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Arquivo de outubro, 2008

18/10/2008 - 21:30

Amor de perdição, amor de salvação

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Há dois anos, o cineasta francês Philippe Garrel tornou-se uma tardia revelação para o público brasileiro. Com uma carreira consistente desde os anos 60, ele só teve um filme lançado no país em 2006. Mas que filme: “Amantes Constantes”, rara obra-prima do cinema recente, contracampo de “Os Sonhadores” de Bertolucci, por ser uma revisita ao maio de 68 mais política, menos distanciada.

Neste ano, seu novo filme, “A Fronteira da Alvorada”, foi recebido com certa frieza em Cannes. Será que o entusiasmo despertado por Garrel foi exagerado? Nada disso. Selecionado para a Mostra de São Paulo deste ano (a primeira exibição é neste domingo, às 18h40, no Reserva Cultural; veja as outras aqui), “A Fronteira da Alvorada” é um belíssimo trabalho, com muitos pontos distintos em relação a “Amantes Constantes” e alguns poucos em comum – o que talvez explica a decepção em Cannes.

O protagonista é novamente um Louis Garrel (filho do cineasta, também ator de “Os Sonhadores”) às voltas com problemas amorosos, a fotografia é outra vez um preto-e-branco contrastado, a nouvelle vague continua sendo a principal referência estética. Mas a trama se situa no presente, e a política deixa de ser o pano de fundo central, abrindo espaço para o intimismo e, a partir de um certo ponto, para o espiritismo. Se fosse possível traçar um paralelo literário com o filme, seria o caso de dizer que “A Fronteira da Alvorada” é, em sua primeira parte, “Amor de Perdição” e, na segunda, “Amor de Salvação” – os livros do português Camilo Castelo que destrincham dois tipos contrastantes de relação afetiva.

No começo, o fotógrafo François (Louis Garrel) apaixona-se pela atriz Carole (Laura Smet), casada com um ator sempre ausente, mulher emocionalmente desequilibrada, que torna a vida de seu amante uma montanha-russa. Esse seria o amor de perdição de François. Quando a relação chega a um fim trágico, o fotógrafo envolve-se com a doce Eve (Clementine Podatz), que lhe oferece a possibilidade de um cotidiano estável. Amor de salvação, ora pois.

Seria simples assim se não fosse um filme de Garrel, cineasta de sutilezas dramáticas e visuais, capaz de colocar em cena um espírito no meio de uma trama realista sem jamais soar ridículo . O amor de Carole pode ser a salvação para a apatia de François diante do mundo, o de Eve, sua perdição para o tédio burguês.

Ao cabo, a essência de “A Fronteira da Alvorada” pode ser encontrada em uma frase dita por um dos coadjuvantes: o amor é como um pára-brisa; em um momento, uma lâmina foge da outra, para persegui-la no seguinte; sem que nunca se toquem, sem que cheguem a um equilíbrio. Ë preciso um grande artista como Garrel para transformar uma metáfora banal como essa em um grande filmes como “A Fronteira da Alvorada”.

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15/10/2008 - 19:30

51 boas idéias para a Mostra

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Com mais de 400 filmes programados para a 32ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo, que começa nesta sexta-feira e vai até o dia 30, não dá para não ficar perdido. Então chegou o momento de fazer apostas, baseadas em dois ou três critérios confiáveis (mas também falíveis): o currículo dos cineastas, as indicações de críticos que respeitamos e também um pouco de intuição. Aqui vão 51 filmes que eu gostaria de ver ou rever na Mostra, divididos em blocos geográficos ou temáticos.

Oriente Extremo

O bloco do Extremo Oriente já esteve mais forte em anos anteriores, o que pode ser um sinal de que os ventos da cinefilia estejam mudando de lado. Ainda assim, há destaques fortes como o novo trabalho do chinês Jia Zhang-ke, talvez o mais influente cineasta da nova geração, e um épico reeditado pelo celebrado Wong Kar Wai, entre outros.

“24 City”, do chinês Jia Zhang-ke
“Cinzas do Passado Redux”, do chinês Wong Kar Wai
“Sonata de Tóquio”, do japonês Kiyoshi Kurosawa
“A Floresta dos Lamentos”, da japonesa Naomi Kawase

Seleção brasileira

O time nacional entra em campo com duas estréias de atores atrás das câmeras (Selton Mello e Matheus Nachtergaele), os novos trabalhos de alguns mestres (Julio Bressane e Domingos de Oliveira), documentários sobre músicos que bombaram no festival do Rio e o primeiro filme de José Padilha depois do fenômeno “Tropa de Elite”.

“A Erva do Rato”, de Julio Bressane
“A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nacthergaele
“Feliz Natal”, de Selton Mello
“Garapa”, de José Padilha
“Juventude”, de Domingos Oliveira
“Loki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle
“Palavra Encantada”, de Helena Solberg
“Romance”, de Guel Arraes
“Se Nada Mais Der Certo”, de José Eduardo Belmonte
“Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues

Brigada francesa

Depois de anos de decadência, o cinema francês voltou com força nos últimos anos. A Mostra deste ano traz os novos trabalhos de três dos principais responsáveis por esse renascimento: Phillipe Garrel, Olivier Assayas e Arnaud Desplechin. Os três filmes chegam com fama de trabalhos menores. Mas, no caso dos três, pouco já é muito.

“A Fronteira da Alvorada”, de Phillipe Garrel
“Horas de Verão”, de Olivier Assayas
“Um Conto de Natal”, de Arnaud Desplechin

Queridinhos de festivais

Eles estão entre os cineastas mais premiados nos grandes festivais do mundo, o que os torna um alvo preferencial do público da Mostra. Mesmo que seus novos filmes não tenham acumulado prêmios como no passado, é bom garantir o ingresso.

“Alexandra”, do russo Alexander Sokurov
“Mais Tarde Você Entenderá”, do israelense Amos Gitai
“O Silêncio de Lorna”, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne
“Nucingen Haus”, de Raoul Ruiz

Apostas de baixo risco

Críticos amigos reclamaram de poucas boas novidades no Festival do Rio que terminou há pouco. Mas houve uma unanimidade em torno de um pequeno filme português. Outros que chegam com boas recomendações são uma animação documental israelense e uma comédia de um diretor do Cazaquistão.

“Aquele Querido Mês de Agosto”, do português Miguel Gomes
“Waltz with Bashir”, do israelense Ari Folman
“Tulpan”, do cazaque Sergey Dvosrtsevo

Invasão americana

A Mostra traz um belo apanhado do melhor que o cinema americano pode oferecer fora do esquema dos blockbusters. Há novos trabalhos de alguns dos mais interessantes cineastas em atividade nos EUA (Steven Soderbergh, Jonathan Demme, os irmãos Coen, Woody Allen e o documentarista Errol Morris), além da estréia na direção do roteirista Charlie Kaufman. Mas pense bem se os americanos são sua prioridade, porque boa parte deles estréia em breve no Brasil.

“Che”, de Steven Soderbergh
“O casamento de Rachel”, de Jonathan Demme
“Procedimento Operacional Padrão”, de Errol Morris
“Queime Depois de Ler”, de Joel Coen e Ethan Coen
“Rebobine, Por Favor”, do francês Michel Gondry
“Sinédoque, Nova Iorque”, de Charlie Kaufman
“Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen

Música nas telas

Como de hábito na Mostra, há sempre um par de bons filmes sobre mitos da música. Neste ano, os agraciados são Crosby, Stills, Nash and Young e Patty Smith.

“CSNY/Déjà Vu”, de Neil Young
“Patty Smith – Sonho de Vida”, de Steven Sebring

Renascença italiana

O cinema italiano está renascendo? Nos festivais deste ano, alguns críticos disseram que sim. A prova? Três filmes que estão na Mostra, incluindo “Terra Vermelha”, filmado no Brasil pelo chileno Marco Bechis, mas com produção majoritariamente italiana. O filme, aliás, foi escolhido para abrir o evento.

“Gomorra”, de Matteo Garrone
“Il Divo”, de Paolo Sorrentino
“Terra Vermelha”, do chileno Marco Bechis

Onda argentina

Dos grandes nomes da chamada buena onda argentina, faltou só a Lucrecia Martel. Mas estarão na Mostra os novos trabalhos de Pablo Trapero, Lisandro Alonso e Daniel Burman – o que garante a qualidade da representação dos hermanos.

“Leonera”, de Pablo Trapero
“Liverpool”, de Lisandro Alonso
“Ninho Vazio”, de Daniel Burman
“Café dos Maestros”, de Miguel Kohan

Wim Wenders

Nos últimos anos, o diretor alemão tornou-se mais importante como cinéfilo do que como cineasta. Portanto, aqui vai uma boa notícia. Além do filme novo de Wenders (“Palermo Shooting”), haverá uma mostra do tipo carta branca com curadoria do cineasta, na qual ele selecionou 14 filmes novos e antigos de outros diretores que têm afinidades eletivas com sua obra

“Palermo Shooting”, de Wim Wenders
“Fim de Verão” e “A Rotina Tem seu Encanto”, do japonês Yasujiro Ozu
“O Pequeno Soldado”, do francês Jean-Luc Godard
“O Garoto Selvagem” e “A Sereia do Mississippi”, do francês François Truffaut
“Valerie”, da alemã Birgit Möller
“Bye Bye Blackbird”, do francês Robinson Savary
“O Homem de Lugar Nenhum”, da belga Patrice Toye

Clássicos nunca morrem

Uma Mostra não seria completa sem um punhado de clássicos. E neste ano não dá para reclamar. Tem 12 filmes da fase inicial de um mito sueco (Ingmar Bergman), 14 de autor japonês pouco conhecido (Kihachi Okamoto), um alemão monumental (Rainer Werner Fassbinder) e um americano restaurado (Francis Ford Coppola).

“Berlin Alexanderplatz”, de Rainer Werner Fassbinder
“O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola

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14/10/2008 - 22:39

A culpa é do comediante

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O papo é sério: a comediante Tina Fey foi acusada de arruinar a carreira política de Sarah Palin por causa de sua imitação da candidata a vice-presidente no programa “Saturday Night Live”. Segundo uma enquete recente do jornal “The Washington Times”, o “efeito Tina Fey” afastou eleitores da governadora do Alasca e de seu companheiro de chapa John McCain.

Ouvido pelo “New York Post”, o cientista político Jerald Podair afirmou: “Os imitadores de presidentes influenciam as eleições. E, nesta especificamente, Tina Fey está a caminho de arruinar a carreira política de Sarah Palin. Em uma cultura política que segue as marcações da cultura pop, um bom imitador pode valer um milhão de votos.”

Podair citou um caso do passado para provar sua tese. “As pessoas lembram do (ex-presidente) Gerald Ford pelo prisma do (comediante) Chevy Chase. Ford tinha um amplo conhecimento das questões públicas. Mas, por causa de Chase, muitos lembram dele como um bufão.”

Sarah Palin provavelmente conseguiria arruinar sua carreira sozinha. Mas Fey deu um belo empurrão. O esquete em que ela repete palavra por palavra uma entrevista dada por Palin à jornalista Katie Couric, mostrando literalmente que a candidata a vice-presidente é uma piada pronta, virou um clássico da comédia, bombou a audiência do “Saturday Night Live” e, claro, tornou-se um fenômeno no YouTube. Veja abaixo uma reportagem da MSNBC que coloca a entrevista de Palin lado a lado com a imitação de Fey.

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13/10/2008 - 22:49

Toda nudez será castigada. Mas que nudez?

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A discussão sobre o manifesto do ator Pedro Cardoso contra a nudez no cinema nacional é uma polêmica extemporânea. Na definição do Houaiss, a palavra significa algo “que ocorre ou se manifesta fora ou além do tempo apropriado ou desejável”.

Justa ou não, a demanda de Cardoso está atrasada. Muito atrasada. Porque, desde fins dos anos 60, o cinema brasileiro nunca foi tão casto. A gratuidade da nudez na época da pornochanchada foi substituída pelo caráter em geral inofensivo dos filmes atuais. Na revista Zé Pereira, por exemplo, Luiz Henriques escreveu o seguinte sobre “Vingança”, de Paulo Pons, em meio ao Festival do Rio: “Demorou cinco filmes e uma semana, mas finalmente apareceu mulher pelada na Première Brasil. O que houve com o cinema brasileiro dos anos 70 e 80 pra cá?”

Se fosse feito na época da pornochanchada, o manifesto de Pedro Cardoso seria corajoso. Hoje, soa apenas deslocado. O que apenas reforça a tese de que se trata de questão pessoal, deflagrada pela nudez da namorada do ator em um filme, exibida pelo diretor em “sessões privês” para amigos (a “Folha” arrisca os nomes: Graziela Moretto seria a namorada; Selton Mello, o diretor; “Feliz Natal”, o filme).

No manifesto, Cardoso ainda fala da “disfunção sexual” dos diretores. O que será que ele quis dizer com isso? Será que ele deu uma de Marta Suplicy, ao questionar se Kassab era casado e com filhos?

De toda esse polêmica um tanto inútil, resta uma grande tirada de Inácio Araujo na “Folha”. Cardoso escreveu em seu manifesto: “Quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, nunca o personagem”. Ao que o crítico respondeu: ora, Cardoso nunca foi outra coisa no cinema e na TV que não si mesmo, vestido ou não. Touché!

Adendo: em função dos comentários dos leitores, gostaria de esclarecer que o texto se refere à nudez e ao sexo no cinema brasileiro; na TV, a história é mesmo outra e está longe de ser casta. Mas o manifesto de Cardoso essencialmente não ataca a baixaria na TV (o que seria mais louvável), mas sim os diretores que obrigariam seus atores a ficar nus. E eu acredito que os atores, salvo casos específicos, não são seres indefesos, impossibilitados de dizer não.

 

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12/10/2008 - 22:32

A sina dos filmes sobre o Iraque

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A bilheteria deste final de semana nos Estados Unidos confirmou uma sina: todo e qualquer filme sobre a guerra do Iraque fracassa. A “vítima” desta vez é “Rede de Mentiras”, que tem em seus créditos pesos pesados como o diretor Ridley Scott e os atores Russell Crowe e Leonardo DiCaprio. O filme sobre um agente da CIA que caça terroristas no Oriente Médio arrecadou decepcionantes US$ 13,1 milhões, atrás da comédia “Beverly Hills Chihuahua” e do terror “Quarentine”.

Outros filmes sobre o Iraque que ficaram aquém do esperado nas bilheterias foram “O Reino”, “No Vale das Sombras”, “Leões e Cordeiros”, “Stop-Loss – A Lei da Guerra”, “Redacted” e o documentário “Standard Operation Procedure”, além da série de TV “Over There”.

Qual seria a causa da sina? Não deve ser um problema de qualidade. Os dois últimos filmes citados, dirigidos pelos excelentes Brian DePalma e Errol Morris, receberam críticas bastante positivas. No “New York Times”, o colunista Frank Rich chegou a um veredito algum tempo atrás: trata-se de um caso simples de negação.

“Não é apenas um fenômeno do showbiz, mas uma forte indicação de onde nossa cultura se situa agora. Não é apenas a tortura que queremos evitar. A maioria dos americanos não quer ouvir, ver ou sentir qualquer coisa relacionada ao Iraque, independentemente de apoiar ou se opor à guerra. Eles querem olhar para longe e têm feito isso há algum tempo.”

No caso de “Rede de Mentiras”, eu chutaria outra razão: nesse momento, todos estão mais preocupados com a crise economômica do que com a guerra do Iraque, o que deve ter reforçado ainda mais a busca por um escape no cinema com comédias ou filmes de terror.

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09/10/2008 - 23:32

Big Brother virou cineasta

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No blog Nas Entrelinhas, o jornalista Rogério Jordão chama atenção para um fenômeno interessante que vem da Inglaterra: a produção de trabalhos audiovisuais com imagens captadas por câmeras de segurança. O país tem mais de 3 milhões delas, o que deve torná-lo o lugar mais vigiado do mundo.

Para muitos, trata-se de uma realidade assustadora, próxima de um Big Brother (não o do programa de TV, e sim o criado por George Orwell em “1984” ). Mas, como nota Jordão, pode ser também uma fonte de inspiração para alguns artistas. Eles já escreveram inclusive um manifesto defendendo filmes feitos apenas com imagens captadas por câmeras de segurança.

O mais interessante parece ser o de Manu Luksch, que recolheu ao longo de quatro anos imagens dela própria captadas por essas câmeras. Por lei, a pessoa tem direito de requisitar suas imagens para quem as filma, mas não pode mostrar os rostos de outras pessoas que aparecem na fita. Daí o título do filme, “Faceless” (Sem rosto). Abaixo, o trailer:

Pode não ser o filme mais excitante do mundo, mas deve ser um dos mais representativos dos tempos em que vivemos.

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08/10/2008 - 22:02

TV faz bem ao cérebro e mal ao sexo

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Ao contrário do que prega o senso comum, a TV não faz mal às crianças. Pelo menos é o que garantem os economistas Matthew Gentzkow (que, aos 33 anos, não tem TV em casa) e Jesse Shapiro, da University of Chicago Graduate School for Business, em estudo publicado no Quarterly Journal of Economics.

Ao analisar dados de uma série de pesquisas, eles chegaram à conclusão que a televisão pode ter efeito positivo nas habilidades cognitivas das crianças. Segundo os economistas, a TV permitiu que crianças americanas de casas onde não se falava inglês tivessem um melhor desempenho escolar.

A TV pode até não fazer mal às crianças, mas eles podem impedir que novas crianças sejam feitas. E o Brasil é usado como exemplo dessa idéia. Segundo outro estudo, coordenado pela economista italiana Eliana La Ferrara, da Universidade Bocconi, de Milão, a TV ajudou a diminuir as taxas de fertilidade de nosso país.

A economista diz que o estudo prova que acesso às telenovelas da Globo a partir dos anos 70 foi determinante para a queda do número de filhos por família. Segundo ela, as novelas costumam mostrar famílias pequenas, “em parte porque os programas retratam versões idealizadas da vida da classe média e alta, mas também porque os espectadores teriam dificuldade de acompanhar famílias grandes com muitos personagens”.

Não sei avaliar a seriedade do estudo, nem o conhecimendo da economista sobre a realidade brasileira. Mas ela parece estar desprezendo um fato óbvio: ver TV tira o tempo de outras atividades, como o sexo. Portanto, é um tanto óbvio que ela indiretamente derrube a taxa de natalidade.

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07/10/2008 - 17:18

Que tal o ingresso a 4 reais?

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A Ancine (Agência Nacional de Cinema) anunciou que os ingressos para todos os filmes brasileiros custarão R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia entrada) entre segunda e quinta-feira, ao longo de duas semanas de novembro.

A iniciativa faz parte de uma campanha de valorização do cinema nacional, em meio a uma grave queda de bilheteria, e foi possível graças a um acordo entre os vários agentes do setor audiovisual, segundo noticiou o site FilmeB.

A Ancine deve subsidiar cada ingresso vendido em R$ 2,00 ou R$ 1,00 (meia entrada), mas o valor ainda não está fechado. A idéia é que todos os cinemas que estejam exibindo filmes brasileiros na época, o que deve chegar a 400 salas, participem da promoção.

À primeira vista, a iniciativa é boa: o preço dos ingressos está muito alto para a maioria dos brasileiros, e o subsídio do governo está muito concentrado na produção, pouco na exibição – que é o grande nó a ser desatado no cinema nacional.

Muita gente pode argumentar: melhor que não exista subsídio nenhum, que não haja esse privilégio em relação a produções de outros países, que os filmes brasileiros caminhem pelas próprias pernas. Mas ninguém mais pode recorrer ao exemplo americano: afinal, eles também deram provas de que precisam de subsídio do governo na hora do aperto.

E você, caro leitor, o que acha da idéia do ingresso a R$ 4,00 para os filmes brasileiros?

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05/10/2008 - 21:49

“Blindness” fracassa nos EUA

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Agora é oficial: “Ensaio sobre a Cegueira” não emplacou nos Estados Unidos.  Primeiro, vieram as críticas negativas na estréia da última sexta-feira. O novo filme de Fernando Meirelles recebeu apenas 37% de críticas positivas segundo o site RottenTomatoes, contra 84% de “O Jardineiro Fiel” e 92% de “Cidade de Deus”, seus trabalhos anteriores.

E agora acaba de sair o resultado de arrecadação no primeiro final de semana, e ele só pode ser classificado como decepcionante. “Ensaio sobre a Cegueira” faturou US$ 2 milhões e não ficou nem no Top 10 de maiores bilheterias, apesar de contar com um elenco de estrelas americanas (Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover) . A lista foi liderada por “Beverly Hills Chihuahua”, com US$ 29 milhões, e teve como maior surpresa o documentário “Religulous”, com US$ 3,5 milhões.

Segundo a “Variety”, um porta-voz da Miramax, que distribuiu “Ensaio sobre a Cegueira” nos EUA, disse que estava obviamente desapontado com a performance do filme. A empresa tinha o plano de estrear “Blindness” em um número limitado de salas para ter um bom boca-a-boca e depois ampliar o circuito. Mas, com o resultado da bilheteria de estréia, desistiu da idéia. O que significa que qualquer pretensão de indicações ao Oscar também deve ser abandonada.

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04/10/2008 - 15:26

Michael Moore cria apartheid virtual

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Que Michael Moore é um ser contraditário, isso nós todos já sabemos. Mas a última nova sobre o cineasta bateu todos seus recordes pessoais anteriores. Primeiro, Moore anunciou que iria oferecer seu novo filme, “Slacker Uprising”, para download gratuito na internet. Agora, os advogados do cineasta mandaram uma carta exigindo que o filme seja removido dos servidores do BTJunkie, um mecanismo de busca de bit torrents sediado na Suécia. O argumento dos advogados é que a oferta do filme é válida apenas para os Estados Unidos.

 

É estranho que o “campeão da democracia” Michael Moore faça uma divisão tão autoritária entre quem pode e quem não pode ver seu filme “gratuito”. Agora mais bizarro ainda é que um cineasta tão esperto acredite que barreiras geográficas possam funcionar na internet a essa altura do campeonato.

 

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