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Arquivo de fevereiro, 2009

27/02/2009 - 19:41

O que é que os belgas têm?

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Muita gente boa pensa que o cinema da Bélgica se resume aos irmãos Dardenne, diretores de “Rosetta” e “A Criança”, entre outros grandes filmes. Esta semana vai mostrar que a coisa não é bem assim, pelo menos em São Paulo.

Hoje estreia “Rumba”, simpático filme feito por um trio de comediantes sediado na Bélgica, que já havia realizado alguns curtas e o longa “L’Iceberg”, inéditos no circuito comercial brasileiro. Na próxima quarta-feira, começa a mostra “O Cinema de Chantal Akerman”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com 20 filmes da diretora belga, considerada uma das mais importantes do cinema contemporâneo, mas praticamente desconhecida aqui no país.

“Rumba” foi escrito, dirigido, produzido e protagonizado por Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy. O filme é uma comédia de humor negro praticamente muda, que remete aos grandes comediantes daquele período, especialmente Buster Keaton. Dominique e Fiona interpretam um casal de professores que tem como hobby participar de concursos de danças latinas. Um dia, depois de ganhar mais um troféu, eles sofrem um acidente de carro ao desviar de um suicida. Fiona perde uma perna, Dom fica com amnésia, eles são obrigados a desistir da dança e se adaptar à nova vida.

A trama simples rende algumas gags visuais bastante inspiradas, embora baseadas em situações pesadas (tentativas de suicídio, acidentes, mutilações), como uma sequência em que Fiona provoca um incêndio com sua perna de madeira. Nem todas as piadas funcionam, o filme perde o ritmo no final, mas sua leveza e despretensão são encantadoras em vários momentos.

No campo oposto – o da densidade e da ambição -, encontra-se o cinema de Chantal Akerman. Aos 15 anos, ela assistiu a “Pierrot le Fou” (1965), de Jean-Luc Godard, e decidiu, naquela mesma noite, que queria viver de fazer filmes. Estreou três anos depois com o curta “Saute ma Ville” e, a partir daí, construiu uma das obras mais singulares do cinema contemporâneo, uma mistura entre o experimental e o narrativo, o documentário e o ficcional, o político e o autobiográfico.

Entre os 20 filmes da mostra (de um total de 40 em sua carreira), recomendo “Chantal Akerman por Chantal Akerman” (1996), em que ela repensa sua trajetória pessoal e no cinema; “Jeanne Dielman, 23 Quai Du Commerce, 1080 Bruxelles” (1975), considerado pelo “New York Times” como “a primeira obra-prima do feminino na história do cinema”; e “Do Outro Lado” (2002), que trata da imigração mexicana para os Estados Unidos.

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25/02/2009 - 21:51

Schwarzenegger, um novo gênero musical

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Primeiro, surgiu o ArnoCorps, banda de heavy metal com músicas inspiradas nos filmes de Arnold Schwarzenegger. Depois, veio o Austrian Death Machine, projeto paralelo de Tim Lambesis (As I Lay Dying), com um conceito muito parecido. Agora é a vez do SchwarZenatoR. O que fez o blogueiro Karl Hungus concluir: além de duble de ator e governador, Schwarzenegger agora também é um gênero musical. Abaixo, “Get to the Choppa”, com o Austrian Death Machine:

E a melhor piada veio de um comentarista do blog do Karl: como diria Arnold, “I’ll be Bach”.

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24/02/2009 - 22:12

Os favelados indianos são melhores que os nossos?

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“Procure em todo canto do globo e você não irá encontrar pessoas mais complexas – e complexadas que os indianos. Sem ironia, uma nação – formada por muitos cidadãos que empilharam reclamações e ações judiciais contra ‘Quem Quer Ser um Milionário?’ por mostrar a Índia de forma negativa e por usar a intolerável palavra “cachorro” (‘dog’, do título original ‘Slumdog Millionaire’) para descrever os pobres favelados – está agora em estado de euforia por ter ganho oito estatuetas conferidas por uma ‘academia’ que considera como ícones um bando de cientologistas (sem falar no Mickey Rourke).”

(…)

“Quando o mesmo filme, com o mesmo título neo-imperialista, é festejado por americanos de smoking em uma premiação assistida no mundo todo, os indianos explodem de orgulho. Oito Oscars, yes! Não é um recorde? A.R. Rahman não é o melhor compositor do mundo? Bollywood não é mesmo maravilhosa? E nossas favelas não são uma lição sobre como superar a adversidade e a crueldade? Os nossos favelados estóicos, resistentes, auto-confiantes, corajosos, fraternais, decididos e criativos? Nossos favelados não são melhores do que os outros?”

A água no chope do Oscar para “Quem Quer Ser um Milionário?” vem do indiano Tunku Varadarajan, professor da New York University e editor da revista conservadora “Forbes”, no “Times” de Londres. De cara, parece uma opinião um tanto ressentida, ainda mais na ressaca da premiação do filme de Danny Boyle. Mas convenhamos: alguém precisava desmentir a balela dessa ideia de um Oscar multicultural. Realmente é estranho: os ingleses fazem um filme mostrando os indianos – literalmente – na merda; os indianos ficam putos; daí os americanos dão um punhado de estatuetas para os ingleses; os indianos ficam felizes. E o pior é que eu acho que a reação no Brasil seria igual se o filme fosse sobre os nossos favelados.

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23/02/2009 - 02:27

Oscar: fechado para balanço

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Uma vitória anunciada: a consagração de “Quem Quer Ser um Milionário”, que levou oito Oscars. A equipe nem se deu ao luxo de fingir espanto.

Uma derrota anunciada: a de “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Chegou à festa como segundo filme mais badalado; saiu com alguns prêmios menores.

Uma grande ideia: convidar cinco apresentadores, em vez de um, para as categorias de interpretação. Rendeu os melhores momentos da noite, como a emoção verdadeira de Anne Hathaway ao ouvir os elogios de Shirley McLaine. Merece entrar para o cardápio anual do Oscar.

Uma (única) surpresa: a estatueta de melhor filme estrangeiro para o japonês “Departures”.

Uma grande injustiça: a derrota de Mickey Rourke na categoria de melhor ator.

Uma novidade indiferente: Hugh Jackman como apresentador. Ele é versátil (canta e dança bem), bem apessoado, correto, mas sem muita graça.

Um clímax: o hilário curta com Seth Rogen e James Franco, dirigido por Judd Apatow, comentando os indicados.

Um anti-clímax: o discurso da família de Heath Ledger. Apesar dos olhares compungidos dos atores, foi menos emotivo do que todos esperavam.

Um momento de tédio: o número musical dirigido por Baz Luhrman e protagonizado por Hugh Jackman e Beyoncé.

Um momento sem noção: os clipes dos candidatos a melhor filme, que relacionavam os atuais concorrentes com ganhadores do passado que não tinham nada a ver. Misturaram “Milk” com “Coração Valente”; “O Leitor” com “Encontros e Desencontros”; “Quem Quer Ser um Milionário” com “Platoon”; “O Curioso Caso de Benjamin Button” com “O Poderoso Chefão”.

Uma frase honesta 1: “Eu sei como é difícil gostar de mim”, dita por Sean Penn ao receber seu Oscar de melhor ator.

Uma frase honesta 2: “Eu mentiria se dissesse que nunca imaginei este momento”, dita por Kate Winslet ao receber o prêmio de melhor atriz.

Balanço final: a festa melhorou, principalmente por conta da ideia dos cinco apresentadores para cada prêmio de interpretação. Também ficou ligeiramente mais ágil, menos institucional. Mas permaneceu longa, com números musicais chatos. Foi um avanço, mas não a revolução prometida. Se quiser voltar a ganhar relevância, as mudanças vão ter que se aprofundar no próximo ano.

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20/02/2009 - 18:37

Quem deve e quem deveria ganhar o Oscar

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Chegou finalmente aquele momento fatídico do ano, em que fazemos as apostas para o Oscar. Mesmo que os filmes não sejam muito animadores neste ano, é quase inevitável olhar para a lista de candidatos e pensar que tal filme vai levar a estatueta, que outro não deveria estar ali e assim por diante. Acho que é exatamente esse caráter de quermesse global que mantém o interesse num prêmio que luta para não perder relevância. Portanto, aí vão as minhas apostas para as principais categorias, divididas entre os que devem ganhar o prêmio, os que mereciam ganhar entre os indicados e os que mereciam ganhar e nem foram indicados:

MELHOR FILME

Quem deve ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”. A parada está entre o filme de Danny Boyle e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Mas o primeiro tomou embalo nas últimas semanas com vários prêmios de sindicatos.

Quem deveria ganhar entre os indicados: “O Curioso Caso de Benjamim Button”. Está longe de ser um grande filme, mas seus concorrentes têm limitações ainda maiores. Então vamos no mais correto.

Quem deveria ganhar e não foi indicado: “Wall-E”. O último desenho da Pixar é a única obra-prima produzida por Hollywood no último ano. Mas esbarrou no preconceito da Academia com animações. “O Luador” e “A Troca” também poderiam estar tranquilamente entre os indicados; são melhores que todos os finalistas.

MELHOR DIRETOR

Quem deve ganhar: Danny Boyle. Deve pegar o vácuo da badalação em torno de “Quem Quer Ser um Milionário?”. Mas não é impossível que a Academia faça uma divisão das estatuetas principais e dê o prêmio para David Fincher por “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Quem deveria ganhar entre os indicados: David Fincher. Os principais diretores da categoria já fizeram filmes melhores antes: Fincher (“Zodíaco”), Boyle (“Trainspotting”), Gus Van Sant (“Gerry”, “Elefante”, “Últimos Dias”, “Paranoid Park” e outros). Mas Fincher foi o que errou menos a mão.

Quem deveria ganhar e não foi indicado: Andrew Stanton. O diretor de “Wall-E” também esbarrou na negligência do Oscar com os desenhos animados. Nenhum dos concorrentes teve uma direção mais segura e criativa.

MELHOR ATOR

Quem deve ganhar: Sean Penn. Disputa equilibrada entre ele e Mickey Rourke. Mas Penn leva uma pequena vantagem porque sua figura e seu personagem são mais palatáveis.

Quem deveria ganhar entre os indicados: Mickey Rourke. A entrega física e psicológica do ator a seu personagem em “O Lutador” é comovente. O desempenho de Penn também é excepcional, mas seu papel é menos arriscado que o de seu concorrente.

Quem deveria ganhar e não foi indicado: Clint Eastwood. Ninguém pode dizer que a Academia ignora o cineasta. Mas ela faz pouco caso com o ator. E Clint está superbo em “Gran Torino”, talvez o melhor desempenho de sua carreira. Mas vamos combinar: o Oscar não errou tanto; a melhor atuação do ano é mesmo de Rourke.

MELHOR ATRIZ

Quem deve ganhar: Kate Winslet. A disputa com Anne Hathaway também é boa. Mas Winslet já perdeu a estatueta seis vezes, Hathaway terá outras oportunidades. Contra Winslet, pesa apenas o fato de fazer um retrato generoso de uma nazista.

Quem deveria ganhar entre as indicadas: Angelina Jolie. Sem cair no overacting, ela está superba em “A Troca”. Mas o fato de ser uma sex symbol e uma marqueteira social por vezes obscurece o fato de que ela é não só uma estrela, como uma grande atriz.

Quem deveria ganhar e não foi indicada: Arta Dobroshi. A atriz de Kosovo tem a melhor interpretação do ano, em um papel dificílimo no filme belga “O Silêncio de Lorna”. Mas tem pouco nome e pouco glamour para chamar a atenção do Oscar.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Heath Ledger. A barbada do ano. O nome do Coringa de “Batman”, morto em uma overdose, foi tão onipresente na mídia em 2008 que os membros da Academia não devem nem se lembrar que há outros candidatos. Não tem pra ninguém.

Quem deveria ganhar entre os indicados: Robert Downey Jr. O prêmio a Heath Ledger não será injusto. Ele conseguiu criou um Coringa radicalmente novo. Mas o barulho em torno da sua morte foi tão grande que fica difícil ter uma opinião mais isenta sobre seu trabalho. Assim, seria bacana premiar Robert Downey Jr., porque ele está ótimo em “Trovão Tropical”, porque ajudaria a quebra um preconceito contra comédias e porque ele merecia também uma indicação a melhor ator por “Homem de Ferro”.

Quem deveria ganhar e não foi indicado: Jérémie Renier. Como sua colega Arta Dobroshi, o ator belga tem um desempenho excepcional em “O Silêncio de Lorna”, em um papel de drogado que poderia facilmente cair no clichê. Não é à toa que ele é o muso dos irmãos Dardenne.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Penélope Cruz. É a categoria mais em aberto entre as principais do Oscar. Mas o desempenho da espanhola foi o mais comentado do ano, e sua vitória seria o toque exótico de uma festa que está muito anglo-saxônica (se levarmos em conta que “Quem Quer Ser um Milionário” é uma produção EUA/Grã-Bretanha).

Quem deveria ganhar entre as indicadas: Marisa Tomei. O Oscar de coadjuvante para a atriz por “Meu Primo Vinny” é considerado uma das grandes bizarrices da história do prêmio. Mas Tomei prova em “O Lutador” que é uma grande atriz – e que talvez a Academia não estivesse tão errada sobre ela.

Quem deveria ganhar e não foi indicada: Sandra Corveloni. Momento protecionista desta relação. Brasileiro é fogo. Até hoje não se conforma com a derrota de Fernanda Montenegro para Gwyneth Paltrow. Um Oscar para Corveloni por seu trabalho em “Linha de Passe” seria nossa vingança. Mas daí você talvez diga: em Cannes, ela ganhou prêmio de melhor atriz. Ao que eu respondo: não há protagonista no filme de Walter Salles. Então uma estatueta de atriz coadjuvante já seria justo. 

 

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19/02/2009 - 22:46

Gus Van Sant fica quadrado em “Milk”

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Em seus melhores filmes, Gus Van Sant pega personagens reais com forte carga simbólica e se esforça para torná-los humanos. Foi assim com os adolescentes do massacre de Columbine em “Elefante”. E também com o Kurt Cobain de “Últimos Dias”. Em “Milk – A Voz da Igualdade”, que estreia nesta sexta-feira e concorre ao Oscar de melhor filme no domingo, o cineasta americano faz o caminho inverso: pega um personagem demasiadamente humano e o transforma em um mero símbolo – no caso, do movimento gay americano.

Como o documentarista brasileiro Eduardo Coutinho (“Edifício Máster”) e outras cineastas já ensinaram, pessoas são mais interessantes que símbolos. Por isso, “Milk” é um trabalho menor dentro da obra de Van Sant. Um dos nomes fundamentais do cinema contemporâneo, ele tem trajetória errática, enigmática. Quando trabalha de forma independente, experimenta pra valer. Quando faz um filme de estúdio, é estranhamente convencional. Como em “Gênio Indomável”, “Encontrando Forrester” ou “Milk”.

É claro que, com o status de autor de Van Sant, alguns irão encontrar as marcas essenciais de sua obra em “Milk”. Eu veja apenas o desejo de entender mais um renegado, o belo trabalho com as imagens de arquivo, a fotografia impressionista de Harris Savides. Isso faz de “Milk” um filme acima da média do cinema americano, mas isso é pouco para quem ficou mal acostumado com os experimentos visuais e sonoros de “Gerry” ou “Paranoid Park”.

Grosso modo, “Milk” é um filme de minoria clássico, um trabalho com uma clara agenda anti-preconceito, o que mascara seu caráter quadrado e o priva das ambigüidades dos filmes mais recentes de Van Sant. É também quase uma hagiografia de Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA, assassinado por um adversário político desequilibrado e transformado em santo pelo cineasta.

Ok, há um belo desempenho de Sean Penn como protagonista, mas com uma composição rigorosamente calculada – sem o nível de entrega, sem a queda no abismo de Mickey Rourke em “O Lutador”. E justamente por ter feito um de seus filmes mais convencionais, Van Sant concorre hoje ao Oscar de melhor filme e melhor diretor. Também por isso, Penn deve levar a estatueta de ator neste domingo.

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18/02/2009 - 12:46

A primeira vez de Mickey Rourke

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Eu fiquei tão impressionado com o desempenho de Mickey Rourke em “O Lutador” (acho que ele merece muito mais o Oscar do que o Sean Penn em “Milk”) que pensei: preciso redescobrir a obra do cara. Ele não deve ser tão ruim assim em “Orquídea Selvagem” quanto a minha memória me diz (viu, André Veiga, consegui citar o clássico trash). Eis que, pesquisando o nome do cara na internet, descobri essa notícia quentinha: acaba de ser relançado o primeiro filme de que ele participou, um média-metragem de 1976 chamado “Love in the Hamptons”.

O trabalho é tão raro que não estava nem listado no Imdb. Ali aparece como primeiro filme de Rourke “1941 – Uma Guerra Muito Louca” (1979), de Steven Spielberg. Com o sucesso de “O Lutador”, o diretor de “Love in the Hamptons” procurou a distribuidora Cinematic Media e disse: “Eu tenho isso guardado comigo há 30 anos. Vocês estão interessados? Nós corremos para lançar antes dos Oscars.”

Rourke estava na flor de seus 24 anos, muito antes que o boxe, o Botox e o tempo destruíssem seu rosto. Mas ele já fazia aquela carinha típica de ogro sensível, semicerrando os olhinhos. O filme pode ser assistido online no Amazon on demand, por US$ 1,99. Mas dá para ter uma aperitivo no YouTube:

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17/02/2009 - 00:01

Umbiguismo global

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De ontem para hoje, ocorreu uma conjunção astral rara e imprevista. O alto comando da Globo – do passado e do presente, da TV e do cinema – decidiu soltar o verbo. Falaram praticamente as mesmas coisas, no mesmo lugar: o caderno “Ilustrada”, da “Folha de S. Paulo”. Ontem, foi Daniel Filho, homem forte da Globo Filmes, falando de cinema comercial x cinema autoral (por falta de melhores termos):

“Eu sou o camarada que acredita no ditado: agrade a sua vila que você vai agradar ao mundo. Você tem que agradar aqui, no Brasil. O público quer ver esse filme? Ou é você que quer fazer esse filme? Queremos ser todos Godard e Glauber Rocha? A crítica aplaude esses filmes meio malditos, que têm pouco público. É uma dicotomia entre o que a crítica pensa e o que o público quer ver”.

Hoje foi a vez de Guel Arraes, o outro manda-chuva da Globo Filmes, dizer algo parecido:

“(A vereda popular) é fundamental para o cinema brasileiro continuar. Não se pode achar que esse é o único tipo de cinema que se deve ter, mas ter implicância com ele é um suicídio. Deveria haver mais diretores e autores preocupados em fazer esse tipo de coisa, senão vai acabar. Não vai ficar fazendo 60 filmes por ano para dar menos do que uma peça de teatro cada um”.

Ontem, Daniel Filho, ex-todo poderoso da Rede Globo, também falou de televisão:

“A TV já foi um “must” nosso e hoje não é mais. Ficou meio morninha. Não mexe mais com as pessoas, não vejo mais dizerem: “Eu preciso ver isso”. Não vejo ninguém discutindo o capítulo ou o programa exibido no dia anterior. Eu vejo isso com seriados americanos”.

Hoje, Boni, antiga personificação do padrão Globo de qualidade, também ecoou Filho:

“Além de “Big Brother Brasil”, nada de novo apareceu na televisão nos últimos anos”, alfineta. “A TV precisa de uma injeção de vida. Está faltando ar. Falta inconformismo”.

Sem entrar muito nos méritos das questões levantadas (grosso modo, discordo da pregação contra o cinema de exceção, concordo com o desgaste da televisão), o que impressiona nessas falas todas é o umbiguismo de seus autores, a incapacidade de reconhecer o outro.

Daniel Filho e Guel Arraes fazem cinema comercial. Para eles, outros filmes não se justificam hoje porque não são comerciais o suficiente.

Daniel Filho e Boni saíram da TV. A TV entrou em decadência (com exceção do programa dirigido pelo filho do Boni).

Há um tanto de desfaçatez nessas entrevistas todas. Sem falar que o Daniel Filho dedurou o Fernando Meirelles, ao dizer que seu colega confessou ter errado a mão em “Ensaio sobre a Cegueira”. Não era melhor que o próprio viesse a público dizer isso?

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13/02/2009 - 18:02

Mickey Rourke = The Ram = Darren Aronofsky

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No dicionário “Houaiss”, a palavra “simbiose” é definida como uma associação entre seres vivos na qual ambos são beneficiados. A relação entre o ator Mickey Rourke e Randy “The Ram” Robinson, seu personagem em “O Lutador”, que estréia nesta sexta-feira, tem esse caráter simbiótico. De um lado, Rourke emprestou o físico (rosto desfigurado pelo boxe e pelo botox) e a psicologia (de alguém que conheceu o topo da glória e o fundo do poço) perfeitos para compor o personagem. E The Ram deu ao ator uma chance para salvar a carreira e provar que é um bom intérprete – e, de quebra, uma indicação ao Oscar.

Para Rourke ou The Ram, “O Lutador” é a história de uma tentativa de volta por cima. De galã mais promissor de Hollywood (“9 ½ Semanas de Amor”), o ator passou a saco de pancadas nos ringues de boxe. De campeão de wrestling, The Ram tornou-se o que a sociedade americana define cruelmente como um perdedor, um homem alquebrado que sobrevive a duras penas fazendo lutas em circuitos decadentes e bicos como carregador. Depois de sofrer um infarto e ser informado de que corre risco de morte se voltar a lutar, ele decide se aposentar, tentar um relacionamento com uma stripper (Marisa Tomei) e retomar contato com a filha que havia abandonado (Evan Rachel Wood). Mas, por causa de sua incapacidade de se adaptar à vida real, longe da encenação de superação e glória nos ringues, ele é tentado pela ideia de participar da revanche de uma luta histórica contra um velho rival. O resultado da identificação entre ator e personagem é um desempenho antológico, com uma carga de veracidade (conceito difícil de explicar, mas fácil de reconhecer) e uma entrega física e emocional raras no cinema recente.

Essa simbiose é capaz de garantir sozinha o interesse de “O Lutador”. Mas há uma outra menos comentada – e também fundamental para o êxito artístico do filme. É a identificação entre o protagonista e o diretor de “O Lutador”. Darren Aronofsky nunca apanhou em um ringue, mas também conheceu a consagração (“Réquiem para um Sonho”) e o fracasso absoluto (“ A Fonte da Vida”). Como Rourke e The Ram, ele também tinha algo a provar, também estava em busca de redenção, também precisava purgar os excesso do passado. Por isso, trocou o barroquismo cinematográfico do passado por um realismo minimalista que remete aos irmãos Dardenne (“O Silêncio de Lorna”), substituiu as ações pelos entreatos, os cortes rápidos pelos planos longos, os ruídos pelo silêncio. E fez, de longe, seu melhor filme. Para The Ram, a volta por cima é uma incógnita. Para Rourke e Aronofsky, uma certeza.

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12/02/2009 - 17:08

Os cinco melhores filmes de horror da história

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O IG me pede uma lista dos cinco melhores filmes de horror da história. Claro, com prazer. A lista está logo abaixo. E meu critério é basicamente o seguinte: o que me interessa no cinema de horror não é a habilidade de gerar sustos em seqüência ou a criatividade para inventar seres monstruosos, mas sim o de retratar e refletir, dentro dos moldes do gênero, nossos medos mais primários, sejam eles motivados por questões concretas ou psicológicas. Por isso, em vez de “Jogos Mortais” ou “Sexta-feira 13”, cheguei aos seguintes filmes:

O Bebê de Rosemary (1968) – Roman Polanski trabalha de forma brilhante um dos maiores medos femininos: a de que algo de mal acontecerá a seu filho durante a gravidez. Só que o problema é mais embaixo: o bebê é a própria encarnação do mal. Polanski, aliás, é mestre do gênero. Tanto “Repulsa ao Sexo” quanto “O Inquilino” poderiam estar tranquilamente no Top 10 do horror psicológico.

O Iluminado (1980) – dentro de um subgênero do terror (o da casa mal assombrada), Stanley Kubrick faz um ensaio visual grandioso sobre os males do isolamento; um filme em que a histeria da interpretação de Jack Nicholson está plenamente justificada.

Carrie – A Estranha (1977) – O medo que Brian DePalma trabalha aqui é o da rejeição na adolescência. Carrie é a garota que, humilhada pelos colegas de escola, usa seus poderes paranormais para buscar vingança. Os sustos são ótimos, as idéias melhores ainda.

A noite dos mortos vivos (1968) – De maneira superficial, o clássico de George Romero é o filme de zumbi essencial, com cenas de violência chocantes para a época de seu lançamento. Mas é muito mais: uma alegoria social e política, em que as vítimas representam diversos arquétipos da sociedade americana, e os zumbis representam as forças que colocam em xeque os valores de cada um deles.

A Vila (2004) – um falso filme de horror; ou melhor, um filme de horror que desconstrói o filme de horror; ou ainda, um filme sobre como criar um horror imaginário (“aqueles-de-quem-não-falamos”) para combater outro real (a violência urbana). A obra-prima de M. Night Shyamalan.

Bom, a lista está aí para ser discutida, elogiada e atacada. O que sobrou e o que ficou faltando?

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