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Arquivo de agosto, 2008

31/08/2008 - 17:51

Por que há tão poucas mulheres na crítica de cinema?

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A questão acima foi feita em artigo da americana Jennifer Merin, presidente da Aliança de Mulheres Jornalistas de Cinema. O motivo da pergunta é uma pesquisa da aliança que revelou os seguintes dados: 70% das críticas publicadas nos cem principais jornais americanos foram escritas por homens, e 47% das publicações não estamparam em suas páginas nenhuma crítica escritas por mulheres no ano passado.

 

Não há nenhuma pesquisa semelhante no Brasil. Mas, por observação, posso garantir que os números são ainda mais “sexistas” por aqui. Tome-se como exemplo a “Folha de S. Paulo”, maior jornal brasileiro. Na “Ilustrada” escrevem regularmente sobre cinema Inácio Araujo, Cássio Starling Carlos, José Geraldo Couto e Pedro Butcher. No “Guia da Folha”, o caderninho semanal de programação cultural, Sérgio Rizzo, Christian Petterman e eu. No “Estadão”, os titulares de cinema são Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin. E assim por diante. Na internet, a coisa deve ser um pouco melhor para as mulheres. Mas duvido que o número de críticas escritas por elas ultrapasse os 20% do total.

 

Para Merin, a resposta para a pergunta do título é, grosso modo, o velho e bom machismo: “A relativa escassez de vozes femininas na crítica de cinema é uma manifestação de uma indústria que favorece filmes feitos por e para homens, apesar do fato de as mulheres serem ávidas espectadoras de cinema”. Será que no Brasil o motivo é o mesmo?

 

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29/08/2008 - 18:45

Não vote em Fielding Mellish

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Na última nota da série especial do Olha Só com grandes políticos do cinema e da TV, feita em conjunto com o hotsite Eleições 2008 do IG, os candidatos escolhidos vieram de um país imaginário da América Latina: Porfírio Diaz (Paulo Autran) e Felipe Vieira (José Lewgoy), respectivamente senador e governador de Eldorado, no clássico “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha.

Hoje vamos falar de outro político de um país latino-americano fictício, de outro filme feito por um gênio do cinema, mas com um estilo completamente diferente do de Glauber: Fielding Mellish de “Bananas” (1971), dirigido e protagonizado pelo norte-americano Woody Allen (confira um trecho abaixo).

Mellish é um testador de produtos que se apaixona por uma ativista política. Quando ela termina o namoro, ele decide ir até San Marcos, país da América Central abalado por uma revolução, para impressionar a ex. Sem querer, ele acaba se envolvendo com os guerrilheiros que tomam o poder. Mas o líder revolucionário fica louco, e os rebeldes decidem transformar Fielding em presidente. E, assim, ele consegue seu objetivo: reconquistar a ex-namorada.

Uma das grandes comédias da primeira fase da carreira de Allen, “Bananas” é um ataque irônico ao poder e à revolução tais como praticadas em republiquetas latinas. Mas sobra também para a política externa americana, que apóia os corruptos caudilhos locais. No final das contas, “Bananas” não é assim tão distante de “Terra em Transe”. Mas, se Glauber usava a alegoria política como arma, Allen vai mesmo com o humor – e, com ele, expõe o trágico e o ridículo da nossa política.

P.S.: Fielding Mellish é o sétimo dos dez políticos da série especial do Olha Só. Os outros foram: o senador Jefferson Smith de “A Mulher Faz o Homem” (1939), o barbeiro judeu de “O Grande Ditador” (1940), o candidato a governador Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941), o candidato a vice-presidente John Iselin de “Sob o Domínio do Mal” (1962) e o presidente Merkin Muffley de “Dr. Fantástico” (1964), além da dupla Porfírio Diaz e Felipe Vieira de “Terra em Transe”.

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27/08/2008 - 22:16

Quem pode resistir ao “Mistério do Samba”?

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Certos filmes desarmam o espírito crítico. Alguns por ofereceram uma experiência estética e emocional arrebatadora. Outros por retratarem personagens ou situações aos quais é praticamente impossível não aderir. Este é o caso do documentário “O Mistério do Samba”, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, sobre a Velha Guarda da Portela.

 

É um bom filme? Não sei dizer. Não consegui elaborar grandes pensamentos sobre sua linguagem ao longo da projeção, nem me preocupei em identificar a quais escolas documentais ele se alinha. Sei que os sambistas que ele retrata, os casos que eles contam, os sambas que eles cantam são irresistíveis.

 

Outra dúvida: seria possível fazer um mau filme sobre a Velha Guarda da Portela? Também não sei, deve ser difícil. Só posso dizer que os diretores deste não conseguiram. “O Mistério do samba” é um filme feito com afeto e tempo (filmagens ao longo de dez anos). Um filme que consegue registrar tanto os aspectos poéticos quanto os mundanos do universo do samba – o que fica patente em duas passagens envolvendo o cantor Argemiro do Patrocínio.

 

Na primeira, ele aparece reclamando da falta de uma companheira e cantando um lindo samba sobre a solidão, que faz com que ele parece um velho bluesman em plena Oswaldo Cruz. Depois, Zeca Pagodinho conta um causo excelente sobre Argemiro: certa vez levou almoço e moças à casa do velho sambista, e elas deram até comidinha na boca dele. Quando Zeca disse que ia embora, Argemiro bronqueou: “Antes de sair, manda as piranhas lavarem a louça!”

 

Cada um dos integrantes da Velha Guarda – Monarco, Casquinha, Jair do Cavaquinho, Tia Surica e Tia Doca, entre outros – tem um samba tocante e uma história especial a oferecer. É possível ser contra um filme que se lança à tarefa de preservar a memória dessa turma no cinema, assim como Marisa Monte fez na música ? Deve ser possível, mas para mim não é fácil.

 

No passado, outro documentário sobre um sambista da Portela também me desarmou: “Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje”. Na revisão, enxerguei uma série de limitações no filme, que não consegui ver da primeira vez por conta do deslumbramento com a música e a figura de Paulinho. O mesmo se deu agora com “O Mistério do Samba”. Com o tempo, isso pode mudar. Por enquanto, fica o encantamento com os velhos sambas cantados pela Velha Guarda, desencavados por Marisa Monte e registrados pelo filme.

 

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26/08/2008 - 18:00

O triste fim dos cinemas de rua

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O site Filme B acaba de anunciar mais um duro golpe para os cinemas de rua. No Rio, o Estação Paissandu, aberto na década de 60, vai fechar as portas no próximo domingo, e a cidade passará a contar com menos salas de rua do que os dedos de uma mão: Odeon, Palácio, Leblon e um ou outro cine pornô – uma tendência que infelizmente está longe de ser apenas carioca.

 

Nos anos 60 e 70, o Estação foi a meca de um grupo de cinéfilos batizado de “Geração Paissandu”. Durante edições recentes do Festival do Rio, quando eu ainda vivia na cidade, era meu destino preferencial, porque era um dos pouco cinemas onde era possível pegar um filmão de última hora. Foi lá, por exemplo, que redescobri Gus Van Sant assistindo a “Elefante”. E foi justamente sua enorme sala, difícil de ser lotada, que determinou seu fechamento pelo Grupo Estação, que não conseguiu viabilizá-la economicamente. O Filme B não divulgou qual deve ser o novo destino do espaço.

 

Embora o Odeon seja o meu cinema carioca ideal, eu gostava do Paissandu curiosamente porque me lembrava os velhos tempos da minha sala paulistana preferida, o Cinesesc, com suas poltronas de couro vermelho – muito mais aconchegantes que as dos modernos multiplex.

 

O Paissandu vai fechar em grande estilo, com uma maratona cinematográfica de sexta a domingo, com ingressos a R$ 1,00 real, e filmes dirigidos por nomes que marcaram a Geração Paissandu, como Jean-Luc Godard e François Truffaut. Que descanse em paz.

 

P.S. 1 – Como alguns comentaristas lembraram abaixo, os cinemas de rua são mais numerosos do que eu havia dito – embora menos do que a maioria aqui gostaria. Minhas desculpas.

 

P.S. 2 – Já existe um abaixo-assinado na rede contra o fechamento do Estação Paissandu. Para assinar, clique aqui.

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25/08/2008 - 22:06

Guia para o realizador autoral promissor pernambucano

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“Para um diretor promissor no cenário pernambucano, mise-en-scène é indispensável. Adote uma persona, finja-se de louco no meio de uma conversa ocasional ou simplesmente dê alokas. Causar no cenário é importante porque gera nos outros a impressão de uma constante esquizofrenia em você, que eles imaginam estar relacionada com um processo vulcânico de idéias e pensamentos. É maduro saber que cada pessoa que ocasionalmente você encontra é um consumidor em potencial para a sua arte, portanto não economize nos trejeitos e na excentricidade. Como cineasta promissor, você possui imunidade cultural e, de certa forma, pessoas esperam um comportamento excêntrico de alguém especial.”

 

Este é um dos trechos do “Guia de higiene, comportamento e comedoria para o audiovisual pernambucano”, que o videomaker Raul Luna publicou em sete capítulos na revista online O Grito! e agora compilou em um único endereço. Meus itens preferidos são “Como pedir autógrafo a Carlos Reichenbach” e “Como utilizar o CinePE para networks”. Em São Paulo e no Rio, temos a tendência de mitificar um tanto a cena audiovisual pernambucana. Luna trata de destruí-la com graça e sem piedade. Leitura fundamental.

 

Dica do amigo Tiago Teixeira.

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23/08/2008 - 22:34

Memórias da matriarca Coppola

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“Eu estou ao ar livre comendo brunch no jardim do Polo Lounge do Beverly Hills Hotel. Francis e Sofia estão sentados diante de mim conversando seriamente. Ontem foi aniversário da Sofia. Ela fez 27 anos. Ela é bonita de um jeito imperfeito. A protuberância de seu nariz fica proeminente com a luz que cai em seu rosto. Suas sobrancelhas se contraem enquanto ela se concentra no que Francis lhe diz, e ela escreve notas na agenda de couro vermelho que ele lhe deu de Natal. Ela vai dirigir seu primeiro longa-metragem a partir do próximo mês. É uma produção de baixo orçamento adaptada de um livro chamado ‘As Virgens Suicidas’. Eu posso ouvir Francis dizer: “Sente-se bem perto da câmera para que os atores vejam você, vejam que você está no controle. Lembre-se que as mãos dos atores são quase tão importantes quanto seus rostos. Mãos são muito expressivas. Se você cortar as mãos do quadro, você perderá 30% da performance.

 

Eu estou muito feliz por Sofia, feliz que Francis esteja sendo um pai e mentor tão bom, mas eu também um ciúme quente e doloroso no m eu peito. Eu estou tentando apenas perceber minhas emoções, da forma como fui instruída na meditação zen, para não ser dominada por elas nem afastá-las para longe.”

 

Esta é Eleanor Coppola, matriarca de um dos mais tradicionais clãs cinematográficos do mundo, em seu livro de memórias ainda inédito, do qual o “Independent” de Londres publica alguns trechos. Ela é mulher de Francis (“O Poderoso Chefão”) e mãe de Sofia (“Encontros e Desencontros”), Roman (mais conhecido como diretor de clipes) e Gia (que morreu quando iniciava carreira como produtor) e nora do compositor Carmine – além de ter dirigido o brilhante documentário “Hearts of Darkness”, sobre as filmagens de “Apocalypse Now”. Os trechos de suas memórias merecem a leitura tanto pelo lado cinematográfico (ela é observadora privilegiada de parte fundamental da história do cinema americano) quanto pelo humano (a franqueza com que assume o ciúme da filha, por exemplo, é bastante incomum).

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22/08/2008 - 02:02

Woody Allen debaixo do tapete

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Tente achar o nome de Woody Allen no trailer de seu novo filme, “Vicky Cristina Barcelona”. Difícil, não? Ele está na última cartela de crédito, em meio a vários outros. Já os nomes dos astros Penélope Cruz, Scarlett Johansson e Javier Bardem aparecem em letras garrafais, por duas vezes.

 

Agora procure novamente o nome de Allen na homepage do site oficial do filme. Dessa vez nem com lupa. Um dos mais famosos cineastas do nosso tempo, ele não pode ser encontrado na divulgaçáo do próprio filme. Mas os pouco conhecidos atores Kevin Dunne e Chris Messina estão lá. Os dois exemplos não deixam dúvidas: a Weistein Company, distribuidora do filme, varreu Allen para debaixo do tapete.

 

O site VideoHound tenta entender os motivos que levam uma empresa de cinema a esconder o nome do diretor de um filme. Aqui vão os três principais: o histórico de bilheteria do cineasta (ele teve muitos fracassos recentemente?); o tema do filme (o diretor está se arriscando em um gênero com o qual não tem familiaridade?); e incompetência de marketing (o estúdio está perdendo uma chance de promover o filme ignorando o cineasta?).

 

No caso do filme de Allen, o site levanta uma quarta razão curiosa: a imagem de um triângulo amoroso entre Bardem, Penélope e Scarlett fica menos sexy quando você imagina que Allen está por trás das câmeras? Bom, pode até ser. Por outro lado, fica mais sofisticada.

 

Além de “Vicky Cristina Barcelona”, o site lista outro três filmes atuais cujos diretores têm seus nomes escondidos pelos estúdios: “Bangkok Dangerous”, dos irmãos Pang, “Lakeview Terrace”, de Neil LaBute, e “The Curious Case of Benjamin Button”, de David Fincher.

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20/08/2008 - 23:55

O Ronaldinho Gaúcho do cinema

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Ao observar a discreta cobertura dada até aqui à passagem de Wim Wenders pelo Brasil (em comparação com a euforia provocada há alguns dias por David Lynch), não pude evitar um pensamento cruel: o cineasta alemão tornou-se uma espécie de Ronaldinho Gaúcho do cinema. Um sujeito que brilhou intensamente no passado, que teima em nos decepcionar no presente e que decidiu viver meio que a passeio.

 

Levando em conta que “Asas do Desejo” é de 1987, já são mais de 20 anos sem um grande filme – exceção feita ao documentário “Buena Vista Social Club”. A bola de Wenders anda tão baixa que alguns cadernos e revistas de cultura recusaram as ofertas de entrevista com o diretor. Não deixa de ser uma lástima, pelos bons serviços já prestados no passado ao cinema.

 

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20/08/2008 - 00:40

Câmera lentíssima

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Certo, as Olimpíadas de Pequim são um espetáculo até aqui – dado pelos chineses na abertura e pelos atletas do mundo todo na competição (não vamos falar do futebol masculino brasileiro…). Mas houve alguma novidade nas transmissões pela TV? Até agora eu só identifiquei uma: a câmera lentíssima usada nos jogos do vôlei de praia – como o que acabou há pouco entre Márcio/Fábio Luiz e Ricardo/Emanuel. Bem mais desacelerada que a câmera lenta comum, ela permite ver detalhes impressionantes das jogadas – como um único dedo balançando no ar em uma tentativa de bloqueio ou o desenho que um pé faz na areia em uma defesa, quase como Neo desviando das balas em “Matrix”.

 

É um caso pouco comum em que a tecnologia altera toda a compreensão de um jogo. Eu li que são equipes brasileiras que estão fazendo as transmissões do vôlei de praia até para os Estados Unidos, por causa do know-how adquirido em anos de domínio no esporte. Não sei se a câmera lentíssima está incluída no pacote nacional. Se estiver, os câmeras brasileiros estão fazendo bonito, ao contrário dos nosso jogadores de futebol… Não teve jeito, falei.

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17/08/2008 - 22:59

“Carruagens de Fogo” leva o ouro

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Agora um pouco de frivolidade para espantar o baixo astral da ginástica artística: “Carruagens de Fogo” (1981) acaba de ganhar a medalha de ouro de melhor filme sobre as Olimpíadas em uma enquete feita pelo programa de TV americano “Access Hollywood”. Na minha relação pessoal, o filme do inglês Hugh Hudson, vencedor de quatro Oscar, ganharia apenas o prêmio de uma das obras mais superestimadas da história.

 

No Top 10 dos espectadores americanos, há vários filmes muito superiores,  incluindo o documentário “Olympia” (1938), de Leni Riefenstahl, que deveria estar em primeiro lugar na lista, e “Munique” (2005), de Steven Spielberg, este um trabalho bastante subestimado. Aliás, se não fossem esses dois filmes eu diria que as Olimpíadas são um mico preto para o cinema do mesmo tamanho que o futebol. Segue a relação completa:

 

1. “Carruagens de Fogo”

2. “Desafio no Gelo”

3. “Jamaica Abaixo de Zero”

4. “Um Casal Quase Perfeito”

5. “Munique”

6. “Prefontaine: Um Nome Sem Limites”

7. “Olympia”

8. “1972 – Um Dia de Setembro”

9. “Salto para a Glória”

10. “Escorregando para a Glória”

 

 

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