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Arquivo de abril, 2007

30/04/2007 - 00:01

A ditadura do sucesso

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Há muito tempo os debates sobre o cinema americano giram em torno de números. Discute-se os milhões de dólares arrecadados no final de semana de estréia com a mesma energia que antes era dedicada às tramas dos filmes ou às vidas dos artistas.

Em algum momento, o mesmo se deu com a televisão brasileira. Hoje a audiência semanal das novelas é tema tão ou mais importante que as maldades do vilão ou os romances da estrela. Ou seja, um assunto que deveria interessar basicamente as emissores e os anunciantes vira prioridade para jornalistas e espectadores.

Nesse processo, houve a importação de uma mentalidade americana: se um filme ou um programa de TV vai mal de bilheteria ou de audiência, ele não é apenas um fracasso comercial, mas também artístico – porque incapaz de se comunicar com seu público.

Todo esse preâmbulo para falar de “Paraíso tropical”. Como todos nós sabemos, a novela vai mal de público desde sua estréia, com uma audiência em torno de 40 pontos, considerada bastante baixa para o horário nobre da Globo. Pela lógica industrial, trata-se, portanto, de um programa ruim. Pois eu tenho uma teoria diferente: o problema de “Paraíso tropical” não é sua audiência baixa, mas sim a obrigação de levantá-la.

Nas primeiras semanas de exibição, a novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares foi a melhor de seu horário em muitos anos – muito superior, por exemplo, a “Páginas da vida” ou “Senhora do destino”, para citar duas antecessoras de enorme sucesso e péssima dramaturgia.

Na estréia, “Paraíso tropical” prometia ser um folhetim relativamente tradicional – centrado no romance de Paula (Alessandra Negrini) com Daniel (Fábio Assunção) e na briga deste com Olavo (Wagner Moura) -, apesar de abordar temas “polêmicos” como a prostituição.

Aos poucos, porém, a turma de adoráveis trambiqueiros tomou conta da novela e a transformou em uma saborosa farsa sobre a ascensão social. Bebel (Camila Pitanga) e Jadir (Chico Diaz) – já devidamente cantados e decantados pelo colega Tutty Vasques aqui em NoMínimo – lideram o grupo. Mas dele fazem parte também Belisário (Hugo Carvana), Virgínia (Yoná Magalhães), Marion (Vera Holtz) e Neli (Beth Goulart). Todos esses personagens transitam no reino da ambigüidade. Nem vilões, nem mocinhos, eles estão sempre a um passo do paraíso e a dois da miséria. No primeiro mês de exibição, eles foram os donos da novela.

Mas, de uns capítulos para cá, as coisas mudaram de figura. Como havia ocorrido com “Celebridade”, a novela anterior de Braga, “Paraíso tropical” deu uma guinada para reencontrar o público perdido. As desventuras da classe média deram lugar aos dramas de folhetim; os trambiqueiros perderam espaço para os românticos; a ambivalência foi substituída pela clareza; a novidade, pela convenção.

Na prática, isso significou uma investida em dramas batidos e banais, como o da gêmea boa versus gêmea má (Alessandra Negrini e Alessandra Negrini), a mulher madura (Renée de Vielmond) que se apaixona pelo rapaz mais jovem (Rodrigo Veronese), o filho (Gustavo Leão) que tenta conquistar o afeto do pai (Marcello Antony).

Só o tempo dirá se essas mudanças trarão alguns pontos a mais de audiência para “Paraíso tropical”. Mas já dá para dizer que elas roubaram grande parte de sua graça. Ela poderia ser uma grande novela. Agora, na melhor das hipóteses, não será um fracasso comercial.

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29/04/2007 - 08:58

Os filmes favoritos dos presidentes

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O Arquivo Nacional dos Estados Unidos promoverá nos próximos meses sessões dos filmes favoritos dos presidentes americanos. A maior surpresa da mostra em Washington é o título preferido de George Bush pai: o clássico da sessão da tarde “Karatê Kid” (1984). Será que ele se inspirou nas sábias palavras do sr. Miyagi para vencer a guerra do Golfo?

Bill Clinton e Dwight Eisenhower gostavam de ver o mesmo faroeste no cinema da Casa Branca: “Matar ou morrer” (1952), de Fred Zinneman. Já os presidentes mais cinéfilos eram Richard Nixon (ele viu “Patton” três vezes) e Jimmy Carter (assistiu a mais filmes em um mandato do que o ex-ator Ronald Reagan em dois).

Ao ouvir a notícia sobre a mostra da National Public Radio, fiquei imaginando quais seriam os filmes favoritos dos presidentes brasileiros. Você tem algum palpite sobre os gostos cinematográficos de Itamar Franco, FHC e Lula, por exemplo?

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27/04/2007 - 21:37

Os clichês dos trailers

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Os trailers de filmes são uma forma de arte com regras e clichês próprios – como aquela pomposa narração em off que começa “Em um mundo X…” e termina “com o vencedor do Oscar Y”.

“Wheels”, o falso trailer de um filme inexistente sobre o caso de amor entre um homem e uma garota em uma cadeira de rodas, ironiza justamente esses chavões do formato.

Segundo Virginia Heffernan, crítica e blogueira de TV do “New York Times”, o falso trailer oferece ao menos 15 críticas substanciais às convenções do cinema e do romance.

É divertido e sofisticado ao mesmo tempo. Para conferir, clique aqui.

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27/04/2007 - 11:52

O poderoso chefão de Hollywood

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Por 38 anos, o Sr. Valenti foi a face pública da indústria de cinema e televisão e um de seus mais ferrenhos defensores. Ele fez lobby no Congresso para proteger os direitos autorais dos produtores contra a pirataria e para amenizar as barreiras comerciais de exportação. E ele rechaçou as constantes campanhas de advogados para limpar as telas de violência e sexo, usando o argumento da liberdade de expressão. Ele bolou o sistema de classificação de filmes por faixa etária justamente para evitar a censura por comitês locais.

Para o “New York Times” e boa parte da imprensa americana, Jack Valenti, que morreu ontem aos 85 anos, foi o Sr. Cinema Americano – o grande lobista dos interesses de Hollywood durante as quase quatro décadas que esteve à frente da Motion Pictures Association of America, que congrega os maiores estúdios da indústria audiovisual do país.

Para os cineastas brasileiros, porém, Valenti era o inimigo a ser combatido – o sujeito que estendeu a dominação de Hollywood nas telas brasileiras e atrapalhou o desenvolvimento do cinema nacional, com seu charme vulgar, suas conexões políticas e suas imposições de ínfimas taxas de importação de filmes americanos.

Seja qual for o ponto de vista, não dá para negar que Valenti foi fundamental para moldar o mercado do cinema mundial tal como o conhecemos hoje.

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25/04/2007 - 23:59

Hollywood agora navega na internet

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Ontem, o produtor britânico Mark Burnett, responsável por reality shows de sucesso como “Survivor” e “O aprendiz”, anunciou que irá se associar ao MySpace para realizar “Independent”, um projeto online que se transformará em programa de TV com o objetivo de encontrar o próximo grande político americano.

A princípio, os possíveis participantes terão de enviar suas propostas de candidatura em vídeo para o MySpace. Depois, os finalistas criarão páginas no site que funcionarão como plataformas de campanha. Por fim, terão de sair do ambiente virtual e interagir com as pessoas na vida real. O vencedor levará US$ 1 milhão – que deverá ser obrigatoriamente doado a uma causa política ou usado na primeira campanha eleitoral do ganhador.

“O maior número de olhos a ser atraído de uma vez só ainda está nas emissoras de TV, mas certamente a maior comunidade social em rede do mundo pode ser encontrada no MySpace”, explicou Burnett à “Variety”.

Na semana passada, o comediante Will Ferrell e o diretor Adam McKay, a dupla por trás de “O âncora – A lenda de Roy Burgundy” e ‘Ricky Bobby: A Toda Velocidade”, criaram um vídeo viral chamado “The landlord” para lançar o site cômico Funny or die. Em apenas 24 horas, o vídeo foi visto por 7 milhões de pessoas. Mas o lado mais surpreendente da história é que a brincadeira foi bancada pela Sequoia Capital, um grupo de investidores que coloca dinheiro em companhias como a Apple, Google, YouTube e Yahoo, como revela a “Wired”.

No início do mês, Michael Eisner, o ex-todo-poderoso presidente da Disney, lançou a série exclusiva para a internet “Prom Queen”, com 90 episódios de 90 segundos cada, segundo reportagem do “New York Times”.

Esses três fatos ocorridos em um único mês mostram que a televisão e o cinema americanos voltaram definitivamente seus olhos (e parte de seus investimentos) para a internet. É a velha mídia tentando cavar seu espaço na nova mídia.

A idéia por trás desse movimento é a velha máxima do “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Em outras palavras: já que não podemos controlar esse território relativamente livre que é a internet, vamos tentar faturar algum com ele.

E aí está, mais uma vez, o xis da questão: como fazer dinheiro com a internet? É possível lucrar com esse novo negócio dentro do esquema tradicional, com a venda de anúncios (como na TV) ou de conteúdo (como no cinema)? Como conseguir retorno para um investimento de US$ 1,65 bilhão (dinheiro pago pelo Google para ter o YouTube) ou US$ 580 milhões (valou que a News Corp., de Rupert Murdoch, bancou para comprar o MySpace)?

Todas essas perguntas levam à mesma questão essencial: estamos mesmo diante de uma nova era ou de uma nova bolha (como a ocorrida na virada do milênio)? Se alguém tiver uma resposta categórica para essas questões, provavelmente estará mentindo.

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24/04/2007 - 22:23

Como filmar a tortura?

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“Batismo de sangue” levanta uma questão mais interessante que a própria produção: como filmar cenas de tortura? O diretor Helvécio Ratton preferiu ser o mais explícito possível (como Mel Gibson em “A paixão de Cristo”) – opção que dividiu os jornalistas que escreveram sobre o filme. No blog Canto do Inácio, o crítico Inácio Araujo, da “Folha de S. Paulo”, critica a escolha:

Nem sempre abordar francamente um assunto significa trazê-lo à luz, e esse me parece o equívoco do Ratton. A diferença entre a vida e a arte é que a segunda requer mais imaginação. Era preciso um esforço para nos fazer crer em quão dolorida pode ser a tortura – não mostrá-la não equivaleria a ocultar, mas a fazer-nos sentir uma violência que no filme é meramente retórica.

Aqui, em NoMínimo, Ricardo Kotscho concordou com a escolha do diretor:

Há até quem o ache violento demais, como já andei lendo na imprensa. Mas penso que não haveria como rodá-lo de outro modo se era para retratar a história como ela realmente aconteceu.

A meu ver, o cinema costuma ser mais interessante quando sugere do que quando ostenta. O explícito às vezes fica perigosamente próximo do pornográfico. Seja nas cenas de sexo ou de violência.

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23/04/2007 - 22:00

O massacre nos tempos de YouTube

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Uma semana depois do massacre em Virginia, os usuários do YouTube já criaram centenas de vídeos sobre o atentado – demonstrando o mesmo desembaraço do atirador com as novas tecnologias. O primeiro foi colocado no ar no próprio dia da tragédia e ditou o padrão da maioria dos seguintes: um tributo com fotos das vítimas e uma canção pop sentimental como trilha sonora.

Depois vieram os depoimentos dos usuários direto para a câmera, mesmo estilo adotado por Cho. Alguns deles criticavam a rapidez com que foram feitos os primeiros tributos e denunciavam a vontade de aparecer de seus autores.

Em seguida, surgiu a reação mais perturbadora: dezenas de vídeos em defesa de Cho, feitos por pessoas que se identificavam com seu sentimento de isolamento e inadequação. É claro que esses vídeos geraram respostas raivosas.

Além desses vídeos, há animações com a reconstituição do massacre, músicas sobre o tema criadas por usuários e divulgadas no MySpace, ataques ao fascínio americano por armas de fogo e assim por diante.

Para tentar entender o universo de Cho (se é que isso é possível), talvez faça mais sentido olhar para esses vídeos do que para os jornais ou o noticiário de TV.

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22/04/2007 - 23:57

70 razões para amar (ou odiar) Jack

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Para comemorar os 70 anos do grande Jack Nicholson, completados neste domingo, o site Scotsman.com reuniu 70 razões para amá-lo ou odiá-lo. Abaixo, estão as dez que achei mais simpáticas ou curiosas.

1. Como ele se recusa a perder qualquer partida em casa do time de basquete Los Angeles Lakers, os diretores de cinema precisam programar as filmagens de acordo com as datas dos jogos.

2. Abandonado pelo pai na infância, ele cresceu acreditando que sua mãe era uma irmã mais velha e que sua avó era sua mãe. A verdade foi descoberta e revelada por um jornalista quando ele já era adulto.

3. Por transar com cerca de 2000 mulheres, ele entrou no Top 10 das “Lendas Vivas do Sexo” da revista “Maxim”.

4. Segundo seus vizinhos em Nebraska, ele tem o hábito de andar pelado pela casa.

5. Ele recusou o papel de Michael Corleone em “O poderoso chefão”, assim como a chance de contracenar com Marlon Brando em “Apocalypse now”.

6. A atriz Karen Mayo-Chandler disse sobre ele: “Jack é uma máquina de sexo ininterrupta. Ninguém pode ser comparado a ele na cama. Ele me leva a outro planeta.”

7. Depois da morte de Marlon Brando há três anos, Nicholson comprou a casa do amigo por US$ 3,4 milhões e mandou demoli-la – segundo ele, por respeito ao legado de Brando. Ele pretende transformar o local em um campo de flores.

8. Ele se livrou da internet porque “com tanta pornografia na rede, eu nunca saía de casa”.

9. Ele escreveu a cena de “Os infiltrados” em que seu personagem aparece com um pênis de borracha em um cinema.

10. “Com meus óculos escuros, eu sou Jack Nicholson. Sem eles, sou gordo e tenho 70 anos.”

Você pode conferir as outras 60, em inglês, aqui.

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22/04/2007 - 09:29

Quem será a nova Dercy?

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A “Folha de S. Paulo” (para assinantes, aqui) traz neste domingo uma longa e ótima entrevista com Dercy Gonçalves, que completa 100 anos no próximo dia 23 de junho. A vedete se revela um personagem fascinante porque absolutamente contraditório: lutou anos contra certos preconceitos (como a velha história de que todas as atrizes eram putas), mas ajudou a propagar outros tantos (contra os homossexuais, por exemplo).

Quando a nossa Mae West se aposentar (o que parece estar longe de acontecer), ela deixará vago o trono de grande vedete cômica brasileira – essa instituição nacional que mistura humor e sacanagem. Existe alguma boa candidata a ocupar o lugar de Dercy? Difícil, porque as novas gerações de comediantes anda um tanto comportada. Quem sabe Maria Paula? Claudia Rodrigues talvez? Eu não descartaria Sabrina Sato.

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19/04/2007 - 23:40

Barrados no baile

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Falaram em “Cidade dos homens”, de Paulo Morelli. Em “Tropa de elite”, de José Padilha. Em “Não por acaso”, de Phillipe Barcinski. E também em “O passado”, de Hector Babenco. Mas, outra vez, o Brasil não emplacou um filme na competição oficial do Festival de Cannes. Por que o país não consegue entrar na festa mais badalada do cinema mundial?

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