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30/05/2007 - 23:56

A violência é tão fascinante

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O filme de serial killer tornou-se um gênero à parte no cinema hollywoodiano. Já originou clássicos antigos (“Psicose”) e modernos (“O silêncio dos inocentes”), além de inúmeros derivados pouco memoráveis, da série “Jogos mortais” a “Monster – Desejo assassino”.

Nesse cenário, “Zodíaco”, que estréia amanhã no Brasil, irá ocupar um lugar de destaque. O filme de David Fincher (“Clube da luta”) renova o gênero com uma novidade simples, mas significativa: em vez de enfocar o criminoso ou seus atos de extrema violência, o cineasta prefere dissecar o estranho encanto que essa figura desperta no imaginário das pessoas – em particular, dos americanos.

O filme baseia-se em uma história real: na São Francisco da virada dos anos 60 para os 70, um sujeito que se identifica como Zodiac envia cartas para três jornais da região assumindo a autoria de dois crimes e ameçando cometer novos caso não publiquem seu texto (que inclui uma mensagem cifrada). A divulgação das cartas cria um pandemônio na Califórnia.

No “San Francisco Chronicle”, a história passa a ser investigada pelo repórter Paul Avery (Robert Downey Jr., brilhante), mas quem mais se interessa pelo Zodiac é o cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), um fã de charadas (que terminaria por escrever dois livros sobre o assunto que serviram de base para o filme). Na polícia, o caso cai nas mãos do lendário detetive David Toschi (que inspirou o Dirty Harry de Clint Eastwood) e de seu colega William Armstrong (Anthony Edwards).

Com o tempo, a história torna-se cada vez mais complicada. Os jornalistas e policiais passam a desconfiar que nem todas as cartas enviadas à imprensa foram escritas pelo Zodiac e que os crimes que ele assumiu não foram cometidos pela mesma pessoa. De repente, o assassino desaparece – e a investigação é encerrada. Apenas Graysmith e Toschi continuam tentando decifrar a identidade do serial killer. Eles chegam ao nome do mesmo suspeito, mas nunca conseguem provar sua culpa. Por causa da compulsão pelo caso, eles arruinam suas carreiras e suas relações pessoais.

Curiosamente, “Zodíaco” é comandado pelo mesmo diretor de “Seven – Os 7 Crimes Capitais” (1995), que ajudou a definir as convenções e clichês do filme de serial killer – a começar pela idéia de um criminoso doentiamente genial. Mas, apesar da semelhança de temas, os dois filmes não poderiam ser mais diferentes nos enfoques. No lugar dos sustos fáceis e da direção pirotécnica, Fincher nos oferece agora um estudo sóbrio e detalhado, em estilo quase documental, sobre o fascínio e o horror que os serial killers inspiram – e sobre como esses sentimentos afetam a vida das pessoas que investigam os crimes.

De certa forma, “Zodíaco” é o filme de serial killer que explica a existência do filme de serial killer. Por suas discretas virtudes e pela forma como permanece com o espectador depois do fim da projeção, ele merece figurar ao lado de “Psicose” e “O silêncio dos inocentes” entre os grandes do gênero.

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30 comentários para “A violência é tão fascinante”

  1. flavio disse:

    O Robert Downey Jr é sempre genial. Serve, inclusive, como parâmetro, pois basta vê-lo ao lado de qualquer outro ator para se ter idéia do que é talento e capacidade artística. O filme sobre o Chaplin (embora seja clichê falar sobre isso) é simplesmente irretocável. Ele e o Jonny Depp fazem (quase) qualquer filme valer a pena.

  2. Eu disse:

    Puta merda!!!
    Neguim dizer que jogos mortais é filme bom, tenso, etc… Aquilo é uma comédia das mais chinfrins… Tem gente que entende de cinema igual eu entendo de física quântica, ou seja, porra nenhuma…

  3. Anderson disse:

    Eu gostei do Jogos Mortais 1, dá licença. Brincadeira, nego acha que se ele não gostou de um filme quem gostar é idiota. Faça-me o favor.

  4. Conselho disse:

    Oi Murilo. Concordo em muito com Vc. De fato os gostos sao diferentes e aprendemos muito com a critica (e com seu post tambem), mesmo quando nao concordamos com ela.

    A diferenca entre um blog e a critica convencional eh que ele permite a interacao dos leitores. Antigamente o critico elogiava no jornal, o leitor acreditava (ou nao) e ia dar uma verificada no filme. Depois, concordava ou nao.

    Hoje, com a internet e o formato de blog, o leitor pode ouvir outras opinioes e ter uma ideia melhor antes de investir sua tarde de domingo entre uma comedia romantica e um filme de suspense (por exemplo), dependendo da ideia previa que fizer dos filmes especificos em questao.

    Uma coisa que me fez discordar da critica aqui do “Olha so” eh que, alem de gostar de enredos inteligentes (ateh mesmo aqueles considerados “cabeca”), acredito que um componente essencial em qualquer filme eh o entretenimento que ele proporciona.

    Esse entretenimento vem do conjunto do roteiro, da tecnica de corte, sonoplastia, atuacao etc, etc, etc. Mal comparando, eh como ler um livro bem editado, onde o tamanho da fonte, espacamento dos paragrafos, pontuacao (alem do conteudo) tambem influenciam no ritmo da leitura, proporcionando uma experiencia mais agradavel ou nao.

    No conjunto, nao gostei do Zodiaco, mas eh so a minha opiniao.

    Grande abraco.

  5. Conselho disse:

    Sobre a parte “veja/nao veja” do seu post, pra mim eh um tanto quanto controversa.

    Temos tao pouco tempo nessa vida para tanta informacao, que a critica poderia servir como base para otimizarmos o nosso curto tempo nesse planeta.

    Por isso o formato de blog e a interacao de varios pode ajudar nessa tarefa.

  6. moco disse:

    Só comentário bosta aqui hein! Vão tomar nos seus cus. Cambada de pseudo-intelectomentalóides.

  7. herbert disse:

    acho q fiko com o desenho dos cavaleiros do zodiaco mesmo !!

  8. herbert disse:

    acho q fiko com o desenho dos cavaleiros do zodiaco mesmo !!

  9. herbert disse:

    acho q fiko com o desenho dos cavaleiros do zodiaco mesmo !!

  10. zeluis disse:

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