Publicidade

Publicidade
29/10/2008 - 14:11

Dormindo com Che

Compartilhe: Twitter

 

Dentro da grande maratona da Mostra de São Paulo, “Che” é quase uma corrida à parte, uma São Silvestre cinematográfica. O filme de Steven Soderbergh sobre o revolucionário argentino, que será exibido apenas nesta quinta-feira, às 19h, no Unibanco Arteplex 1 e 2, tem quatro horas e 18 minutos, divididas em duas partes. É um trabalho que exige um certo preparo físico e mental, como comprovou a sessão para a imprensa desta semana, com índices inéditos de críticos cochilando – o que pode ser explicado pelo soma do cansaço de 10 dias de Mostra com o problema da duração do filme.

Isto posto, vamos às questões essenciais. Além de ser um filme grande, “Che” é um grande filme? Não, acho difícil responder que sim. Então vale a pena sentar-se por mais de quatro horas, com um intervalo de 20 minutos, para assisti-lo? Para mim, vale.

“Che” é um filme estranho e, até certo ponto, corajoso. Mais do que na questão da duração e no fato de ser falado em espanhol, a ousadia está no tratamento dado pelo camaleônico Soderbergh (que vai de “sexo, mentiras e videotape” a “Onze Homens e um Segredo” sem perder o rebolado) à história de Guevara. Seu filme é um épico frio e desdramatizado, que tenta trabalhar seu material da maneira mais realista e com abordagem mais documental possíveis.

Talvez não seja um exagero afirmar que “Che” é o telefilme didático mais bem dirigido e produzido da história. Não há nele nenhum vestígio do desejo de catarse encontrado, por exemplo, em “Diários de Motocicleta”. Ao contrário, Soderbergh parece evitar a qualquer custo qualquer tentativa de sentimentalizar ou engrandecer a figura de Che. O mesmo pode ser dito sobre a interpretação contida e precisa de Benicio del Toro como o protagonista.

Na primeira parte do filme, chamada “O Argentino”, mostra-se a vitoriosa trajetória de Che – de médico a guerrilheiro a líder revolucionário – durante a Revolução Cubana. Quem vê apenas essa metade do filme pode imaginar que o cineasta aderiu incondicionalmente a Che, mostrado como figura heróica, irrepreensível. Mas a impressão se desfaz na segunda parte, “Guerrilha”, dedicada à fracassada jornada de Che na Bolívia que culmina com sua morte. Ali também Guevara aparece ainda como um guerrilheiro corajoso e honesto, mas equivocado em sua pretensão de estender a revolução à América do Sul.

Ou seja, para ter um retrato equilibrado e completo de Che, o melhor é assistir às duas partes e dedicar quatro horas de seu tempo ao filme. Portanto, durma bem esta noite para estar descansado amanhã.

 

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

23 comentários para “Dormindo com Che”

  1. daniel disse:

    queria prestar solidariedade ao amigo Calil diante da invasão dos babões pró e anti Guevara nesse tópico (sobretudo os anti, que curiosamente parecem ainda mais ridículos e datados).

  2. Seu Madruga disse:

    Muito bom ler várias opiniões sobre o Che. Todos os que escrevem contra, são a favor de matar socialistas e comunistas, eliminá-los todos. Nada mais guevarista pode ser encontrado aqui. Estamos diante de uma guerra, o que implica em dizer que pessoas irão morrer. Entre morrer os idealistas e igualitários, que morram os hipócritas, escravistas, belicistas e inimigos da ordem e da decência da pessoa humana. Che Guevara, Mao Tse Tung, Stalin, Hochimim e Sandino, nunca morrerão, pois já estão eternizados pela história do mundo. Foram os homens que enfrentaram os piores inimigos para trazer algo de mais alentador para essa humanidade perdida. O resto, é só raiva de comedor de hamburguer que não faz sexo direito.

  3. rita disse:

    Amei os filmes. Diretor, ator estão de parabéns. Falta muito ainda para conhecermos sobre “Che” Guevara. O mito eternizado quando seus algozes pensaram tê-lo liquidado. Guevara é para siempre. Valeu Benicio e todo o seu grupo. Muita coragem!

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo