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Arquivo de abril, 2009

29/04/2009 - 23:52

“Wolverine” é uma decepção

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“X-Men Origens: Wolverine” é uma demonstração da incrível banalidade do espetáculo hollywoodiano quando não há um conceito forte que o sustente. Nos melhores filmes de super-herói recentes, ele sempre pode ser encontrado. Por trás dos voos do “Homem-aranha”, de Sam Raimi, existia a questão da passagem da adolescência à vida adulta de Peter Parker. Nos dois primeiros “X-Men”, dirigidos por Bryan Singer, as histórias dos mutantes eram um pretexto para falar da discriminação dos diferentes.

Em “Wolverine”, prequel que mostra a trajetória do mais carismático dos mutantes antes de se juntar a seus pares da trilogia, não existe uma ideia que carregue o filme – como não havia em “X-Men 3”. O filme é um mero acúmulo de cenas de luta ou perseguição, efeitos especiais, frases de efeito e um número excessivo de mutantes – dirigidos sem grande imaginação pelo sul-africano Gavin Hood, de “Tsotsi – Infância Roubada” (2005), sub-“Cidade de Deus” que ganhou o Oscar de filme estrangeiro.

Em alguns momentos, o filme insinua que será sobre a batalha interna de Wolverine entre seus instintos selvagens e seus ideais humanistas. Mas logo essa ideia é interrompida por uma explosão ou pela entrada em cena de mais um mutante.

De positivo, “Wolverine” tem a escalação do elenco. Os talentos dramáticos de Hugh Jackman continuam maiores que seus bíceps (embora estes avancem a cada filme). Liev Schreiber foi uma bela lembrança para Victor Creed, o irmão de Wolverine, assim como Danny Houston no papel do ambíguo coronel William Stryker. Mas, com a exceção de Jackman, cada ator tem pouquíssimo tempo na tela para desenvolver seus personagens.

“Wolverine” não chega a ser entediante, porque Hood faz de tudo para entreter o espectador com emoções baratas. Mas é muito difícil lembrar do que se viu um ou dois dias depois. Para quem se aventurar a ver o filme, um aviso: há duas cenas importantes logo antes e depois dos letreiros finais.

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27/04/2009 - 23:28

“Divã”, sucesso do boca a boca

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Fato pouco comum no cinema brasileiro, “Divã” teve mais espectadores em seu segundo final de semana em cartaz do que em sua estreia, segundo dados do site FilmeB. Houve um aumento de 6% em renda e 7% em público. O filme de José Alvarenga ficou em primeiro lugar na bilheteria deste fim de semana no Brasil, com 162 mil espectadores, à frente de “Velozes e Furiosos 4”, com 119 mil. Sempre podemos lembrar do peso do marketing da Globo Filmes. Mas, nesse caso, a razão do sucesso parece ser outra: o velho boca a boca.

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25/04/2009 - 21:35

Quem morre mais no cinema

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O site da revista Premiere fez uma relação curiosa: pegou alguns dos maiores astros masculinos do cinema nos últimos anos e contou quantas vezes cada um morreu em filmes. Saiu isso aqui:

Will Smith, Harrison Ford – 2 vezes

Mel Gibson – 3 vezes

Tom Cruise – 4 vezes

Robert Downey Jr., George Clooney – 5 vezes

Denzel Washington – 7 vezes

Christian Bale – 8 vezes

Dustin Hoffman, Jack Nicholson, Al Pacino, Brad Pitt – 9 vezes

Johnny Depp – 9 1/2 (o site conta “Piratas do Caribe” como meia morte, porque seu personagem morre no segundo episódio e volta à vida no terceiro)

Bruce Willis – 11 mortes

Robert DeNiro – 14 vezes

O que essa lista quer dizer? Que atores como Harrison Ford e Will Smith acomodaram-se em papéis de heróis, enquanto outros como Bruce Willis e Robert DeNiro variaram mais suas opções na carreira? Pode ser. Mas talvez seja querer ver demais aí. Só esqueceram o Clint Eastwood. Acho que ele ficaria tranquilamente em primeiro lugar na lista.

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23/04/2009 - 23:37

Cannes aposta nas pratas da casa

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principal característa da lista dos filmes em competição no Festival de Cannes, divulgada nesta manhã, é a aposta em nomes já consagrados no próprio evento. Em uma rápida busca no site Imdb, descobrem-se alguns dados interessantes (por favor, corrijam se constatarem algum erro). Dos diretores dos 20 filmes em competição, apenas uma – Isabel Coixet – nunca competiu em Cannes. Outros quatro estiveram lá, mas não foram premiados: Ang Lee, Johnny To, Lou Ye e Brillante Mendoza.

Os outros 15 já receberam um ou mais prêmios, mais ou menos importante, em Cannes. Quatro já levaram a Palma de Ouro (Quentin Tarantino, Lars von Trier, Ken Loach e Jane Campion). Dois já foram considerados melhores diretores (Pedro Almodóvar, Michael Haneke). Quatrolevaram prêmios do júri (Andrea Arnold, Michael Haneke, Alain Resnais, Elia Suleiman). Marco Belocchio foi premiado pelo Júri Ecumênico, Tsai Ming-liang ganhou o prêmio paralelo da Fipresci, Xavier Giannoli e Gaspar Noe ganharam prêmios de melhor curta.

É normal que a competição oficial de Cannes, considerado o principal festival do mundo, priorize pratas da casa. É uma garantia de qualidade mínima para a programação, que vem sendo bastante malhada nos últimos anos. Mas a proporção deste ano está um tanto esmagadora. Faltou a surpresa, a aposta em jovens realizadores – o que ficou relegado às outras mostras do evento, incluindo aí a escolha de “À Deriva”, do brasileiro Heitor Dhalia, para a paralela Um Certo Olhar.

Abaixo, você confera a lista dos filmes selecionados para Cannes:

Em competição:

– “Los abraços rotos”, de Pedro Almodóvar
– “Fish Tank”, de Andrea Arnold
– “Um prophète”, de Jacques Audiard
– “Vincere”, de Marco Bellocchio
– “Bright Star”, de Jane Campion
– “Map of the sounds of Tokyo”, de Isabel Coixet
– “A l’origine”, de Xavier Giannoli
– “Das Weisse Band”, de Michael Haneke
– “Taking Woodstock”, de Ang Lee
– “Looking for Eric”, de Ken Loach
– “Chun feng chen zui de ye wan”, de Lou Ye
– “Kinatay”, de Brillante Mendoza
– “Enter the void”, de Gaspar Noe
– “Bak-Jwi”, de Park Chan-wook
– “Lhes herbes folles”, de Alain Resnais
– “The time that remains”, de Elia Suleiman
– “Inglourious basterds”, de Quentin Tarantino
– “Vengeance”, de Johnnie To
– “Visage”, de Tsai Ming-liang
– “Antichrist”, de Lars Von Trier

Um Certo Olhar

– “Mother”, de Bong Joon Ho
– “Irene”, de Alain Cavalier
– “Precious”, de Lee Daniels
– “Demain Des L’Aube”, Denis Dercourt
– “À Deriva”, de Heitor Dhalia
– “Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh”, de Bahman Ghobadi
– “Los Viajes Del Viento”, Ciro Guerra
– “Le Père de Mes Enfants”, de Mia Hansen-Løve
– “Skazka Pro Temnotu”, de Nikolay Khomeriki
– “Kuki Ningyo”, de Hirokazu Kore-Eda
– “Kynodontas”, de Yorgos Lanthimos
– “Tzar”, de Pavel Louguine
– “Indepencia”, de Raya Martin
– “Politist, Adjectiv”, de Corneliu Porumboiu
– “Nang Mai”, de Pen-Ek Ratanaruang
– “Morrer Como um Homem”, de João Pedro Rodrigues
– “Eyes Wide Open”, de Haim Tabakman
– “Samson And Delilah”, de Warwick Thornton
– “The Silent Army”, de Jean Van de Velde

Fora de competição

– “Agora”, de Alejandro Amenabar.
– “The imaginarium of Dr.Parnassus”, de Terry Gilliam.
– “L’armée du crime”, de Robert Guédiguian.

Sessões de meia-noite

– “A town called panic”, de Stéphane Aubier e Vincent Patar
– “Drag me to hell”, de Sam Raimi
– “Ne te retourne pas”, de Marina de Van

Sessões especiais

– “My Neighbor, my killer”, de Anne Aghion
– “Manila”, de Adolfo Alix Jr. e Raia Martin
– “Min ye”, de Soulymane Cisse
– “L’epine dans lhe coeur”, de Michel Gondry
– “Petition”, de Zhao Liang
– “Kalat hayam”, de Keren Yedaya

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23/04/2009 - 00:21

Quem deveria interpretar Susan Boyle no cinema?

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A notícia do jornal “Daily Telegraph” é tão estranha que chego a duvidar de que seja verdadeira: Demi Moore poderá interpretar Susan Boyle, a escocesa que virou fenômeno do dia para noite ao cantar no “Britain’s Got Talent”, em um filme a ser produzido por Simon Cowell, um dos jurados do programa. A atriz ajudou a chamar atenção para a cantora amadora ao elogiá-la no badalado Twitter de seu marido Ashton Kutcher. Mas escalá-la para o papel de alguém com uma aparência e uma trajetória tão diferentes só pode ser um delírio – da imprensa, de Hollywood ou dos dois.

Mas há poucas dúvidas de que no futuro próximo haverá um filme sobre Susan Boyle. Sua história de patinho feio é boa demais para ser ignorada pelo cinema americano. Mas que atriz deveria interpretar Susan no cinema? O jornal “The Guardian” aposta em Meryl Streep. Uma escolha boa – e óbvia. Streep pode interpretar qualquer coisa que se mova, sabe cantar e tem o mesmo tipo de nariz afilado de Susan.

Eu acrescento dois nomes britânico à lista de opções: Imelda Staunton (na foto, abaixo à dir.), a Dolores Umbridge de “Harry Potter”, e Brenda Blethlyn (abaixo à esq.), de “O Barato de Grace”. E vocês aí, querem fazer suas apostas?

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21/04/2009 - 22:17

1 filme, 10 mil produtores

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Três adolescentes britânicos – Adrian Bliss e Benjamin Robbins, de 18 anos, e Toby Stubbs, de 17 – inventaram uma nova maneira de levantar dinheiro para um filme. Pelo site buyacredit.com, eles vendem espaço nos créditos de seu longa pelo valor mínimo de uma libra. Até agora, eles já conseguiram levantar 100 mil libras de 10 mil doadores para tirar do papel o projeto de uma adaptação de “Clovis Dardentor”, romance pouco conhecido de Julio Verne. O objetivo é chegar a 1 milhão de libras, eles contaram ao “New York Times”. O problema vai ser o tamanho e a duração dos créditos.

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20/04/2009 - 23:09

Baixo orçamento é isso aí

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Dois lavradores, um professor de kung-fu, um auxiliar de enfermeiro, um ex-faxineiro de cinema, um serralheiro e um camelô. Estas são algumas das profissões dos diretores dos filmes que compõem a mostra Cinema de Bordas, que o Instituto Itaú Cultural abriga de quarta a domingo. O evento reúne 17 produções brasileiras de baixíssimo orçamento, realizadas com equipamento rudimentar e com parentes e amigos como atores.

A curadoria é de Bernardette Lyra e Gelson Santana, que integram um grupo de pesquisadores que se reúne periodicamente para discutir o fenômeno na Universidade Anhembi Morumbi. Um ponto em comum entre boa parte dos filmes da mostra parece ser a mistura entre histórias regionais e gêneros clássicos, como horror, policial, ficção científica, faroeste e kung-fu.

É o caso de “Rambú IV: O Clone”, paródia do filme de Sylvester Stallone dirigido pelo serralheiro amazonense Júnior Castro, em que um cientista cria um clone do Ramb, e se alia a um travesti para destruir a Amazônia. Ou “A Capital dos Mortos”, de Tiago Belotti, no qual zumbis invadem Brasília. Para mais informações sobre a mostra e a programação completa, confira o site do Itaú Cultural.

De cara, sem ter visto os filmes, a mostra soa interessantíssima – nem que seja para recolocar a expressão “baixo orçamento” em seu devido lugar no Brasil.

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18/04/2009 - 22:09

As melhores transformações de lobisomens

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Nesta sexta-feira, estreou no Brasil “Anjos da Noite – A Rebelião”, “prequel” da série de horror sobre a batalha entre vampiros e lobisomens que explica o que rolou antes dos acontecimentos dos dois outros filmes.

Não chega a ser uma surpresa que o filme não seja grande coisa – os outros da série também não eram. Mas é estranho ver como são fracas as cenas de transformação de homens em lobisomens – um dos grandes clássicos do gênero de horror. A coisa só piora quando lembramos que o diretor Patrick Tatopoulos é um especialista em efeitos especiais promovido a cineasta.

O filme é uma prova de que o dinheiro e a tecnologia não substituem a criatividade. Para comprovar a tese, vale comparar a mutação dos lobisomens neste filme e em outros do passado. Aqui vai a de “Anjos da Noite – A Rebelião”.

A melhor, para mim, continua sendo a de “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), de John Landis:

Mas o site Monkey Skull prefere esta do filme “The Howling”, feito no mesmo 1981 por outro grande cineasta subestimado, Joe Dante.

Mas nunca se pode dizer que “Anjos da Noite” tem a pior mutação animal quando se lembra da série de TV “Manimal” (1983), em que homens viravam felinos:

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16/04/2009 - 22:45

Hitchcock/Truffaut em áudio

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“Hitchcock/Truffaut” é um dos livros obrigatórios de todo cinéfilo que se preze. A obra reúne as entrevistas feitas com o cineasta inglês, o gênio por trás de “Um Corpo que Cai” e “Janela Indiscreta”, por seu colega francês, o brilhante autor de “Os Incompreendidos” e “Jules e Jim”. É, com o perdão do clichê, uma aula de cinema, uma conversa extensa, profunda e minuciosa sobre cada um dos filmes de Hitchcock.

Agora vem a boa nova: os áudios de todas as entrevistas podem ser encontrados agora no blog If Charlie Parker was a gunslinger…. Divididas em 25 arquivos no formato MP3, as entrevistas trazem as perguntas em francês feitas por Truffaut, as respostas em inglês de Hitchcock e a tradução de Helen Scott. Em uma palavra: tesouro.

Uma dica de Marcelo Miranda, via Leonardo Mecchi.

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16/04/2009 - 00:15

Bernardet pelos ares

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´Jean-Claude Bernardet é um dos principais críticos e ensaístas do cinema brasileiro, autor de obras fundamentais como “Cineastas e Imagens do Povo”. Ele tem 72 anos, convive há duas décadas com o vírus da Aids e está ficando cego, por conta de um ressecamento da membrana que envolve o globo ocular. De uns tempos para cá, deu para praticar esportes radicais, como saltar de paraquedas ou descer um rio boiando submerso. São experiências que, segundo ele, o fazem abandonar a racionalidade e a representação, mesmo que momentaneamente. Um processo que tem tudo a ver com a atual obsessão teórica de Bernardet, a autoficção, e com seu personagem em “FilmeFobia”, novo longa de Kiko Goifman que estreia no dia 10 de maio, no qual o crítico interpreta um diretor de cinema que está perdendo a visão e que filma pessoas fóbicas diante de suas fobias.

A convite da revista “Trip”, Bernardet realizou um salto de paraquedas em Boituva, no interior de São Paulo, o primeiro registrado em fotos e também o primeiro em que ele posou em pé. O excelente texto de Guilherme Werneck começa assim:

“Agora eu fico assim até a noite, a adrenalina é uma droga muito poderosa.” Passa pouco das duas da tarde de domingo. Jean-Claude Bernardet, 72 anos, acabou de tirar o macacão que vestia sobre as calças jeans e a camisa branca de linho. Segura uma garrafa d’água na mão. Bebe devagar e não para de sorrir. Para quem vive de palavras, elas não são suficientes para descrever a sensação. Há um amortecimento, uma excitação, um sentimento de que o mundo não traz estímulos suficientes para sair do transe. O que vale é a vertigem, o vento, o homoerotismo do corpo do instrutor colado ao seu em queda livre – menos de 1 min até o paraquedas abrir para uma descida suave de mais ou menos 7 min. São 12 mil pés na descendente, uma aventura sensorial que tem sentido especial para um homem que dedicou a vida ao cinema, que sempre viu e leu de maneira muito particular, e agora está quase cego.”

A íntegra pode ser conferida aqui, no recém-reformado site da “Trip”. Vale a leitura.

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