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Arquivo de agosto, 2008

16/08/2008 - 22:07

Mil Caymmis no YouTube

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Entrei no YouTube, digitei “Dorival Caymmi” na busca e tentei encontrar algum vídeo raro do gênio da música brasileira que se despediu do mundo hoje. Como de hábito, tem muita coisa bacana ali, mas o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de vídeos de pessoas comuns (ou seja, não-profissionais) que se registraram cantando músicas de Caymmi em suas casas, com voz, violão e outros instrumentos. Não é uma modalidade nova no YouTube. De tempos em tempos, aparece uma notícia sobre um talento descoberto no site. Ainda assim, fiquei impressionado com a extensão do fenômeno. Para cada artista minimamente famoso, há dezenas, às vezes centenas de interpretações de suas músicas feitas por anônimos.

No geral, não me parece uma questão de narcisismo, de buscar cinco minutos de fama, mas sim uma nova forma de homenagear ídolos e trocar idéias musicais com outros fãs pela rede. Pelo menos no caso do Caymmi, achei algumas versões bastante tocantes. A minha preferida é “Marina” por Anna Clara Matos, com a pegada de Gilberto Gil (o “embbeding” do vídeo foi desabilitado, mas você pode conferi-lo clicando aqui). O clipe de Anna Clara gerou uma resposta charmosa da americana Mercedezz, com voz, sotaque e banjo, que você pode ver abaixo.E o vídeo de Mercedezzz, por sua vez, originou uma resposta do americano Swingbossa, que solou com a estranha melódica em cima da base de “Marina”. Por mais sentida que seja a homenagem, essa o grande Caymmi não merecia.

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16/08/2008 - 01:22

Não vote em Porfírio Diaz ou Felipe Vieira

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Na série especial do Olha Só com grandes políticos do cinema e da TV, feita em conjunto com o hotsite Eleições 2008 do IG, os cinco primeiros candidatos vieram de filmes americanos. Foram eles: o senador Jefferson Smith de “A Mulher Faz o Homem” (1939), o barbeiro judeu de “O Grande Ditador” (1940), o candidato a governador Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941), o candidato a vice-presidente John Iselin de “Sob o Domínio do Mal” (1962) e o presidente Merkin Muffley de “Dr. Fantástico” (1964).

Pois já estava na hora de lançar aqui um candidato brasileiro. Então vamos começar com uma obra-prima: “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha. E com dois políticos interpretados de forma brilhante por dois de nossos melhores atores: o governador Felipe Vieira (José Lewgoy) e o o senador Porfírio Diaz (Paulo Autran), que pode ser visto na cena abaixo.

“Terra em Transe” é uma alegoria passada em um país fictício chamado Eldorado, mas remete diretamente à política brasileira. O protagonista é Paulo Martins (Jardel Filho), poeta e jornalista disposto a pegar armas para fazer a revolução em Eldorado. Mas, sem saber o melhor caminho a tomar, ele alterna-se como um pêndulo entre Dias, conservador e messiânico, e Vieira, suposto progressista e verdadeiramente demagogo. Será que nossas opções políticas mudaram tanto desde então?

Em uma cena antológica, Martins irrita-se com o discurso incoerente de um líder sindical, tapa sua boca e pergunta em direção à câmera: “Está vendo o povo? Um imbecil, um analfabeto. Já pensaram o povo no poder?”. O filme de Glauber não poupa ninguém. E está mais atual do que nunca. Lançado recentemente em DVD duplo, o filme deveria ser tão obrigatório quanto o voto nas próximas eleições.

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14/08/2008 - 22:54

Quem ainda se interessa por “Star Wars”?

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Ao ver “Star Wars – The Clone Wars”, animação que estréia nesta sexta-feira, algumas perguntas vieram à minha mente: além dos nerds mais empedernidos, alguém pode realmente se interessar por um produto derivado da medíocre trilogia mais recente da série?; alguém consegue sentir qualquer tipo de empatia pelo débil protagonista Anakin Skywalker antes de sua transformação em Darth Vader?; alguém que fale português pode levar a sério um vilão chamado Conde Dooku?; alguém acha que um exército de dróides que nunca conseguiu matar uma barata será capaz de derrotar a República?; e assim por diante.

 

A trilogia mais recente de “Star Wars” é, essencialmente, um fenômeno de inércia: todo mundo viu por algum tipo de apego à trilogia original, mas ninguém realmente se apaixonou por ela; como nenhum personagem novo foi capaz de adentrar o imaginário coletivo, ficamos esperando a aparição dos velhos conhecidos – Yoda, R2D2, Obi Wan Kenobi… – nos filmes e no desenho para ter alguém por quem torcer.

 

Lançar um desenho computadorizado no cinema (e, em breve, uma série animada  na TV) cuja história se passa entre os recentes “Episódio 2 – O Ataque dos Clones” e o “Episódio 3 – A Vingança dos Sith” me parece uma tentativa de levar essa inércia ao paroxismo, de construir uma nova mitologia em um vácuo de significado, de obrigar a galinha a chocar seu último ovo. De ouro para os produtores, mas de tolo para o público.

 

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13/08/2008 - 22:03

Críticos maconheiros x “Tropa de Elite”

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Não sei se alguém ainda agüenta o assunto “Tropa de Elite” a essa altura, mas acho que o fato merece registro. O filme de José Padilha estreou nesta semana na Inglaterra e foi alvo de críticas em geral negativas. O assunto foi debatido em uma lista de críticos de cinema, que chamaram a atenção para uma entrevista recente de Padilha ao jornal inglês “The Guardian” que contém uma declaração um tanto chocante do cineasta. A entrevista não é nova, mas eu não li nada a respeito na imprensa brasileira, então lá vai o trecho:

 

“Eu acho que o que incomoda certas pessoas em ‘Tropa de Elite’ é que elas mesmas usam drogas. Muitos críticos de jornal – e não vou dizer quais, mas se você vai descobrir der dois ou três telefonemas – fumam um baseadinho antes de escrever seus artigos. Eles vêem o filme, e o filme diz: ‘No fundo, vocês estão financiando os traficantes de drogas. Você, que é tão crítico sobre o problema da violência no Rio, está bem no meio dele. Seus prazeres burgueses estão por trás do dinheiro que compra as armas e as balas que matam pessoas na favela’.”

 

A maioria dos meus colegas de crítica talvez não concorde, mas acho que no geral Padilha se portou bem diante dos ataques a “Tropa de Elite” (filme do qual gosto com ressalvas, é bom dizer). A primeira vez que eu o vi sair completamente da linha foi nessa entrevista ao “The Guardian”, ao insinuar que críticos maconheiros tentaram desacreditar “Tropa de Elite” por interesse próprio e culpa social – uma teoria conspiratória, para não dizer deselegante. Tremendo tiro no pé.

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11/08/2008 - 20:59

Qual franquia já deu o que tinha que dar?

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A revista “Entertainment Weekly” publicou a seguinte relação de franquias que já deveriam estar mortas e enterradas:

1. “A Múmia”

2. “American Pie”

3. “As Apimentadas”

4. “Austin Powers”

5. “Tropas Estelares”

6. “Jogos Mortais”

7. “Indiana Jones”

8. “Segundas Intenções”

9. “Todo Mundo em Pânico” & cia.

10. “Em Busca do Vale Encantado”

11. “Férias Frustradas”

12. “Leprechaun”

13. “Relação Indecente”

14. “Sexta-feira 13”

 

A única indicação corajosa da lista é a de “Indiana Jones”, já que a franquia acaba de ser reaberta com sucesso. Eu incluiria na minha relação “Shrek”, “Piratas do Caribe” e “Star Wars”. E, no Brasil, os filmes da Xuxa. E você, caro leitor, que franquia gostaria de enterrar?

 

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10/08/2008 - 21:36

A rainha do YouTube

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A mais bonita rainha da atualidade tornou-se também a mais moderna. Rania, da Jordânia, ampliou os domínios do seu reino para a internet, lançando uma página de vídeos no YouTube com o objetivo de combater estereótipos sobre o mundo árabe.

Desde março passado, Rania vem publicando vídeos que ela mesma criou ou enviados por árabes e não-árabes para debater como os preconceitos podem ser revertidos. O primeiro vídeo já foi visto 1,7 milhão de vezes. Abaixo, em um vídeo mais recente, ela explica como criar e enviar clipes de resposta para a página.

Parece que Lady Di finalmente tem uma substituta à altura, com a infalível mistura de causas nobres e aura de estrela.

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09/08/2008 - 18:36

Não vote em Merkin Muffley

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Havia uma lacuna na série do Olha Só sobre grandes políticos do cinema e da TV, feita em parceria com o hotsite Eleições 2008 do IG. Faltava a figura de um presidente americano, uma instituição cinematográfica à parte no universo dos filmes políticos. Até agora, tivemos o senador Jefferson Smith de “A Mulher Faz o Homem” (1939), o barbeiro judeu que se faz passar por presidente em “O Grande Ditador” (1940), o candidato a governador Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” (1941) e o candidato a vice-presidente John Iselin de “Sob o Domínio do Mal” (1962).

Pois a lacuna será preenchida em grande estilo. O primeiro presidente da série é Merkin Muffley, de “Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick, brilhante sátira à Guerra Fria que injustamente foi um fracasso na época de lançamento, mas teve seu valor reconhecido ao longo do tempo. Muffley é um dos três papéis interpretados pelo genial comediante britânico Peter Sellars no filme – ao lado do cientista nazista Dr. Strangelove e do capitão Lionel Mandrake. Abaixo, Sellars como Muffley em discussão com o general Buck Turgidson (George C. Scott).

Como se vê na cena acima, Muffley é um homem sensato, que tenta dissuadir o general Turgidson a bombardear a União Soviética. Mas o presidente é também um fraco, que não consegue manter seus subordinados sob controle, nem eliminar o perigo de uma guerra nuclear. Ou seja, Muffley é uma lembrança de que as boas intenções são fundamentais, mas nem sempre suficientes para um político. Na semana que vem tem mais.

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07/08/2008 - 13:39

Zé do Caixão é nosso Indiana Jones

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Ao assistir a “Encarnação do Demônio”, novo filme do personagem Zé do Caixão, que estréia nesta sexta-feira, duas coisas não saíam da minha cabeça: 1) o maior crítico de cinema do país (não, não vou dizer o nome porque não sei como ele iria reagir) está cada dia mais parecido com José Mojica Marins, o mestre do terror brasileiro; 2) Zé do Caixão é o nosso Indiana Jones.

 

Como o herói de Spielberg, Zé do Caixão é um dos poucos personagens do cinema nacional que conseguiu construir em torno de si uma mitologia particular, popular e imediatamente identificável, até por aqueles que não viram seus filmes (que me lembre, os outros seriam o Jeca de Mazzaropi e o Didi de Renato Aragão; mais algum?). Essa construção vai das características pessoais aos adereços dos personagens – cartola no lugar do chapéu, unhas como chicotes. “Encarnação do Demônio”, como “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, é um filme que essencialmente atualiza a mitologia do personagem, resgatando-o do passado e tentando encontrar seu lugar no presente.

 

Nesse sentido, eu diria que Zé do Caixão é mais bem-sucedido do que Indiana Jones. Porque o brasileiro tem algo a dizer sobre a realidade atual, enquanto o americano permaneceu como uma relíquia do cinema. Terceiro filme da trilogia central do personagem – depois de “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964) e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967) -, o filme mostra Zé do Caixão saindo da prisão depois de 40 anos preso e prosseguindo sua busca pela mulher perfeita para gerar seu herdeiro (em uma trajetória que claramente espelha a de Mojica). O aspecto mais interessante do filme é o olhar do personagem para o Brasil que ele reencontra, mais miserável, mais carola, mais corrupto. A principal mensagem de Mojica parece ser: neste país, o terror são os outros.

 

Mas, para além da questão da mitologia pessoal, o anti-herói Zé do Caixão encarna (com trocadilho) como poucos as contradições do cinema brasileiro, como o herói Indiana Jones em relação ao cinema americano. Mesmo com o banho de loja que ganhou com o maior orçamento de sua carreira e uma equipe de produção de ponta, Zé do Caixão não ameniza as tintas nas cenas de terror continua com suas principais cacterísticas intocadas no novo filme: tosco e inventivo, moralista e blasfemo, sádico e culpado, culto e intuitivo, radical e popular. Na verdade, há dúvidas sobre este último item: Zé do Caixão resistiu a 40 anos de prisão, a policiais violentos e a padres fanáticos, mas será que ele sobrevive ao cinema nos tempos de multiplex? Toda nossa torcida é que a resposta seja sim.

 

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05/08/2008 - 22:43

“A Favorita” mata a própria ambigüidade

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O capítulo de hoje de “A Favorita” foi a prova definitiva de que telenovela não é terreno para ambigüidades. O grande diferencial – e, para mim, o único interesse – da atual novela das oito da Globo era justamente a indefinição sobre qual protagonista seria a vilã e qual seria a mocinha. Pelo visto, os espectadores não gostaram da novidade, a audiência bateu recordes negativos, e a emissora decidiu matar a complexidade da história. Tudo ficou claro no capítulo desta terça-feira: Flora (Patrícia Pillar) é vilã, Donatela (Cláudia Raia) é mocinha. E, assim, o último respiro de modernidade da novela abre espaço para o folhetim clássico.

 

Algo parecido já havia acontecido em “Paraíso Tropical”, quando a emissora domou o amoralismo de Bebel (Camila Pitanga) e transformou-a em prostituta do bem. A novela tornou-se menos interessante e mais popular. Culpa do conservadorismo dos espectadores ou da falta de ousadia da Globo? Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

 

O que me parece mais curioso nessa história é que a definição moral da personagem de Donatela foi acompanhada por uma mudança visual, com o cabelo alisado dando lugar ao penteado rebelde. Única conclusão possível: para a Globo, mocinha que se preze não faz chapinha.

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04/08/2008 - 23:14

Apertem os cintos, o diretor sumiu

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Um dos grandes mistérios do cinema recente acaba de chegar ao fim. Tony Jaa, o astro tailandês das artes marciais e o homem que chegou mais perto até aqui de ser considerado um digno discípulo de Bruce Lee, reapareceu dois meses após abandonar as filmagens de “Ong Bak 2”, que ele protagoniza e dirige.

Nesse meio tempo, surgiram os mais estranhos boatos sobre o desaparecimento de Jaa: ele teria ido para o meio da selva para meditar ou para uma caverna praticar magia negra. Em entrevista à TV tailandesa, Jaa negou essas versões e prometeu voltar para completar o filme – uma boa notícia para os fãs de artes marciais. Ah sim, ele também desabou em lágrimas – o que não é algo que se espera de um herói de ação.

Aparentemente, ele estava estressado com a pressão de dirigir seu primeiro longa e não aguentou as cobranças por estourar o prazo e o orçamento da filmagem. O filme está em produção há três anos. Seu produtor garante que o lançamento não passará do final de 2008. Abaixo, o trailer do filme, que dá uma certa idéia do talento de Jaa (que não usa dublês).

Aliás, procurando o trailer de “Ong Bak 2”, trombei com esse vídeo da tailandesa Jeeja Yanin, considerada “a Tony Jaa de saias” (ela também não usa dublês), em “Chocolate” (2008). Bacana ver uma mulher “kicking some ass” sem ser de mentirinha como nos filmes do Zhang Yimou.

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