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11/07/2007 - 15:47

Resnais em grande forma

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Mais uma vez, peço perdão pela ausência de um par de dias.  Days of being wild. Volto a aparecer por aqui para recomendar muitíssimo “Medos privados em lugares públicos”, o novo filme do mestre francês Alain Resnais, que estreou no Rio na semana passada e chega a São Paulo nesta sexta. Abaixo, reproduzo minha crítica do filme para a revista “Bravo!”:

Para quem associa o nome de Alain Resnais aos inovadores e intrincados experimentos narrativos de “Hiroshima, meu amor” (1959) e “O ano passado em Marienbad” (1961), o novo filme do mestre francês será uma surpresa. À primeira vista, “Medos privados em lugares públicos” (2006) é um trabalho acessível e até mesmo despretensioso, na linha dos mais recentes “Smoking/ No smoking” (1993) e “Amores Parisienses” (1997). Se levarmos em conta apenas a sinopse, estamos no confortável território da comédia romântica. Mas o filme é muito mais que isso.

“Medos privados” acompanha seis personagens à procura de um amor no inverno de Paris, com histórias afetivas que se entrelaçam como no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade. Charlotte cuida do pai doente do barman Lionel, que tem como cliente mais assíduo o ex-militar Dan, que vive uma crise em seu relacionamento com a namorada Nicole, que procura um apartamento com o agente imobiliário Thierry, que tem como irmã a solitária Gaëlle e sente-se atraído por sua colega Charlotte. E, assim, está fechada a ciranda amorosa do filme. Nos papéis principais, estão os atores preferidos de Resnais em sua fase mais recente: a sempre encantadora Sabine Azéma, Pierre Arditi, Lambert Wilson, Laura Morante, André Dussollier e Isabelle Carré.

Como se trata de uma obra de Resnais, o cineasta substitui o otimismo primaveril da comédia romântica por um fatalismo invernal, em que as relações estão fadadas ao desencontro. Até mesmo o humor do filme está impregnado de uma certa melancolia, representada pela neve que cai constantemente sobre Paris e que aparece como uma espécie de vinheta em todas as transições de cena. Além disso, o filme tem uma sofisticação visual e uma qualidade geral de interpretação que o distanciam das comédias descartáveis recentes.

Ao final, descobre-se que a simplicidade de “Medos privados em lugares públicos” é ilusória e que o filme não está assim tão distante de “Hiroshima” ou “Marienbad”. Como naqueles clássicos, os personagens são assombrados por relações do passado e se revelam incapazes de se conectar por completo. Resnais apenas retoma seus temas preferenciais (o tempo, a memória, as relações amorosas) com ousadias formais mais discretas (que podem ser observadas, por exemplo, na linda cena em que parece nevar dentro do apartamento de Lionel). Como os personagens de “Medos privados”, os filmes de Resnais também formam uma ciranda. Aos 85 anos, o cineasta continua não apenas lúcido e coerente. Ele ainda é moderno.

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13 comentários para “Resnais em grande forma”

  1. George Cú-Ney disse:

    Só passei aqui pra mandar todos estes filhos das putas desocupados, tomarem no meio de seus cús fedidos.

  2. Djalma Toledo disse:

    Ricardo Calil —- Agora é sério

    Eu assisti em Aracaju o filme ” CONTOS INDECENTES DE PASOLINE ” foi realizado por um outro diretor amigo de Pasoline ( não lembro agora o nome) e após o assassinato de Pasolini.

    Ocorre que a ninguém que pergunto aqui no Rio ou na Net tem conhecimento desse filme.

    Sabe algo disso ?

  3. shirlei horta disse:

    Nossa… Alain Resnais…. duzentos anos que eu não vejo nada do Resnais….

  4. Kleber disse:

    Só comentando… mande os parabéns pro pessoal da Bravo! Agora na revista há textos que exigem um pouco mais de dois neurônios, abandonou um pouco aquele estilo Guia da Folha chique. Foi um avanço bom.

  5. QQud La Silva disse:

    O filme citado no Post parece ser bom…

    Hiroshima meu amor (acho que era esse que estava procurando…vou checar)

    Maãaaaas:

    Claro que não podemos esperar que todo filme seja um clássico como:

    “LOS TRAPAJONES EM LA SIERRA DESNUDA”

    Incrivel esse filme o protagonista, o ator “El did” estava supinpa, muito carismático.

    O ator coadjuvante “El dedezito” é um excelente “escada”.

    Zaquita e mujuzito estavam formidáveis tb.

  6. confetti disse:

    caros colegas, caro ricardo, desculpem mas o alain resnais é o cineasta mais chato que conheço ! e o “petit comité” com quem ele realiza a maioria de seus filmes é também chatissima, sobretudo a mulher dele, sabine azema ! ressalva pra andré dussolier que é muito bom ator…

  7. Luiz Fernando Gallego disse:

    Já do meu ponto de vista principalmente Sabine Azéma ao lado de Pierre Roditi e André Dusolier (mas também o resto do elenco) justificam a ida ao cinema para ver um filme – ao meu ver – menor de Resnais, ainda que seja o melhor nos últimos muitos anos desde o brilhante “Meu Tio da América” que parece ter encerrado a fase de obras-primas do autor de dois dos maiores filmes de todos os tempos: “Ano Passado em marienbad” e “Hiroshima, meu amor”. Chatos? Nem um pouco. Vejo e revejo esses dois filmes sem cansar.

  8. confetti disse:

    luiz fern, é so minha opiniao, nada à ver com julgamento definitivo e sectario ! vi e revi tudo de resnais pq adoro cine e pq reconheço sua tecnica, mas nada dele me arrepia nem emociona ! mesmo marienbad e hiroshima, que sao cults me deixam indiferente …. que pena né….:-)

  9. Dr. Pepino disse:

    Esse tal de Djalma Toledo deve ser um frustrado que só tem a internet como hobbie. Coitado !
    Acho que vou dar uma boneca inflável ou plantar uma mandioca no cú dele.

  10. […] privados em lugares públicos”. Quando fui ver o filme no fim de semana já tinha lido a crítica de Ricardo Calil. Fiquei surpresa com o que parece ser uma obsessão para o diretor: a busca por imóvel como […]

  11. confetti disse:

    po seu calil quase uma semana sem ir ao cinema….

  12. Atlantis disse:

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