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26/05/2008 - 15:04

Pobre cine latino

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Sem querer jogar água no chope da comemoração da Palma de Ouro para Sandra Corveloni, o grande perdedor nas premiações do Festival de Cannes foi o cinema latino-americano. Tinha quatro representantes de peso na competição – “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, “Blindness”, de Fernando Meirelles, “A Mulher sem Cabeça”, de Lucrecia Martel, e “Leonera”, de Pablo Trapero -, mas apenas o primeiro levou o prêmio individual para Corveloni.

 

Pode-se argumentar que os latinos saíram bem na foto apenas por sua presença maciça na disputa, que festival não deveria ser visto como campeonato. Verdade, verdade. Mas também é fato que a escassez de prêmios e a recepção em geral negativa da crítica serviram como uma espécie de ducha de água fria para os filmes latinos – que vinham sendo saudados, precocemente, como “a grande história de sucesso do festival”, nas palavras do “Guardian” britânico.

 

Em termos de geografia cinematográfica, quais seriam, então, os grandes vencedores do festival? Em primeiro lugar, a França – que levou a Palma de Ouro de melhor filme para “Entre les Murs”, de Laurent Cantet, após 21 sem ganhar o prêmio principal em Cannes. É um reconhecimento justo não apenas para Cantet (dos ótimos “Recursos Humanos”, “A Agenda” e “Em Direção ao Sul”), mas também a uma cinematografia que vive seu melhor momento em décadas, com vários grandes realizadores no auge de suas formas (Desplechin, Assayas, Ozon, Garrell, Denis, Honoré, entre outros).

 

Além da França, outro país que retomou fôlego em Cannes foi a Itália, com o Prêmio do Júri para “Il Divo”, de Paolo Sorrentino, e o Grand Prix para “Gomorra”, de Matteo Garrone. Com a dupla premiação, fica a esperança de que o país volte a seus dias de glória e não viva mais de um ou outro talento isolado (Moretti, Crialese) – promessa que vem sendo constantemente descumprida nos últimos anos.

 

Para além da tradição européia, Cannes sinalizou discretamente que algo de novo pode estar vindo do Oriente – desta vez, do Próximo, não do Extremo. O turco Nuri Bilge Ceylan levou o importante prêmio de melhor diretor por “Três Macacos”, e o israelense fez barulho com a animação “Valsa com Bashir”, embora tenha saído de mãos abanando.

 

Para finalizar, uma ressalva: festivais importantes, como o de Cannes, são como fotografias que registram um momento específico do cinema mundial. Mas nada garante que a imagem seja completamente diferente daqui a algum tempo, porque o cinema, como se sabe, é a projeção de 24 fotos por segundo. Ou pelo menos era, antes do digital.

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