Publicidade

Publicidade
27/03/2007 - 00:01

O colecionador de fobias

Compartilhe: Twitter

Desde pequeno, Marcos F. tem horror a gravatas. “Quando as uso, fico mal, incomodado. Tinha um pressentimento de que em vidas passadas devo ter sido enforcado. Era colocá-las e ficar com as mãos forçando para fora, até desistir de usar e tirá-las.”

Matita sofre com um medo horripilante de sujeira, mas de um tipo bem específico. “Via esperma em todos os lugares, no ônibus, na rua, na chuva, na casinha de sapê. Cinema? Isso pra mim era sinal de que algum casal poderia ter dado uns amassos no escurinho do cinema e largado um pouco de esperma.”

Kel passou mal ao entrar em um shopping para usar o banheiro. “Comecei a sentir um tremor que vinha aos pouquinhos de dentro do meu útero, um suor frio gelava meu corpo inteiro. O banheiro, a cada passo que eu dava, ficava mais distante. As paredes laterais do corredor estavam cada vez mais próximas de mim.”

Na semana passada, o cineasta Kiko Goifman, autor dos documentários “33” e “Morte densa”, lançou um site para colher e exibir relatos de leitores sobre fobias (para visitá-lo, clique aqui); os três depoimentos acima estão entre as primeiras colaborações.

Algumas das histórias serão incluídas no roteiro de “FilmeFobia”, em um fascinante trabalho de intersecção entre cinema e internet. Se você possui ou conhece pessoas com fobias, pode enviar seu relato ao site e fazer parte do projeto.

“FilmeFobia” será construído como o “making of” de um documentário sobre fobias, em que um diretor irá propor a pessoas fóbicas que enfrentem seus piores temores. Ao lado do roteirista Hilton Lacerda (“Baile perfumado”, “Amarelo manga’), Goifman escreverá o último tratamento do roteiro incluindo alguns dos relatos enviados via internet, que deverão inspirar situações retratadas no documentário dentro do filme.

Um dos vencedores do último edital para filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura, “FilmeFobia” deverá ser gravado em julho ou agosto. No elenco/equipe, estão o crítico Jean-Claude Bernardet, o compositor Lívio Tragtenberg e a fotógrafa Cris Bierranbach, além de Goifman e Lacerda.

No site do filme, Goifman também relata seu principal medo. “Não me lembro quando começou a minha fobia de sangue. Sei que foi na infância e era terrível. Primeiro porque criança machuca muito e sempre eu estava às voltas com curativos. Podia ser um machucado pequeno e mesmo assim minha pressão ia no pé’ e eu desmaiava”, conta o cineasta mineiro radicado em São Paulo.

“FilmeFobia” não será a primeira experiência de integração entre cinema e internet na carreira de Goifman. Em “33”, ele escreveu para o site No. (antiga encarnação de NoMínimo) um diário sobre as filmagens, em que registrava sua tentativa de encontrar a mãe biológica. Os leitores puderam enviar dicas sobre o paradeiro e alterar os rumos da narrativa. Outro ponto em comum entre os dois filmes é a tentativa de criar novos procedimentos narrativos para discutir os parâmetros éticos da ficção e do documentário.

Como Goifman é não apenas um dos realizadores mais originais do país hoje, mas também um dos mais prolíficos, ele está presente nesta edição do festival É tudo verdade. O média documental “Handerson e as horas”, que registra a longa viagem de ônibus feita pelo boy de sua produtora para ir de casa ao trabalho, será exibido hoje na favela de Heliópolis e sexta-feira no Cinesesc.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:

Ver todas as notas

9 comentários para “O colecionador de fobias”

  1. Babababa disse:

    eu tenho medo desta coluna

  2. Djalma Toledo disse:

    Que saudades de Felline, que “tirava” Filmes de sua infância , de sua vida.
    ” Os Boas Vidas, A Doce Vida , 8¹/² ” etc.

  3. izaque bastos disse:

    calil, pelo segundo dia o capa do nominimo.
    tá com moral em mano.

    cara nao curto filme brasileiro, quase, entao nem sei quem é o cara.

    mas achei legal o projeto do cara, nesses tempos de saturaçao filmografica, tem que se inventar alguma coisa diferente.

  4. Babababa disse:

    isso aí, cara

  5. Paulo disse:

    Kiko é figura finíssima, educado e de fácil acesso. Para quem ainda não o conhece, recomendo o doc “33”, citado no post.

  6. Tererê disse:

    Caraca, héim, cara?

  7. Sregio Lima disse:

    Vcs sabia que a globo mentiu descaradamente pra vc domingo? O paparazzo Roberto Maciel, que mora em Los Angeles há mais de quatro anos, disse ter levado um grande susto no último domingo (25), enquanto assistia ao Fantástico, pela Globo Internacional, em sua casa nos Estados Unidos. Na reportagem Vida de Paparazzi, apresentada por Zeca Camargo e narrada por Glória Maria, um dos entrevistados aparece com o seu nome e conta a sua história. O Roberto Maciel do programa descreveu como teria sido agredido pela cantora Britney Spears com um guarda-chuva em fevereiro.

    “O Fantástico inventou uma mentira”, denunciou o paparazzo, que afirma ter sido ele o atacado. ta aqui no blo
    http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

  8. Paulo disse:

    Outro que fez um diário de filmagem na internet foi o Fernando Meirelles, na época do Jardineiro Fiel. E bastante detalhado, por sinal.

  9. Te disse:

    Coincidência: domingo último passou no Cadernos de cinema na TVE Trilogia do terror. Recomendo ao cineasta, se já não viu, o terceiro filme dirigido pelo Zé do Caixão Pesadelo macabro, sobre fobia de ser enterrado vivo: trash e assustador.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo