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22/05/2009 - 22:54

O salto de Heitor Dhalia

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No basquete americano, existe uma votação para determinar qual jogador mais evoluiu na temporada. Não o melhor, nem o maior pontuador. O que mais evoluiu. Se houvesse eleição semelhante no cinema brasileiro, meu voto iria para Heitor Dhalia. Do imperdoável “Nina”, houve um salto para “O Cheiro do Ralo”, filme que tinha virtudes e problemas de tamanhos equivalentes. De “O Cheiro do Ralo”, um salto maior ainda para “À Deriva”, que tem uma sensibilidade insuspeita para o cineasta – reconhecida pelos aplausos ao filme nesta semana em exibição no Festival de Cannes.

Se fosse possível determinar uma razão para essa evolução, eu diria – sob o risco de soar mais um ongueiro do que um crítico – que foi a abertura de Dhalia para demonstrar alguma ternura por seus personagens. Em seus dois filmes anteriores, o cineasta impunha uma visão de mundo já pronta – no caso, a de um misantropo – sobre um determinado universo (de Dostoievski ou de Lourenço Mutarelli). Em “À Deriva”, ele parece disposto a construir um ponto de vista ao longo do filme, a abandonar seus julgamentos, a abraçar a complexidade do mundo – processo próximo ao que vive a protagonista Filipe (a luminosa estreante Laura Neiva), às voltas com a separação dos pais e a descoberta da sexo, simultaneamente.

“À Deriva” seria um filme melhor se tivesse metade dos diálogos. O roteiro, também de Dhalia, explicita sentimentos que foram devidamente insinuadas pelas imagens. Ainda assim, seria injusto não notar que Dhalia deu um passo largo para se tornar um bom cineasta. Ele já assimilou o dom da compaixão. Agora falta o da rarefação.

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