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Arquivo de julho, 2008

20/07/2008 - 16:19

Não vote em Charles Foster Kane

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Com um atraso de alguns dias causado pela prosaica derrubada de um copo de água sobre meu laptop (que danificou o teclado em meio a uma viagem de trabalho), coloco no ar a segunda parte da série especial sobre dez grandes políticos do cinema e da TV, feita em conjunto com o hotsite Eleiçoes 2008 do IG. Depois de começar com o admirável Jefferson Smith (James Stewart) de “A Mulher Faz o Homem” (1939), a série continua agora com um mau exemplo, talvez o maior deles, para nossos políticos nesta campanha: ninguém menos que o Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941), filme dirigido e protagonizado por Orson Welles e considerado por muitos críticos o melhor de todos os tempos. Abaixo, o falso cinejornal que abre o filme apresentando a morte de Kane:

 

 

Nascido em uma familia humilde, mas transformado em milionário graças a uma herança, Kane torna-se dono de um império de comunicação ainda muito jovem. A princípio, ele parece interessado em defender os interesses dos oprimidos contra os poderosos, mas logo adere ao jornalismo marrom.

 

Com o crescimento de sua fortuna e popularidade, ele decide concorrer a governador de Nova York, contra o notoriamente corrupto J.W. Gettys. A eleição parecia uma barbada – até Gettys chantagear o casado Kane com a descoberta de um caso com uma cantora. Como Kane recusa-se a desistir da campanha, Gettys leva o caso a publico e é eleito governador.

 

Embora Kane seja um personagem moralmente complexo (e não se poderia esperar menos de um genio como Welles), ele é certamente um péssimo exemplo como político, um megalomaníaco que esquece de seu compromisso inicial com os menos favorecidos e que usa seu poder para se auto-promover e destruir rivais. Lembra algum candidato nesta eleição?

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17/07/2008 - 03:43

A revelação de um cineasta

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Difícil acreditar que o diretor de “Nome Próprio” seja o mesmo Murilo Salles de “Seja o que Deus Quiser!” (2003). Enquanto seu trabalho anterior fazia um retrato distanciado, na beira do caricatural, da juventude brasileira, sua nova obra é um mergulho sem rede de proteção na alma de uma só jovem. Um generoso exercício de entrega de um filme a uma personagem e uma atriz – doação ilusória, porque Salles domina sua história com rédeas invisíveis, como nunca antes em sua carreira ficcional.

 

Baseado nos textos para a internet e livros de Clarah Averbuck, “Nome Próprio” cola sua câmera a Camila (Leandra Leal), uma discípula de John Fante que acredita na idéia de que a literatura deve surgir de uma experimentação intensa, quando não excessiva, da realidade. Nem que isso signifique trair o namorado ou a melhor amiga para não perder uma trepada, passar dias sem dormir ou alimentando-se apenas de cerveja.

 

Se é possível ter alguma empatia por essa personagem ao mesmo tempo auto-destrutiva e auto-complacente, é por conta da absoluta integridade com que ela é encarnada por Leal, em um dos desempenhos mais impressionantes do cinema brasileiro recente (talvez o único senão do filme seja justamente o fato de os coadjuvantes parecerem sempre tão frágeis diante do furacão Leandra).

 

Mas não será justo dizer que o filme é sua atriz. Ele é, na mesma medida, seu diretor. E talvez a principal virtude de Salles aqui seja aderir a seu personagem sem tentar entendê-la. Em vez de explicar (o que ele tentou fazer com o país em filmes anteriores), apenas ser. “Seja o que Deus Quiser!”era um filme sobre jovens. “Nome Próprio” é um filme jovem. Com 58 anos de idade e quase 40 anos de carreira, Murilo Salles talvez seja a nova revelação do cinema brasileiro.

 

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14/07/2008 - 23:21

FilmeFobia

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Sei que é feio advogar em causa própria, mas o filme vale a pena: o site da Trip acaba de colocar no ar uma matéria que escrevi para a revista sobre “FilmeFobia”, de Kiko Goiffman (“33”, “Atos dos homens”). O ponto de partida é perturbador: colocar pessoas fóbicas diantes de seus maiores medos e filmar suas reações. Goiffman, fóbico de sangue, também foi cobaia da própria experiência. Entre outras coisas, teve sangue de boi espirrado em seu rosto pelo crítico e cineasta Jean-Claude Bernardet. Desmaiou três vezes durantes as filmagens (uma delas registrada na foto acima). Pelas cenas que vi do filme, não é difícil prever que “FilmeFobia” provocará enorme barulho, não pelo viés sensacionalista que alguns podem identificar no projeto, mas pelo curto-circuito que provoca entre documentário e ficção, talvez o mais radical já promovido pelo cinema brasileiro.

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13/07/2008 - 20:39

Crise na Contracampo

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Em dez anos de existência, a revista eletrônica Contracampo tornou-se a principal referência de crítica cinematográfica no país. De uns meses para cá, porém, dava para sentir que algo não ia bem com o site, o que podia ser observado tanto pelas atualizações cada vez menos regulares como por uma certa perda de vigor editorial.

 

Na semana passada, a crise da Contracampo veio a público. Em seu blog, Daniel Caetano, um dos mais antigos redatores da revista, contou: “Há exatas duas semanas, Ruy (Gardnier) enviou um email aos redatores da revista, assinado pelos três editores – ele, Tatiana (Monassa) e (Luiz Carlos Oliveira) Júnior. Neste email, informavam a “decisão” de que a redação passaria a ser constituída somente pelos três e mais cinco selecionados – que, em pelo menos dois casos, não haviam sido avisados previamente. Minutos depois, retiraram da lista de emails os demais redatores, agora “ex”, e mudaram a senha do site. Resumidamente, foi isso. No email, diziam que faziam isso para “fazer a contracampo reerguer-se”. Quem conseguir acreditar nisso pode seguir acreditando que a revista ainda existe. “Para nós outros, cabe a triste constatação de que Ruy Tatiana e Júnior resolveram abrir uma nova revista e, para isso, acabaram destruindo o respeito profissional que deviam a algumas pessoas – e, em conseqüência, algumas amizades de anos.

 

Respondendo a um email do blog, Ruy Gardnier apresentou sua visão da crise (da qual publico a seguir apenas um trecho): “O Júnior e a Tati, os dois editores desde minhas “férias”, me procuraram por email propondo algumas mudanças para a Contracampo. Seria uma edição feita só por nós três, de forma a responder a um descontentamento com os rumos que a revista tinha tomado ultimamente. Eu retruquei que só isso não daria jeito, e além do mais seria inviável. Minha contraproposta foi aceita pelo Júnior e pela Tati: recomeçar a revista com um número pequeno, mas participante e comprometido de redatores, e recomeçá-la imprimindo o olhar de cinema que nós queríamos ver novamente e em nosso parecer tinha quase completamente desaparecido da revista. Em termos práticos, houve a retirada das pessoas da lista de discussão (eram aproximadamente 30, restaram 8), depois de um email explicando nossa tomada de posição, agradecendo o comprometimento com a revista até então, mas que no ponto de estagnação em que estávamos, a revista só se reestruturaria e seria o que se esperava dela com uma medida drástica que restituísse ao corpo de redação unidade, união e senso crítico.”

 

Por ter acompanhado a questão à distância e por conhecer e admirar pessoas nos dois lados, só dá para lamentar os acontecimentos. Por um lado, é fato que a revista precisava realmente se reerguer. Por outro, é uma pena que a forma escolhida tenha afastado da redação alguns de seus colaborados mais talentosos – como Rodrigo Oliveira ou o próprio Caetano. Uma crise na Contracampo é uma perda para toda a crítica brasileira.

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11/07/2008 - 22:43

Uma pedra no caminho do 3-D

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No dia em que estréia no Brasil a versão em três dimensões de “Viagem ao Centro da Terra”, o jornal norte-americano “Los Angeles Times” lança sombras pesadas sobre o futuro do 3-D, visto por muitos como a salvação econômica do cinema.

 

Segundo a reportagem de John Horn, “Viagem” originalmente deveria ser lançado apenas nesse formato. Em março, seus produtores previram que 1.400 cinemas nos Estados Unidos seriam capazes de exibir o filme em três dimensões. Mas, três meses depois, apenas 800 salas tinham o equipamento necessário (no Brasil, o número ainda não chega a 10). Então, o filme foi lançado também em 2.000 cinemas comuns e teve o “3-D” eliminado do final de seu título.

 

Diretores como James Cameron e Robert Zemeckis e estúdios como a Fox e a Dreamworks estão apostando alto no 3-D, com várias estréias previstas para os próximos meses. Apenas a Disney e a Pixar têm nove projetos em andamento nesse formato. O problema é que não há salas suficientes para exibir todos os filmes, por causa do alto custo da conversão para o 3-D digital (cerca de US$ 150 mil). Hoje, não seria possível fazer dois grandes lançamentos simultâneos em três dimensões. O avanço do 3-D emperra nos valores da conversão para o formato digital: cerca de US$ 150 mil por sala – um custo que os exibidores querem repassar aos estúdios, em negociação até aqui emperrada.

 

Por todas essas questões, a indústria cinematográfica americana está especialmente atenta ao desempenho de “Viagem ao Centro da Terra”. A bilheteria do filme será um fator importante para determinar se novas fichas serão apostadas no número 3.

 

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10/07/2008 - 15:24

Vote em Jefferson Smith

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Em conjunto com o hotsite Eleições 2008 do IG, o Olha Só começa a publicar hoje uma série especial sobre dez grandes políticos do cinema e da TV. Todas as quintas-feiras haverá aqui um novo perfil de personagem, com o objetivo de servir de exemplo (nos casos positivos) ou contra-exemplo (nos negativos) para nossos políticos e eleitores. O primeiro candidato do blog só poderia ser Jefferson Smith, o senador interpretado por James Stewart em “A Mulher Faz o Homem” (Mr. Smith Goes to Washington, 1939), de Frank Capra (confira uma cena clássica abaixo). 

 

 

Por que Smith foi escolhido para inaugurar uma galeria tão importante como a de candidatos fictícios do Olha Só? Simples: porque ele é o grande modelo para virtualmente todos os personagens ingênuos e honestos que desafiam as corporações e não se corrompem no poder, como Kevin Kline em “Dave – Presidente por um Dia” (1993) e Tim Robbins em “A Roda da Fortuna” (1994).

 

Em “A Mulher Faz o Homem”, Jefferson Smith (Stewart, no melhor papel do início de sua carreira) é um pacato chefe de escoteiros escolhido pelo governador de Montana para substituir um senador morto. A idéia é que ele se torne mais um marionete político do homem mais rico do Estado, o industrial Jim Taylor (Edward Arnold). Em Washington, depois de perceber que está sendo manipulado pelo senador Joe Paine (Claude Rains), pau-mandado de Taylor, Smith decide levar até o fim um projeto pessoal que vai contra os interesses de Taylor. Para tanto, ele conta apenas com a ajuda da secretária Clarissa Saunders (Jean Arthur), que, depois de inicialmente menosprezar seu chefe, decide fazer tudo para ajudá-lo (daí o título em português).

 

Na época de seu lançamento, “A Mulher Faz o Homem” provocou protestos de políticos em Washington, incomodados com o retrato do poder feito por Capra, especialista em misturar populismo sentimental e denúncia social. Mas o protesto só confirma que o cineasta acertou o alvo: além de ser uma bela lição sobre como funcionam os conchavos do legislativo, o filme é um guia precioso para separar o joio do trigo na política. Quem é o Jefferson Smith das próximas eleições no Brasil? E o Joe Paine? Vale a pena ver ou rever o filme em DVD para tirar as conclusões.

 

P.S.: Olha Só já tem vários nomes para os próximos candidatos fictícios deste especial, mas a lista ainda não está completa. Portanto, sugestões dos leitores serão muito bem-vindas. Tanto os bons quanto os maus exemplos serão levados em conta.

  

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08/07/2008 - 19:35

Cinema na lousa mágica

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Você lembra da lousa mágica, aquele brinquedinho famoso nos anos 80, no qual se desenhava girando dois botões (um para linha vertical, outro para horizontal)? Pois um americano especializou-se em fazer desenhos no Etch-a-Sketch (nome do brinquedo em inglês) inspirados na realidade e já publicou mais de 300 em seu Flickr. A seção de cinema tem algumas coisas geniais, como este do “Wall-E”:

 

 

 

Ou o do “Pulp Fiction”:

 

 

E o meu preferido, com a briga de Werner Herzog e Klaus Kinski no set de “Aguirre, a Cólera dos Deuses”:

 

 

 

Que eu me lembre, era difícil pacas desenhar na lousa. Ou seja, o cara é um artista.

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07/07/2008 - 22:21

A morte da estrela de cinema

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A estrela de cinema – aquela espécie que fazia os espectadores correram até o cinema mais próximo – está morta. Quem anunciou o fato foi a revista eletrônica americana Radar, baseada em alguns dados bastante concretos. Do início de 2007 para cá, quase todos os grandes astros de Hollywood fracassaram nas bilheterias, ficando aquém da “marca mágica” de US$ 100 milhões de arrecadação nos EUA, que se tornou  sinônimo de sucesso comercial.

 

Tom Cruise, Adam Sandler, Jim Carrey, Reese Whitherspoon, Brad Pitt, George Clooney, Ben Stiller e Will Ferrell estrelaram filmes que faturaram menos de US$ 40 milhões domesticamente. Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Cameron Diaz, Julia Roberts, Tom Hanks e Johnny Depp se saíram um pouco melhor, chegando perto dos US$ 70 milhões.

 

Entre 1990 e 2000, dois terços das 10 maiores bilheterias de cada ano podiam creditar seu sucesso ao poder de uma grande estrela. De 2001, esse número caiu para menos da metade. E os salários tendem a acompanhar a queda. Em 1995, Jim Carrey ganhou US$ 20 milhões para estrelar “The Cable Guy”. Depois de alguns fracassos, ele aceitou protagonizar “Yes Man” por zero dólares, mas por uma polpuda participação de 36,2% dos lucros, se eles se materializarem.

 

A grande exceção que parece confirmar essa regra é Will Smith, cujos últimos oito filmes estrearam em primeiro lugar nos Estados Unidos – incluindo o novo “Hancock”, que arrecadou US$ 107,3 milhões nos EUA em menos de uma semana, apesar das críticas majoritariamente negativas.

 

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06/07/2008 - 21:42

Clássicos da imobilidade

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Na definição dada por Samuel Fuller no filme “O Demônio das Onze Horas” (1965), de Jean-Luc Godard, cinema é “emoção” (emotion). Mas a frase também pode ser entendida como “um movimento” (a motion), uma referência ao fato de o cinema ser a arte das imagens seqüenciais em movimento, a verdade a 24 quadros por segundo, como o próprio Godard preferiu definir algum tempo depois.

 

Mas isso nunca impediu que o cinema produzisse uma série de clássicos da imobilidade, filmes com protagonistas praticamente incapazes de se movimentar – de “Johnny Vai à Guerra” (1971) a “Mar Adentro” (2004), passando por “Meu Pé Esquerdo” (1989). A essa lista, soma-se agora “O Escafandro e a Borboleta”, que estreou nesta sexta-feira, o melhor dos filmes já feitos sobre um personagem imóvel.

 

Dirigido pelo americano Julian Schnabel (“Basquiat”, “Antes de Anoitecer”), a obra conta a história do jornalista francês Jean-Dominique Bauby (Mathieu Almaric), que, depois de um acidente vascular cerebral, ficou completamente paralisado, com exceção de seu olho esquerdo – que utilizou, com o bater de pálpebras, para ditar o livro “O Escafandro e a Borboleta” (no qual o filme se baseia).

 

O desafio do filme é o mesmo dos outros clássicos do imobilidade: tornar interessante a história de um homem preso a uma cama ou uma cadeira de rodas. Mas seu resultado é mais interessante por dois motivos essenciais: o espírito auto-irônico do livro de Bauby, que rechaça qualquer possibilidade de comiseração ou sentimentalismo; e a imaginação visual de Schnabel, um pintor de formação que conseguiu encontrar excelentes soluções visuais e sonoras para traduzir as sensações experimentadas pelo protagonista. “O Escafandro e a Borboleta” é essencialmente isso: o triunfo da imaginação de um personagem e de um cineasta.

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05/07/2008 - 22:09

Por que Hollywood não sabe fazer terror

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“(…) Uma coisa que me parece clara, olhando para os 10 ou 12 filmes que realmente me assustaram, é que a maioria dos grandes filmes de terror são trabalhos de baixo orçamento com efeitos especiais criados no porão ou garagem de alguém. Entre aqueles que realmente funcionam, estão “O Parque Macabro”, “Halloween”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “A Noite dos Mortos Vivos” e “A Bruxa de Blair”. Todos custaram quase nada para fazer e arrecadaram milhões, enquanto suas seqüências e remakes em geral são lixo (“Despertar dos Mortos”, em suas duas encarnações, é a exceção que prova a regra.”

 

***

 

“(…) O horror não é um espetáculo, e nunca será. Horror é uma atriz desconhecida, talvez sua vizinha, escondendo-se em uma cabana com uma faca em suas mãos que, nós sabemos, ela não será capaz de usar. Horror é a cena do filme “The Strangers” em que Liv Tyler tenta se esconder embaixo da cama… e descobre que ela não cabe lá.”

 

***

 

“Mais um problema: grandes filmes demandam grandes explicações, que geralmente são cansativas, e grandes panos de fundo, que normalmente são enfadonhos. Se um estúdio vai gastar de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões na esperança de arrecadar US$ 300 milhões ou US$ 400 milhões, eles sentem a necessidade de enfiar O SIGNIFICADO DE TUDO na garganta do público. Há um serial killer? Então sua mãe não o amava (insira um flashback). Um monstro do espaço? Seu planeta explodiu, claro (e a pobre criatura provavelmente precisa de uma mulher gostosa da Terra para reproduzir). Mas pesadelos existem fora do domínio da lógica, e não há graça nas explicações; elas são a antítese da poética do medo.”

 

***

 

“Por isso não posso imaginar que nada do novo “X-Files” poderá se comparar com o diálogo entre o personagem de Liv Tyler com uma mulher mascarada que invadiu sua casa em uma das mais aterradoras cenas do filme “The Strangers”.

“Por que vocês está fazendo isso conosco?”, ela sussurra. Ao que a mulher com máscara de boneca responde, com uma voz mortífera: “Porque vocês estavam em casa.”

No final das contas, essa é toda a explicações que um bom filme de horror precisa.”

 

***

 

Os trechos acima são de um bom arrtigo do escritor de terror Stephen King publicado pela revista “Entertainment Weekly” e intitulado “Filmes de Terror: Por que os Lançamentos de Grandes Estúdios Raramente Assustam”. Ele compara o novo e caro “Arquivo X” com o barato “The Strangers” para defender a idéia de que os filmes de horror só têm a lucrar com a criatividade trazida pela escassez. Vale a leitura.

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