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Arquivo de maio, 2008

22/05/2008 - 21:43

Mito desconstruído

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Por um lado, “Controle – A História de Ian Curtis”, que estréia nesta quinta-feira, segue a tendência hegemônica de cinebiografias recentes: a do mimetismo, ou tentativa de cópia, da realidade. Como aconteceu com “Ray” ou “Johnny & June”, o filme esforça-se por xerocar em película a estampa e a vida do biografado.

 

Para tanto, o diretor neozelandês Anton Corbjin escolheu um ator (Sam Riley) que não apenas se parece fisicamente com o vocalista da banda Joy Division, como também imita sua voz, tiques e trejeitos à perfeição. É como se, numa era em que as imagens originais são cada vez mais acessíveis, o público não pudesse aceitar como crível nada que não seja uma cópia perfeita.

 

Por outro lado, “Controle” vai na contracorrente da cinebiografia tradicional. Se a maioria delas tenta reforçar o mito do artista retratado, o filme de Corbjin faz de tudo para desconstruí-lo. Evita as armadilhas comuns ao gênero, como o trauma de infância, o vício em drogas, a redenção pelo amor – vide novamente “Ray” e “Johnny & June”.

 

Apesar de a vida de Curtis ser um prato cheio para o clichê do artista que brilha intensamente e apaga precocemente (ele se matou em 1980, com apenas 23 anos, no auge da curta carreira), Corbjin prefere mostrá-lo como um jovem comum, talvez apenas mais melancólico e talentoso que a média. Um sujeito que se casou, teve uma filha e foi obrigado a sustentar a família cedo demais, que sofria com ataques de epilepsia, que apaixonou-se por outra mulher, que traduziu a sensação de isolamento por meio da música com rara sensibilidade e que não conseguiu segurar a onda quando a barra pesou demais.

 

Uma pessoa especial, mas comum, é muito mais difícil de ser retratada do que um grande mito – e Corbjin se vira muito bem nessa tarefa. Sem contar que, com a prática de diretor de clipes, ele cria alguns dos números musicais mais empolgantes do cinema recente.

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21/05/2008 - 16:53

Relíquia do cinema

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Na trilogia inicial da série “Indiana Jones”, o protagonista era um caçador de relíquias: arca perdida, cálice sagrado etc. Em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, que estréia nesta quinta-feira no Brasil, ele próprio se tornou a relíquia. Entre as definições do Houaiss para o termo, há “coisa preciosa e mais ou menos antiga, à qual se dedica grande estima”, “pessoa ou coisa que se respeitou e admirou”. Acrescentaria que ele também remete a algo antiquado e frágil, pelo qual temos um apego saudosista.

  

Todos as definições, positivas ou nem tanto, encaixam-se perfeitamente no novo filme da série. Acima de tudo, Indiana Jones tornou-se uma relíquia porque permanece como um herói analógico, enquanto o cinema e o mundo à sua volta tornaram-se digitais. E talvez o maior mérito do trio responsável por esse revival – o diretor Steven Spielberg, o produtor George Lucas e o ator Harrison Ford – seja assumir integralmente essa inadequação temporal do personagem, tanto no conceito quanto na história do filme (não vou gastar espaço com a trama aqui, já que a essa altura ela está em todos os lugares). Perto de um “Speed Racer”, por exemplo, a produção pode parecer pré-histórica – e é justamente esse o charme e a limitação do novo/velho “Indiana”.

  

Na virada dos anos 70 para os 80, Spielberg e Lucas foram os principais responsáveis não apenas por inaugurar a era dos blockbusters, mas também por viciar o público em uma droga pesada chamada efeitos especiais, em filmes como “Star Wars” e “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. Nesse cenário, “Indiana Jones”, a série original mesmo, sempre funcionou como um período de abstinência.

  

Claro, os filmes tiveram efeitos revolucionários para seu tempo (como na cena da abertura da arca ao final do primeiro deles). Mas eles sempre se basearam mais no espírito das velhas matinês de aventura da Hollywood clássica, da ação física em que o herói que corre, apanha e revida, dos cenários que, observados com atenção, parecem a Casa do Terror de um parque de diversões – e não um videogame.

  

O novo “Indiana” segue a mesma trilha. Com exceção de uma longuíssima perseguição no meio do filme e do final meio esotérico-futurista cheio de efeitos, Spielberg tenta basicamente usar os métodos tradicionais, de truques ópticos a uso intenso de dublês. Mas agora o referencial não é mais a Hollywood clássica, mas sim a própria trilogia inicial (que, para várias gerações, tornou-se o emblema de matinê).

  

Descontado o aspecto mercadológico desse quarto episódio, “Indiana” deve ser encarado essencialmente como auto-homenagem dos envolvidos na produção (incluindo aí a atriz Karen Allen reprisando o papel da heroína Marion Ravenwood) e como um reencontro do velho público da série com sua infância perdida.

 

Talvez a pergunta essencial sobre o filme não seja se ele é bom ou ruim (eu diria mediano, digno, mas não memorável, no nível de “No Templo da Perdição” e inferior a “Caçadores da Arca Perdida” e “A Última Cruzada”). Mas como ele vai funcionar com os espectadores que não têm essa memória afetiva, quase atávica, do personagem (para os quais, aliás, foi criado o personagem do ator Shia LaBeouf). A resposta virá nos próximos dias.

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20/05/2008 - 16:01

O “investment grade” do cinema nacional

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No espaço de uma semana, houve uma série de notícias de impacto envolvendo artistas brasileiros e cinema internacional: filmes de Fernando Meirelles e Walter Salles em Cannes, a divulgação de que José Padilha vai dirigir uma produção americana, a publicidade em inglês do projeto de Fábio Barreto sobre Lula, o anúncio de que Harvey Weinstein vai produzir a adaptação de “O Alquimista”, de Paulo Coelho.

 

A simultaneidade das notícias pode ter criado em alguns a impressão de que o cinema brasileiro esteja na moda – idéia ecoada na coluna de Nelson de Sá hoje na “Folha de S. Paulo”: “Começou na quinta, com reportagens no ‘Variety’ sobre  indústria do cinema no Brasil, o êxito de José Padilha, Fernando Meirelles e Walter Salles – e, no enunciado principal, o aumento das co-produções e ‘alianças’ de brasileiros e americanos. A publicação escolheu dez cineastas emergentes nos quais investir, inclusive o filho do chanceler Celso Amorim.  Começou Cannes e tome mais notícia de ‘alianças’.”

 

É como se o, a exemplo do país como um todo, o cinema nacional tivesse finalmente ganho seu “investment grade”. Mas… devagar com o andor. Meirelles e Salles já participaram de outros grandes festivais com melhor repercussão – o primeiro com “Cidade de Deus” em Cannes, o segundo com “Central do Brasil” em Berlim. A publicidade do filme sobre Lula não passa de um anúncio pago, para atrair investidores. A adaptação de Paulo Coelho não tem impacto algum sobre o cinema brasileiro. De concreto mesmo, temos a possibilidade de uma carreira internacional para Padilha – mas, ao que parece pelas primeiras notícias, não necessariamente em um projeto “de prestígio” (como foi o caso “Blindness”).

 

Essa pequena euforia com o cinema nacional ainda é coisa para inglês ver. Não dá para comemorar o sucesso de uma cinematografia em que um filme como “Serras da Desordem” não chega a 5 mil espectadores e outro como “Falsa Loura” não alcança os 10 mil. 

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20/05/2008 - 02:01

Hollywood makeover

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Depois do anúncio de que Josh Brolin (“Onde os Fracos Não Têm Vez”) será George W. Bush em “W”, filme de Oliver Stone sobre a vida do presidente americano, agora foram confirmados os nomes dos atores para quase todos os papéis do elenco. E a principal constatação da lista, como se pode ver na galeria de fotos da EmpireOnline.com, é que a produção do filme foi esteticamente generosa com as figuras reais que inspiraram o filme. Condoleezza Rice, por exemplo, será interpretada pela musa Thandie Newton (de “Missão Impossível 2”). E Laura Bush ficará por conta da bela Elizabeth Banks (“Homem-Aranha”). De papéis importantes, só falta definir quer será o vice Dick Cheney.

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18/05/2008 - 23:51

Poderoso chefão adapta “O Alquimista”

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Agora vai. Depois de dez anos de indas e vindas, “O Alquimista”, best seller de Paulo Coelho, será finalmente levado ao cinema. A produção ficará a cargo de Harvey Weinstein, ex-diretor da Miramax e poderoso chefão do cinema independente americano, responsável por vencedores do Oscar como “O Paciente Inglês” e “Shakespeare Apaixonado”.

 

O anúncio foi feito ontem por Weinstein no Festival de Cannes. Ele irá produzir a adaptação pessoalmente, por meio da The Weinstein Company, com um orçamento superior a US$ 60 milhões e início das filmagens previsto para o próximo ano.

 

A direção ficará por conta de Laurence Fishburne (“Matrix”), que comprou os direitos de adaptação há alguns anos. Ele também deverá fazer o papel-título, de alquimista que serve de mentor para o pastor andaluz Santiago, o protagonista da história. Ainda náo foi escolhido o ator para esse papel.

 

No anúncio, Weinstein disse que irá convidar a espanhola Penélope Cruz para o elenco do filme, depois de ter ficado entusiasmado com o desempenho dela em “Vicky Cristina Barcelona”, o novo de Woody Allen exibido em Cannes. “De um jeito ou de outro vou encontrar um papel para Penélope”, ele disse. 

 

Em seu estilo sem papas na língua, Weinstein disse: “Eu li o livro e sempre o amei, mas também li os roteiros e sempre odiei todos. Mas eu sei como ‘pastorear’ um roteiro”, disse, usando um trocadilho com a função do protagonista do filme.

 

Weinstein se comprometeu a fazer um filme fiel ao original. “Meu compromisso não é com Laurence, não é comigo mesmo, é com ninguém menos do que Paulo Coelho”, afirmou.

 

Em uma declaração divulgada pela Weinstein Company, Coelho disse: “Estou muito feliz que meu livro será filmado da maneira que eu imaginei e espero que o espírito e a simplicidade de meu trabalho sejam preservadas.”

 

Segundo o “Telegragh” de Londres, o filme será uma mistura de “A Vida é Bela” e “Cinema Paradiso”.

 

Serei preconceituoso se disser que temo por uma tragédia cinematográfica?

 

 

Dica do bom amigo Ryff.

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17/05/2008 - 21:22

Deu na “Variety”: “Lula”, o filme

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No blog Cinemascópio, o crítico e cineasta Kleber Mendonça Filho (que, mais uma vez, faz uma das melhores coberturas online do Festival de Cannes) reproduz um anúncio em inglês do filme “Lula”, de Fábio Barreto, publicado no semanário norte-americano “Variety”.

 

A produtora LC Barreto está em Cannes para divulgar o filme no mercado do festival, em busca de parcerias internacionais de produção e distribuição. No anúncio (reproduzido aqui a foto do Cinemascópio), a frase em destaque é: “You know de man. But you don’t know his story” (“Vocë conhece o homem. Mas não conhece sua história”.

 

Segundo artigo da “Variety”, o filme vai mostrar a migração de Lula com a família do Nordeste para Sáo Paulo, seus anos como engraxate e sua liderança como sindicalista que o levou à prisão na época em que sua mãe morre. João Miguel (“Estômago”) está cotado para interpretar Lula, e Glória Pires deve fazer sua mãe.

 

Em entrevista à “Variety”, o produtor Luiz Carlos Barreto (pai de Fábio) disse que a história de Lula é “como um conto de fadas” – o que talvez permita antecipar o tom do filme. Em seu blog, Kleber pede atenção à sombrinha “vencedora” de Lula no anúncio.

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16/05/2008 - 21:10

Seqüências racionadas em Hollywood

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A temporada de verão nos cinemas norte-americanos será tímida em seqüências, avisa o jornal “The New York Times”. A rigor, neste ano haverá apenas quatro “sequels” de franquias fortes de bilheteria (com episódios anteriores que arrecadaram mais de US$ 100 milhões): “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “A Múmia: Tumba do Imperador Dragão”. No ano passado, foram 11 seqüências nessa categoria, incluindo os terceiros episódios de algumas das séries mais bem-sucedidas da história, como “Homem-Aranha”, “Shrek” e “Piratas do Caribe”.

 

 

Para o Olha Só, isso deveria motivo de comemoração, pois vai garantir uma temporada de blockbusters um pouco mais originais (o que já se confirmou em parte com o “Homem de Ferro”). Mas os estúdios de Hollywood, que não combinaram entre si uma temporada tão “desseqüenciada”, estão em pânico com a possibilidade de perder a galinha os ovos de ouro que garantiu seu sustento nos últimos anos.

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15/05/2008 - 20:34

“Bote sua mente suja para funcionar”

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Se você acha que o grande problema dos filmes pornô é não ter história (a crítica costuma vir principalmente das mulheres), esta é a sua grande oportunidade de revolucionar no cinema erótico. O Cine Falcatrua, coletivo de Vitória (ES), vai organizar um laboratório de roteiros pornô em São Paulo, entre os próximos dias 27 e 29.

 

Olha Só acaba de receber o email abaixo com o anúncio da oficina:

 

“Essa é a sua chance de entrar no ramo da indústria cinematográfica que mais cresce dentro e fora da Internet, sem precisar tirar a roupa!

 

O Cine Falcatrua promove uma oficina onde você poderá desenvolver suas idéas para filmes pornô e transformá-las em roteiros de verdade – e quem sabe no próximo sucesso do home video!

 

Bote essa mente suja pra funcionar, tire seus sonhos eróticos da gaveta e venha fazer histórias.

 

A oficina acontece no Centro Cultural Mariantônia (USP-SP), entre 27 e 29 de Maio, das 19h às 22h. Ela faz parte da programação da exposição Campo Coletivo, e conta com o apoio do site Putrescine.

 

A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas Para se inscrever, mande um email até dia 21/05 para <cinefalcatrua@ gmail.com>, com mini-currículo e idéias de putaria, com o assunto argumentos pornô.”

 

Apesar do email de duplo sentido, Gabriel Menotti, integrante do Cine Falcatrua e um dos organizadores do laboratório, diz que a iniciativa é 100% séria. “Vamos analisar desde a estrutura do roteiro clássico até os recursos de linguagem específicos do pornô – como os atores que olham diretamente para a câmera, recurso que costuma execrado no cinema tradicional”. Entre os filmes que serão vistos e analisados no laboratório, estão “Garganta Profunda” e trechos da série Buttman.  

 

Os alunos devem chegar ao final do curso com ao menos um argumento pronto. Mas a parte prática se resumirá ao papel. Não estão programadas cenas filmadas com atores. E muito menos teste do sofá.

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14/05/2008 - 19:11

“Blindness” começa com o pé esquerdo

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Começam a pipocar as primeiras críticas a “Blindness”, de Fernando Meirelles, exibido hoje na abertura do Festival de Cannes. E, infelizmente, elas são negativas. Na “Variety”, importante semanário americano voltado para o mercado, Justin Chang escreveu:

 

“O caos pessoal e coletivo que aconteceria se a raça humana perdesse o sentido da visão é concebido com diminuto impacto e excesso de tiques estilísticos em “Blindness”, uma versão intermitentemente assustadora, mas diluída, do demolidor romance de José Saramago. Apesar de costumeiro desempenho forte de Julianne Moore como a única figura a manter a visão, tornando-se uma triste, mas heróica testemunha dos horrores à sua volta, o drama astutamente construído por Fernando Meirelles raramente alcança a força visceral, o escopo trágico e a ressonância humana da prosa de Saramago.”

 

Já no “Telegraph” britânico, Sukhdev Sandhu diz que Moore e a brasileira Alice Braga “salvam um filme que, ao tentar ser tão fiel ao romance, torna-se vítima de desafinação.”

 

Críticas de outras publicações relevantes, em especial da imprensa francesa, podem reverter o saldo a favor de “Blindness”. Mas o começo não foi animador para o filme de Meirelles.

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13/05/2008 - 15:27

O futuro da crítica

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O Cinesesc de São Paulo deu início neste mês a uma iniciativa interessante, possivelmente inédita no Brasil: a leitura de filmes pelas cartas de tarô. O filme escolhido foi “Pecados Íntimos”, dirigido por Tom Kalin e baseado em história real, com Julianne Moore no papel de uma socialite americana Barbara Baekeland, que comete incesto com o filho Tony e se torna personagem de um dos mais famosos crimes do século passado nos Estados Unidos. A convidada para tirar as cartas e analisar o filme com o público na semana passada foi Elizabeth Pimentel, com quem o Olha Só bateu dois dedos de prosa.

 

Elizabeth contou que escolheu dois arcanos maiores do Tarô de Marselha para analisar o filme e centrou sua leitura na figura de Tony: O Enforcado, para representar o sacrifício feito para cuidar da mãe depois que ela é abandonada pelo marido, e A Torre, que remeteria à desestruturação do personagem no final. Como a leitura foi um sucesso, ela será repetida mensalmente, com datas e filmes ainda a ser definidos. Elizabeth também pretende montar grupos particulares. Os interessados podem encontrá-la no email elizabeth@asacerdotisa.com.

 

Olha Só respeita todo tipo de crítica cinematográfica. Que venham a astrológica, a mediúnica e a psicodélica.  

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