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31/05/2007 - 22:05

Um amor na Transylvania

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Para este blogueiro, “Exílios” foi um dos melhores filmes exibidos no Brasil em 2005. Também representou a tardia descoberta do cineasta franco-argelino Tony Gatlif, que já tinha um certo renome na Europa desde “Gadjo dilo” (1997).

Agora chega ao Brasil “Transylvania”, novo filme de Gatlif. Apesar de inferior a “Exílios”, o longa confirma o cineasta como um dos autores mais vitais do cinema atual e preserva as principais virtudes de sua obra: direção e atuações marcadas pelo improviso e liberdade; histórias de amor inusitadas e não-sentimentais; olhar atento aos conflitos étnicos europeus (com destaque para o preconceito contra os ciganos); e música de primeira qualidade, composta pelo próprio Gatlif.

O cenário de “Transylvania” é novamente o interior da Romênia, o mesmo de “Gadjo dilo”. Para lá ruma a desequilibrada Zingarina (Asia Argento), atrás do namorado de quem está grávida. Mas ele a rechaça no primeiro reencontro. Ela acaba pegando carona com o trapaceiro Tchangalo (Birol Unel), comerciante que corre o país comprando ouro a preços irrisórios. Depois da desconfiança inicial, os dois aos poucos cedem ao desejo e depois ao afeto.

Como nos outros filmes do diretor, a liberdade narrativa às vezes se confunde com falta de rumo, e o improviso dos atores leva a diálogos sofríveis. Mas o carinho pelos personagens e a energia das cenas de música e dança compensam os problemas pontuais – o que talvez aproxime a obra de Gatlif à do iugoslavo Emir Kusturica. “Transylvania” pode ser um pequeno filme imperfeito, mas tem um contagiante entusiasmo pela vida.

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