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20/11/2008 - 23:20

Dose dupla de Wayne Wang

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O diretor sino-americano Wayne Wang deve ter uma das trajetórias mais curiosas do cinema atual. Revelado em filmes independentes como “O Clube da Felicidade e da Sorte” e “Cortina de Fumaça”, ele passou os últimos anos em Hollywood fazendo veículos para estrelas duvidosas, como “Encontro de Amor”, com Jennifer Lopez, e “As Férias da Minha Vida”, com Queen Latifah. Agora, volta à produção independente em dose dupla, com “Mil Anos de Oração” e “A Princesa de Nebraska”, que estréia nesta sexta-feira no Brasil.

Os dois filmes marcam não apenas o retorno de Wang ao esquema de baixo orçamento, mas também ao tipo de drama intimista centrado na comunidade chinesa nos EUA que o revelou em “O Clube da Felicidade e da Sorte”. Dos dois filmes, o mais bem-sucedido é “Mil Anos de Oração”, em que Wang trabalha confortavelmente no terreno do contido melodrama familiar, com a história de um senhor chinês que visita sua filha recém-separada nos Estados Unidos e descobre que ela tem um romance com um homem casado.

Já “A Princesa de Nebraska” é um experimento equivocado, mas que ao menos revela o desejo de Wang de sair de sua zona de conforto. O risco da empreitada começa com a forma de exibição. Nos EUA, o filme foi lançado apenas no YouTube, passando ao largo das salas de cinema. E a ousadia prossegue também na linguagem do filme, um drama realista seco, sem o sentimentalismo que mina a obra de Wang, com uma narrativa rarefeita, em que o diretor dá poucas pistas ao público sobre as motivações de sua protagonista.

A câmera do filme cola-se a uma estudante chinesa da Universidade do Nebraska durante a visita de 24 horas que ela faz a San Francisco para abortar o filho que gerou com seu namorado ainda em Pequim. A abordagem de Wang para o drama de sua protagonista ora lembra o nouvelle vaguismo de “Cléo das 5 às 7”, de Agnés Varda, ou de “Viver a Vida”, de Godard, ora o realismo dos irmãos Dardenne.

Mas “A Princesa de Nebraska” fica bem abaixo de suas referências. Wang não professa da liberdade dos primeiros, nem do ascetismo dos segundos. Longe do seu referencial sentimentalista, seu experimento resulta um tanto artificial e postiço.

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