Publicidade

Publicidade
20/07/2007 - 16:30

A pergunta de Furtado

Compartilhe: Twitter

“Saneamento básico – O filme”, novo trabalho de Jorge Furtado que estréia hoje, propõe uma questão fundamental para o Brasil: em um país com problemas tão essenciais, vale a pena investir em cultura?

Como se trata de um filme de Furtado – que vem com a garantia mínima de um roteiro inteligente -, a questão não é colocada de forma direta na boca de um personagem, mas surge como principal subtexto da trama.  

Nela, um grupo de moradores de uma vila da Serra Gaúcha pede aos órgãos públicos dinheiro para a construção de uma fossa sanitária. A prefeitura informa que já gastou toda sua verba de saneamento básico para o ano, mas ainda tem R$ 10 mil em caixa para a realização de um vídeo de ficção. Os moradores decidem, então, fazer um filme sobre a construção da fossa. Como nenhum deles entende nada de cinema, o resultado é precário, um bizarro filme de monstro com mensagem ambiental. Mas, no final, todos estão apaixonados pelo cinema.

Como toda obra de Furtado, o filme tem a virtude de conseguir simultaneamente entreter o público – fazendo boas piadas com os problemas históricos do cinema nacional – e  propor questões pertinentes sobre o Brasil – no caso, sobre as prioridades de investimento do governo.

A resposta de Furtado à pergunta do início deste texto é “sim” – vale a pena investir em cultura, não se pode deixá-la de lado porque o país tem outros problemas mais urgentes; por outro lado, o cinema não pode ser feito apenas por amadores e burocratas, como no filme. Eu fecho com Furtado. E você, caro leitor?

Autor: - Categoria(s): Posts Tags:

Ver todas as notas

12 comentários para “A pergunta de Furtado”

  1. Leandro Cardoso disse:

    Concordo. Mas qual a alternativa ? “O casamento de Romeu e Julieta”, da Total Entertainment, financiado por merchandising ? Uma “cauda longa” de curtas, documentários e ficção de nicho ? Os blockbusters globais financiados parcialmente pelo Estado ? Ou co-produções internacionais com canais e distribuidoras internacionais ? Existe um quarto modelo de negócios para nosso cinema ? Eu desconheço.

  2. Leandro Cardoso disse:

    Talvez fundos de invstimentos reembolsáveis, como o Rio Bravo ou as novas linhas do BNDES ? Talvez esse seja um caminho mais sólido….

  3. QQud La Silva disse:

    Concordo com o Leandro!

    A iniciativa privada é o caminho! (com merchan e tudo)

    E existem obras que realmente nos fazem pensar e querer investir em cultura e principalmente na 7ª arte.

    Mãããããããããããããããs:

    FILMES COMO:

    “LOS TRAPEROS TRAPAJOÑES EN LA SIERRITAZITA DESNUDITA”

    Filme de arte, um verdadeiro incentivo a 7a arte.

    Mister Did (o protagonista) mostrou-nos o que é atuar!

    Mr. Ded foi um brilhando ator coadjuvante.

    Mr. Zaq and “Mr. Mumu for mangueira” estavam impecáveis.

  4. Vinicius disse:

    Também fecho com Furtado. Amadores e burocratas levaram o cinema BR a bancarrota. Mas como o conceito de Amador pode ser bem relativo, acho que o nosso futuro é continuar tentando, afinal de contas, de tempos em tempos surge um Cidade de Deus pra salvar o produto nacional.

  5. parabens pela ótima matéria sobre o filme e sobre roteiro brasileiro na BRAVO do mês.

    abraço’s

  6. Francisco disse:

    Jorge Furtado decididamente é uma referência do cinema que não é feito por amadores. Mesmo em tramas mais superficiais como em ‘Meu tio matou um cara’, o diretor se destaca pelo trabalho bem realizado. Com ‘Saneamento Básico’ – embora este ainda seja inédito para mim – não deve ser diferente.

  7. concordo disse:

    Se o governo não dá conta de educar, as artes tem de cutucar…

    os governos, informando e tornando a massa crítica tornando-a capaz de pressionar e requerer direitos básicos obrigatórios a todos os governos.

  8. aiaiai disse:

    A princípio, eu concordo. Mas vou ver o filme primeiro, depois eu volto.

  9. Caroline disse:

    Furtado conseguiu fazer uma crítica ácida não só ao cinema, e sua produção, como também ao oportunismo político.

    Calil, não deixe de comentar Em Busca da Vida. A matéria para Bravo! sobre o filme está ótima.

  10. Te disse:

    Depende do amador: pra mim, Ed Wood é um diretor fantástico justamente pelo amadorismo. A história do filme tá com jeito de produção à Ed Wood, se for deve ser muito divertido.

  11. Marcelo disse:

    Por princípio, sim. Inculsiver, cultura é uma via lucrativa, para o neoliberalismo dominante. Não acho que o governo deva se afastar. Os mecanismos de incentivo, por critícáveis que sejam, não podem simplesmente ser extintos. Mas o dó é que o filme é fraquinho demais. Como se o JF tivesse perdido a mão ou escrito para o Casseta e Planeta filmarem. Uma grande decepção.

  12. Lucas Rohãn disse:

    Total.
    Estou muito ansioso para ver o filme logo. Por isso evito ler críticas, mas aqui, seria impossível.

    Pergunta: Os cineastas do filme de Furtado seriam alguma caricatura dos verdadeiros cineastas brasileiros?

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo