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30/07/2007 - 11:59

Adeus a Bergman

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Acordo e leio no Uol, meio sonado, que Ingmar Bergman morreu. Ainda que ele tivesse 89 anos, estivesse recluso há tempos e filmasse muito pouco, a notícia me pega de surpresa e me desperta de sopetão. De tanto repetirmos que certos artistas são imortais, acabamos por acreditar. Seria o mesmo se me contassem que Antonioni morreu. E seria uma perda da mesma ordem para o cinema.

A primeira frase que me veio à cabeça, quando consegui juntar dois pensamentos, foi: “Bergman nunca foi capaz de cometer uma banalidade”. Fez um ou outro filme mais leve, mas no geral foi um cineasta sério, seriíssimo, metido a desvender a Alma Humana e falar de Grandes Temas como a Solidão e o Desejo, a Morte e a Ausência de Deus. Mas foi também um dos poucos a se meter nesses assuntos e não passar ridículo. Nunca soava pomposo ou professoral, talvez porque tirava de sua vida boa parte do que expunha na tela. Aí vale o clichê: seus filmes serviam como uma dolorosa e necessária terapia. Não apenas para ele, mas também para os espectadores – que se identificavam com as angústias e os questionamentos dos personagens criados pelo cineasta. Não posso falar por todos. Para mim, funcionava dessa forma.

Difícil destacar um filme em uma obra que cobre seis décadas. Então vamos aos meus cinco preferidos: “Gritos e sussurros”, “Persona”, “Fanny e Alexander”, “Noites de circo”, “Morangos silvestres”. Até o recente “Sarabanda”, que virou seu testamento cinematográfico, era digníssimo (saiu por aqui em DVD no ano passado).

Pensando melhor, menti quando disse que ele era incapaz de uma banalidade. A metáfora do jogo de xadrez entre um cavaleiro e a Morte em “O sétimo selo” foi das coisas mais óbvias produzidas no cinema. Taí um filme superestimado (eu sei que vocês vão me odiar por dizer isso). Seria melhor dizer que Bergman era incapaz de uma vulgaridade. De quantos cineastas – ou mesmo pessoas – podemos dizer o mesmo hoje? Fará uma falta brutal.

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208 comentários para “Adeus a Bergman”

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