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Arquivo de março, 2009

31/03/2009 - 23:42

Faroeste na praia

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Há poucas imagens tão cinematográficas quanto a de um surfista deslizando sobre uma onda. Elas têm o poder de resumir o espírito de um esporte – liberdade, movimento, hedonismo, plasticidade – em alguns segundos essenciais, sem precisar recorrer a palavras.

Nesse sentido, não há o que reclamar de “Surf Adventures 2”, dirigido por Roberto Moura, um dos produtores do bem-sucedido filme original. O documentário, que estreou na última sexta-feira, traz cenas espetaculares de surf colhidas em vários pontos do globo (Peru, México, Austrália, Taiti, Chile, litoral Rio-São Paulo, além da pororoca do Rio Araguari, no Amapá), protagonizadas por alguns dos melhores surfistas do país (Marcelo Trekkinho, Phil Rajzman, Fábio Gouveia, Adriano Mineirinho e oturos), filmadas de forma original e acompanhadas de boa trilha sonora.

Mas, como se supõe que um documentário de surf não se sustenta apenas com o acúmulo dessas imagens, o desafio desse tipo de filme está em como amarrá-las para criar uma narrativa interessante. Aí surgem alguns percalços em “Surf Adventures 2”. O primeiro deles é a narração em off, que traz alguns achados felizes e outros nem tanto (“na viagem de surf, toda roubada vale a pena se a onda não é pequena”). Mas o problema não é a qualidade, e sim a quantidade. São palavras demais para imagens tão auto-explicativas.

Depois, exista a questão do formato. “Surf Adventures 2” adota o molde mais clássico desse tipo de filme, inspirado no seminal “The Endless Summer” (1966): a surf trip de amigos em busca da onda perfeita. Nesse aspecto, o filme de surf é um pouco como o faroeste: um bando de homens desbravando terreno inóspito para descobrir ao fim que o companheirismo masculino era mais importante do que o objetivo inicial, seja ele domar índios selvagens ou pegar a onda da sua vida. É uma moral velha, mas ainda digna.

O problema de “Surf Adventures 2” é que existe um entra e sai de surfistas em cada uma das viagens retratadas. Fica difícil se apegar aos personagens e entender os laços que se estabelecem entre eles. Aí a lição de gregarismo torna-se um tanto postiça. Para o espectador, é melhor se concentrar nas ondas e esquecer as frases de efeito e a moral da história.

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30/03/2009 - 22:37

Mais um recorde para “Se Eu Fosse Você 2”

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Ainda sobre o fenômeno “Se Eu Fosse Você 2”, o site FilmeB, principal fonte de números sobre o cinema no Brasil, traz no boletim desta semana alguns dados interessantes. Depois de ter se tornado a produção brasileira mais vista da retomada, o filme de Daniel Filho está prestes a se tornar o segundo longa mais rentável da história do país, de qualquer nacionalidade.

Nesta terça-feira, “Se Eu Fosse Você 2” deve ultrapassar a arrecadação no Brasil de “Homem-Aranha 3”, que faturou R$ 48,9 milhões, e ficar atrás apenas de “Titanic”, o recordista de R$ 78,9 milhões. Outros filmes brasileiros e americanos tiveram mais público que o de Daniel Filho, mas suponho que não figurem nesse ranking porque o ingresso era mais barato.

Outro dado interessante trazido pelo FilmeB: graças ao fenômeno “Se Eu Fosse Você 2”, o cinema brasileiro conseguiu neste ano, em menos de três meses, 76,5% da renda total e 73,8% do público dos filmes nacionais em todo 2008.

“Se Eu Fosse Você 2” teve alguma ajuda de “O Menino da Porteira” e “O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes”. Mas responde talvez por quase 90% desse bom resultado. Se pintar um ou outro sucesso brasileiro nos próximos meses, 2009 deverá ser pródigo em público para o cinema brasileiro.

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26/03/2009 - 23:47

O fenômeno dos falsos Twitters

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O Twitter parece mesmo ter garantido seu lugar no panteão das novas ferramentas de comunicação mais emblemáticas do nosso tempo. Há dois dias surgiu a notícia de que a atriz Jennifer Anniston rompeu seu namoro com o cantor John Mayer porque ele estaria gastando muito tempo com o Twitter e pouco com ela. Ontem se anunciou que Barack Obama finalmente atualizou seu Twitter pela primeira vez após a eleição.

Mas o que me parece mais interessante nesse fenômeno é que ele foi transformado por alguns em uma forma de impostura refinada. Falo dos falsos Twitters de celebridades. No Brasil, há pelo menos dois exemplos excelentes: o de Vitor Fasano e o de Rubens Ewald Filho.

Nos Estados Unidos, como poderia se esperar, o fenômeno é ainda maior. Uma diversão recente dos internautas americanos é discutir se certos Twitters de famosos são falsos ou verdadeiros. Aí vão alguns dos melhores impostores já identificados: Chuck Norris, Megan Fox, Nick Nolte, William Shatner e, especialmente recomendados pelo amigo Tiago Teixeira, e Steve Buscemi e Christopher Walken.

Os melhores falsos Twitters não são aqueles que fazem a caricatura da celebridade, mas sim os que sabem captar a personalidade de um nome famoso e, a partir disso, criar comentários banais o suficiente para serem críveis. Se você considerar que a boa falsificação não deixe de ser uma forma de arte, uma tese defendida por gente fina como Orson Welles, então é isso – arte – o que esses impostores andam fazendo.

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25/03/2009 - 23:46

O poeta do Big Brother

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Algumas pessoas já notaram uma transformação fundamental nesta edição do “Big Brother”: Pedro Bial deixou de ser o apresentador do programa para se tornar seu protagonista. É uma mudança que já vinha se delineando em edições passadas, mas se tornou mais perceptível nesta – o que vem bem a calhar, já que nenhum dos concorrentes mostrou força para ser protagonista, como ocorreu no passado com Marcelo (“BBB 8”), Alemão (“BBB 7”) etc. Hoje, ao menos para mim, os discursos de Bial antes das eliminações são mais aguardados do que o próprio resultado das eliminações.

E aí entra outra novidade importante trazida pelo programa: Bial instaurou um discurso poético e psicológico num espaço e num horário antes monopolizado ou pelo discurso jornalístico ou pelo dramatúrgico. Não é o caso de discutir se o discurso é bom ou é ruim. Não é do meu gosto, mas isso é o que menos interessa, porque meus parâmetros podem ser um tanto beletristas.

O importante é que é novo. E que ele faz a poesia possível para o horário nobre da TV. Seu fraseado cheio de metáforas e subentendidos é mais do que o suficiente para confundir os concorrentes e instigar os espectadores. Milena deve estar até agora tentando entender por que é uma sumaúma, Max no íntimo talvez saiba por que foi comparado a um pavão na eliminação de ontem.

Ninguém poderá dizer que Pedro Bial, ex-integrante do grupo de poesia Os Camaleões, é um poeta frustrado. Ele reencontrou sua vocação no mais inesperado dos lugares. Se o Casseta e Planeta ainda fizesse imitações do apresentador (e talvez eles ainda façam, faz tempo que não vejo o programa), agora teria que aumentar sua identificação: Pedro Bial, repórter, gato e poeta.

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23/03/2009 - 19:59

Começa a maratona documental do É Tudo Verdade

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Em texto sobre a sexta edição do festival É Tudo Verdade, Amir Labaki, organizador do evento, escreve: “Começando pelos concorrentes internacionais, nota-se uma presença menos marcante do documentário engajado ou jornalístico catalisado a partir de 11 de setembro e da Guerra ao Terror da finada era Bush.”

Na média da competição, é tudo verdade o que ele disse. Mas “Cartas ao Presidente”, filme do tcheco Petr Lom que abre a mostra em São Paulo nesta quarta-feira (veja a programação no site oficial), poderia ser descrito justamente como um documentário jornalístico catalizado a partir do 11 de setembro.

O ponto de partida do filme é um hábito curioso dos iranianos: mandar cartas com pedidos pessoais para o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Foram 9 milhões de missivas entre a eleição e a realização do documentário – 76% delas respondidas pelo governo, segundo um assessor ouvido no filme.

Então você dirá: o que isso tem a ver com o 11 de setembro? Tudo. O Irã pode não ser um país ocupado pelos EUA, como Iraque ou Afeganistão, mas foi declarado por Bush como um membro do “Eixo do Mal”, e boa parte da popularidade de Ahmadinejad repousa sobre sua política de enfrentamento com o “inimigo americano”.

“Cartas ao Presidente” se dedica justamente a desmontar a máquina populista do presidente iraniano. Um dos grandes méritos do filme é deixar de lado o anti-americanismo ou a relativização cultural – que poderiam gerar um olhar mais condescendente sobre o presidente iraquiano.

O documentário começa com uma visão quase “oficial” do governo, priorizando os depoimentos de assessores e seguidores do presidente. Aos poucos, o filme vai desconstruindo essa versão – primeiro, mostrando a auto-censura que essas pessoas se impõem ao falar de seu líder; depois, ouvindo opiniões dissidentes, que mostram um Irã bem mais dividido e globalizado do que o senso comum imagina.

Ao final, a correspondência entre o presidente e a população revela-se como uma estratégia um tanto primária, fadada a fracassar no médio prazo, e Ahmadinejad sai do filme como um populista ao mesmo tempo radical e ingênuo, cuja plataforma de ódio aos EUA tende a se enfraquecer com um presidente americano moderado como Obama.

Ou seja, “Cartas ao Presidente” é um documentário jornalístico clássico, que cumpre o objetivo de mostrar uma faceta oculta de uma realidade coberta cotidianamente pela imprensa. Um representante de uma tendência que, segundo Labaki, tende a perder espaço no planet doc.

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21/03/2009 - 00:16

Alugue um paparazzo para persegui-lo por um dia

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Que Big Brother, que nada. Nos Estados Unidos, como não poderia deixar de ser, inventaram uma maneira ainda mais rápida de fingir que se é famoso: contratar um grupo de paparazzi para ser perseguido por um dia. Por US$ 729,99, a agência Celeb 4 a Day oferece três atores/fotógrafos que irão segui-lo pelas ruas e fazer perguntas embaraçosas – a partir de uma ficha pessoal que você irá preencher pessoalmente.

Uma editora da Associated Press fez um test drive desse novo serviço criado para alimentar o desejo de fama dos anônimos. Sabendo que ela está noiva, os falsos paparazzi ficaram atrás dela perguntando coisas como: “O casamento ainda está de pé?”, “De que estilista é a roupa que você está usando?” etc.

Ela terminou a experiência atordoada: “Agora eu tenho mais respeito pelas estrelas que eu entrevisto. Eu não consigo imaginar como seria enfrentar isso todos os dias. Fiquei feliz de retornar ao anonimato: eles podem ficar com a fama (mas eu não me importaria de pegar o dinheiro e as roupas de grife.”

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20/03/2009 - 00:13

Dirty Harry vai ao confessionário em “Gran Torino”

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Em ótima entrevista dada ao jornalista Leonardo Cruz, da “Folha de S. Paulo”, Clint Eastwood garantiu que Walt Kowalski, o protagonista de “Gran Torino”, não tem nada a ver com Dirty Harry, o emblemático personagem da série de mesmo nome que ele encarnou nos anos 70 e 80.

Ouso discordar de Clint. Certo, Kowalski não é igual ao Harry do passado. Mas é um Harry melhorado pela sabedoria adquirida por Clint Eastwood nos últimos anos como cineasta. Um Harry levado ao confessionário, obrigado a um mea culpa.

Como o antigo personagem, Kowalski é um sujeito solitário e implacável, um defensor dos mais conservadores valores americanos. Mais do que isso, é um xenófobo e um misantropo. Veterano da Guerra da Coréia e recém-enviuvado, ele mantém filhos e vizinhos à distância com seu código de conduta absurdamente estrito.

Então, um dia, o adolescente Thao, vizinho Hmong (grupo étnico do Sudeste Asiático) do protagonista, tenta roubar aquilo que Kowalski mais preza na via: seu velho automóvel Gran Torino. O incidente o obriga a prestar atenção no garoto e enxergar alguém tão deslocado quanto ele, um menino espremido entre a família tradicional e o assédio de uma violenta gangue Hmong liderada por seu primo.

A partir desse encontro, Clint vai oferecer a Kowalski uma chance de transformação e de redenção, vai submeter Harry, o sujo, a um banho moral, vai lhe dar a lição de tolerância que a obra recente do cineasta costuma pregar.

Kowalski irá informalmente adotar Thao e lhe ensinar o melhor de seus valores (que se confundem, no caso, com os valores americanos). Ou seja, Clint reedita aqui, com um viés interracial, o tema da união entre outsiders, da suspensão da orfandade, que é tão caro a seus filmes recentes, como “Um Mundo Perfeito” e “Menina de Ouro”.

“Gran Torino” tem alguns dos defeitos da obra de Eastwood (a necessidade de sublinhar certos sentimentos com os diálogos e a trilha, a recorrência de vilões unidimensionais). Mas, dentro de uma escala menos ambiciosa do que “Cartas de Iwo Jima” ou “A Troca”, também ostenta muito de suas virtudes, como a competência para apresentar questões morais bastante profundas e ambíguas de maneira simples e cristalina. Em resumo, é um pequeno grande filme, certamente não seu melhor como diretor, mas talvez o melhor como ator de sua carreira. Aos 79 anos, o prolífico Clint acertou outra vez.

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18/03/2009 - 22:32

A pipoca do capeta

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O site americano Gizmodo fez uma comparação entre o preço da pipoca vendida no cinema em 1929 e o atual. O resultado é assustador: um aumento de exatamente 666%. Sim, the number of the beast, o número do capeta. Enquanto isso, o preço do ingresso de cinema aumentou… 66%.

Em 1929, início da Grande Depressão, o saco de pipoca saída por 5 centavos de dólar, e o ingresso, 35 centavos. Hoje, custam em média US$ 4,75 e US$ 7,20 respectivamente (na fota acima, uma ilustração do site mostra como as duas medidas cresceram em ritmos bem diferentes).

Suponho que não existam registros parecidos no Brasil, mas acho que os números não seriam tão diferentes, já que a pipoca ocupa hoje um lugar desproporcionalmente importante nos multiplexes. Saudades do tempo docarrinho de pipoca na frente do cinema de rua.

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16/03/2009 - 23:51

Emoções baratas em três dimensões

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Há quem acredite que o 3-D irá salvar o cinema no futuro. Se depender de filmes como “Dia dos Namorados Macabro”, que estreou na sexta-feira em 32 salas do país que trabalham com esse formato, já podem ir preparando o velório.

Refilmagem de um terror dos anos 80, o filme mostra que a enorme evolução técnica do 3-D nem sempre vem acompanhada de uma maturação conceitual. “Dia dos Namorados Macabro” é basicamente o mesmo que o formato oferecia nos anos 60: uma profusão de objetos atirados na direção da câmera – neste caso, principalmente um machado, objeto preferido do vilão.

Quando uma coadjuvante faz sexo sentada sobre seu amante, dando a impressão de que o espectador poderá tocar seus seios se esticar as mãos, percebemos que o filme fará de tudo para impressionar o público com aquilo que o 3-D tem de mais banal.

Nada contra emoções baratas. Mas o filme exagera na dose. É tão óbvio que o filme se apoia apenas nesses recurso fáceis do 3-D que seu pôster não traz nenhuma cena do filme, mas sim a platéia assistindo a ele aterrorizada com seus óculos especiais.

Até agora, eu só vi um filme da nova leva das três dimensões com algo a dizer: “A Lenda de Beowulf”, de Robert Zemeckis. Se o cinema depende mesmo do 3-D, então é preciso urgentemente que sejam lançados novos filmes nesse nível. E que “Dia dos Namorados Macabro” se torne uma exceção, não a regra.

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14/03/2009 - 23:17

Pôsteres para filmes com uma letra do título trocada

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O desafio do site Worth1000.com: pegar um filme qualquer, trocar apenas uma letra do título e criar um novo pôster. Mandaram mais de 30 opções, muitas delas bacanas. Meus preferidos foram “Procurando Emo”…

… e “Night Club”:

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