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29/05/2007 - 10:15

A bola da vez

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Volto das minhas folgas e vejo que o romeno “4 meses, 3 semanas e 2 dias” ganhou no domingo a Palma de Ouro no Festival de Cannes. A premiação foi a crônica de uma vitória anunciada. Não apenas porque o longa de Cristian Mungiu foi apontado como um dos favoritos desde sua exibição no segundo dia de competição, mas porque a Romênia já vinha levando prêmios importantes nas mostras paralelas de Cannes nos últimos dois anos – comendo pelas beiradas para chegar à Palma de Ouro.

Em 2005, “A morte do senhor Lazarescu” ganhou a mostra Un Certain Regard. No ano passado, “A Leste de Bucareste” levou a Cámera d’Or”. Neste, além da Palma de Ouro para “4 meses…”, houve a premiação de “California Dreamin”, novamente na Un Certain Regard, filme inacabado por conta da morte de seu diretor em um acidente de carro.

Se Cannes é a principal biruta a indicar para que lado sopram os ventos do chamado cinema de autor, então essa seqüência de resultados não deixa dúvidas. A Romênia é a bola da vez – como antes foram o Extremo Oriente e a Argentina. Há um dado que torna esse fato novo ainda mais surpreendente: o país do Leste Europeu produz em média apenas dez longas por ano.

A título de comparação, 73 filmes brasileiros estrearam em circuito comercial no ano passado; não houve premiações relevantes na trinca dos maiores festivais (Cannes, Veneza e Berlim). Diferentemente da pequena Romênia, o Brasil não consegue ter presença contínua e significativa no mercado do cinema de autor (a expressão é menos paradoxal do que aparenta).

Alguns posts abaixo, comparei a força industrial do cinema sul-coreano com a fragilidade do brasileiro. Agora, falo da presença dos romenos em grandes festivais para contrastar com a ausência dos brasileiros. Essas comparações são injustas? Sim, quase sempre. Mas elas dão o que pensar. Ou pelo menos deveriam.

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3 comentários para “A bola da vez”

  1. Fabio Negro disse:

    Cinema romeno, belga, russo, iraniano, polonês, sul-africano, mongol, filipino… bastante barulho, pouco público.

    Os cinemas coreano, chinês e japonês continuam sendo a força POPULAR a enfrentar o eixo euro-americano.

  2. Saladino disse:

    A Morte do Senhor Lazarescu eu vi na Mostra. Excelente filme, e acho que poderia passar fácil, fácil no circuitão.

  3. sonhadora disse:

    É….comparações que dão o que pensar. Como no caso do Concurso Miss Universo, tb. dá o que pensar.

Os comentários do texto estão encerrados.

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