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29/03/2007 - 22:01

Uma Esparta nada espartana

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No Dicionário Houaiss, o adjetivo “espartano”, em seu sentido figurado, define aquilo “que lembra as virtudes (austeridade, rigor, patriotismo) dos antigos cidadãos de Esparta”. Nessa acepção, “300”, que estréia hoje no Brasil, é um filme sobre Esparta que de espartano não tem nada.

A austeridade e o rigor passam longe de “300”. O filme dirigido por Zack Snider é excessivo em tudo: na violência, na granulação da fotografia, no uso da computação gráfica, na trilha sonora. Então todos os excessos resultam em um mau filme? Não de todo. Curiosamente, eles se anulam, e o resultado final é bastante homogêneo. Não chega a ser brilhante, mas está longe da catástrofe apontada por alguns críticos.

Há quem diga que “300” é patriótico. Ao adaptar a “graphic novel” de Frank Miller sobre a batalha de Termópilas (480 a.C.) entre 300 espartanos liderados pelo rei Leônidas (Gerard Butler) e um exército de 1 milhão de soldados comandado pelo imperador persa Xerxes (Rodrigo Santoro), o filme estaria fazendo uma defesa da civilização ocidental contra a barbárie oriental, em um alegoria favorável ao governo Bush.

Sinceramente, não vi muita coisa no filme que pudesse justificar essa tese. Mas concordo com outra idéia polêmica sobre a produção: com seus atores marombados e o Xerxes andrógino de Santoro, com seus diálogos de duplo sentido e sua ênfase nos adereços, “300” é provavelmente o mais gay dos blockbusters hollywoodianos desde… bom, não é preciso ir tão longe assim… desde o “Alexandre” (2004) de Oliver Stone.

Antes que os admiradores de Frank Miller e Rodrigo Santoro me ataquem, recomendo que vejam “300” e comprovem por si mesmos. Entre ser Bush ou ser bicha (com o perdão do termo politicamente incorreto, mas fundamental para o trocadilho), o filme certamente escolheu a segunda opção.

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44 comentários para “Uma Esparta nada espartana”

  1. Nina Hagen disse:

    Não assisti ao filme nem estou com vontade. Só acho uma pena o povo achar que Esparta foi inventada por Frank Miller.

  2. Hefestus disse:

    Concordo com a Nina Hagen.

  3. rainha disse:

    Mario Viana,

    A rainha era de Esparta, nao de Atenas. Em Esparta as mulheres tinha participacao na sociedade, nos esportes, etc. Nao eram tidas como frageis ou seres inferiores como as mulheres de Atenas. Nao tem nada de errado nisso no filme

  4. Beatriz disse:

    que engraçado que pena não era isso que eu queria acha
    burro idiota !!

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