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Arquivo de junho, 2007

28/06/2007 - 18:42

Olha só o endereço novo

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Como outros colegas aqui do NoMínimo, manterei o Olha só em funcionamento, mas com novo endereço. A partir de amanhã, o blog passará a ser atualizado, sempre que possível diariamente, no www.ricardocalil.com.br. Foi um prazer conhecê-los aqui. Ficarei feliz de reencontrá-los lá. Obrigado pela leitura e pelos comentários. Um abraço do Ricardo.

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28/06/2007 - 00:01

Eu, Serginho Chulapa

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Quando me convidei para escrever os primeiros textos sobre cinema para o NoMínimo nos idos de 2002 (sim, este é um texto confessional e laudatório; pode parar por aqui se o seu estômago ficou embrulhado), eu nunca tinha visto, ao vivo pelo menos, a cara de nenhuma das pessoas do site. Não tinha participado da experiência seminal do No. na época da bolha. Não havia freqüentado a histórica redação do “JB” dos 80. Nem do Rio, caramba, eu era, embora estivesse morando na cidade havia alguns meses. E, mesmo assim, fui chamado para me tornar colunista fixo, em um par de semanas. Até hoje, essa ainda é a maior prova, para mim, do espírito inclusivo, democrático, anti-panela e não-aristocrático do NoMínimo.

O convite fez bem a um ego combalido e deu prumo a uma carreira desnorteada. Eu decidi me reinventar como crítico de cinema – algo que já tinha experimentado em outras publicações, mas de forma pouco sistemática, quase diletante. Muita gente boa caiu no truque, dos editores aos leitores (nem todos: o Fabio Negro sempre soube que eu era um impostor; vocês deveriam ter dado mais atenção a ele, agora talvez seja tarde).

Sob o risco de ser acusado de falsa modéstia pelos desinformados, sempre tive plena consciência de qual foi meu grande trunfo no NoMínimo: a companhia dos outros colunistas me fez parecer melhor do que eu era. Se considerarmos apenas os Ricardos do site, fui o medalha de bronze – com o alto do pódio dividido pelo Kotscho e o Setti. Para uma metáfora esportiva mais precisa, diria que me senti como o Serginho Chulapa na seleção de 1982. Peladeiro deslocado em meio aos craques. Um jogador que fazia gols de canela, distribuía carrinhos e brigava com o juiz, na afobada tentativa de justificar sua presença em campo. Nem por isso fui recriminado pelos técnicos, jamais.

Os editores do NoMínimo trabalham com uma estranha premissa: se confiam no seu taco, eles te remuneram para escrever o que quiser (o que significa que os erros aqui cometidos foram só meus). Isso vai na contramão da média do jornalismo brasileiro atual – que acredita que um salário menor compensa um talento menor, que os profissionais devem seguir o padrão e a ideologia da casa. Aqui, mais de uma vez descobri que havia escrito algo negativo sobre um amigo dos editores. Meses mais tarde. E da boca de alguém de fora do site. Onde mais isso é possível?

Se você viu alguns filmes sobre jornalismo, deve imaginar como é uma redação: uma tensão constante no ar, jornalistas sempre em busca de um furo. A realidade é bem menos interessante: há gente enfadada por todos os lados, reclamando da profissão e da chefia em tempo quase integral. A redação do NoMínimo na ladeira da Glória, que freqüentei por um período curto, era diferente: quase não havia estresse ou tédio. Sou obrigado a confessar que muitas vezes eu me sentia contente de ir ao trabalho – o que é quase um pecado nessa profissão.

A razão era, claro, a turma do site. O NoMínimo era único por não haver ali naquela salinha uma só pessoa que não fosse especial, interessante, inteligente. E não estou falando apenas do “núcleo duro” da edição (Alfredo, Xico, Sérgio, Pedro, Ryff), mas também do grupo que nos dava sossego e estrutura para escrever (Anita, Elisângela, PA, Marcello, Paulinho). Se estes últimos botassem no ar metade das tiradas que soltavam ao longo do dia, o resultado seria tão saboroso quanto qualquer blog ou coluna do site. Além de tudo, todos sempre se mostraram muito compreensivos com minhas esquisitices: paulistano, vegetariano, meio caladão e admirador de filmes obscuros.

Se eu tivesse de destacar uma só pessoa nessa trajetória, mesmo correndo o risco de cometer uma injustiça com um projeto coletivo, teria que ser o Alfredo Ribeiro, o sujeito que me chamou para trabalhar aqui. Figura curiosíssima – ex-hippie de gostos sofisticados, bon vivant workaholic –, ele me ajudou a entender finalmente a hospitalidade do carioca e me fez gostar ainda mais do Rio no tempo que passei lá. Hoje o cara e a cidade se confundem um pouco na minha cabeça. Eu só me permito puxar o saco do patrão assim descaradamente porque ele deixará de sê-lo em alguns dias – e também porque nunca o enxerguei apenas como um chefe.

Por alguns anos, Alfredo e a turma do NoMínimo me permitiram fazer algo cada vez mais raro: ser feliz na profissão e pagar as contas – ao mesmo tempo! E o pior é que a experiência me deixou mimado, com vontade de prolongar esse luxo para o resto da minha carreira. Se possível, na companhia dos amigos do site. Espero, torço e até tramo para que as pessoas daqui continuem trabalhando juntas. E também para que eu seja novamente convocado, apesar das caneladas. Até o Serginho Chulapa merece uma segunda chance.

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27/06/2007 - 19:18

Dentro da casa do “Big Brother”

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No final da última edição do “Big Brother”, publiquei aqui trechos de um artigo do crítico Eduardo Valente, da revista Cinética, intitulado “Por que eu assisto ao Big Brother Brasil?” A nota sobre o texto, que considero a melhor análise do programa feita na imprensa brasileira, foi um dos posts mais comentados da história do Olha só.

No aniversário de 1 ano da Cinética, Valente publicou um novo texto sobre o programa, agora narrando sua visita aos bastidores da produção – que foi feita a partir de um convite do apresentador Pedro Bial e com o compromisso de cumprir uma espécie de “quarentena” para a publicação. Apesar de temporão, o texto é essencial para quem se interessa pelo programa (caso deste blogueiro), por esclarecer uma série de pontos sobre sua lógica interna, a partir de um ponto de vista privilegiado. Tomo mais uma vez a liberdade de reproduzir um trecho:

Uma coisa que me impressionou no BBB foi justamente a ausência de grandes “reuniões de roteiro”, que eu imaginava acontecerem frequentemente entre os principais “cabeças” do programa: toda a narrativa se articula de maneira muito mais orgânica do que pensada. De fato, a sensação que fica após um dia acompanhando os trabalhos é que no Big Brother Brasil o verdadeiro autor é uma máquina – não no sentido de um frio equipamento sem cérebro, mas sim um coletivo de pessoas que funciona com tal “azeitamento” que parece um grande organismo vivo.

Claro, como no nosso corpo, este organismo tem um cérebro, e nisso não resta dúvida que estamos falando de Boninho. Mas até este fato é significativo, pois, como cérebro, Boninho é profissional de uma linhagem claramente anti-intelectual: aos conceitos, prefere impor os sentidos aguçados da experiência, trabalhando de maneira quase instintiva. Exerce inconfundível liderança dentro da casa (…), mas ao mesmo tempo não parece tanto um mastermind daquele jogo, e sim muito mais um habilíssimo gerente – de pessoal, de conteúdo, de logística.

A íntegra do texto pode ser conferida aqui. Leitura altamente recomendável.

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26/06/2007 - 15:19

Os melhores finais do cinema

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Esta não é uma homenagem ou uma citação ao Todoprosa, o excelente blog do meu colega Sérgio Rodrigues. É um plágio descarado mesmo. “Inspirado” pela relação que ele fez dos grandes finais da literatura, decidi fazer o mesmo com o cinema, já no clima de despedida do NoMínimo.

Como tudo relacionado ao universo dos filmes, existem várias listas das melhores cenas finais do cinema, como a do site Filmcritic.com com 50 títulos. Minha lista será mais modesta, com apenas três filmes, seguindo critérios afetivos, uma constante no Olha só.

Do cinema americano clássico, “Quanto mais quente melhor” (1959), do genial Billy Wilder. Sim, é o famoso do “Ninguém é perfeito” (frase muito apropriada para este blog):

Do cinema americano recente, “Antes do pôr-do-sol” (2004), de Richard Linklater. Mas desconfio que qualquer cena com Julie Delpy fazendo biquinho entraria nas minhas antologias.

Para terminar, “Os incompreendidos” (1959), de François Truffaut, com a fuga do personagem Antoine Doinel. Não é apenas meu final preferido, como também uma das cenas mais homenageadas da história do cinema. No Brasil, ela foi citada em “Abril despedaçado” e “Os 12 trabalhos”.

Antes da despedida, aproveito para dizer que este blog também continuará. Como Sérgio Rodrigues, darei os detalhes em breve. Nesse meio tempo, diga o seu final preferido do cinema.

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25/06/2007 - 09:55

Se não pode vencê-los, compre-os

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A história parece familiar para os usuários de vídeos online: fãs criam um vídeo paródico usando material pirateado de um estúdio e o lançam no YouTube, e os advogados do estúdio rapidamente conseguem tirá-lo do ar por violar a lei dos direitos autorais. Mas, dessa vez, o time de marketing do estúdio volta atrás – e até paga para os fãs republicarem o vídeo.

Assim o “The New York Times” resume a estranha história do clipe de uma música em homenagem a “Duro de matar”. Em agosto do ano passado, o grupo Guyz Nite colocou o vídeo no YouTube, usando trechos dos três filmes da série. Em poucos dias, o departamento jurídico da Fox obrigou o site a removê-lo.

Neste ano, com a proximidade do lançamento de “Duro de matar 4.0”, o estúdio decidiu usar o clipe como parte da campanha promocional do filme. Entrou em contato com a banda, pagou algum dinheiro para colocar o velho vídeo no ar e também para criar uma nova versão, com mais trechos dos filmes e mudanças na letra da música.

O velho vídeo já foi visto 100 mil vezes no YouTube; o novo, 90 mil. A Fox cogita colocar este último como extra do DVD de “Duro de matar 4.0”, ao lado de uma entrevista com os membros da banda. Moral da história: se não pode vencê-los, compre-os.

“Duro de matar 4.0” estréia no Brasil em agosto, com o indefectível Bruce Willis novamente à frente do elenco. Abaixo, o clipe da nova versão da música.

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23/06/2007 - 21:49

Hollywood vai ao Oriente Médio

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Certos temas candentes demoram algum tempo para deixar de ser tabu em Hollywood. Isso ocorreu, por exemplo, com os atentados do 11 de Setembro. Foram necessários quatro anos para que os grandes estúdios tivessem coragem de fazer filmes a respeito.

Agora acabou a quarentena para outro assunto proibido: os conflitos no Oriente Médio relacionados à guerra ao terrorismo. A “Variety” informa que há pelo menos oito novos filmes hollywoodianos que lidam direta ou indiretamente com o tema.

A produção mais cara é “The kingdom”, dirigido pelo ator Peter Berg e produzido por Michael Mann, sobre a investigação pelo FBI de um atentato a bomba na Arábia Saudita. Outro que deve chamar bastante atenção é “A mighty heart”, em que Angelina Jolie interpreta a viúva de Daniel Pearl, jornalista americano decapitado por terroristas no Paquistão.

Completam a lista “O caçador de pipas”, baseado no best seller de Khaled Hosseini e passado no Afeganistão; “In the valley of Elah”, dirigido por Paul Haggis (“Crash”); “Grace is gone”, protagonizado por John Cusack; “Lions for lambs”, de Robert Redford, com Tom Cruise; “Charlie Wilson’s war”, com Tom Hanks; e “Stop Loss”, com Ryan Phillippe. A maioria deles tem como um dos protagonistas algum integrante do exército que volta da guerra no Iraque ou no Afeganistão.

A parte interessante é que os filmes irão estrear um ano antes das eleições presidenciais americanas. Será que a visão anti-guerra que deve pautar a maioria dos filmes irá beneficiar de alguma forma os democratas? Ou será que, depois de tantas trapalhadas de Bush, eles poderão dispensar a ajuda de Hollywood?

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22/06/2007 - 22:42

O fim dos reality shows?

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Este é o começo do fim dos “reality shows”? A pergunta é feita pela “Newsweek” nesta semana. Os indícios: o cancelamento de “O aprendiz” americano, com Donald Trump, e as baixas audiências de “On the lot” e “Pirate master” – todos projetos capitaneados pelo produtor Mark Burnett, considerado o mestre do gênero (ele criou, por exemplo, o “Survivor”, que original o brasileiro “No limite”).

Pessoalmente, acho cedo para decretar a morte do “reality show”. Para o bem e para o mal, o gênero veio para ficar. Nos Estados Unidos, a prova disso é o “American idol”, programa de maior sucesso da TV no país. Por aqui, o “Big Brother” continua rendendo audiência, dinheiro e notícia, apesar de estar na sétima edição. Mas é verdade que o gênero causou um desgaste precoce – causado principalmente pela reciclagem de idéias com mínimas variações (mesmo problema que afeta Hollywood).

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21/06/2007 - 22:00

Dois lados da invasão hollywoodiana

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Nos comentários do post abaixo, iniciou-se uma discussão importante sobre a invasão dos blockbusters americanos nas salas de cinema brasileiras, a partir de uma nota do crítico Luiz Zanin para seu blog no portal do Estadão. Reproduzo abaixo o texto inicial do Zanin, que teve continuações em seu blog e repercussões no jornal “O Globo” e também no blog do Luís Nassif:

“Amigos, confiram esses dados e reflitam:

705 salas de cinema exibem Shrek 3
582 salas exibem Piratas 3
325 salas exibem Homem Aranha 3.

Este país aqui, que ainda atende pelo nome de Brasil, tem um total de 2.050 salas de cinema. Sobram, portanto, para todos os demais filmes, brasileiros e estrangeiros (inclusive norte-americanos de menor porte), 438 salas. Será que dá para pensar numa política de diversidade cinematográfica com uma invasão desse tipo, livre de qualquer regulamentação? É só uma pergunta. Se quiserem, ou puderem, respondam.”

Minha resposta à pergunta levantada pelo Zanin é não, não dá para pensar em diversidade cinematográfica sem regulamentação. Em diversos países europeus, ela não apenas existe, como garante a sobrevivência das cinematografias locais – sem que ninguém (fora os estúdios hollywoodianos, é claro) crie teorias conspiratórias sobre as intenções autoritárias dos governos ou faça previsões catastróficas sobre o fim da liberdades individuais.

Porém, há um outro lado da questão, também levantado nos comentários abaixo. O cinema brasileiro tem se mostrado incapaz de fazer filmes voltados ao grande público com um mínimo de qualidade e regularidade (enquanto isso, produções menores não concretizam todo seu potencial por problemas de distribuição e divulgação).

Portanto, os produtores do cinema dito “comercial” não devem perguntar apenas o que o governo deve fazer contra Hollywood, mas também o que eles podem fazer pelo público. Essa não é uma história de vilões e mocinhos. Os americanos estão apenas desempenhendo seu papel de potência econômica. Agora os brasileiros – governo e cineastas – precisam fazer sua parte.

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20/06/2007 - 20:57

As piores cenas da história

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No YouTube, um hilário vídeo reúne as piores cenas da história do cinema em seis categorias: seqüência de morte, trabalho de dublê, reação de personagem, interpretação, diálogo desnecessário e efeitos especiais. “Shark attack 3” tem o privilégio de ser o único ganhador em mais de uma categoria (as duas últimas).

Nessas horas, dá um certo alívio saber que o cinema brasileiro não é tão conhecido internacionalmente.

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19/06/2007 - 21:31

O surpreendente sucesso do filme-mosteiro

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“Into Great Silence”, documentário do alemão Philip Groening sobre monges franceses, tornou-se o mais inesperado sucesso do ano nos cinemas de arte europeu.

O filme se passa no mosteiro de Grande Chartreuse, nos Alpes da França, e registra ao longo de seis meses o dia-a-dia dos religiosos da ordem dos cartuxos, conhecidos por seu ascetismo e silêncio quase absoluto. Em quase três horas de duração, há apenas alguns minutos de diálogos e cantos. De resto, não existe música, narração ou entrevistas.

Mal recebido pela crítica, “Into Great Silence” entrou em cartaz em um punhado de salas na Inglaterra por tempo limitado. Mas, assim que saiu de cartaz, a distribuidora e os cinemas começaram a receber ligações de pessoas perguntando “pelo filme dos monges”. O mesmo aconteceu na França, Itália e Alemanha. Em todos os países, o filme voltou aos cinemas graças aos pedidos do público.

Os bastidores da produção são tão interessantes quanto sua história de sucesso. Groening pediu permissão para filmar em Grande Chartreuse pela primeira vez em 1984. O superior do mosteiro só deu a autorização 19 anos mais tarde – desde que o cineasta não usasse luzes artificiais e não trouxesse assistentes. Groening passou seis meses no local. A edição levou dois anos e meio.

Sobre o projeto, Groening declarou ao jornal britânico “The independent”: “Eu queria fazer um filme que se tornasse um mosteiro, em vez de mostrar um. Queria que o público experimentasse como o tempo diminui seu ritmo ali e como isso afeta o espírito dos monges.”

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