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22/01/2007 - 00:01

A lenta agonia do telefilme

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Lembra do barato filme feito para a TV? Em seu auge nos anos 80, ele reinava absoluto. Centenas foram produzidos e exibidos por ano pela ABC, NBC e CBS durante um longo tempo. Na maioria das semanas, as redes mostravam dois, às vezes três telefilmes. Eles documentavam cada doença, cada cenário de abuso matrimonial, todo ato criminal imaginável (tanto ficcional quanto baseado em fatos reais).

E agora, bem, eles foram praticamente varridos do mapa da televisão. Poof! E se foi. Foi como se David Copperfield fizesse a Estátua da Liberdade desaparecer. Quando foi a última vez que você viu um telefilme original em uma emissora de TV?

No “Hollywood reporter”, Ray Richmond analisa a longa e lenta decadência do telefilme. É um fenômeno americano, mas que afeta o mundo todo, já que esses enlatados eram amplamente consumidos em diversos países, incluindo o Brasil.

O jornalista enumera argumentos para sua tese: pela primeira vez em 35 anos, a ABC não irá exibir nenhum telefilme nessa temporada; o mesmo ocorrerá com a NBC e a CBS, outras duas grandes redes; na TV a cabo, o Showtime, que chegou a fazer de 45 a 50 telefilmes por ano, não realizou nenhum no ano passado; e a HBO, famosa pela excelência nesse formato, reduziu o número de produções para os dedos de uma mão.

Depois, Jay dá algumas possíveis razões para o fenômeno: a abundância de telefilmes no passado saturou o mercado; a relação custo-benefício tornou-se desfavorável; as oportunidades de co-producão internacional diminuíram. Eu incluiria no pacote a preferência do público por outros formatos, principalmente as séries e os reality shows. Ou seja, o telefilme está morrendo nos EUA sem ter chegado a florescer em países como o Brasil. E eles sempre me pareceram uma ótima chance de animar o mercado audiovisual do país.

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27 comentários para “A lenta agonia do telefilme”

  1. Luiz Fernando Gallego disse:

    “Duel” era um telefilme. Prá que não lembra, o título brasileiro foi “Encurralado” e havia sido dirigido por um tal de Spielberg, ainda um ilustríssimo desconhecido na época. No Rio de Janeiro daquele tempo o filme fez enorme sucesso que ajudou a sendimentar o prestígio de uma sala “cult” que existiu entre o auge do Paissandu e o advento do “Estação”, que era o “Cinema I”.
    O “primeiro filme” de Spielberg feito oficialmente para salas de cinema foi “Sugarland Express” e o segundo, “Tubarão”. Para melhor ou para pior, o resto é história. Mas puxando pela memória daria para lembrar outros telefilmes que foram exibidos nos cinemas brasileiros por terem alguma qualidade de atrair algum público, mesmo que não fosse um “grande público”, talvez telefilmes considerados pelos americanos como “de arte” (qualquer coisa com mais de dois ou três neurônios, intimista, sem ter perseguição de carros, essas coisas) e com chance da agradar cinéfilos.
    A primeira versão de “Doze Homens e uma Sentença” (Twelve Angry Men) não é a “clássica” dirigida por Sidney Lumet com Henry Fonda, mas uma “teleplay” desconhecida para nós que havia sido feita diretamente para a TV americana. Deu tão certo que fizeram uma versão para cinema que ainda atingia mais público do que a TV em 1954. E houve uma outra versão (com Jack Lemmon) feita para TV que aqui saiu direto em vhs. Era bem OK também.

  2. ET disse:

    O Steven Allan Spielberg
    em 1969 fez o seu primeiro curta profissional, chamado Amblin. A história de um casal de jovens que se encontra no Deserto de Mojave ganhou prêmios em festivais importantes, como Festival de Veneza.Por esse filme ganhou um contrato com a Universal, onde teria a oportunidade de dirigir o seu primeiro longa-metragem em 1971, Encurralado (1972) (Duel).
    Produzido para a televisão, fez tanto sucesso que acabou por ser lançado nos cinemas; impulsionando a carreira do então diretor de 26 anos. O seu próximo trabalho seria Louca Escapada (1974) (The Sugarland Express), filme elogiado pela crítica mas fracasso de público.
    Durante uma visita ao seu marido na prisão, uma mulher o convence a fugir para resgatar o filho de ambos, que foi adotado por outro casal.
    Na fuga eles levam um policial como refém e são perseguidos pela polícia e pela imprensa.
    Com Goldie Hawn no elenco. Atualmente Spielberg cogita a sua refilmagem.

  3. Brother Sam disse:

    Me lembro que o Spielberg dirigiu o primeiro episódio de Columbo, na televisão. Era uma série, mas pela duração, mais de 1 h 30, era quase um telefilme, e era muito bom.

  4. Brother Sam disse:

    Lembrei de outro telefilme interessante da HBO, Truman, com Gary Sinise fazendo o papel do presidente americano. Na HBO também passou “Abril Sangrento” sobre Ruanda. É uma pena que esse tipo de formato esteja agonizando, temas históricos que não interessam ao cinema ganhavam forma na telinha graças aos telefilmes.

  5. pérsia disse:

    Telefilme de mulher q apanha do marido é de última mesmo (cinemão também faz), mas vejo seu lugar pro grande público da tv aberta ver que mulher pode apanhar e ligar pra polícia, formar grupos de apoio etc. Além do que disse Brother Sam.

  6. André Pessoa disse:

    Eu não sabia que “Encurralado” era um telefilme. Um exemplo memorável, sem dúvida.

  7. joildo disse:

    eu não sei nem a diferença de telefilme e filme pra cinema, sou analfacine nesse assunto………….

Os comentários do texto estão encerrados.

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