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Arquivo de março, 2007

31/03/2007 - 23:37

Por que Alemão vai vencer o “Big Brother”?

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A essa altura, até o mais intelectualizado dos meus colegas de NoMínimo, aquele que se orgulha de não ver TV, já sabe que Diego/Alemão será o vencedor da sétima edição do “Big Brother” na próxima terça-feira. Se já sabemos quem, a pergunta fundamental passa a ser por quê?

Não é uma questão fácil de ser respondida, porque Alemão será o menos previsível dos ganhadores do programa. Ele não pertence às classes desfavorecidas (Cida, Mara), nem às minorias oprimidas (Jean). Não faz o tipo caipira ingênuo (Bam Bam, Rodrigo Caubói) ou esperto (Domini).

À primeira vista, Alemão parecia se encaixar no figurino do jovem com um cérebro de tamanho inversamente proporcional ao do bíceps – um tipo que foi rejeitado nas edições anteriores do “Big brother” (de um mês para cá, já era óbvio que ele se tornaria o vencedor, mas quem poderia imaginar esse desfecho ao vê-lo na primeira semana do programa?)

Pois a primeira razão da (futura) vitória de Diego foi justamente contrariar esse estereótipo. Complexo e contraditário, ele mostrou que essa categorização faz muito mais sentido para quem produz e critica o programa (incluindo este blogueiro) do que para quem participa dele.

A esse motivo, somam-se outros não menos importantes. A começar, claro, pelo triângulo amoroso que ele formou com Iris e Fani e que ajudou a transformá-lo em um herói para os homens e um objeto de desejo para as mulheres. Mas isso só foi possível graças a seu carisma e habilidade; sem essas virtudes, Diego poderia ser invejado por eles e odiado por elas.

Também foi importante para a vitória o fato de Alemão ter sido perseguido pelo grupo do Caubói e de ter assumido seu desejo de vingança. Acostumado ao folhetim das novelas, o público gosta desse confronto entre bem e mal. E, nesse caso, não havia muitas dúvidas de quem era o herói, o vilão e a mocinha da história – ainda mais com uma ajuda da edição.

Todos esses elementos foram relevantes para o sucesso de Alemão. Mas acho que o motivo essencial – aquilo que o torna único na história da versão brasileira do programa – é outro: Diego foi o “big brother” que se relacionou de maneira mais íntima com a câmera – e, portanto, com o público.

Em vários momentos do programa, Alemão dispensou intermediários. Fez declarações de amor para Iris, mandou beijos para a família, agradeceu os patrocinadores – tudo isso falando direto para a câmera. Jogou não apenas com os outros participantes, mas também para a platéia. Assumiu-se como um personagem dentro de uma ficção, revezando-se entre diferentes papéis ao longo do programa: o sedutor, o apaixonado, o vingador etc.

Depois de seis edições de atuações essencialmente naturalistas, de tentativas mais ou menos bem-sucedidas de reprodução da realidade, Diego abraçou com todas as forças o distanciamento brechtiano, método de interpretação criado pelo (alemão) Bertolt Brecht que escancara os artifícios da dramaturgia. O público reconheceu sua honestidade e ousadia.

Na terça-feira, Alemão vencerá o “Big Brother” não apenas por ser o melhor jogador do programa, mas também o mais moderno de seus atores.

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30/03/2007 - 23:20

Compre um filme no eBay. Por US$ 1 milhão

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O diretor e produtor americano Neil Schulman encontrou uma maneira original de vender seu filme “Lady Magdalene”, uma comédia independente estrelada por Nichelle Nichols (de “Jornada nas estrelas”). Ele decidiu leiloar os direitos de distribuição do filme por um preço mínimo de US$ 999 mil no eBay (item 230108636678), mais US$ 1 para gastos com a entrega. No site, Schulman promete devolver o dinheiro caso o filme não arrecade US$ 30 milhões em seu final de semana de estréia nos Estados Unidos. Após uma semana no ar, ainda não houve lances pelo filme. Mas ao menos Schulman fez o seu marketing.

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29/03/2007 - 22:01

Uma Esparta nada espartana

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No Dicionário Houaiss, o adjetivo “espartano”, em seu sentido figurado, define aquilo “que lembra as virtudes (austeridade, rigor, patriotismo) dos antigos cidadãos de Esparta”. Nessa acepção, “300”, que estréia hoje no Brasil, é um filme sobre Esparta que de espartano não tem nada.

A austeridade e o rigor passam longe de “300”. O filme dirigido por Zack Snider é excessivo em tudo: na violência, na granulação da fotografia, no uso da computação gráfica, na trilha sonora. Então todos os excessos resultam em um mau filme? Não de todo. Curiosamente, eles se anulam, e o resultado final é bastante homogêneo. Não chega a ser brilhante, mas está longe da catástrofe apontada por alguns críticos.

Há quem diga que “300” é patriótico. Ao adaptar a “graphic novel” de Frank Miller sobre a batalha de Termópilas (480 a.C.) entre 300 espartanos liderados pelo rei Leônidas (Gerard Butler) e um exército de 1 milhão de soldados comandado pelo imperador persa Xerxes (Rodrigo Santoro), o filme estaria fazendo uma defesa da civilização ocidental contra a barbárie oriental, em um alegoria favorável ao governo Bush.

Sinceramente, não vi muita coisa no filme que pudesse justificar essa tese. Mas concordo com outra idéia polêmica sobre a produção: com seus atores marombados e o Xerxes andrógino de Santoro, com seus diálogos de duplo sentido e sua ênfase nos adereços, “300” é provavelmente o mais gay dos blockbusters hollywoodianos desde… bom, não é preciso ir tão longe assim… desde o “Alexandre” (2004) de Oliver Stone.

Antes que os admiradores de Frank Miller e Rodrigo Santoro me ataquem, recomendo que vejam “300” e comprovem por si mesmos. Entre ser Bush ou ser bicha (com o perdão do termo politicamente incorreto, mas fundamental para o trocadilho), o filme certamente escolheu a segunda opção.

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28/03/2007 - 22:00

“Ó paí, ó”, um filme esquisito

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A grande surpresa de assistir a “Ó paí, ó”, que estréia nesta sexta-feira, é descobrir que seu título (uma contração de “olhe para aí, olhe”) é a menor de suas esquisitices. A maior delas é o fato de essa produção “made in Bahia” ter ficado com cara de produção estrangeira.

Baianos são a diretora (Monique Gardenberg), o autor da peça homônima na qual o filme se baseou (Marcio Meirelles0, o coordenador da trilha sonora (Caetano Veloso) e a maioria dos atores (muitos deles vindos do Bando de Teatro Olodum, que já encenou o texto em Salvador). Baianos também são o cenário e o tema da história dessa comédia musical de situações, que acompanha diversos moradores de um cortiço próximo ao Pelourinho ao longo do primeiro dia de Carnaval.

Mas há tantos estereótipos culturais, sexuais e religiosos em cena que, apesar do sotaque legítimo, “Ó paí, ó” nem parece baiano. Ou melhor, o olhar do filme para seu universo não parecer ser “de dentro”, mas estrangeiro. Isso deriva da escolha por fazer um humor a partir de tipos: mãe-de santo e baiana do acarajé, travesti e lésbica, malandro do bem e do mal e assim por diante. Poucos personagens escapam da caricatura, entre eles Roque (Lázaro Ramos), pintor e aspirante a cantor, e Psilene (Dira Paes), mulher que volta a Salvador com as mãos abanando depois de casar com um gringo.

Essa escolha pela tipificação dos personagens aproxima “Ó paí, ó” perigosamente dos humorísticos de TV. Mas não é o único elemento que causa estranheza no filme. Estranha é a alternância indiscriminada entre película e vídeo na fotografia do filme. Estranho é o fato de Wagner Moura, um dos jovens atores mais talentosos do país, estar dois tons acima do resto do bom elenco (não havia ninguém no set disposto a dar um toque?). Estranho é o passo para trás dado por Gardenberg em sua carreira, depois de estrear com o frágil “Jenipapo” e mostrar evolução no interessante “Benjamin”.

Agora estranho mesmo é o final do filme. Na maior parte da projeção, “Ó paí, ó” parece ser uma exaltação turística do hedonismo baiano. Aos 45 do segundo tempo, porém, ele quer nos convencer de que é também uma denúncia social contra o apartheid disfarçado que segrega os negros pobres de Salvador. Muito esquisito.

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28/03/2007 - 15:28

A nova de Tarantino

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O site de “Grindhouse”, filme duplocom um episódio dirigido por Quentin Tarantino (“Kill Bill”) e outro por Robert Rodriguez (“Sin City”), eleva a um novo patamar de interatividade e qualidade gráfica esse tipo de material de divulgação.

Com um visual que imita as fitas de terror dos anos 70 que os dois cineastas homenageiam, o site permite que o internauta crie seus pôsteres e trailers, além de matar zumbis com diferentes armas na “máquina de gritos”.

Como diz Ivan Finotti em uma matéria da “Folha de S. Paulo” (para assinantes, aqui), há boas chances de que o site de “Grindhouse” se torne modelo para outros sobre filmes. É Tarantino lançando moda outra vez.

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27/03/2007 - 23:24

David Lynch contra a sujeira

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Da série “coisas incríveis que você encontra no YouTube”, uma propaganda dirigida por David Lynch (“A estrada perdida”, “Cidade dos sonhos”) em 1991 para uma campanha pública contra o hábito de jogar lixo nas ruas de Nova York. O sujeito mantém seu estilo até mesmo em um institucional. Deve ser o anúncio mais assustador da história. Imagine Zé do Caixão dirigindo uma campanha contra as drogas. Pois é.

Ainda no YouTube, é possível ver a fantástica série de comerciais que Lynch fez para o Playstation 2: Bambi, Where are we e What dreams may come, entre outros. É a prova definitiva de que o gênio independe do meio.

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27/03/2007 - 00:01

O colecionador de fobias

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Desde pequeno, Marcos F. tem horror a gravatas. “Quando as uso, fico mal, incomodado. Tinha um pressentimento de que em vidas passadas devo ter sido enforcado. Era colocá-las e ficar com as mãos forçando para fora, até desistir de usar e tirá-las.”

Matita sofre com um medo horripilante de sujeira, mas de um tipo bem específico. “Via esperma em todos os lugares, no ônibus, na rua, na chuva, na casinha de sapê. Cinema? Isso pra mim era sinal de que algum casal poderia ter dado uns amassos no escurinho do cinema e largado um pouco de esperma.”

Kel passou mal ao entrar em um shopping para usar o banheiro. “Comecei a sentir um tremor que vinha aos pouquinhos de dentro do meu útero, um suor frio gelava meu corpo inteiro. O banheiro, a cada passo que eu dava, ficava mais distante. As paredes laterais do corredor estavam cada vez mais próximas de mim.”

Na semana passada, o cineasta Kiko Goifman, autor dos documentários “33” e “Morte densa”, lançou um site para colher e exibir relatos de leitores sobre fobias (para visitá-lo, clique aqui); os três depoimentos acima estão entre as primeiras colaborações.

Algumas das histórias serão incluídas no roteiro de “FilmeFobia”, em um fascinante trabalho de intersecção entre cinema e internet. Se você possui ou conhece pessoas com fobias, pode enviar seu relato ao site e fazer parte do projeto.

“FilmeFobia” será construído como o “making of” de um documentário sobre fobias, em que um diretor irá propor a pessoas fóbicas que enfrentem seus piores temores. Ao lado do roteirista Hilton Lacerda (“Baile perfumado”, “Amarelo manga’), Goifman escreverá o último tratamento do roteiro incluindo alguns dos relatos enviados via internet, que deverão inspirar situações retratadas no documentário dentro do filme.

Um dos vencedores do último edital para filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura, “FilmeFobia” deverá ser gravado em julho ou agosto. No elenco/equipe, estão o crítico Jean-Claude Bernardet, o compositor Lívio Tragtenberg e a fotógrafa Cris Bierranbach, além de Goifman e Lacerda.

No site do filme, Goifman também relata seu principal medo. “Não me lembro quando começou a minha fobia de sangue. Sei que foi na infância e era terrível. Primeiro porque criança machuca muito e sempre eu estava às voltas com curativos. Podia ser um machucado pequeno e mesmo assim minha pressão ia no pé’ e eu desmaiava”, conta o cineasta mineiro radicado em São Paulo.

“FilmeFobia” não será a primeira experiência de integração entre cinema e internet na carreira de Goifman. Em “33”, ele escreveu para o site No. (antiga encarnação de NoMínimo) um diário sobre as filmagens, em que registrava sua tentativa de encontrar a mãe biológica. Os leitores puderam enviar dicas sobre o paradeiro e alterar os rumos da narrativa. Outro ponto em comum entre os dois filmes é a tentativa de criar novos procedimentos narrativos para discutir os parâmetros éticos da ficção e do documentário.

Como Goifman é não apenas um dos realizadores mais originais do país hoje, mas também um dos mais prolíficos, ele está presente nesta edição do festival É tudo verdade. O média documental “Handerson e as horas”, que registra a longa viagem de ônibus feita pelo boy de sua produtora para ir de casa ao trabalho, será exibido hoje na favela de Heliópolis e sexta-feira no Cinesesc.

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26/03/2007 - 19:23

O Oscar do YouTube

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O YouTube Video Awards anuncia seus primeiros vencedores, escolhidos pela comunidade que utiliza o site. Será que um dia o prêmio será mais importante que o Oscar?

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26/03/2007 - 00:01

O feitiço contra o feiticeiro

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Quando os canadenses Debbie Melnyk e Rick Caine decidiram fazer um documentário sobre Michael Moore em 2004, sua intenção era realizar uma biografia elogiosa do autor de “Tiros em Columbine” (2002) e “Fahrenheit 11 de setembro” (2004). Ao longo das filmagens, porém, eles descobriram tantos podres do cineasta americano que o projeto assumiu um tom francamente negativo.

“Fabricando polêmica – Desmascarando Michael Moore”, resultado de seu trabalho, poderá ser visto nesta semana no festival É tudo verdade – quarta-feira no Rio, quinta em São Paulo (para a programação completa, clique aqui).

Desde que se tornou o documentarista mais famoso da história, Michael Moore tornou-se também alvo freqüente de documentários, a maioria deles formada por contra-ataques da direita contra o diretor, como “Michael Moore hates America” (2004). “Fabricando polêmica” é um caso à parte, por se tratar de um projeto com uma pesquisa bem fundamentada e sem orientação ideológica.

A mentira mais grave apurado por Melnyk e Caine refere-se a “Roger & eu” (1989), o filme que popularizou Moore nos Estados Unidos. Para denunciar a maldade corporativa , o cineasta registrou várias tentativas frustradas de entrevistar o presidente da General Motors, Roger Smith, para falar sobre o fechamento da fábrica da companhia em Flint (Michigan), a cidade do cineasta.

Pois “Fabricando polêmica” mostra que Moore conseguiu fazer duas entrevistas com Smith e decidiu esconder o fato no documentário. Um ex-amigo do cineasta, presente nas conversas, conta no documentário que Moore pediu que ele desmentisse a existência dessas gravações.

No caso de “Tiros em Columbine”, Melnyk e Caine revelam manipulações da verdade em pelo menos duas cenas: uma em que Moore abre uma conta em um banco e sai dele com uma arma de brinde (na verdade, o processo demora dias) e outra em que o cineasta dá a entender que o ator Charlton Heston foi a um encontro da Associação Nacional de Rifles em Flint dias depois de uma garota perder a vida com um tiro na cidade (era um encontro de lideranças republicanas). Isso não torna o banco ou Heston mais desculpáveis. Mas certamente transforma Moore em um documentarista menos confiável.

Já em “Fahrenheit 11 de setembro”, Moore usou as imagens de um soldado mutilado no Iraque sem revelar que ele era um defensor tanto da guerra quanto de Bush – entre outras omissões e mentiras perpretadas pelo documentário mais visto de todos os tempos.

Durante as filmagens, Melnyk e Caine tentam diversas vezes marcar uma entrevista com Moore, mas ele alega sempre falta de tempo para recusar o pedido. Em alguns momentos, os seguranças do cineasta recorrem a uma certa truculência para manter a equipe de filmagem à distância – um tipo de situação que Moore adora explorar em seus documentários, mas aqui o feitiço vira contra o feiticeiro.

Os diretores canadenses chegam a falsificar uma credencial para participar de um evento com a participação de Moore, outro procedimento que o cineasta americano já adotou em seus trabalhos. Mas, nesse caso, o efeito é o contrário do desejado: aí eles transformam Moore em vítima e despertam uma certa simpatia por ele (o mesmo acontece em relação a Bush em certas cenas de “Fahrenheit 11 de setembro”).

De resto, como bem definiu um espectador no site IMDB, “Fabricando polêmica” é um retrato bastante equilibrado de um cineasta desequilibrado.

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25/03/2007 - 00:31

Onde está o Matt?

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Alguns leitores já devem conhecer o vídeo há algum tempo, mas eu só descobri agora mais esse fenômeno do YouTube, com quase 6 milhões de acessos. Ao mesmo tempo bobo e invejável.

E, como todos os sucessos do YouTube, já rendeu respostas, seqüências e paródias.

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