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18/01/2007 - 00:01

BH declara guerra aos celulares

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Vem de Belo Horizonte a primeira tentativa concreta no país de acabar com uma das grandes pragas da vida moderna: os celulares no cinema. A Câmara Municipal da capital mineira aprovou em primeira instância, por unanimidade, um projeto de lei do vereador Délio Malheiros (PV) que cria o Estatuto do Cinéfilo – que prevê, entre outras medidas, o confisco dos aparelhos na entrada das salas, com devolução ao final das sessões.

Como explica Malheiros, o Estatuto do Cinéfilo tem um objetivo mais amplo: garantir que os direitos dos espectadores sejam respeitados pelas salas de cinema. Seria, em sua visão, um equivalente ao Estatuto do Torcedor. Aí vão algumas das medidas previstas no projeto: limitar a 15 minutos o tempo dos trailers e propagandas; proibir a mudança na programação menos de 24 horas antes da exibição; obrigar que o filme seja exibido independentemente do número de espectadores e assim por diante.

Não há nenhuma medida prevista contra espectadores que falam alto durante a sessão, “porque não dá para controlar o comportamento de cada pessoa”, segundo Malheiros. Em caso de descumprimento da lei, as redes de cinema estarão sujeitas a punições previstas no Código de Defesa do Consumidor, com multas que variam de R$ 3 mil a R$ 3 milhões. Para ver o projeto na íntegra, clique aqui

Advogado da área de direitos do consumidor e fã de filmes como “O jardineiro fiel”, “Hotel Ruanda” e “Dança com lobos”, Malheiros diz que concebeu o projeto a partir das reclamações que recebeu de diversos espectadores e também de suas experiências nos cinemas. Ele diz ter certeza de que o projeto será aprovado em segunda instância pela Câmara Municipal dentro de 40 ou 50 dias. Recém-eleito deputado estadual, Malheiros anuncia que apresentará no mês que vem um projeto de lei na Assembléia Legislativa de Minas Gerais para estender o Estatuto do Cinéfilo a todo o Estado.

Se o projeto for aprovado definitivamente, os cinemas de Belo Horizonte terão um prazo de 90 dias para se adaptar às novidades. Segundo notícia do portal mineiro Uai, o estatuto foi recebido de forma negativa pelos donos de cinema. O presidente do Sindicato das Empresas Cinematográficas Exibidoras de Belo Horizonte, Contagem e Betim, Pedro Olivotto, reclamou que faltou discussão sobre o projeto e que seu teor é punitivo. Ele diz também não ser viável banir os celulares das salas, por causa do constrangimento que seria revistar os espectadores.

Malheiros rebate afirmando que a revista não seria necessária, se forem instalados equipamentos como detectores de metais ou bloqueadores de sinais. E diz também que a idéia do Estatuto não é punir os exibidores, mas disciplinar a relação dos espectadores com os prestadores de serviços, torná-la mais transparente, adaptá-la aos princípios do Código de Defesa do Consumidor.

Na opinião deste blogueiro, que sempre fez campanha contra celulares e a favor dos bons modos no cinema, a idéia do estatuto é muito bem-vinda e poderia muito bem ser estendida a todo Brasil a partir de um projeto de lei federal. Mas talvez a idéia do confisco de celulares seja uma medida extrema e difícil de ser colocada em prática. Seria melhor pensar em uma solução como a da rede americana Regal Cinemas: entregar aos espectadores aparelhinhos para chamar os gerentes quando alguém falar ao celular ao falar em voz alta durante o filme. Mas, de resto, o projeto tem todo o apoio do Olha só. E você, acha que o estatuto deve ser nacional e que os celulares precisam ser confiscados?

Mais uma boa dica do Leonardo Mecchi, do blog Enquadramento e da revista Cinética.

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208 comentários para “BH declara guerra aos celulares”

  1. Itamar disse:

    Bobagem. Vasta colocar uma malha de metal por cima, cobrir com um papel de parede bonito e pronto… não vai mans ter sinal.

  2. Tererê disse:

    Ufa! Acho que acabou!
    Pelo fim do Black Power no cinema eu grito, sim!

  3. Jhonny Carioca disse:

    Infelizmente o q que realmente falta no Brasil é EDUCAÇÃO, em compensação o que sobra são projetos idiotas como esse. Imaginem a inviabilidade desse projeto, pois antes de todas as sessões as pessoas perderiam um tempo enorme tendo que deixar seus devidos celulares com funcionários do cinema, e após a sessão, nova fila para retirá-los. Porque o nobre deputado não faz um projeto de lei acabando com a imunidade parlamentar? que acabaria com a corrupção que faria sobrar dinheiro pra educação, que formaria cidadãos que respeitariam o próximo……

  4. Fábio disse:

    O problema é realmente de conscientização. O que esperar de um povo que não respeita ambientes coletivos, pensando somente nas necessidades individuais?
    O ideal não seria todos respeitarem seus semelhantes dentro do cinema, desligando o celular, comendo pipoca com cuidado, evitando falar durante o filme?
    Mas o ser humano é um bicho que nasceu com defeito de fabricação, fazer o quê…
    Não condeno quem defende a agressão física como punição para essas pessoas. Infelizmente é a única condição que serviria para eles aprenderem alguma coisa.

  5. Mari disse:

    Olha, nem sei como vim parar nesta página, + já q estou aqui vou comentar.
    Em cima do piano tinha um prato de veneno quem bebeu morreu, e o culpado não fui eu!!!!

  6. FRED disse:

    QUE BOBEIRA, QUAL O PROBLEMA DE ATENDER O CELULAR DENTRO DO CINEMA???!!!!!

  7. willian disse:

    paguei 24 reais para assistir um filme com minha namorada no cinema em uberlandia,mg. e tudo o tive que assistir foram tres patricinhas na fila da frente conversando o tempo inteiro e rindo em voz alta ao celular. foi ai que resolvi que nunca mais irei ao cinema, a partir de agora vou ter que aprender a curtir a “magia” do dvd, do download de filmes, etc. essa foi minha solução particular para este problema do celular.

  8. Gustavo Soares disse:

    Que idiotice. Mais uma lei impossível de ser posta em prática, no país onde só as coisas impossíveis são discutidas. Já existe um sistema muito melhor de inibir o uso de celulares ou as conversas em voz alta em cinemas: a bronca. Na próxima vez que acontecer à sua volta, brigue. Seja homem e defenda o seu direito.

Os comentários do texto estão encerrados.

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