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Arquivo de abril, 2007

19/04/2007 - 12:54

Uma câmera na mão e um massacre na cabeça

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Três posts abaixo, eu estranhava a divulgação excessiva de um vídeo feito por um amador com seu celular que tentava registrar o massacre em Virginia. Como as imagens no fundo não mostravam nada (e significavam muito pouco), sugeri que se tratava de um fetiche por uma imagem não-institucional, despertado pela disseminação (democratização?) das tecnologias digitais.

É claro que a mesma tese não se aplica aos vídeos que Cho Seung-hui realizou durante massacre e enviou à NBC. As imagens me parecem extremamente representativas da realidade em que vivemos. Elas são “the real thing”, como dizem os americanos Um fato, não um fetiche.

Como sempre nesse tipo de caso, existe uma acalorada discussão sobre a facilidade de se obter uma arma nos Estados Unidos. É um debate sempre válido e necessário, em qualquer parte do mundo. Mas não é o fato novo no massacre da Virginia. De tempos em tempos, surge (e continuará surgindo) um atentado parecido, nos EUA ou outro país, com armas legais ou não.

A novidade aqui é o vídeo. Parece-me mais interessante – e talvez mais importante e urgente – discutir não como ele conseguiu sua arma, mas por que ele decidiu gravar seu “manifesto” durante o massacre. A arma o transformou em um assassino único. A câmera revelou-o como representante de uma geração.

Seguindo um padrão psicológico comum nesses casos, Cho era solitário e silencioso, alguém que tinha enormes dificuldades para se comunicar com os outros. Ele só conseguia fazer “contato” com o mundo se tivesse um anteparo virtual. Antes do massacre, era a internet (onde ele assumia uma segunda personalidade). Durante, foram os vídeos (que realizou e distribuiu com espantosa naturalidade).

Descontada a psicopatia que levou ao massacre, será que Cho era tão diferente assim de outros jovens de sua geração? Na forma e em parte do conteúdo, seus vídeos são muitos parecidos aos depoimentos confessionais que se encontram aos tubos no YouTube, com o perdão do trocadilho infame.

Supõe-se que esse tipo de massacre é motivado por uma necessidade drástica de chamar a atenção dos outros. Nesse sentido, Cho foi muito bem-sucedido. Com os vídeos, ele conseguiu ampliar muitas vezes a repercussão de seu feito, virar um sucesso de audiência nas novas e nas velhas mídias e se tornar, enfim, um garoto popular.

Por alguns dias, Cho emprestará seu rosto para o pôster da revolução digital, aquela que fez a revista “Time” eleger Você como a Personalidade do Ano. Nesse momento, Cho é Você.

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18/04/2007 - 10:59

Mentiras cinematográficas

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As pessoas dizem que assisitiram a filmes que, na verdade, não viram para parecer mais inteligentes. Elas também escondem que gostam de produções consideradas bregas. E ainda citam gostam de certos títulos só para impressionar os outros.

Esses são os resultados de uma pesquisa da comunidade virtual myfilms.com feita com fãs de cinema na Grã-Bretanha, tema de reportagem do “Times” de Londres.

De certa forma, nós todos já sabemos que isso acontece, não só na Grã-Bretanha, como no mundo todo. O barato da pesquisa é revelar sobre quais filmes os britânicos mentem. Aí vai a lista:

Cinco filmes que as pessoas fingem ter visto:

1. “A lista de Schindler”

2. “O código Da Vinci”

3. “O poderoso chefão”

4. “Apocalypse now”

5. “… E o vento levou”

Cinco filmes que as pessoas fingem não admirar

1. “A noviça rebelde”

2. “Ghost”

3. “Dirty Dancing”

4. “Simplesmente amor”

5. “Harry Potter” (a série)

Cinco filmes que as pessoas citam para impressionar

1. “Um sonho de liberdade”

2. “À espera de um milagre”

3. “O senhor dos anéis” (a trilogia)

4. “O poderoso chefão”

5. “Cassino Royale”

E você, caro leitor, não quer aproveitar o anonimato que a internet oferece para confessar suas mentiras cinematográficas? Não é preciso fazer penitência depois.

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17/04/2007 - 15:30

Adeus a Nair Bello

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De Nair Bello, que morreu hoje aos 75 anos em São Paulo, fica a imagem de uma comediante natural, que não parecia fazer força para ter graça, que nunca se levava demasiadamente a sério, que se divertia com seu trabalho tanto quanto o público. Fica também a lembrança de um estilo de humor muito específico, meio paulistano, meio italianado, que na música, por exemplo, nos deu um Adoniran Barbosa. Um tipo raro, hoje em extinção, que vai fazer falta. Bello era não apenas uma comediante que dava gosto ver na TV, mas também uma pessoa que deixava a sensação de ser igualmente divertida na vida real. Porque, no caso dela, atriz e personagem eram sempre uma só.

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16/04/2007 - 23:14

Fetiche no massacre

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É impressionante o vídeo feito por um amador em seu celular sobre o massacre na Universidade Virginia Tech em que 33 pessoas morreram. Impressionante porque ele não mostra absolutamente nada, mas estava ontem em todos os noticiários de TV sobre o assunto – acompanhado de entrevistas com seu autor Jamal Albarghouti, que virou uma celebridade instantânea.

Talvez o vídeo possa servir de prova na investigação policial – porque registra o barulho dos tiros. Como imagem jornalística ou cinematográfica, não tem nenhuma importância (ao contrário, por exemplo, do vídeo da morte de Saddam Hussein). Em outros tempos, ela seria simplesmente descartada por falta de interesse.

O caso mostra que esse fetiche tecnológico por uma imagem não-institucional – produzida por um indivíduo, não por uma empresa de comunicação – talvez tenha ido longe demais. Ou havia algo ali naquele vídeo que eu não consegui enxergar?

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15/04/2007 - 10:07

Uma ficção conveniente

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“Uma verdade inconveniente”, o premiado documentário sobre o alerta de Al Gore sobre os perigos do aquecimento global, acaba de ganhar uma resposta cinematográfica, segundo o “New York Times”.

Nesta semana, “Uma verdade inconviente… Ou uma ficção conveniente?”, que questiona as conseqüências devastadoras do problema apontadas no filme do ex-vice-presidente, teve sua estréia mundial em São Francisco.

A estrela do novo documentário é Steven F. Hayward, um acadêmico do núcleo conservador American Enterprise Institute. “Eu concordo que a temperatura está subindo e que nós temos responsabilidade por isso. Eu discordo do pessimismo generalizado de Gore”, afirma Hayward.

No filme, que também é o registro em película de uma palestra, Hayward chama o ex-vice-presidente de “extremista do meio-ambiente”, diz que “o clima é um assunto importante demais para ser deixado nas mãos de ambientalistas” e ironiza a cena em que Gore usa uma plataforma elevatória para ilustrar a subida das temperaturas. “Vou poupar energia e usar a escada”, ele diz, em uma tirada que arrancou aplausos do público na pré-estréia.

Pelo visto, a direita americana estudou os métodos cinematográficos de Michael Moore. Nesse caso, o da palhaçada demagógica.

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14/04/2007 - 12:59

O novo Bruce Lee?

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Os fãs das artes marciais aguardam a aparição de um “novo Bruce Lee” com a mesma expectativa com que nós, amantes do futebol, esperamos o surgimento do herdeiro de Pelé.

Segundo o Hollywood Reporter, há um novo candidato ao trono deixado vago por Lee. E desta vez ele não é um chinês, como Jackie Chan ou Jet Li.

Com apenas dois filmes como protagonista (“Ong Bak” e “Tom Yum Goong”), o tailandês Panom Yeerum – ou Tony Jaa, como é conhecido nos Estados Unidos – tornou-se o maior astro da incipiente indústria cinematográfica de seu país e uma das maiores promessas internacionais dos filmes de artes marciais.

Como Jackie Chan, Jaa segue a velha escola do gênero: não usa dublês ou fios invisíveis – o que automaticamente o separa da moda dos filmes fantasiosos como “O tigre e o dragão” ou “Herói”. Mas Jaa parece ser ainda mais acrobático e elástico do que o Chan dos velhos tempos.

Para entender a alegria dos fãs de artes marciais, vale a pena dar uma olhada no vídeo abaixo, com cenas de filmes, de ensaios e participações em programas de TV. Impressionante.

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12/04/2007 - 23:57

O anti-“Código Da Vinci”

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“Maria”, filme de Abel Ferrara que estréia hoje no Brasil, tem um ponto de partida muito semelhante ao de “O código Da Vinci”: a idéia de que Maria Madalena foi uma figura histórica mais importante e mais íntima de Jesus Cristo do que a Igreja Católica nos quer fazer crer. De resto, porém, eles não poderiam ser mais diferentes.

De resto, porém, os filmes não poderiam ser mais diferentes. Embora tenha sido lançado alguns meses antes, “Maria” pode ser visto como a resposta do bom cinema ao marketing de “O código Da Vinci” (e, em menor grau, a outros equívocos recentes como “A Paixão de Cristo” ou “Jesus – A história do nascimento”).

“O código Da Vinci” contenta-se em ser uma ilustração resumida do livro de Dan Brown que o originou, em que um simbologista e uma criptóloga descobrem que Maria Madalena teria se casado com Jesus e gerado descendentes, algo que a ordem religiosa Opus Dei tenta esconder a todo custo. É um filme convencional, que recorre às fórmulas do thriller policial para encobrir os buracos de sua tese central.

Já “Maria” é uma bem-sucedida mistura de filme narrativo e ensaístico, que prefere semear a dúvida a empurrar certezas. Sua primeira cena é a de um filme dentro do filme, supostamente uma adaptação do Evangelho de Maria. Nele, Maria Madalena surge como o apóstolo mais próximo de Jesus (mas não como sua mulher), o único a quem ele teria revelado certos segredos, algo que é questionado por Pedro.

Esse filme dentro do filme será o ponto de intersecção entre os três protagonistas de “Maria”. A atriz Marie Pilesi (Juliette Binoche), que interpreta Maria Madalena, fica de tal forma obcecada com sua personagem que decide permanecer em Jerusalém após o término das filmagens para buscar algum tipo de iluminação espiritual. O diretor Tony Childress (Matthew Modine), que também interpreta Jesus, vê seu filme ser alvo de protestos e ameaças da comunidade católica, inconformada com o revisionismo que ele promove com o Novo Testamento.

O último vértice do triângulo é o jornalista Ted Younger (Forest Whitaker), que apresenta um programa de TV sobre a vida de Jesus Cristo e tenta marcar entrevistas com Pilesi e Childress. Sua dedicação ao trabalho (e a outras mulheres) leva a um desgaste em seu casamento com a esposa grávida, que acaba dando à luz a um menino com problemas de saúde quando Ted está ausente.

A questão central de “Maria” é o desejo ou a necessidade de ter fé, e cada personagem lida com a questão de maneira distinta. Marie consegue sair de sua crise pessoal ao abraçar a religião; Tony permanece descrente mesmo depois de interpretar Jesus; Ted só recorre a Deus quando se sente culpado pela doença do filho.

Cineasta católico por formação e feminista por escolha, Ferrara (“Vício frenético”, “Olhos de serpente”) não esconde sua preferência pela iluminada Marie e seu desprezo pelo narcisista Tony; ao pecador arrependido Ted (talvez a figura mais próxima de um alter ego de Ferrara), ele abre a possibilidade de redenção.

Para alguns colegas de crítica que respeito muito, “Maria” não é apenas a volta por cima de Ferrara (que não realizava um filme memorável há alguns anos), como também uma obra-prima do cinema contemporâneo, com várias fios narrativos muito bem urdidos (o filme dentro do filme, as entrevistas de Ted, as histórias dos protagonistas).

Eu acredito que o filme poderia chegar a tanto, se não fosse seu terço final. O cineasta nos oferece três personagens com trajetórias fascinantes. Mas não nos dá indícios suficientes para acreditar na ligação íntima que se estabelece entre eles. Para um filme sobre a crença, é um pecado – mas certamente não tão grande quanto os de “O código Da Vinci”.

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12/04/2007 - 17:27

Tarantino e Rodriguez no Brasil

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O blog Ilustrada no Cinema traz uma boa notícia para os fãs de Quentin “Kill Bill” Tarantino e Robert “Sin City” Rodriguez.

Os dois cineastas vêm ao Brasil para lançar o projeto duplo “Grindhouse”, com um episódio dirigido por Tarantino e outro por Rodriguez. As datas das visitas e das estréias ainda não foram confirmadas, mas elas devem ocorrer no segundo semestre.

Nos Estados Unidos, a sessão dupla não foi bem nas bilheterias. Por isso, o produtor Harvey Weinstein pretende relançar os filmes isoladamente.

No resto do mundo, incluindo o Brasil, já está previsto que o lançamento será desmembrado. “Prova de morte”, de Tarantino, e “Planeta terror”, de Rodriguez, serão exibidos em sessões separadas, e a estréia de um ocorrerá com três meses de distância em relação ao outro.

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11/04/2007 - 12:55

A pornografia da tortura

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Em entrevista à National Public Radio (ouça aqui), o crítico A.S. Hamrah aponta uma nova tendência no cinema americano: os filmes de tortura. Segundo ele, a nova onda não se resume mais a filmes de horror, como “Jogos mortais 3” e “Turistas”, e pode ser encontrada também em seqüências de produções “mainstream”, como “Cassino Royale” e “Apocalypto”.

Hamrah diz ser “significativo” que a tendência tenha surgido após as denúncias de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, e na basa naval americana de Guantanamo, em Cuba. Para o crítico, a mais perturbadora característica da maioria desses filmes é que eles fazem o público se identificar com a figura do torturador, não do torturado. A mesma teoria já foi aplicada à série “24 horas” em uma reportagem da revista “The New Yorker”.

Mas, em um artigo escrito há alguns meses para o “Los Angeles Times” intitulado “Nós adoramos torturar”, Hamrah vê diferenças entre os significados da tortura em cada filme. Em ‘Jogos mortais’, ela é uma espécie de terapia boa e necessária para as vítimas. Em “Turistas”, é um ato de justiça do Terceiro Mundo contra garotos estúpidos do Primeiro. Em “Cassino Royale”, é uma “brincadeira de vestiário” entre o vilão e James Bond. E, em “Apocalypto”, tortura é transcendência.

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10/04/2007 - 08:09

“Família Soprano” em 7 minutos

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Os americanos Paul Guylias and Joe Sabia se consideram os fãs número 1 de “Família Soprano”. Eles gastaram 100 horas de sua vida para condensar as seis primeiras temporadas da série em um vídeo de sete minutos divulgado no YouTube.

Quem conhece “The Sopranos” a fundo (não é o caso deste blogueiro) garante que nenhuma trama importante dos últimos seis anos ficou de fora. Além de recontarem o básico da história da série, Guylias e Sabia (que têm menos de 25 anos) expressam opiniões e fazem piadas com os personagens.

Para Virginia Heffernan, crítica de TV do jornal “New York Times”, o vídeo é não apenas um belo ato de devoção a um programa de TV, mas uma obra de arte em si. Matt Weiner, um dos produtores-executivos de “Família Soprano”, diz que Guylias e Sabia podem ser os dois únicos espectadores que entendem toda a complexidade da série.

A sétima e última temporada de “Família Soprano” começou anteontem nos Estados Unidos. Para quem perdeu algo das seis anteriores, recomendo ver o vídeo de Guylias e Sabia abaixo.

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