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31/07/2008 - 23:18

Não vote no candidato da Manchúria

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Ao fazer esta série especial sobre os grandes políticos do cinema e da TV, em parceria com o hotsite Eleições 2008 do IG, cheguei à seguinte constatação: assim como os eleitores, a maioria dos filmes tem uma visão essencialmente negativa da política. Claro, existem dezenas de produções americanas descartáveis protagonizadas por presidentes infalíveis. Mas, quando falamos de clássicos, a coisa fica feia para os políticos.

Esse preâmbulo foi criado para explicar o seguinte problema: até aqui, eu tentei ser equilibrado nesta série, revezendo-me entre bons e maus exemplos cinematográficos para nossos candidatos. Na primeira categoria, estavam o senador Jefferson Smith de “A Mulher Faz o Homem” (1939) e o barbeiro judeu de “O Grande Ditador”. Na segunda, o milionário candidato a governador Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941). Daqui em diante, porém, os péssimos políticos vão predominar por aqui.

O próximo da lista é o senador John Iselin (James Gregory), mais conhecido como “o candidato da Manchúria”, de “Sob o Domínio do Mal” (The Manchurian Candidate, 1962), thriller político de John Frankenheimer que reflete como poucos o clima de paranóia criado pela Guerra Fria. Abaixo, você pode conferir o trailerdo filme.

A trama do filme é extremamente complexa, tanto é que o trailer avisa que, se você perder os cinco primeiros minutos, não vai entender do que se trata. Mas vamos tentar resumi-la: na Guerra da Coréia, os soviéticos capturam um pelotão do exército americano, levam os soldados até a Manchúria chinesa e os submetem a uma lavagem cerebral, fazendo-os acreditar que eles foram salvos de um ataque pelo sargento Raymond Shaw (Laurence Harvey). Na verdade, os comunistas transformam Shaw em uma máquina de matar para voltar aos Estados Unidos como herói e ajudá-los no plano de chegar ao poder no país inimigo.

E quem é o representante dos comunistas nos EUA? John Iselin e sua mulher Eleonor (Angela Lansbury), respectivamente padrasto e mãe de Raymond. Fazendo-se passar por anti-comunista ferrenho (em uma interpretação baseada no senador Joseph McCarthy), ele é, na real, um marionete dos soviéticos. Iselin torna-se candidato a vice-presidente e trama para que Raymond mate o candidato a presidente, para que ele assuma o poder. O único que poderá impedir o plano é o major Bennet Marco (Frank Sinatra, em um de seus melhores trabalhos como ator), ex-companheiro de Raymond na guerra que também sofreu lavagem cerebral, mas que tem momentos de lucidez.

“Sob o Domínio do Mal” teve uma refilmagem decente em 2004 por Jonathan Demme, mas nada que se compare ao original de Frankenheimer (os dois podem ser encontrados em DVD no Brasil). No novo filme, as corporações substituíram os comunistas como vilões. Nos Estados Unidos, o primeiro filme, baseado em livro de Richard Condon, tornou-se tão debatido que popularizou a expressão “candidato da Manchúria”, usada sempre que alguém quer acusar um político de ser um marionete do interesse de terceiros. Na atual campanha a presidente dos EUA, tanto Barack Obama quanto Joseph McCain já foram alvos da alcunha. E nas eleições brasileiras, você consegue identificar algum candidato da Manchúria?

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3 comentários para “Não vote no candidato da Manchúria”

  1. Nome disse:

    Olha…eu com pena de este post ficar sem nenhum comentario resolvi palpitar sem ler todo o post, nem ter visto o trailer, nem o filme.

    La vai:

    [NADA A DECLARAR]

  2. anrafel disse:

    Esse filme tem uma carreira trágica: criou um cenário de conspiração estrangeira para o assassinato de um presidente da República e viu John Kennedy ser morto no mesmo ano.

    Em junho de 1968, Bob Kennedy estava preocupado com o trânsito de Los Angeles. Temendo não chegar a tempo ao hotel onde discursaria, pediu ao motorista que pisasse fundo. O motorista, John Frankenheimer, atendeu e alcançou o hotel onde Bob seria baleado.

    Sinatra, amigo de Bob Kennedy, ficou traumatizado e, como produtor, recolheu todas as cópias do filme, que só pode ser visto 20 anos depois.

  3. […] judeu de “O Grande Ditador” (1940), Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941), John Iselin de “Sob o Domínio do Mal” (1962), Merkin Muffley de “Dr. Fantástico” (1964), Porfírio […]

Os comentários do texto estão encerrados.

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