Publicidade

Publicidade
23/03/2009 - 19:59

Começa a maratona documental do É Tudo Verdade

Compartilhe: Twitter

Em texto sobre a sexta edição do festival É Tudo Verdade, Amir Labaki, organizador do evento, escreve: “Começando pelos concorrentes internacionais, nota-se uma presença menos marcante do documentário engajado ou jornalístico catalisado a partir de 11 de setembro e da Guerra ao Terror da finada era Bush.”

Na média da competição, é tudo verdade o que ele disse. Mas “Cartas ao Presidente”, filme do tcheco Petr Lom que abre a mostra em São Paulo nesta quarta-feira (veja a programação no site oficial), poderia ser descrito justamente como um documentário jornalístico catalizado a partir do 11 de setembro.

O ponto de partida do filme é um hábito curioso dos iranianos: mandar cartas com pedidos pessoais para o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Foram 9 milhões de missivas entre a eleição e a realização do documentário – 76% delas respondidas pelo governo, segundo um assessor ouvido no filme.

Então você dirá: o que isso tem a ver com o 11 de setembro? Tudo. O Irã pode não ser um país ocupado pelos EUA, como Iraque ou Afeganistão, mas foi declarado por Bush como um membro do “Eixo do Mal”, e boa parte da popularidade de Ahmadinejad repousa sobre sua política de enfrentamento com o “inimigo americano”.

“Cartas ao Presidente” se dedica justamente a desmontar a máquina populista do presidente iraniano. Um dos grandes méritos do filme é deixar de lado o anti-americanismo ou a relativização cultural – que poderiam gerar um olhar mais condescendente sobre o presidente iraquiano.

O documentário começa com uma visão quase “oficial” do governo, priorizando os depoimentos de assessores e seguidores do presidente. Aos poucos, o filme vai desconstruindo essa versão – primeiro, mostrando a auto-censura que essas pessoas se impõem ao falar de seu líder; depois, ouvindo opiniões dissidentes, que mostram um Irã bem mais dividido e globalizado do que o senso comum imagina.

Ao final, a correspondência entre o presidente e a população revela-se como uma estratégia um tanto primária, fadada a fracassar no médio prazo, e Ahmadinejad sai do filme como um populista ao mesmo tempo radical e ingênuo, cuja plataforma de ódio aos EUA tende a se enfraquecer com um presidente americano moderado como Obama.

Ou seja, “Cartas ao Presidente” é um documentário jornalístico clássico, que cumpre o objetivo de mostrar uma faceta oculta de uma realidade coberta cotidianamente pela imprensa. Um representante de uma tendência que, segundo Labaki, tende a perder espaço no planet doc.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

2 comentários para “Começa a maratona documental do É Tudo Verdade”

  1. fábio disse:

    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    …………………….” Móstra uma faceta oculta de uma …………………………
    ………………………………………………………………………………………………………
    ……………………realidade ..coberta ..pela ……imprensa..”
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ……………………….Bom,….vãmo vê se eu,….entendí..?
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ……..O filme,…desconstrói o “maketing” do,….” Armajine já”…,
    ………………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………ou seja,..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………mostrando os depoimentos dos
    ……………………………………..ascessores e
    …………………………………………opositores
    ………………………………………………………………………………………………………..
    …………………….e do discurso radical anti americano,…..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………………..
    …………………………..ainda mais perãnte o,…OBAMA,….
    ………………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………..que é mó, bonzinho..!
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………é isso..?
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………….Só uma perguntinha..???
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ………………………De qual,…”imprensa” você tá falando..?
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …………………Qual,..”imprensa” acobérta o,…”Armajine já”….?
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………Sê você me responde que é a,…
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …………………………………………..” TÉLE TÊeRÃ..”
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………..eu vô apelidar seu,.
    ………………………………………………blóg,….de…
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …………………………………………..”ó RHáios”..!
    ……………………………………………………………………………………………………….

  2. Marcelo Silveira disse:

    Assisti o filme ontem no Cinesesc e achei essa resenha do sr. Calil muito fraca.

    “’Cartas ao Presidente’ se dedica justamente a desmontar a máquina populista do presidente iraniano”.

    Não entendi dessa maneira. Na minha visão, o cineasta tentou, a bem da verdade, expor as contradições entre o marketing político e a realidade (o que ocorre em qualquer lugar do planeta). O Irã é uma democracia teocêntrica e, portanto, condicionada aos valores da Revolução Islâmica de 1979.

    “Ahmadinejad sai do filme como um populista ao mesmo tempo radical e ingênuo, cuja plataforma de ódio aos EUA tende a se enfraquecer com um presidente americano moderado como Obama”.

    Aqui o articulista mostra uma certa ignorância e, talvez, que o verdadeiro ingênuo seja ele. Não podemos levar tanto em conta o que o Presidente Ahmadinejad diz e prega ao seu público, em relação ao que realmente pensa e faz nos bastidores. O anti-americanismo é uma estratégia coerente com a realidade do país (que há 30 anos sofre sanções na ONU graças ao radicalismo dos EUA contra o Irã).

    Da mesma maneira podemos, em outra mão, aplicar o mesmo raciocínio a Obama. Os EUA estão desgastados com as duas ocupações no Iraque e Afeganistão e há a percepção de que não deseja se engajar em mais uma guerra. Além disso, no Irã existe uma coesão popular em torno do regime que não existia nos outros dois países mencionados. Se o discurso de Obama servirá para um avanço na aproximação entre o dois países, só o tempo dirá. Afinal o lobby judaico-sionista é muito forte no aparato financeiro e na mídia de massa do país do Norte – qualquer reconciliação dos EUA com o Irã é muito temida por Israel, que vê aí seus interesses imperialistas diretamente ameaçados.

    Por fim, os observadores atentos da cena iraniana perceberam que Khatami, o Presidente anterior que era tido por mais “progressista”, foi eleito e reeleito com maioria esmagadora dos votos vindos de jovens, mulheres e estudantes. Não só nunca conseguiu a abertura cultural que desejava, podado pelo observante clero Xiita do país, como também, apesar de todos os seus esforços, não conseguiu avançar uma vírgula sequer no diálogo com Ocidente.

    Lembremos que os EUA foram aliados históricos da monarquia no Xá reza Palhevi; uma tirania injusta, corrupta e assassina que teve todo suporte e apoio de todos os presidentes americanos enquanto vigorou.

    O ressentimento quase generalizado da população do país com o Ocidente e, em especial, com os EUA e Israel, principalmente vindo das camadas menos favorecidas, é não só justificado como muito coerente.

    Se a estratégia de marketing do Presidente Ahamadinejad é certa ou errada, não vai ser o cineasta Petr Lom que vai nos dizer (e ele pecou por omitir certos detalhes que poderiam fazer seu filme um pouco mais favorável ao líder iraniano). Mas o resultado das eleições do país em Junho.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo