas experiências nos cinemas. Ele diz ter certeza de que o projeto será aprovado em segunda instância pela Câmara Municipal dentro de 40 ou 50 dias. Recém-eleito deputado estadual, Malheiros anuncia que apresentará no mês que vem um projeto de lei na Assembléia Legislativa de Minas Gerais para estender o Estatuto do Cinéfilo a todo o Estado.

Se o projeto for aprovado definitivamente, os cinemas de Belo Horizonte terão um prazo de 90 dias para se adaptar às novidades. Segundo notícia do portal mineiro Uai, o estatuto foi recebido de forma negativa pelos donos de cinema. O presidente do Sindicato das Empresas Cinematográficas Exibidoras de Belo Horizonte, Contagem e Betim, Pedro Olivotto, reclamou que faltou discussão sobre o projeto e que seu teor é punitivo. Ele diz também não ser viável banir os celulares das salas, por causa do constrangimento que seria revistar os espectadores.

Malheiros rebate afirmando que a revista não seria necessária, se forem instalados equipamentos como detectores de metais ou bloqueadores de sinais. E diz também que a idéia do Estatuto não é punir os exibidores, mas disciplinar a relação dos espectadores com os prestadores de serviços, torná-la mais transparente, adaptá-la aos princípios do Código de Defesa do Consumidor.

Na opinião deste blogueiro, que sempre fez campanha contra celulares e a favor dos bons modos no cinema, a idéia do estatuto é muito bem-vinda e poderia muito bem ser estendida a todo Brasil a partir de um projeto de lei federal. Mas talvez a idéia do confisco de celulares seja uma medida extrema e difícil de ser colocada em prática. Seria melhor pensar em uma solução como a da rede americana Regal Cinemas: entregar aos espectadores aparelhinhos para chamar os gerentes quando alguém falar ao celular ao falar em voz alta durante o filme. Mas, de resto, o projeto tem todo o apoio do Olha só. E você, acha que o estatuto deve ser nacional e que os celulares precisam ser confiscados?

Mais uma boa dica do Leonardo Mecchi, do blog Enquadramento e da revista Cinética.

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