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Arquivo de dezembro, 2008

29/12/2008 - 16:01

“Amnésia” bollywoodiana

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“Amnésia” (2000), o filme que tornou famoso o diretor Christopher Nolan (“O Cavaleiro das Trevas”), acaba de ganhar um remake em Bollywood, a Hollywood indiana. Chama-se “Ghajini” e é estrelado por Aamir Khan, grande astro bollywoodiano. Na verdade, esta é a segunda versão indiana de “Amnésia”, mas a nova é também uma superprodução com a expectativa de fazer sucesso também no exterior.

Certo, o que há de tão interessante nessa história? Para mim, é a maneira como se transformou um esperto (e, na minha opinião, superestimado) thriller ocidental em um típico filme bollywoodiano, metade suspense violento para o público masculino, metade um romance musical para as mulheres. Acho que o trailer dá uma boa idéia do que fizeram com o filme:

Para comparar, aí vai o trailer do original de Nolan:

Ah, sim, não contem para ninguém, mas todo o “Ghajini” pode ser assistido no YouTube, com legendas em inglês.

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24/12/2008 - 16:33

“A Favorita” passou dos limites?

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Uma cena de “A Favorita” no capítulo desta terça-feira espantou meu sono (para não dizer que me deixou ligeiramente estarrecido: Léo (Jackson Antunes), bêbado, tenta estuprar Dedina (Helena Ranaldi), mas não consegue ter uma ereção. Então a vítima, em delírio, berra: “Macho de merda!”, “Estuprador brocha!”

Não sei muito bem o que pensar da cena. Há um lado moralista, herança da criação católica, que acha que a cena foi sensacionalista demais para uma novela das oito (embora ela tenha sido exibida por volta das dez). Mas há outro que acredita que há uma discussão importante ali sobre a violência contra as mulheres.

Algum tempo atrás, eu condenei a novela “Páginas da Vida” por causa daquele depoimento de uma empregada que dizia ter acordada toda melada depois de dormir ouvindo Roberto Carlos. Depois, achei que minha opinião era unilateral. Claro, havia um aspecto deplorável na cena (era evidente que a mulher escolhida não poderia avaliar o tamanho da repercussão de seu depoimento – e consta que ela foi demitida por causa dele). Mas também existia uma polêmica interessante sobre a sexualidade feminina na terceira idade.

No caso de “A Favorita”, não há prejuízo para os envolvidos (que são atores, e não uma anônima). Mas será que há para o espectador? Como não sei responder a questão, vou estendê-la aos leitores: a novela passou dos limites com essa cena da tentativa de estupro?

P.S. 1: Se a cena foi minimamente tolerável, deve-se dar crédito a Jackson Antunes, que está excelente como machista decaído. Seu personagem é não apenas asqueroso, como também patético – e é isso que o torna suportável. “A Favorita” tem uma grande e caricatural vilã em Flora, e um pequeno e humano vilão em Léo.

P.S. 2: Demorou, mas “A Favorita” engrenou nessa reta final. Como Gilberto Braga em seus melhores momentos, João Emanoel Carneiro chegou a uma narrativa quase sem gorduras, em que todas as cenas parecem essenciais para a trama.

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22/12/2008 - 22:56

As dez musas do cinema em 2008

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Depois da lista dos 10 melhores filmes de 2008, ficou faltando a relação do Olha Só com as musas do cinema no ano. Então aí vai uma relação que privilegia não as moças bonitas (embora elas também o sejam), mas as encantadoras e talentosas.

As internacionais

Laura Smet (“A Fronteira da Alvorada”) – A bela mais intrigante a surgir no cinema francês em um bom tempo.

Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”) – O ano em que Penélope provou que pode ser uma bela atriz longe de Almodóvar (e, de quebra, ofuscou Scarlett Johansson)

Ellen Page (“Juno”) – quinze anos a menos, e ela seria a namorada perfeita.

Cate Blanchett (“Não Estou Lá”) – Não, não dá para dizer que ela faz Dylan parecer sexy. Mas dá para afirmar que ela é genial fazendo um gênio (e ainda do sexo oposto), o que é tarefa para poucas.

Eva (“Wall-E”) – A mulher mais apaixonante do cinema no ano foi um robô animado com pinta de i-Pod.

As brasileiras

Rosane Mulholland (“Falsa Loura”) – Há tempos o cinema brasileiro não revelava uma musa desse porte – e ainda com nome tão cinematográfico. Que a TV não a desencaminhe…

Djin Sganzerla (“Meu Nome é Dindi”) – Soma de delicadeza, inteligência, sensibilidade e, por que não?, pedigree (ela é filha de Rogério Sganzerla e Helena Ignez).

Leandra Leal (“Nome Próprio”) – O mais impressionante caso de entrega de uma atriz a um personagem em 2008, aqui ou lá fora.

Alice Braga (“Eu Sou a Lenda”) – Não porque ela se tornou a primeira atriz brasileira com potencial de carreira internacional desde sua tia Sônia, mas porque fez a lição de casa sem tirar os pés do chão.

Sandra Corveloni (“Linha de Passe”) – Mesma coisa: não é só porque ganhou a Palma de Ouro, mas porque o fez com um papel em que não chama atenção para si, em que se despe de qualquer glamour e em que dá dignidade a uma corintiana, um feito quase impossível.

E olha que eu deixei de fora Julianne Moore (“Ensaio sobre a Cegueira”) e Olga Kurylenko (“Quantum of Solace”), Cléo Pires (“Meu Nome Não é Johnny”) e Claudia Abreu (“Os Desafinados”). E você, quem acha que ficou faltando na lista? Aproveite para mandar a sua.

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21/12/2008 - 00:45

O ano do cinema brasileiro não foi uma tragédia

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Por um lado (o dos números), o ano do cinema brasileiro foi uma tragédia. Segundo dados preliminares do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro, que há 15 anos congrega os números do cinema no país, a participação dos filmes nacionais no total de espectadores deve ficar entre 9 e 10% em 2008, contra 11,5% no ano passado. A tragédia não está na queda em si, mas no fato de cair em relação a um número já ínfimo.

Por outro lado (o da qualidade), a coisa não foi tão ruim assim. O ano do cinema brasileiro contabiliza pelo menos uma obra-prima, o que é um dado a se comemorar em qualquer época. Trata-se de “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci, um filme que ampliou não a discussão dos limites entre ficção e documentário, e sim as próprias fronteiras do cinema.

2008 já seria um bom ano só pelo fato de marcar o retorno de Tonacci ao circuito comercial, mas também registrou a volta de outro gigante à tela grande: José Mojica Marins com o seu “Encarnação do Demônio”, um filme de gênero sofisticado e ousado que me fez perguntar: como o cinema brasileiro conseguiu sobreviver sem Zé do Caixão?

Também neste ano tivemos obras fortes de outros três cineastas estabelecidos: “Linha de Passe”, o mais maduro filme de Walter Salles; “Nome Próprio”, o mais jovial de Murilo Salles; e “Falsa Loura”, o mais coeso de Carlos Reichenbach em muito tempo.

Entre os jovens cineastas, houve dois trabalhos excepcionais: “Pan-Cinema Permanente”, documentário de Carlos Nader que afastou a cinebiografia da mesmice com seu retrato estilhaçado de Waly Salomão; e “Meu Nome é Dindi”, promissora ficção de Bruno Safadi que aponta o surgimento de um novo autor.

De resto, viu-se um esgotamento da fórmula de comédia de costumes da Globo Filmes (alguém pode me dizer a diferença entre “Sexo com Amor?”, “Polaróides Urbanas”, “A Guerra dos Rocha”?), que não consegue o mesmo sucesso comercial de antes e já não parece mais interessada em buscar alguma credibilidade artística. Também desgastado se revelou o filão da tragédia social carioca (“Última Parada 174” e “Era Uma Vez”).

E, se fosse possível escolher apenas uma grande decepção do cinema brasileiro no ano, esta seria “Ensaio sobre a Cegueira”, menos pelo resultado do filme em si e mais pela esperança frustrada de um novo grande trabalho de Meirelles, que deu aqui um passo atrás em sua carreira. Que ele e seus colegas dêem muitos outros à frente em 2009.

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17/12/2008 - 22:35

Tesouros da “Life”

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Há cerca de um mês o Google anunciou que havia feito um acordo para disponibilizar a seus usuários cerca de 10 mil imagens da revista “Life”. Desde então, fazer buscas de cinema no maravilhoso acervo fotográfico da revista tornou-se meu passatempo predileto na internet. Olha só algumas das preciosidades oferecidas pelo Google: Clint Eastwood com maquiagem de ferimentos no set de “Dirty Harry” e Roger Vadim conferindo Jane Fond nas filmagens de “Barbarella”. Outros tesouros podem ser vistos aqui. Não existe nada mais interessante na internet do século 21 do que as fotos de uma revista criada no século 19. 

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15/12/2008 - 12:30

Os 10 filmes mais pirateados de 2008

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As listas dos 10 melhores filmes de 2008 vão variar de acordo com a subjetividade de cada um. Já a lista dos filmes mais pirateados no ano tem critérios bem objetivos: o número de downloads no BitTorrent. Aí vai a relação, que, sem surpresa, é encabeçada pelo último Batman:

1. “O Cavaleiro das Trevas” – 7,03 milhões

2. “O Incrível Hulk” – 5,84 milhões

3. “Efeito Dominó” – 5,41 milhões

4. “Zohan – O Agente Bom de Corte” – 5,28 milhões

5. “A Lenda do Tesouro Perdido – Livro dos Segredos” – 5,24 milhões

6. “Juno” – 5,19 milhões

7. “Trovão Tropical” – 4,90 milhões

8. “Eu Sou a Lenda” – 4,87 milhões

9. “Ressaca de Amor” – 4,40 milhões

10. “Horton e o Mundo de Quem!” – 4,36 milhões

A lista dá argumentos aos defensores da pirataria: todos os filmes deram lucro no cinema, com a possível exceção de “Efeito Dominó”; portanto, não dá para dizer que os piratas estão levando Hollywood à falência. 

A maior curiosidade da lista é a ausência de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, que foi a segunda maior bilheteria do ano, mas apenas o 30º filme mais baixado – o que talvez possa ser explicado pela faixa etária mais elevada dos espectadores de cinema.

 

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12/12/2008 - 19:43

Recorde sem comemoração

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“O Cavaleiro das Trevas” acaba de bater mais um recorde: cerca de 600 mil cópias de seu DVD de alta definição foram vendidas apenas na quinta-feira, dia de seu lançamento para o formato Blu-Ray. A notícia deveria ser motivo de comemoração na indústria, certo? Errado.

No total, somando DVD comum e de alta definição, o filme chegou à marca de 3 milhões de cópias vendidas em um dia. Um número bastante expressivo, mas muito distante dos dias de ouro do DVD. O recordista “Procurando Nemo” alcançou 8 milhões em seu lançamento, há cinco anos.

Ou seja, o Blu-Ray pode ser uma sobrevida ao DVD, mas não será ele que evitará a morte do formato.

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11/12/2008 - 23:42

Globo de Ouro projeta Oscar sem favorito claro

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O Globo de Ouro já foi considerado uma prévia mais confiável do Oscar. De uns anos para cá, as duas premiações divergiram bastante. Em 2005, “Crash” ganhou o Oscar de melhor filme sem ter recebido nenhuma indicação ao Globo. No ano passado, “Desejo e Reparação” e “Sweeney Todd” levaram Globos de melhor filme dramático e cômico/musical respectivamente, enquanto o Oscar foi para “Onde os Fracos Não Têm Vez”.

Ainda assim, algumas conclusões sobre o Oscar podem ser tiradas das indicações do Globo de Ouro, anunciadas nesta quinta-feira (veja a relação completa aqui). A primeira delas é que a corrida está totalmente aberta, sem favoritos claros, já que 31 filmes foram lembrados pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood, reponsável pela premiação, três receberam cinco indicações (recorde deste ano) e outros quatro levaram quatro.

Entre os filmes que ganharam fôlego para o Oscar, estão “The Curious Case of Benjamin Button”, “FrostNixon”, “The Reader”, “Revolutionary Road” e “Slumdog Millionaire”. Já os que perderam o “momento” são “Milk” (com a indicação apenas de Sean Penn a melhor ator dramático, ainda que ele seja o favorito da categoria) e “O Cavaleiro das Trevas” (também indicado apenas uma vez, para Heath Ledger como melhor ator coadjuvante, e também favorito).

O brasileiro “Última Parada 174” também viu suas chances de indicação ao Oscar diminuírem, ao não ser lembrado para a categoria de melhor filme estrangeiro do Globo.

Já “Wall-E”, melhor filme hollywoodiano de 2008, ficou na mesma, pois no Globo só pode ser indicado a melhor filme de animação, enquanto no Oscar tem chances na categoria principal. E “Vicky Cristina Barcelona” também não saiu do lugar, já que, apesar das quatro indicações (três para atores), as comédias costumam ser esnobadas pelo Oscar.

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10/12/2008 - 15:57

“Veja” entra na polêmica da nudez… dois meses depois

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A “Veja” já foi acusada de tudo, menos de lerda. Mas a revista fez por merecer mais esse adjetivo. No dia 8 de outubro passado, o ator Pedro Cardoso leu, durante o Festival do Rio, um manifesto antinudez no cinema e na TV. Sua tese levantou uma polêmica desproporcional a sua importância, ganhou espaço em jornais e sites e foi merecidamente esquecida alguns dias depois. Eis que, na edição desta semana, a “Veja” requenta o assunto e o coloca na capa. Folheei a revista procurando alguma novidade. Mas o principal gancho é mesmo o manifesto de Cardoso – dois meses depois que ele veio a público… Sem entrar em questões ideológicas, alguém aí sabe me explicar o que deu na “Veja”?

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08/12/2008 - 07:32

Meus filmes preferidos em 2008

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O IG pediu, eu atendi: aí vai minha lista dos cinco melhores filmes estrangeiros e brasileiros que estrearam no país em 2008, na ordem de preferência. Sei que está cedo para uma retrospectiva, então se pintar outro grande filme no pedaço mudarei a lista sem culpa.

Antes de fazer a lista, tinha a curiosa sensação de que este havia sido um ano razoável para o cinema internacional e ruim para o brasileiro. Agora penso o contrário: fiz a relação dos brasiliros sem hesitar: um ano com “Serras da Desordem” e a volta do Zé do Caixão não pode ser ruim. Por outro lado, sofri um pouco para chegar aos cinco estrangeiros.

Sem mais delongas, lá vai minha lista:

Estrangeiros

“O Segredo do Grão” – falso ensaio sociológico, brilhante tratado sobre a angústia

“Wall-E” – Pixar com a genialidade de Charles Chaplin

“Paranoid Park” – “Crime e Castigo” sensorial, sem dever nada a Dostoiévski

“Não Estou Lá” – como fazer uma cinebiografia musical sem cair nos clichês

“A Fronteira da Alvorada” – um filme com a coragem de estar fora do seu tempo

Brasileiros

“Serras da Desordem” – brilhante curto-circuito entre realidade e ficção, Eu e o Outro

“Pan-Cinema Permanente” – se a vida é cinema e é sonho, então o cinema é sonho

“Linha de Passe” – Walter Salles amadurece

“Nome Próprio” – Murilo Salles rejuvenesce

“Encarnação do Demônio” – o Brasil é um terror, Mojica é um mestre

Fiquem à vontade para dizer que eu esqueci o “Batman” e o “Ensaio sobre a Cegueira”, que eu privilegio filmes que ninguém quer ver, que os críticos não prestam mesmo… Ah, sim, e mande também sua lista.

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