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Arquivo de maio, 2009

31/05/2009 - 22:06

Ang Lee é um clássico

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Com atraso, fui ver “Desejo e Perigo”, de Ang Lee. O filme reforçou uma ideia deixada por “O Segredo de Brokeback Mountain”: Lee tornou-se um grande cineasta clássico. Fora o tratamento do sexo, seus filmes poderiam ter sido feitos num passado longínquo, com seu artesanato perfeito de roteiro, direção e atuações e seu aparente desinteresse por ousadias formais e desconstruções de linguagem.

Em “Desejo e Perigo”, ainda há um certo jogo entre realidade e representação: a protagonista (Wei Tang) é uma atriz amadora que seduz um político chinês que colabora com os japoneses (Tony Leung), como parte de um plano da resistência para matá-lo. Em um dado momento, não se sabe se ela está apenas fingindo paixão ou realmente apaixonada e se ele sabe da traição, mas não quer perdê-la.

Mas Lee é um cineasta límpido, pouco afeito à ambiguidade. Logo fica claro que ele está filmando uma história de amor, não uma intriga de espionagem. Como ficou evidente que “Brokeback Mountain” era um melodrama clássico de amor impossível, não um romance gay com uma postura política.

Por fim, é preciso dizer que Tony Leung – de “Amor à Flor da Pele”, “Herói” e tantos outros – é um dos maiores atores do nosso tempo, um Mastroianni chinês, mas ainda não devidamente reconhecido.

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29/05/2009 - 22:08

É o fim da Blockbuster?

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Nos anos 90, a Blockbuster era vista como uma espécie de McDonald’s do aluguel de vídeo, o gigante imperialista que iria esmagar as pequenas locadoras de bairro de todo o mundo. O que dez anos não fazem… Hoje, a empresa parece estar com os dias contados.

Os preços de suas ações despencaram 90% em dois anos. Ela foi apontada como uma das 15 companhias que podem não chegar ao final do ano pelo site usnews.com. No mês passado, sua direção anunciou que talvez não consiga cumprir suas obrigações financeiras. E, no Brasil, as locadoras da rede foram engolidas pelas Lojas Americanas.

Em meio ao caos, o presidente da empresa, Jim Keyes, anunciou ontem seus planos para salvar a Blockbuster: entrar no ramo do aluguel de games online e encher as pratelerias de DVD com merchandising dos filmes – como os óculos dos Homens de Preto. Algo me diz que não vai ser o suficiente.

Como pergunta o blog de cinema do jornal inglês “The Guardian”, quem ainda vai a uma Blockbuster hoje? Com DVDs baratos à venda em lojas (e, por aqui, em camelôs) e filmes que podem ser baixados na internet, quem ainda se move até uma loja, percorre os corredores, vai ao balcão e retorna 48 horas depois para devolver o DVD? Bom, eu ainda vou, mas não sei por quanto tempo…

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28/05/2009 - 22:03

Qual é a hora certa para ir banheiro em um filme?

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Deu no Blue Bus: existe um site americano que indica os melhores momentos para ir ao banheiro no meio de um filme, os chamados tempos mortos, em que rola pouca ação. O RunPee permite a colaboração dos usuários e tem uma lista ainda pequena de filmes, que vai das estreias da semana a filmes mais antigos. Dois exemplos: em “Star Wars”, o momento do xixi vem com 1h40 de projeção, quando Han diz a Luke: “Ainda não escapamos desta”; em “Wolverine”, são 50 minutos até a hora do banheiro, bem no instante em que o protagonista descobre que tem garras metálicas. O site ainda indica o que acontece nos três minutos seguintes, que ele calcula como tempo médio da ida ao WC. Serviço bom é isso aí.

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27/05/2009 - 23:06

Cinema mauricinho

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“O cinema que triunfou no Brasil é careta, não mostra nada, é um Cinema Mauricinho, que só se preocupa em agradar o público e tentar adivinhar o seu gosto. Esta é uma pretensão ridícula. São filmes bonitinhos, mas que não dizem nada, não mostram nada. E são totalmente feitos com o dinheiro do contribuinte, ninguém mais coloca a mão no bolso! Além disso, os cineastas que conseguem filmar são sempre os mesmos, um grupo de bem nascidos. Vivemos nas trevas da hipocrisia! Eu acho que hoje as novelas da televisão estão melhores que os filmes brasileiros!”

A frase é do cineasta Neville de Almeida, proferida ontem em debate após a exibição de seu filme “A Dama do Lotação” na mostra “O Erotismo no Cinema Brasileiro”, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Foi destacada em texto no blog Máquina de Escrever, de Luciano Trigo. Neville estava com fome de polêmica. Ele soltou ainda:

“O Cinema Novo não foi prejudicado pela ditadura militar. Ao contrário, ele prosperou na ditadura, que financiou, através da Embrafilme, todos aqueles filmes. E, que eu saiba, nenhum cineasta foi forçado a se exilar.”

“Já temos uma estrutura de produção montada e funcionando, mal ou bem são feitos 80 filmes por ano. O problema a ser atacado agora é a distribuição e a exibição. O BNDES devia financiar a construção de cinemas em municípios que não têm nenhuma sala. E tem que haver mais compromisso. Hoje, tem diretor que pensa: ‘O dinheiro é do contribuinte mesmo, então estou me lixando se o filme só vai ficar uma semana em cartaz’. Claro, ele já ganhou o dele! O que não pode é alguém assim fazer um filme de 3 milhões que não dá nenhum retorno e no ano seguinte voltar e pedir mais 5 milhões para fazer outro!”

Minha tendência é concordar com todas essas frases de Neville, em especial com a expressão “cinema mauricinho” – levando em conta, claro, que todas essas questões estão simplificadas e têm muito mais nuances. O problema é que o discurso do cineasta é bem melhor que a maioria de seus filmes – os últimos foram “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1991) e “Navalha na Carne” (1997). E daí fica difícil levá-lo excessivamente a sério, por mais que ele tenha razão.

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26/05/2009 - 21:46

Chama o Dr. Castanho

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No capítulo desta terça-feira de “Caminho das Índias”, Yvone (Letícia Sabatella) apareceu envenenando os bombons que daria de presente para o motorista Gopal (André Gonçalves). Daí lá em casa eu cantei a bola para a patroa: na próxima cena, vai aparecer o Dr. Castanho (Stênio Garcia) dizendo uma frase que começa: “O psicopata…”. Não foi na sequência seguinte, mas foi um par de cenas depois. A adivinhação não é mérito nenhum. Nas últimas três maldades de Yvone que eu presenciei, o Dr. Castanho sempre aparece pouco depois para explicar seu comportamento, para deixar claro ao espectador que ela não é uma vilã normal, mas uma psicopata. Acho que até minha filha de dois anos entenderia – se assistisse novela, se estivesse acordada nessa hora.

Glória Perez levou o didatismo televisivo a níveis inéditos na TV, uma atitutde que ignora completamente a evolução de linguagem do meio. Vocês vão achar que eu sou um cínico, mas às vezes acho que a autora tem uma loucura que beira a genialidade – e que eu não sem bem definir da onde vem. Talvez o Dr. Castanho possa ajudar.

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24/05/2009 - 21:25

Premiação de Cannes: previsível, ousada e diplomática

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Nos prêmios principais, o Festival de Cannes não poderia ter sido mais previsível. Os dois filmes que surgiram como favoritos longo do evento ficaram com as estatuetas mais valorizadas. “A Fita Branca”, do austríaco Michael Haneke, levou a Palma de Ouro; “O Profeta”, do francês Jacques Audiard, ficou com o Grande Prêmio do Júri.

As surpresas foram reservadas para os outros prêmios. O júri teve a coragem de reconhecer os dois filmes mais polêmicos e violentos do festival: Charlotte Gainsbourg levou o prêmio de melhor atriz por “Anticristo”, filme de Lars von Trier em que um clitóris é decepado, e o filipino Brillante Mendoza ganhou como melhor diretor por “Kinatay”, que mostra o estupro, assassinato, decapitação e desmembramento de uma prostituta.

Não faltou um prêmio para o filme de Quentin Tarantino (o de melhor ator para o alemão Christopher Waltz) e um “prêmio excepcional” para Alain Resnais, maneira encontrada para homenagear um mestre de 87 anos que estava na competição. O grande “ausente” na premiação, dado seu eterno favoritismo, foi Pedro Almodóvar, que decepcionou a crítica com “Los Abrazos Rotos”.

Mas, de resto e de longe, parece que o júri equilibrou-se com cuidado entre a previsibilidade (dos dois prêmios principais), a ousadia (dos prêmios menores) e a diplomacia (do prêmio especial). Para concluir o capítulo Cannes, vale ler o balanço do crítico Kleber Mendonça Filho para o blog Cinemascópio, que termina assim:

“Na verdade, essa é a beleza de Cannes, poder imaginar quanto e como que esses filmes irão ganhar o mundo, uma safra de filmes fortes feitos por artistas que parecem dar muito de si mesmos para transformar idéias em imagens. Dos balões coloridos de uma animação digital 3D sobre envelhecer (Up) aos dramas internos de um casal isolado numa floresta (Aniticristo), há ainda estudos profundos sobre as doenças das sociedades não apenas nos filmes de Haneke e Mendoza, mas também no injustiçado de ontem a noite, o belo ‘The Time That Remains’, do realizador palestino Elia Suleiman.

De qualquer forma, fica a sensação de amor pelo cinema, tão bem expressa por autores que não poderiam ser mais diferentes em tom, estilo e faixa etária. Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar e Alain Resnais, seus filmes pulsando com energia e paixão pelo meio, meio que não mostra sinais de que irá morrer tão cedo.”

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24/05/2009 - 12:08

Antiprêmio para o “Anticristo”

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Essa eu  nunca vi. O Júri Ecumênico do Festival de Cannes, que todo ano premia no evento filmes que celebrem valores espirituais, decidiu pela primeira vez dar um “antiprêmio”. O homenageado não poderia ser outro: “Anticristo”, de Lars von Trier.

O trabalho – que, entre outras cenas, mostar um clitóris sendo cortado com uma tesoura velha – foi definido pelo Júri Ecumênico como “o filme mais misógino do autoproclamado maior diretor do mundo”. Em um comunicado, o cineasta romeno Radu Mihaileanu, disse que Von Trier estava sugerindo com seu filme que “as mulheres deveria ser queimadas na fogueira para que os homens possam finalmente se libertar”.

O diretor do festival, Thierry Fremaux, reagiu de maneira igualmente forte: “Foi uma decisão ridícula que beira a censura, ainda mais vinda de um júri ‘ecumênico’ liderado por um cineasta”.

Na minha opinião, tá todo mundo viajando: o Júri Ecumênico provavelmente fez o que Von Trier queria (criar mais polêmica em torno do filme), e Fremaux não faz ideia do que a palavra censura significa.

Ah, sim, o prêmio oficial do Júri Ecumênico foi para “Looking for Eric”, de Ken Loach. Mas quem irá se lembrar disso?

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22/05/2009 - 22:54

O salto de Heitor Dhalia

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No basquete americano, existe uma votação para determinar qual jogador mais evoluiu na temporada. Não o melhor, nem o maior pontuador. O que mais evoluiu. Se houvesse eleição semelhante no cinema brasileiro, meu voto iria para Heitor Dhalia. Do imperdoável “Nina”, houve um salto para “O Cheiro do Ralo”, filme que tinha virtudes e problemas de tamanhos equivalentes. De “O Cheiro do Ralo”, um salto maior ainda para “À Deriva”, que tem uma sensibilidade insuspeita para o cineasta – reconhecida pelos aplausos ao filme nesta semana em exibição no Festival de Cannes.

Se fosse possível determinar uma razão para essa evolução, eu diria – sob o risco de soar mais um ongueiro do que um crítico – que foi a abertura de Dhalia para demonstrar alguma ternura por seus personagens. Em seus dois filmes anteriores, o cineasta impunha uma visão de mundo já pronta – no caso, a de um misantropo – sobre um determinado universo (de Dostoievski ou de Lourenço Mutarelli). Em “À Deriva”, ele parece disposto a construir um ponto de vista ao longo do filme, a abandonar seus julgamentos, a abraçar a complexidade do mundo – processo próximo ao que vive a protagonista Filipe (a luminosa estreante Laura Neiva), às voltas com a separação dos pais e a descoberta da sexo, simultaneamente.

“À Deriva” seria um filme melhor se tivesse metade dos diálogos. O roteiro, também de Dhalia, explicita sentimentos que foram devidamente insinuadas pelas imagens. Ainda assim, seria injusto não notar que Dhalia deu um passo largo para se tornar um bom cineasta. Ele já assimilou o dom da compaixão. Agora falta o da rarefação.

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21/05/2009 - 23:25

Leonardo Medeiros: retrato oficial da angústia

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Leonardo Medeiros é um dos melhores atores da nova geração do cinema brasileiro (em uma lista que inclui Selton Mello, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Caio Blat e João Miguel). Mas ele é também um exemplo clássico da falta de originalidade dos diretores nacionais na hora de escalar seus elencos. Medeiros tornou-se em poucos anos o rosto oficial da angústia no cinema brasileiro da retomada. Tem um personagem atormentado? Então chama o Medeiros.

O mais novo caso é “Budapeste”, filme de Walter Carvalho baseado no romance de Chico Buarque, que estreia nesta sexta-feira. Mas antes vieram “Feliz Natal”, “Nossa Vida Não Cabe num Opala”, “Corpo”, “Não por Acaso” e outros – papéis com detalhes diferentes, mas sempre de homens tristes e deslocados.

O problema não é com Medeiros. Ele conquistou todos esses papéis por seu talento e competência. A questão é mesmo a falta de ousadia, a aposta no óbvio, feita pelos cineastas. Selton Mello sofreu desgaste semelhante, tantas vezes foi escalado para interpretar o esperto cínico. Qual é a saída para Medeiros? Fazer uma chanchada urgentemente.

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20/05/2009 - 12:41

Reações ao primeiro brasileiro em Cannes

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Começam a aparecer as reações iniciais a “No Meu Lugar”, de Eduardo Valente, primeiro filme brasileiro a ser exibido nesta edição do Festival de Cannes, fora de competição. O texto do “Hollywood Reporter” foi negativo:

“É claro que o diretor estreante Eduardo Valente fez a lição de casa sobre todos os filmes, como ‘Amores Perros’, com narrativas díspares e impenetráveis que se unem ao final. Mas esse tipo de coisa é mais fácil de estudar do que de ser bem-sucedido, e Valente, obviamente um talento promissor, não consegue isso. As perspectivas comerciais são poucas ou inexistentes, mas da próxima vez que você ver o nome do diretor ligado a um filme vá assisiti-lo.”

A da “Variety” é mais positiva, apesar das restrições ao final:

“A exibição local deverá ter um retorno decente, e o nome de Walter Salles como produtor executivo deve ajudar a garantir milhas em festivais, mas o público deverá se sentir frustrado pela inexplicável virada do final.”

Algumas observações sobre essas primeiras reações (de alguém que ainda não viu o filme): as duas publicações americanas são voltadas para o mercado, por isso essa estranha (e um tanto esotérica) obsessão com o futuro comercial do filme; as próximas críticas internacionais devem sair em breve e, positivas ou não, certamente devem fugir do tom superficial dessas duas; Valente ainda vai ter que lidar com muitas associações à obra do mexicano Alejandro González Iñárritu (da qual ele não gosta, como já demonstrou em seu trabalho de crítico). Mas vamos torcer para que ele se livre desse karma indesejado em futuras críticas.

De quebra, um vídeo feito por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux para o blog Cinemascópio, com entrevistas de Valente em Cannes sete anos atrás, quando ganhou ali o prêmio de melhor curta por “Um Sol Alaranjado”, e nesta semana.

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