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19/10/2008 - 23:20

Você daria carta branca a Wim Wenders?

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Mais de um amigo me perguntou: por que a Mostra de São Paulo deu carta branca a Wim Wenders para fazer uma seleção de filmes dentro do evento? Ou melhor: por que escolheram logo o cineasta alemão, que não faz um bom filme de ficção há mais de 20 anos, com tantos diretores mais relevantes no cinema atual?

Talvez a única resposta seja: ele pode ter deixado de ser um grande cineasta, mas ainda é um cinéfilo de primeira – como comprova a Carta Branca a Wim Wenders, pequena mostra dentro da Mostra, com 17 filmes escolhidos pelo alemão, além do último trabalho que dirigiu (“Palermo Shooting”, na foto acima).

É possível dividir a Carta Branca em três partes. Em primeiro lugar, há os filmes ligados diretamente ao universo do seu curador. Como o documentário “Os Primeiros Anos de Wim Wenders”, de Marcel Wehn, que analisa vida e obra do cineasta antes de sua ida para os Estados Unidos. Ou “Tiro Contra – Rebelião de Cineastas”, que enfoca a excepcional geração de diretores alemães que surgiu nos anos 70, como Wenders, Rainer Werner Fassbinder e Werner Herzog. Ou ainda “Invisíveis”, filme em cinco episódios, um deles dirigido por Wenders.

Na segunda parte, estão algumas das principais referências cinematográficas de Wenders, como o japonês Yasujiro Ozu, como “Fim de Verão” e “A Rotina Tem Seu Encanto”, e a nouvelle vague francesa, representada por “O Garoto Selvagem” e “A Sereia do Mississippi”, de François Truffaut, e “O Pequeno Soldado”, de Jean-Luc Godard. Esse é o segmento mais previsível da Carta Branca, mas não é todo diz que se tem a chance de ver esses Ozus, Truffaust e Godard na tela grande.

A terceira parte é a mais interessante, pois concentra filmes recentes escolhidos por Wenders, com ligações menos óbvias com sua obra.  O jogo da Carta Branca é justamente tentar descobrir as afinidades eletivas entre esses trabalhos e os de Wenders. De cara, é  possível dizer que alguns dos filmes trabalham com temas fundamentais para o cineasta alemão, como o sentimento de alienação (“Valerie”, da alemã Birgit Möller), o romantismo extemporâneo (“Bye Bye Blackbird”, do francês Robinson Savary) e a busca de uma nova identidade (“O Homem de Lugar Nenhum”, da belga Patrice Toye).

O melhor de Wenders (“Alice nas Cidades”, “Paris, Texas”, “Asas do Desejo”) pode ter ficado no passado. Mas sua obra ganha sobrevida nos muitos filmes que ele influenciou, como se fosse o Ozu ou o Godard para uma nova geração de cineastas. A oportunidade de ver brotar as sementes germinadas por Wenders é motivo suficiente para acompanhar sua Carta Branca.
 

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3 comentários para “Você daria carta branca a Wim Wenders?”

  1. Ulisses disse:

    Acho apenas que sua obra prima ainda é ” O Amigo Americano”

  2. leitor anônimo disse:

    Calil,
    na verdade, Wenders escolheu um monte de filmes que ele mesmo produziu. Esses dessa terceira parte especialmente. Não tem nada de curadoria nisso, é auto-promoção mesmo. Picaretagem típica da atual obra do diretor.
    Abs.

  3. Fabio Negro disse:

    Wenders se tornou com o Cesar Maia, fala muito bem da teoria e se enrola com a prática.

Os comentários do texto estão encerrados.

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