Publicidade

Publicidade
28/03/2007 - 22:00

“Ó paí, ó”, um filme esquisito

Compartilhe: Twitter

A grande surpresa de assistir a “Ó paí, ó”, que estréia nesta sexta-feira, é descobrir que seu título (uma contração de “olhe para aí, olhe”) é a menor de suas esquisitices. A maior delas é o fato de essa produção “made in Bahia” ter ficado com cara de produção estrangeira.

Baianos são a diretora (Monique Gardenberg), o autor da peça homônima na qual o filme se baseou (Marcio Meirelles0, o coordenador da trilha sonora (Caetano Veloso) e a maioria dos atores (muitos deles vindos do Bando de Teatro Olodum, que já encenou o texto em Salvador). Baianos também são o cenário e o tema da história dessa comédia musical de situações, que acompanha diversos moradores de um cortiço próximo ao Pelourinho ao longo do primeiro dia de Carnaval.

Mas há tantos estereótipos culturais, sexuais e religiosos em cena que, apesar do sotaque legítimo, “Ó paí, ó” nem parece baiano. Ou melhor, o olhar do filme para seu universo não parecer ser “de dentro”, mas estrangeiro. Isso deriva da escolha por fazer um humor a partir de tipos: mãe-de santo e baiana do acarajé, travesti e lésbica, malandro do bem e do mal e assim por diante. Poucos personagens escapam da caricatura, entre eles Roque (Lázaro Ramos), pintor e aspirante a cantor, e Psilene (Dira Paes), mulher que volta a Salvador com as mãos abanando depois de casar com um gringo.

Essa escolha pela tipificação dos personagens aproxima “Ó paí, ó” perigosamente dos humorísticos de TV. Mas não é o único elemento que causa estranheza no filme. Estranha é a alternância indiscriminada entre película e vídeo na fotografia do filme. Estranho é o fato de Wagner Moura, um dos jovens atores mais talentosos do país, estar dois tons acima do resto do bom elenco (não havia ninguém no set disposto a dar um toque?). Estranho é o passo para trás dado por Gardenberg em sua carreira, depois de estrear com o frágil “Jenipapo” e mostrar evolução no interessante “Benjamin”.

Agora estranho mesmo é o final do filme. Na maior parte da projeção, “Ó paí, ó” parece ser uma exaltação turística do hedonismo baiano. Aos 45 do segundo tempo, porém, ele quer nos convencer de que é também uma denúncia social contra o apartheid disfarçado que segrega os negros pobres de Salvador. Muito esquisito.

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:

Ver todas as notas

42 comentários para ““Ó paí, ó”, um filme esquisito”

  1. Clélia disse:

    Olha aí, quem fala dos outros…….aprende escrever primeiro, abilita-se, quando eu aprendi era com H, antes macumbeiro, q analfabeto…..

  2. Joana disse:

    só um baiano p/ afirmar que o filme retrata muito bem a realidade deste povo… os personagens não são apenas caricaturas, isso ocorre, é real… o filme está de parabéns!!!

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo