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16/04/2009 - 00:15

Bernardet pelos ares

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´Jean-Claude Bernardet é um dos principais críticos e ensaístas do cinema brasileiro, autor de obras fundamentais como “Cineastas e Imagens do Povo”. Ele tem 72 anos, convive há duas décadas com o vírus da Aids e está ficando cego, por conta de um ressecamento da membrana que envolve o globo ocular. De uns tempos para cá, deu para praticar esportes radicais, como saltar de paraquedas ou descer um rio boiando submerso. São experiências que, segundo ele, o fazem abandonar a racionalidade e a representação, mesmo que momentaneamente. Um processo que tem tudo a ver com a atual obsessão teórica de Bernardet, a autoficção, e com seu personagem em “FilmeFobia”, novo longa de Kiko Goifman que estreia no dia 10 de maio, no qual o crítico interpreta um diretor de cinema que está perdendo a visão e que filma pessoas fóbicas diante de suas fobias.

A convite da revista “Trip”, Bernardet realizou um salto de paraquedas em Boituva, no interior de São Paulo, o primeiro registrado em fotos e também o primeiro em que ele posou em pé. O excelente texto de Guilherme Werneck começa assim:

“Agora eu fico assim até a noite, a adrenalina é uma droga muito poderosa.” Passa pouco das duas da tarde de domingo. Jean-Claude Bernardet, 72 anos, acabou de tirar o macacão que vestia sobre as calças jeans e a camisa branca de linho. Segura uma garrafa d’água na mão. Bebe devagar e não para de sorrir. Para quem vive de palavras, elas não são suficientes para descrever a sensação. Há um amortecimento, uma excitação, um sentimento de que o mundo não traz estímulos suficientes para sair do transe. O que vale é a vertigem, o vento, o homoerotismo do corpo do instrutor colado ao seu em queda livre – menos de 1 min até o paraquedas abrir para uma descida suave de mais ou menos 7 min. São 12 mil pés na descendente, uma aventura sensorial que tem sentido especial para um homem que dedicou a vida ao cinema, que sempre viu e leu de maneira muito particular, e agora está quase cego.”

A íntegra pode ser conferida aqui, no recém-reformado site da “Trip”. Vale a leitura.

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2 comentários para “Bernardet pelos ares”

  1. Eduardo Miranda disse:

    Salve Bernardet! Original e corajoso, desde o início, fazendo a crítica ao Cinema Novo no calor da hora, o que os demais críticos só fariam depois. Grande teórico! Junto com Ismail, norte para pensar o cinema brasileiro.

  2. Caro Ricardo, Bernardet é muito bom. Mas o seu post me chamou a atenção mesmo foi pela criatividade do título. Muito legal! Um abraço de leitor.

Os comentários do texto estão encerrados.

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