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Arquivo de novembro, 2008

11/11/2008 - 21:03

Sobre patrocínios e multinacionais, homens e cachorros

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Deu no site da “Variety”, principal publicação voltada ao mercado cinematográfico americano: “Governo brasileiro vai patrocinar programa da Viacom”. O tal programa é o “Contador de Histórias”, versão brasileira para o conhecido “Storytellers”, do canal americano VH1. O primeiro episódio, a ser produzido pela Mixer e exibido em abril, será sobre Gilbert Gil, ex-ministro da Cultura. Mas a Viacom já anunciou a intenção de fazer outros episódios.

Há poucos detalhes na matéria para julgar se a iniciativa é válida ou condenável. Mas o que me parece interessante é que não encontrei, em busca pela internet, nenhuma referência na imprensa brasileira sobre o patrocínio do governo para um programa de TV de uma multinacional (se eu estiver enganado, por favor me corrijam). Por aqui, isso nem soa mais como notícia. Para os americanos, ainda vai para o título da matéria.

No Brasil, é o cachorro mordendo o homem. Nos EUA, o homem mordendo o cachorro.

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09/11/2008 - 23:22

Agora é oficial: o videocassete morreu

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A morte do videocassete já foi anunciada muitas vezes. Mas agora parece que é oficial: a JVC, última companhia a produzir os aparelhos, comunicou o fim da fabricação. Para quem alimentou parte considerável de sua cinefilia com fitas VHS, é uma notícia triste – como foi a da morte da vitrola há alguns anos.

Há quem entre em estado de negação. Como um jornalista do “Guardian”, que jurou amor eterno ao VHS e não vê nenhuma vantagem no DVD: “Um filme não tem capítulos. Não é um disco de músicas independentes ou uma revista para ser folheada. É um trabalho único, coerente, para ser visto em uma sentada. (…) As entrevistas com o elenco são tediosas, as cenas deletadas não deixam dúvidas sobre os motivos de terem sido deixadas de fora, e os finais alternativos geralmente arruinam o clima criado pelo filme. Não, eu vou ficar com meu velho e confiável vídeo. Pelo menos até que a máquina mastigue todas as fitas. Daí vou considerar as outras opções.”

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08/11/2008 - 21:04

Proibido para menores de 18. Não o filme, mas a sala

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Como resolver o problema dos adolescentes barulhentos no cinema? Como evitar que eles passem as sessões conversando, comendo pipoca e mandando torpedos? Fácil: proibir sua entrada. Essa foi a solução encontrada pela rede de cinemas britânica Vue. Desde ontem, 58 de suas salas têm sessões que só permitem a entrada de maiores de 18 anos – mesmo que o filme não tenha censura de idade.

Segundo um executivo da rede, os blockbusters serão os filmes visados pela iniciativa – já que eles costumam atrair espectadores mais barulhentos. O primeiro com exibições proibidas para menores foi “Quantum of Solace”, o novo 007. Mas a rede também exibiu a produção em sessões liberadas para adolescentes. A Vue colocou em seu site uma votação online para escolher os próximos filmes anti-menores.

Algum tempo atrás, outra rede britânica, a Picturehouse, decidiu abolir a pipoca em algumas sessões vespertinas, com o objetivo de diminuir os ruídos estranhos nos filmes.

Se essas duas proibições fossem definitivas – ou seja, se não valessem apenas para algumas sessões -, me pareceria um exagero. Mas, do jeito que anda a delinqüência juvenil nos cinemas, a idéia até que não é ruim – embora os velhinhos também costumem conversar bastante no meio dos filmes.

E você, acha que vale a pena importar para o Brasil a idéia das sessões proibidas para menores de 18 e para comedores de pipoca?

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06/11/2008 - 22:06

Cinema de quitanda x cinema de supermercado

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Dos 11 filmes que estréiam no Brasil neste final de semana, certamente “007 – Quantum of Solace”, o novo de James Bond, será aquele que ganhará a atenção dos holofotes. Mas convém não perder de vista um pequeno grande filme brasileiro: “Meu Nome é Dindi”.

Longa de estréia do carioca Bruno Safadi, o flilme é uma das melhores surpresas preparadas pelo cinema brasileiro em algum tempo. Filmado em Cinemascope, com longos planos-seqüência, a produção ostenta uma qualidade artesanal inversamente proporcional ao tamanho do orçamento.

“Meu Nome é Dindi” é essencialmente um filme sobre o tempo e o cinema. Ou antes, sobre como olhar para o passado – do nosso país e do nosso cinema – e encontrar respostas para o presente.

Dindi (Djin Sganzerla, filha de Rogério Sganzerla e Helena Ignez) é dona de uma quitanda no decadente centro do Rio, ameaçada de fechamento pela abertura de um supermercado na vizinhança, com dívidas a pagar para um violento açougueiro (Carlo Mossi, o ex-galã de pornochanchadas) e assombrada pela aparição de um misterioso palhaço (Nildo Parente). Seu único consolo é a relação com o namorado militar (Gustavo Falcão).

“Meu Nome é Dindi” é um filme lotado de referências cinematográficas, em especial a Rogério Sganzerla e Julio Bressane (de quem Safadi foi assistente), que defende a causa do cinema de invenção, livre de convenções narrativas, adepto da reciclagem de gêneros e das mudanças de registro ao longo da projeção.

Por outro lado, é um trabalho de personalidade forte, com um recado bastante claro para o Brasil e o cinema nacional de hoje: uma defesa discreta, mas apaixonada de um cinema de quitanda, baseado no cuidado artesanal e no sentido gregário, contra um cinema de supermercado, sustentado pela fabricação de massa e pelas relações impessoais.

“Meu Nome é Dindi” nos provoca com a seguinte pergunta: é possível ser ao mesmo tempo livre e delicado no Brasil – e no cinema brasileiro. Sim, é possível. A prova é a luminosa interpretação de Djin Sganzerla. A prova é “Dindi”.

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05/11/2008 - 21:23

“Cidade de Deus”: difícil de assistir

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“Cidade de Deus” acaba de ganhar destaque em mais uma lista internacional de filmes. Mas desta vez não se trata de alguma eleição dos melhores da história. O filme de Fernando Meirelles está em uma relação feita pelo site Total Film das “18 cenas que não conseguimos assistir”. A seqüência que motivou a escolha é aquela em que uma criança é obrigada a atirar em outra ainda menor por Zé Pequeno. Ela ocupa a 14a posição na lista. “A cena é ainda mais horripiliante porque se sabe que os atores pré-adolescentes de Fernando Meirelles eram garotos reais do pedaço: a angústia em seus rostos não mente”, escreve o site.

A relação do Total Film é bem mais interessante que a média das listas que se publicam diariamente em todos os cantos da internet. Ela inclui desde cenas difíceis de assistir por sua violência – como a da roleta russa de “The Deer Hunter”, que ficou em primeiro lugar – até seqüências difíceis de engolir porque são ridículas – como a de Julia Roberts dizendo para Hugh Grant em “Nothing Hill”: “eu sou apenas uma garota, de frente para um garoto, pedindo para ser amada”. Argh.

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04/11/2008 - 21:34

Obama e McCain vão ao cinema

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Em época de eleições americanas, o site FARK.com lançou um concurso bacana: pegar um pôster qualquer de cinema e incluir Obama e McCain no Photoshop. Os resultados vão do tosco ao hilário. Meu favorito é o de “Onde os Fracos Não Têm Vez” (ele faz mais sentido com o título americano, “No Country for Old Men”).

O de “Um Sonho de Liberdade” vem logo atrás.

E o de “Brokeback Mountain” também foi bem.
 

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03/11/2008 - 22:43

O filme médio apareceu ou filme grande encolheu?

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Nos últimos anos, criou-se uma rara unanimidade no cinema brasileiro: para salvar nossa cinematografia, seria fundamental termos mais “filmes médios”. Mas o consenso acabava na própria definição do que é um filme médio. Nos bons tempos da “retomada” (circa 2003), era um público entre 500 mil e 1 milhão de espectadores. No atual regime de vacas magras, qualquer coisa entre 100 e 500 mil já está valendo.

Pois bem, existe uma aparente boa notícia para o cinema nacional em 2008. Se adotarmos um critério generoso (100 mil a 1 milhão de espectadores), existem 11 produções brasileiras que poderiam ser chamadas de “filmes médios” neste ano.

Segundo dados do site FilmeB, a lista inclui: “Ensaio sobre a Cegueira” (757 mil), “Era uma Vez” (552 mil), “Casa da Mãe Joana” (457 mil), “Sexo com Amor?” (419 mil), “Bezerra de Menezes” (399 mil), “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili” (319 mil), “Última Parada 174” (211 mil, em início de carreira), “Xuxa em um Sonho de Menina” (210 mil), “A Guerra dos Rocha” (208 mil), “Chega de Saudade” (179 mil) e “Linha de Passe” (142 mil). Apenas um filme ficou acima da barreira do 1 milhão: o fenômeno “Meu Nome não é Johnny”.

Se temos enfim tantos filmes médios, por que a boa notícia é apenas aparente? Primeiro, por causa da constatação de que esse aguardado fenômeno não salvou o cinema brasileiro. Segundo, porque na maioria dos casos citados acima estamos falando de filmes grandes que encolheram – como nos casos do Didi e da Xuxa, que já emplacaram vários filmes acima de 1 milhão de espectadores.

Os diretores Fernando Meirelles, Breno Silveira, Hugo Carvana, Bruno Barreto, Jorge Fernando, Laís Bodanzky e Walter Salles – todos representados nessa lista com seus novos filmes – também já fizeram um ou mais filmes com público maior. Talvez o único filme da relação que pode ser identificado como um filme pequeno que cresceu seja o surpreendente “Bezerra de Menezes”.

Ou seja, o cinema brasileiro está um pouco como o Felipe Massa: nem as vitórias a gente consegue comemorar direito.

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02/11/2008 - 20:53

Todo poder aos independentes

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Nos últimos anos, Minas Gerais vem abrigando alguns dos festivais mais bem pensados e produzidos do país, como os de Tiradentes e o Ouro Preto, graças à soma dos esforços de organização da Universo Produção com a curadoria do crítico Cléber Eduardo. O caçula dessa turma é a Mostra CineBH, cuja segunda edição foi iniciada na última quinta-feira e termina na próxima terça.

Como sempre nesse trio de festivais, a curadoria do CineBH tem um foco bem definido: a produção independente. Ou seja, os filmes produzidos sem apoio da Globo Filmes ou das majors americanas. Para comprovar a importância da defesa dos indies brasileiros, a produção do festival levantou alguns dados que são essenciais a quem quer entender a atual realidade do cinema nacional:

– 29 filmes brasileiros foram lançados em 2003

– 81 filmes brasileiros devem ser lançados neste ano

– Nesse período, a média de espectadores por sala caiu 85%

– Dos 25 filmes brasileiros de maior bilheteria nos anos 2000, 21 foram distribuídos pelas majors e apenas um não teve apoio da Globo (o fenômeno “Tropa de Elite”)

– Esses 25 filmes representam 8% do total de lançamentos, mas 70% do público total

– A produção independente responde por 64% dos filmes lançados no período, mas por apenas 7% do público

Por outro lado, o cinema independente foi responsável pelos filmes brasileiros mais premiados internacionalmente dos últimos anos (“Madame Satã”, “Lavoura Arcaica”, “Cidade Baixa”, “O Invasor”, “Céu de Suely”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”), as produções com melhor relação de espectadores por sala (“Janela da Alma”, “Cama de Gato”) e alguns pequenos fenômenos de público (“Tainá”, “Surf Adventures”, “O Grilo Feliz”).

Mais importante ainda: se houve motivos para ir ao cinema ver um filme brasileiro nos últimos anos, eles foram essencialmente oferecidos pelos independentes, com raríssimas exceções. Tudo somado, basta para justificar mais apoio aos indies – e também o tema da edição do CineBH deste ano.

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01/11/2008 - 22:10

Blu-ray é o novo laserdisc

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Outro dia eu conversava com amigos sobre as tecnologias que fracassaram, e o exemplo mais lembrado foi o do laserdisc – aquele formato de vídeo com discos do formato de um LP, que foi uma febre durante um ano e desapereceu quase tão rápido. Pois parece que o Blu-ray tem todo potencial para se tornar o novo laserdisc; ou seja, uma tecnologia natimorta.

Menos de um ano depois de o formato de DVD de alta definição da Sony ter sido lançado (após uma dura batalha de bastidores com o HD-DVD da Toshiba), já há quem decrete a morte do Blu-ray. Até agora, o formato tem apenas 4% do mercado e está ameaçado não apenas pela crise econômica global, como também pela chegada do download de filmes em alta definição. Se você comprou um Blu-ray, talvez seja o caso de encontar um lugar no armário para ele, ao lado do seu velho laserdisc.

 

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